sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

(Continuação 54) - Actualização em 07/05/2020

Chalet de José Dias Alves Pimenta


Situava-se este chalet, dotado de um amplo jardim anexo, na Rua do Barão de Nova Sintra, 56, 72, 86, tendo sido mandado construir em 1888, por José Dias Alves Pimenta.
José Dias Alves Pimenta teve negócios no Brasil e era um destacado membro do Ateneu Comercial do Porto, do qual chegou inclusivamente a ser presidente nos anos 1881, 1884, 1892 e 1899.
Juntamente com o seu vizinho Aurélio da Paz dos Reis, que um pouco mais a montante da rua teve o seu horto e residência, participou na revolução de 31 de Janeiro e no desenvolvimento do Núcleo Republicano Regionalista do Norte (1920-1924).
Era um admirador da sua vizinha e conhecida pintora Aurélia de Sousa, residente bem perto, na Quinta da China, da qual possuía algumas obras.
José Dias Alves Pimenta faleceu em 1925 e a propriedade ficou na família, estando desde 1990 na posse do município.
A partir de 1896, a propriedade sofreu algumas alterações importantes, principalmente devido à abertura do Túnel Ferroviário do Seminário que permitiria a ligação entre a Estação de Campanhã e de S. Bento.
Assim, a frente da casa passaria a integrar a Rua do Barão de Nova Sintra, sendo alargada para permitir a deslocação e o movimento dos trabalhadores que laboravam no novo túnel de comboio.
O palacete nas últimas décadas atingiu um grau elevado de degradação, mas, em 2017, a autarquia começou a recuperá-lo tentando integrá-lo na área ajardinada contígua dos jardins dos antigos SMAS, razão pela qual foi lançada uma passagem aérea, atravessando a rua, unindo o prédio com aqueles jardins.



O chalet de José Dias Alves Pimenta, em 2010 – Ed. JPortojo



O chalet de José Dias Alves Pimenta, em 2016 – Cortesia “portosombrio.blogspot.com/”



O chalet de José Dias Alves Pimenta, antes de 1896



Passagem aérea entre o antigo chalet de José Dias Alves Pimenta e os jardins do antigo SMAS – Fonte: Gloogle maps



Após a realização de obras de restauro, o antigo chalet, completamente descaracterizado, ficou ao serviço da empresa "Águas e Energia do Porto".
Entretanto, a partir dele, a Rua de Nova Sintra, de acesso à via-férrea, deixou de ter qualquer serventia e encontra-se, aí, interrompida.




Edifício 4 Estações


Este edifício com início de projecto em 1905 fica na Rua das Carmelitas.

“O edifício das Quatro Estações, cujo nome deriva dos quatro relevos representativos que encimam as quatro pilastras que caracterizam o seu alçado, é uma obra exemplar das características formais que Marques da Silva introduz no desenho urbano do Porto. Construído na Rua das Carmelitas, onde no início do século XX se experimentavam diversíssimas formas e feitios transformadores das práticas construtivas convencionais (entre as quais a livraria Lello & Irmão, da autoria de Xavier Esteves, é o exemplo mais flagrante), Marques da Silva retoma a construção em granito evitando rupturas de textura com os seus vizinhos”.
Fonte: “fims.up.pt”


“A escassas dezenas de metros da Livraria Lello há dois edifícios que passam despercebidos ao transeunte mais apressado, mas que são bem emblemáticos da obra de um dos arquitetos mais profícuos da cidade do Porto. Referimo-nos ao edifício das Quatro Estações e ao chamado Palácio do Conde de Vizela, ambos do arquiteto José Marques da Silva (1869-1947).
O primeiro, no n.º 100 da Rua das Carmelitas, chegou mesmo a ser habitado pelo próprio Marques da Silva. Ostenta quatro relevos representativos das quatro estações do ano, encimando cada uma das pilastras que marcam o alçado. Trata-se de um projeto de 1905, com uma fachada “beaux-arts” – estilo arquitetónico clássico, também conhecido como academismo francês, combinando influências gregas e romanas com ideias renascentistas”.
Fonte: “portoby.livrarialello.pt”


Edifício 4 Estações – Fonte: “doportoenaoso”

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

(Continuação 53)


Sendo um exemplar da chamada «Casa Portuguesa», foi desenhada e construída em 1904, pelo seu primeiro proprietário, Ricardo Severo (1869-1940), importante arquitecto, engenheiro, arqueólogo, escritor e político e situa-se na Rua Ricardo Severo (a antiga  Rua do Conde), já próximo do Largo da Paz.
Essa moradia procurou fazer reviver a antiga casa solarenga e obstar ao aparecimento de modelos oriundos da Europa Central.
Este devoluta durante muitos anos e foi colocada à venda no mercado por 2.500.000€, no início da década de 2020.
Em 1954, era habitada pelo Dr. Pinto de Mesquita.


