A Rua de Sá da Bandeira iria, com o passar dos anos, avançar mais para norte.
Antiga Rua Ocidental do Bolhão, em 1900 – Fonte: “O
Tripeiro”
Na foto anterior vê-se a Rua Ocidental do Bolhão,
que seria o futuro prolongamento da Rua de Sá da Bandeira entre a Rua Formosa e
a Rua Fernandes Tomás.
À direita, o mercado do Bolhão; à esquerda, casas térreas
onde havia uma loja de flanelas e cocheiras dos carros americanos da Companhia
de Carris de Ferro do Porto; ao fundo, as casas da Rua de Fernandes Tomás.
Na esquina da Rua Ocidental do Bolhão e da Rua de Fernandes
Tomás, localizava-se uma propriedade do conde de São Martinho.
Em 1903, ainda o 3.º conde de São Martinho, Ascenso de
Siqueira Freire (1829 - 1907) solicitava à Câmara do Porto, para o local,
autorização para abertura de portas no muro de vedação, que obteve a licença de
obra n.º 115/1903.
Troço, em 1922, da Rua de Sá da Bandeira (até à Rua Fernandes Tomás) que sucedeu à Rua Ocidental do Bolhão. Ao cimo da rua, ainda lá está a fundição do Bolhão que, passados uns anos, iria ser demolida
Na foto acima, o prédio da esquina, com metade da fachada
voltada para a Rua Formosa, tinha sido mandado construir, em 1841, por António
José de Oliveira Basto e teve licença n.º 139/1841, e as casas térreas, que se
seguiam para norte, eram, à data, e até ao começo do século XX, também de sua propriedade.
Na foto, abaixo, a mesma perspectiva da foto anterior.
Rua de Sá da Bandeira entre a Rua Formosa e a Rua Fernandes
Tomás
Na foto acima, possivelmente da década de 30 do século XX,
vê-se o que seria uma exposição pública de automóveis, promovida por um “stand”
de vendas de viaturas da marca “Citroën”.
Entre o Café Madrid (1º à esquerda) e o “stand”, existiam
outros três estabelecimentos comerciais:
“Máquinas Eléctricas e Industriais”; “A Casa da África” (mercearia) e a “Nova
Mercearia do Bolhão”, também conhecida como a “Casa do Bacalhau”.
A “Casa do Bacalhau”, sita na Rua de Sá da Bandeira, n.º
347, em 12 de Abril de 1932, anunciava a chegada do bacalhau graúdo e fino
“inglês” a 3$80 o quilo, e do norueguês a 3$00.
Hoje (2025), no lugar do Café Madrid e daquelas duas
primeiras casas comerciais está, num novo edifício, a “Casa Chinesa” com abertura
em 1938, e no lugar da “Nova Mercearia do Bolhão”, a “Casa Ramos”, que encerrou
recentemente.
No lugar do Stand da Citroën está, hoje (2025), um mercado
“Minipreço”.
O prolongamento da Rua de Fernandes Tomás até à Rua de
Gonçalo Cristóvão teve início em 1924. Para que tal acontecesse, muito
contribuiu uma tragédia que ficou memorável na cidade daquele tempo.
No dia 26 de Julho de 1924, um violento incêndio destruiu
totalmente três prédios da Rua de Fernandes Tomás. Foi o pretexto para se dar
continuidade ao prolongamento da Rua de Sá da Bandeira para Norte. A demolição
do que restou dos imóveis calcinados abriu, por assim dizer, caminho para a
nova empreitada.
Rua de Sá da Bandeira antes do prolongamento para a Rua
Gonçalo Cristóvão
Perspectiva actual de foto anterior - Fonte Google Maps
Em boa parte da área em que esteve, em tempos, a Fundição do
Bolhão, seria construído o Palácio do Comércio, que se observa imponente, na
foto anterior, à esquerda, após a Rua de Fernandes Tomás.
Escultura de Henrique Moreira, “O Triunfo da Indústria”,
presente na platibanda do edifício, a nascente
O Palácio do Comércio foi construído entre os anos 40 e 50,
e ocupa todo um quarteirão, formado pelas ruas Sá da Bandeira, Bolhão, Fernandes
Tomás e Firmeza.
O projecto de arquitectura ficou a cargo de Maria José Marques da Silva (filha
de Marques da Silva) e David Moreira da Silva, filho de José Mopreira da Silva,
o fundador da Cooperativa dos Pedreiros.
Era propriedade de Delfim Ferreira, o então proprietário da
Casa e Quinta de Serralves.
No edifício destaca-se o seu revestimento em granito e o seu interior em
mármore.
