sábado, 11 de março de 2017

(Continuação 13) - Actualização em 15/03/2018

Assembleia Portuense e Club Portuense

A sociedade portuense por vezes, associou-se em clubes e agremiações, que foram motores de diversão e de comunhão de interesses da mais variada ordem.

A Assembleia Portuense é disso um exemplo, sendo fundada em 31/5/1834 na antiga Praça da Erva, depois Largo do Laranjal e finalmente Praça da Trindade. Pretendeu-se criar um local onde os associados pudessem encontrar-se para conversarem, jogarem “jogos lícitos” e lerem. Também aí se realizavam bailes de grande agrado dos sócios em que eram servidas bebidas e doces. Interessantes eram algumas das regras que proibiam os associados de entrar em certos locais com capote, chapéu e galochas que deveriam deixar na portaria. Só na sala de bilhar e de leitura era permitido usá-los. Era proíbido cuspir, assobiar, discutir alto para não perturbar a ordem. Na sala de leitura o silêncio deveria ser absoluto. 
Este clube destinava-se à mais alta burguesia. 
Jocosamente chamavam à sala de convívio o “Palheiro”, pois tinha o chão forrado com uma “alcatifa” em esparto para maior comodidade dos sócios.
Irónicamente, Camilo afirmou desconhecer a razão, mas como esta palavra vem de palha, talvez fosse para designar o alimento dos que a frequentavam.
Em consequência do empobrecimento de alguns por força das lutas políticas dos anos 40 do séc. XIX, houve muitos sócios que abandonaram a Assembleia Portuense pelo que esta sofreu graves prejuízos.
Todas as noites era distribuído gratuitamente pelos presentes chá e bolos. Em 1842 tinha mais de 300 associados. 
Pretendeu a Direcção acabar com o referido chá gratuito, o que causou grande divisão entre os associados. Realizaram-se diversas A.G. e ao fim de mais de um mês de discussões, os que pretendiam continuar com este costume perderam a votação em A. G. pelo que decidiram fundar uma nova associação.
O novo e aristrocrático clube fundado em 24/5/1857 seria chamado de Club Portuense.
No desenho abaixo está o edifício da Praça da Trindade, onde até 1857 esteve a sede da Assembleia Portuense e nos 67 anos seguintes o Club Portuense após a cisão dos sócios e que foi, ainda, residência dos Ferreirinhas.
Fariam parte do Club Portuense, várias dezenas de personalidades da Cidade do Porto, entre os quais se encontravam proprietários, futuros titulares, homens de governança da Cidade e diversos estrangeiros, nomeadamente ingleses cuja colónia detinha uma grande influência na sociedade e economia da Cidade, que viriam a dar sentido ao novo clube.
A Assembleia de Constituição foi na Casa da Fábrica, mais tarde infelizmente destruída. Era uma das mais belas casas do Porto e foi prometido reconstruí-la na Cordoaria, mas nunca tal veio a acontecer. 
Em 1924 mudou-se para a Rua de Cândido dos Reis, para o edifício aí construído pelo Conde de Vizela, onde ainda hoje se encontra.
Na década de 1980, o edifício foi adquirido pelos sócios ao antigo banqueiro António Brandão Miranda.
Este clube teve desde o séc. XIX uma intensa vida social, onde se realizaram dos melhores bailes da cidade, além de muitas outras actividades. Recebeu a visita de D. Pedro V em 1860 e da família Real, D. Luís, a rainha e seus filhos, em 1863; D. Carlos, em 1884, D. Manuel II, em 1908.”
Com a devida vénia a portoarc.blogspot

Palacete Ferreirinha e Sede da Assembleia Portuense de 1834 até 1857 e do Club Portuense até 1924

Em 1837 era presidente da Assembleia Portuense fundada em 1834, António Joaquim da Costa Carvalho, mais tarde barão de S. Lourenço.
Desde a fundação o clube passou a ocupar a única ala do palácio já construída (mais a poente), e o seu salão de baile só seria inaugurado quando terminou a construção do seu corpo central.
A criação do Club Portuense em 1857 resultou, assim, de uma ruptura com a Assembleia Portuense, criada cerca de 20 anos antes e foi catalisada pela chamada questão do chá, que envolvia a exigência de direitos entretanto adquiridos pelos sócios, nesta última instituição.
Ao longo dos quase 150 anos da sua História, este Clube esteve localizado em três sedes: a Casa da Fábrica, cedida pela família Souto e Freitas e onde foi fundado; o Palacete Ferreirinha, no Largo da Trindade, edifício entretanto demolido; e a actual sede na Rua Cândido dos Reis, edifício então mandado construir pelo Conde de Vizela.

