A “Casa Mello Abreu – Armazém de Música, Pianos e Outros Instrumentos”
começou por exercer a sua actividade na Rua do Cimo do Muro, n.º 22, à Ribeira,
tendo sido fundada em 1853 por José de Mello Abreu.
Anexo à actividade de aluguer e de venda de Orgãos,
Concertinas, Harmoniflutes e Pianos das marcas Pieyel, Erard, Steinway e Bord,
tinha oficina de reparação desses instrumentos.
Anexo a esta loja existia, como era habitual nas firmas
desse ramo, uma sala de exibição de músicos. Neste caso era o denominado “Salão Mello Abreu” por onde passaram
muitos alunos que viriam a singrar na actividade musical.
Em 1861, já a firma José de Mello Abreu tinha um novo n.º de
polícia (240), em virtude da remodelação introduzida, nesse âmbito, no ano
anterior, pelo Governador Civil José de Serpa Pimentel, 2.º visconde de
Gouveia.
No fim da década de 1880, já a “Casa Mello Abreu” estava
pela Rua da Cancela Velha. Subindo esta rua, as suas instalações estavam, à
nossa direita, perto da Rua do Bonjardim.
Como se observa no extrato do anuário acima representado, à
data, José Mello Abreu já teria falecido e a firma passou a “José de Mello
Abreu (Viúva)”.
Para além do Salão da Casa Melo Abreu, existiam no Porto outros
espaços ligados a conhecidas casas de música para apresentação dos novos
executantes musicais. Devem ser realçados o Salão Casa Moreira de Sá
(1900–1908), o Salão Bechstein (1910 – c.1927) e o Salão Beethoven (1914 – c.
1943).
Em todos estes espaços se apresentavam os discípulos e os
seus professores em audições muito aguardadas.
Para além daqueles locais, outros não ligados ao comércio da
música se destacavam, em audições muito participadas como, por exemplo, o Salão
do Centro Comercial do Porto (1900–1940), o Ateneu Comercial e os Fenianos
Portuenses.
Programa do concerto inaugural das sessões de Música de
Câmara no Salão da Casa Mello Abreu, em 6 de Janeiro de 1913
Em 1916, Moreira de Sá era sócio-gerente da “Casa Mello
Abreu” como se destaca e observa na carta abaixo.
Papel de carta da “Casa Moreira de Sá” – Cortesia de José
Leite, administrador do blogue “Restos de Colecção”
A “Casa Mello Abreu” encerraria na década de 1920.
Os prédios, em frente, com as fachadas voltadas a norte, são
o que ainda restava, em 1939, da Rua da Cancela Velha. Em frente, à direita a
Rua Rodrigues Sampaio - Ed. Guilherme Bonfim Barreiros
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