A estátua que está colocada na fachada nascente, situada no 7º andar, é da
autoria do escultor Henrique Moreira e intitula-se “O Triunfo da Indústria”.
Entre a Rua Fernandes Tomás até à Rua Gonçalo Cristóvão,
atravessando a Rua da Firmeza - Ed. Alvão e JPortojo
No troço da Rua de Sá da Bandeira, lado nascente, entre as ruas de Fernandes Tomás e Gonçalo
Cristovão, apresentado na foto anterior, ficaram na memória de muitos portuenses
duas icónicas garagens que prestavam diversos serviços aos automobilistas.
A mais antiga, a Garagem do Bolhão, não existe mais e, a
outra, mais recente, inaugurada em 21 de Maio de 1949, a Garagem de Sá da
Bandeira, presentemente, é um parque de recolhas de viaturas.
Garagem do Bolhão, c. 1930 e, em 2009, próximo da Rua
Fernandes Tomás
Um pouco mais a norte, a Rua de Sá da Bandeira tinha, e
continua a ter, a Capela de Fradelos ou Capela de Nossa Senhora da Boa-Hora de
Fradelos.
Por aí, teve existência também a Fonte de Fradelos e a
Ribeira de Fradelos.
Este curso de água vinha dos lados do Sítio da Fontinha e
ia, depois de se juntar a outros, formar o rio da Vila, junto à igreja dos
Congregados.
Era o lugar de Fradelos.
Capela de Fradelos
Na foto acima, pode observar-se o aspecto da envolvente à capela,
antes da abertura do troço da Rua de Sá da Bandeira para ligação a Gonçalo
Cristóvão. Pode também observar-se, que a zona frontal à capela teve que ser
alvo de aterro importante para obviar ao desnível no terreno, que então se
verificava.
Por aqui viveu na sua Quinta das Hortas o padre Manoel de Passos Castro, que
desempenhava o alto cargo de tesoureiro-mor da Colegiada de Cedofeita, que
deixou após a sua morte uma choruda herança, da qual, uma parte seria utilizada
para levantar em S. Lázaro, o Recolhimento das Orfãs.
Abertura da Rua Firmeza em 1926 - Ed. Espólio Fotográfico
Português
Na foto acima a abertura do troço da Rua Firmeza entre a Rua
de Sá da Bandeira, bem perto de Fradelos e a Rua de Santa Catarina.
Rua de Sá da
Bandeira em obras, junto à Rua Firmeza em 1940 – Fonte: CMP, Arquivo Histórico
Municipal
Rua Sá da Bandeira cruzamento com Rua Guedes de Azevedo em
vista descendente – Fonte: Arquivo Histórico da CMP
Em 1955 a Câmara promove um concurso público para remate do
troço, da Rua de Sá da Bandeira e a Rua de Gonçalo Cristovão, que é ganho pelos
arquitectos Agostinho Rica (1915-2010) e Benjamim do Carmo. A solução é de um
edificío-ponte que atravessa a rua e um jardim a poente.
Trabalhos de construção da Rua de Sá da Bandeira, próximo da Rua de Gonçalo Cristovão. Os prédios, à direita, são as traseiras da ala poente da Rua de Santa Catarina
Por esta área, está colocado uma estátua em bronze, a “Maturidade”,
de João Charters d'Almeida desde 1965.
A escultura a “Maturidade” – Ed. JPortojo
Rua de Sá da
Bandeira em 1965 com edifício-ponte ao cimo
Na foto acima na
esquina, à direita, ficava o café Saba.
No sentido ascendente, à esquerda, acima da capela de Fradelos e com entrada pela Rua de Gonçalo Cristovão, apresenta-se uma construção cilíndrica com 7 pisos - o "Silo-Auto".
Também conhecido, oficialmente, como Parque de Estacionamento de Sá da Bandeira, é o único parque construído de um conjunto de seis que o plano do urbanista Robert Auzelle propunha.
Foi este parque automóvel inaugurado em 1964 e teve como projectistas Alberto Pessoa (1919-1985) e João Abel Manta (1888- 1982).
No sentido ascendente, à esquerda, acima da capela de Fradelos e com entrada pela Rua de Gonçalo Cristovão, apresenta-se uma construção cilíndrica com 7 pisos - o "Silo-Auto".
Também conhecido, oficialmente, como Parque de Estacionamento de Sá da Bandeira, é o único parque construído de um conjunto de seis que o plano do urbanista Robert Auzelle propunha.
Foi este parque automóvel inaugurado em 1964 e teve como projectistas Alberto Pessoa (1919-1985) e João Abel Manta (1888- 1982).
Silo-Auto - Cortesia blogue "Porto Sombrio"





















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