sexta-feira, 11 de agosto de 2017

(Continuação 32) - Actualização em 09/04/2018 e 28/04/2021


A Rua de Sá da Bandeira iria, com o passar dos anos, avançar mais para norte.





Antiga Rua Ocidental do Bolhão, em 1900 – Fonte: “O Tripeiro”



Na foto anterior vê-se a Rua Ocidental do Bolhão, que seria o futuro prolongamento da Rua de Sá da Bandeira entre a Rua Formosa e a Rua Fernandes Tomás.
À direita, o mercado do Bolhão; à esquerda, casas térreas onde havia uma loja de flanelas e cocheiras dos carros americanos da Companhia de Carris de Ferro do Porto; ao fundo, as casas da Rua de Fernandes Tomás.
Na esquina da Rua Ocidental do Bolhão e da Rua de Fernandes Tomás, localizava-se uma propriedade do conde de São Martinho.
Em 1903, ainda o 3.º conde de São Martinho, Ascenso de Siqueira Freire (1829 - 1907) solicitava à Câmara do Porto, para o local, autorização para abertura de portas no muro de vedação, que obteve a licença de obra n.º 115/1903.

 
 

Localização da casa do conde de São Martinho – Planta de Teles Ferreira de 1892



Troço, em 1922, da Rua de Sá da Bandeira (até à Rua Fernandes Tomás) que sucedeu à Rua Ocidental do Bolhão. Ao cimo da rua, ainda lá está a fundição do Bolhão que, passados uns anos, iria ser demolida 



 

Na foto acima, o prédio da esquina, com metade da fachada voltada para a Rua Formosa, tinha sido mandado construir, em 1841, por António José de Oliveira Basto e teve licença n.º 139/1841, e as casas térreas, que se seguiam para norte, eram, à data, e até ao começo do século XX, também de sua propriedade.
Na foto, abaixo, a mesma perspectiva da foto anterior. 






Rua de Sá da Bandeira entre a Rua Formosa e a Rua Fernandes Tomás



Na foto acima, possivelmente da década de 30 do século XX, vê-se o que seria uma exposição pública de automóveis, promovida por um “stand” de vendas de viaturas da marca “Citroën”.
Entre o Café Madrid (1º à esquerda) e o “stand”, existiam outros três estabelecimentos comerciais:
“Máquinas Eléctricas e Industriais”; “A Casa da África” (mercearia) e a “Nova Mercearia do Bolhão”, também conhecida como a “Casa do Bacalhau”.
A “Casa do Bacalhau”, sita na Rua de Sá da Bandeira, n.º 347, em 12 de Abril de 1932, anunciava a chegada do bacalhau graúdo e fino “inglês” a 3$80 o quilo, e do norueguês a 3$00.
Hoje (2025), no lugar do Café Madrid e daquelas duas primeiras casas comerciais está, num novo edifício, a “Casa Chinesa” com abertura em 1938, e no lugar da “Nova Mercearia do Bolhão”, a “Casa Ramos”, que encerrou recentemente.
No lugar do Stand da Citroën está, hoje (2025), um mercado “Minipreço”.
O prolongamento da Rua de Fernandes Tomás até à Rua de Gonçalo Cristóvão teve início em 1924. Para que tal acontecesse, muito contribuiu uma tragédia que ficou memorável na cidade daquele tempo.
No dia 26 de Julho de 1924, um violento incêndio destruiu totalmente três prédios da Rua de Fernandes Tomás. Foi o pretexto para se dar continuidade ao prolongamento da Rua de Sá da Bandeira para Norte. A demolição do que restou dos imóveis calcinados abriu, por assim dizer, caminho para a nova empreitada.




Rua de Sá da Bandeira antes do prolongamento para a Rua Gonçalo Cristóvão



Perspectiva actual de foto anterior - Fonte Google Maps


Em boa parte da área em que esteve, em tempos, a Fundição do Bolhão, seria construído o Palácio do Comércio, que se observa imponente, na foto anterior, à esquerda, após a Rua de Fernandes Tomás.



Fachadas a sul e a poente do Palácio do Comércio – Fonte: AHMP
 
 

Escultura de Henrique Moreira, “O Triunfo da Indústria”, presente na platibanda do edifício, a nascente
 
 
O Palácio do Comércio foi construído entre os anos 40 e 50, e ocupa todo um quarteirão, formado pelas ruas Sá da Bandeira, Bolhão, Fernandes Tomás e Firmeza.
O projecto de arquitectura ficou a cargo de Maria José Marques da Silva (filha de Marques da Silva) e David Moreira da Silva, filho de José Mopreira da Silva, o fundador da Cooperativa dos Pedreiros.
Era propriedade de Delfim Ferreira, o então proprietário da Casa e Quinta de Serralves.
No edifício destaca-se o seu revestimento em granito e o seu interior em mármore.
A estátua que está colocada na fachada nascente, situada no 7º andar, é da autoria do escultor Henrique Moreira e intitula-se “O Triunfo da Indústria”.