“O Club Portuense teve uma vida social muito activa na segunda metade do século XIX, tendo organizado diversos “Bailes em Honra dos Reis de Portugal”, por ocasião das suas visitas à cidade do Porto. Com largo eco na imprensa da época, estas festas foram estudadas pelo Sr. Brigadeiro Nunes da Ponte e publicadas no seu livro “Recordando o velho Porto”.
Em 1880, fundiu-se com a Sociedade Filarmónica Portuense, criando o Grémio Portuense, que passou a incorporar o seu acervo musical.
Este, apesar de uma doação parcial à Câmara Municipal do Porto, ainda hoje permanece parcialmente nos seus acervos arquivísticos.
Em 1924, o Club Portuense instalou-se na sua actual sede na Rua Cândido dos Reis, tendo mais tarde o edifício sofrido obras de melhoramentos, nomeadamente através da intervenção do decorador Viterbo.
As decorações do Salão de Baile e da sua Sala de Jantar, ao gosto revivalista neoclássico – semelhante ao que o mesmo decorador introduziu na Casa dos Viscondes de Villar d’Allen, na Rua de António Cardoso, no Porto – ainda hoje permanecem como ex-libris do clube. 
Na década de 1980, o edifício foi adquirido pelos sócios ao antigo banqueiro António Brandão Miranda, sendo hoje considerado como uma das salas de visita mais interessantes da Cidade do Porto”.
Fonte: ruasdoporto.blogspot.pt



Entrada do Club Portuense - Fonte: In "clubportuense.com"


Club Portuense na Rua Cândido dos Reis nº 24 - Fonte Google Maps


Entretanto, a Assembleia Portuense a partir de 1859, teria a sua sede (na foto abaixo), onde hoje se encontra o Clube dos Fenianos, tendo sido ocupada, posteriormente, pela  “Casa Fotográfica União” e o edifício sido demolido em 1915, aquando da construção da Avenida dos Aliados.


Sede desde 1859 da Assembleia Portuense - Ed. Photo Guedes



Ateneu Comercial do Porto

Como Sociedade Nova Euterpe, desde 29 de Agosto de 1869, passaria a ser, a partir de 23 de Março de 1884, o Ateneu Comercial do Porto.

Ateneu Comercial na Rua Passos Manuel em 1885




“A história deste clube, que começou por ser uma sociedade recreativa (Sociedade Nova Euterpe, fundada em 29 de agosto de 1869. Euterpe foi uma das nove musas da mitologia grega. Era a musa da música) e que acabou por se tornar num clube burguês, está intimamente ligada à própria história da cidade do Porto, identificando-se especialmente com as suas atividades culturais e cívicas.
Ainda hoje os ideais desta associação mantêm uma "cultura da pluralidade", recebendo e promovendo atividades culturais e artísticas num clube privado aberto à cidade. Esta tendência de disponibilizar ao exterior o usufruto de alguns dos seus espaços remonta às suas origens, no século XIX. Contrariamente às restantes sociedades burguesas, o Ateneu abria as suas portas a estudantes, jornalistas e intelectuais, que frequentavam a sua sala de leitura.
Este lugar, criado pelos comerciantes e caixeiros-viajantes, estava recetivo às diferentes elites, convivendo pacificamente com o cruzamento da modernidade e da tradição, e não assumia uma atitude snob, bastante comum a muitos destes clubes privados. Os hábitos e costumes dos clubes burgueses do século XIX foram-se perdendo, mas esta associação portuense aposta na promoção de um variado conjunto de atividades culturais.
Depois de 1834, a tradição dos bailes e dos saraus da aristocracia foi retomada pelas elites burguesas liberais, como forma de se afirmarem na sociedade.
A Sociedade Nova Euterpe, que esteve na origem do Ateneu Comercial do Porto, surgiu, em Agosto de 1869, pela fusão de alguns clubes recreativos (frequentados por caixeiros-viajantes) como Terpsicore Comercial Euterpe, Callanira e Club Recreativo Portuense.
Este último foi inaugurado, na atual Avenida Saraiva de Carvalho em 2 de fevereiro de 1868.
Em 1871 o Club Recreativo Portuense seria integrado na Nova Euterpe.
Com o intuito de promover o progresso moral e material dos seus associados, o Ateneu do Porto teve em B. Alves Costa o seu principal fundador, seguido depois por Alves de Azevedo, Xavier da Mota e Agostinho Leão.
A primeira sede desta sociedade, na Rua da Porta do Sol, foi mais tarde substituída, a 31 de maio de 1885, por um edifício mais apropriado, situado na Rua de Passos Manuel, no centro da Baixa portuense. 
Em 1884, um ano antes da inauguração solene da nova sede, a instituição era então presidida por Manuel Emílio Dantas. Entretanto, devido a uma alteração dos estatutos, acordada a 23 de março, deixou de se chamar Sociedade Nova Euterpe e passou a designar-se por Ateneu Comercial do Porto”.
Fonte: Infopédia


“O Ateneu Comercial do Porto, Associação de Cultura, Instrução e Recreio, foi fundado em 29 de Agosto de 1869 e resultou da fusão de outras instituições congéneres que não vingaram, fundadas por comerciantes e caixeiros da cidade do Porto.
Por divisa escolheu «Inter Folia Fructus», que retracta o seu propósito de «... promover e cimentar relações de benevolência e boa sociedade entre os associados e proporcionar-lhes um passatempo honesto e civilizador por meio de reuniões ordinárias, dança e leitura, conversação e jogo lícito».
Associação ímpar no seu género, com cariz de clube privado, onde convivem atividades lúdicas e culturais, tem sede em edifício próprio, na Rua de Passos Manuel, n.º 44, desde Maio de 1885.
Dotado de magníficas instalações, dispõe de um salão nobre, polivalente, biblioteca, restaurante, bufete, bar, barbearia, sala de visitas, salas de jogos, salões de bilhar e sala de leitura, para além das salas D. Luís e Dr. Uva.
Desde as suas origens de sociedade recreativa, até às extravagâncias de clube burguês, não esquecendo a tradição dos bailes, saraus e tertúlias, onde sempre contou com a presença da velha e nova aristocracia, nunca deixou de se identificar com o Porto e os seus movimentos cívicos e culturais.
A sua peculiar identidade, permitiu-lhe acolher todas as elites, de distintas sensibilidades, poderes e contra-poderes, nunca assumindo conotações marcadas com qualquer grupo, sobrevivendo desta forma às vicissitudes do desenrolar da história. Seguramente, é esse o seu maior património, ou seja, uma cultura de pluralidade, tolerância e independência, face a qualquer credo político ou religioso, postura essa que continua a cultivar, contando entre os seus sócios, com nomes influentes de todos os quadrantes e tendências ideológicas.
É riquíssimo o historial desta Instituição e quiçá fastidioso para quem consultar esta página, enumerar os eventos de projeção nacional e internacional realizados ao longo de quase 141 anos de vida - durante os quais sempre convidou e abriu as suas portas aos cidadãos do Porto – e por onde passaram figuras de grande prestígio nacional e internacional, no domínio das letras, artes plásticas e cénicas, música, política e ciência.
Não menosprezando o seu valioso património artístico em quadros a óleo, escultura e faiança, bem como coleções de cariz numismático e medalhístico, a sua "joia da coroa" é a Biblioteca, considerada uma das melhores bibliotecas privadas da Península Ibérica. O seu recheio bibliográfico é de grande valia, possuindo um espólio superior a 40.000 títulos e 80.000 volumes, destacando-se, de entre muitas raridades, a primeira edição de "Os Lusíadas", uma edição da Bíblia datada de 1500 e alguns escritos de Fernão Lopes”.
Fonte - Site: “ateneucomercialporto.pt”

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