Entre a Rua Fernandes Tomás até à Rua Gonçalo Cristóvão, atravessando a Rua da Firmeza - Ed. Alvão e JPortojo



No troço da Rua de Sá da Bandeira, lado nascente,  entre as ruas de Fernandes Tomás e Gonçalo Cristovão, apresentado na foto anterior, ficaram na memória de muitos portuenses duas icónicas garagens que prestavam diversos serviços aos automobilistas.
A mais antiga, a Garagem do Bolhão, não existe mais e, a outra, mais recente, inaugurada em 21 de Maio de 1949, a Garagem de Sá da Bandeira, presentemente, é um parque de recolhas de viaturas.


 
Garagem do Bolhão, c. 1930 e, em 2009, próximo da Rua Fernandes Tomás
 

 


Garagem Sá da Bandeira, em 2009, próximo da Rua Guedes de Azevedo – Fonte: Google maps




Um pouco mais a norte, a Rua de Sá da Bandeira tinha, e continua a ter, a Capela de Fradelos ou Capela de Nossa Senhora da Boa-Hora de Fradelos.
Por aí, teve existência também a Fonte de Fradelos e a Ribeira de Fradelos.
Este curso de água vinha dos lados do Sítio da Fontinha e ia, depois de se juntar a outros, formar o rio da Vila, junto à igreja dos Congregados.
Era o lugar de Fradelos.





Capela de Fradelos



Na foto acima, pode observar-se o aspecto da envolvente à capela, antes da abertura do troço da Rua de Sá da Bandeira para ligação a Gonçalo Cristóvão. Pode também observar-se, que a zona frontal à capela teve que ser alvo de aterro importante para obviar ao desnível no terreno, que então se verificava.
Por aqui viveu na sua Quinta das Hortas o padre Manoel de Passos Castro, que desempenhava o alto car­go de tesoureiro-mor da Colegiada de Cedofeita, que deixou após a sua morte uma choruda herança, da qual, uma parte seria utilizada para levantar em S. Lázaro, o Recolhimento das Orfãs.


Abertura da Rua Firmeza em 1926 - Ed. Espólio Fotográfico Português


Na foto acima a abertura do troço da Rua Firmeza entre a Rua de Sá da Bandeira, bem perto de Fradelos e a Rua de Santa Catarina.


Rua de Sá da Bandeira em obras, junto à Rua Firmeza em 1940 – Fonte: CMP, Arquivo Histórico Municipal


Rua Sá da Bandeira cruzamento com Rua Guedes de Azevedo em vista descendente – Fonte: Arquivo Histórico da CMP



Em 1955 a Câmara promove um concurso público para remate do troço, da Rua de Sá da Bandeira e a Rua de Gonçalo Cristovão, que é ganho pelos arquitectos Agostinho Rica (1915-2010) e Benjamim do Carmo. A solução é de um edificío-ponte que atravessa a rua e um jardim a poente.


Trabalhos de construção da Rua de Sá da Bandeira, próximo da Rua de Gonçalo Cristovão. Os prédios, à direita, são as traseiras da ala poente da Rua de Santa Catarina




Por esta área, está colocado uma estátua em bronze, a “Maturidade”, de João Charters d'Almeida desde 1965. 



A escultura a “Maturidade” – Ed. JPortojo



Rua de Sá da Bandeira em 1965 com edifício-ponte ao cimo



Na foto acima na esquina, à direita, ficava o café Saba.
No sentido ascendente, à esquerda, acima da capela de Fradelos e com entrada pela Rua de Gonçalo Cristovão, apresenta-se uma construção cilíndrica com 7 pisos - o "Silo-Auto".
Também conhecido, oficialmente, como Parque de Estacionamento de Sá da Bandeira, é o único parque construído de um conjunto de seis que o plano do urbanista Robert Auzelle propunha.
Foi este parque automóvel inaugurado em 1964 e teve como projectistas Alberto Pessoa (1919-1985) e João Abel Manta (1888- 1982).



Silo-Auto - Cortesia blogue "Porto Sombrio"


No Monte das Carvalheiras (1957), à direita, seria construído o Silo-Auto



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