"... esta casa, com as suas magnificencias de interior e os confortos facilmente deprehensiveis, constitue um verdadeiro Museu de pormenores e de motivos que resume epochas, estylos e influencias atravez da capacidade e sentimentos nacionaes..."
Rocha Peixoto (1866-1909); Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”



“Um dos mais belos e ricos exemplares da Casa Portuguesa, do início do séc. XX, foi desenhada e construída por Ricardo Severo (arquitecto, engenheiro, arqueólogo, escritor, político). O palacete é um dos primeiros e mais importantes exemplares da época em todo o Norte do país. Moradia com cave, rés-do-chão, andar, sótão e torre. Implantação da casa isolada dentro de um lote, afastada dos limites do terreno. Disposição num patamar elevado em relação ao nível da rua. A moradia é envolvida por uma área de terreno arborizada e bastante aprazível, que lhe confere um ambiente de apreciável sossego. A casa organiza-se em torno de um pátio central. Toda a arquitectura da casa e jardins têm pormenores absolutamente únicos: vitrais pintados à mão, salões estilo colonial, painéis de azulejos de inspiração barroca, fogão de sala, brasão, alpendres, varandas, rótulas, arcarias, chaminés, azulejos, telhados com beirais, peças decorativas da arquitectura colonial brasileira, portas maciças trabalhadas, tecto sala de baile com pinturas decorativas, etc. A casa precisa de intervenção mas encontra-se estruturalmente em muito bom estado”.
Fonte: UMSEISUM - ARQUITECTURA, CONSTRUÇÃO E MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA, LDA


Ricardo Severo da Fonseca e Costa (Lisboa, 6 de Novembro de 1869 --- São Paulo, 3 de Abril de 1940) foi um engenheiro, arquitecto, arqueólogo e escritor que, por se ter envolvido num movimento revolucionário contra a monarquia portuguesa em 1891, foi obrigado, durante uns tempos, a exilar-se no Brasil.




Casa de Ricardo Severo - Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”



Casa de Ricardo Severo – Ed. Revista do Turismo Nº 13, 5 Jan. 1917



Sala de Jantar da Casa de Ricardo Severo – Ed. UMSEISUM - ARQUITECTURA, CONSTRUÇÃO E MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA, LDA




Interior da Casa de Ricardo Severo – Ed. UMSEISUM - ARQUITECTURA, CONSTRUÇÃO E MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA, LDA



Pátio interior da Casa de Ricardo Severo – Ed. UMSEISUM - ARQUITECTURA, CONSTRUÇÃO E MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA, LDA



Traseiras da Casa de Ricardo Severo – Ed. UMSEISUM - ARQUITECTURA, CONSTRUÇÃO E MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA, LDA



Vitral da Casa de Ricardo Severo – Ed. UMSEISUM - ARQUITECTURA, CONSTRUÇÃO E MEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA, LDA



A casa acabaria por ser comprada por um casal francês para investimento e, em sequência, transformada num hotel de 5 estrelas, denominado “Palacete Severo”, embora o sector de actividade hoteleiro lhe fosse completamente alheio.
Após uma intervenção de dois anos na casa primitiva, abandonada há muito, aquele hotel seria inaugurado em Outubro de 2024.
Aquele casal é detentor da empresa Constellation du Taureau e de uma galeria de arte em Paris.
Na realidade, a arte está presente nos corredores do “Palacete Severo”.
Como curiosidade, diga-se que, Ricardo Severo casou em 1893, com Francisca Santos Dumont, irmã do inventor Alberto Santos Dumont (1873-1932) e filha mais nova do então rei do café, Henrique Dumont.



"Palacete Severo Hotel" - Cortesia de Jorge Mangorrinha



sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

(Continuação 52) - Actualização em 20/01/2020 e 07/01/2021

 
O edifício da Rua da Boavista, nº 168, que ostenta na sua fachada um brasão dos Silvas, Almeidas e Leitões, pertenceu a uns familiares de Almeida Garrett, que os visitava, de vez em quando, sendo, por isso, conhecido como “Casa dos Almeida Garrett”.
Tudo leva a crer que o edifício teria resultado duma construção levada a cabo em duas fases.
Assim, em 04 de Novembro de 1825, Alexandre José da Silva Garrett (1797-1867) solicita à Câmara do Porto autorização para construção de um prédio na Rua da Boavista e, em 01 de Julho de 1839, repete o propósito, com o mesmo motivo subjacente e para a mesma rua.
Actualmente, e desde há algumas décadas, todo o edificado foi ocupado pelo “Grande Colégio Universal”, vindo da Avenida da Boavista, e que nos dias de hoje continua com as suas portas abertas.
 
 
 
 

O Colégio Universal, actualmente – Fonte: Google maps
 
 
 
 
Alguns anos antes, em 1913, o Colégio Universal (masculino) tinha começado a actividade no palacete (construído em 1882) de António Costa Ramalho, sob a direcção do Padre Manuel Correia dos Santos Brito, tendo mudado, posteriormente, para a Rua da Boavista, 168.
Em 4 de Novembro de 1918, a sociedade proprietária do Grande Colégio Universal, de que faziam parte os Drs. Morais de Almeida, Ferreira Pinto e Pereira Lopes, foi dissolvida e o activo e passivo da mesma passou para Santos Brito e Fonseca Pinho.
O palacete referido ainda existe, na esquina da Rua do Dr. Emílio Peres e da Avenida da Boavista.
 
 

Requerimento dirigido à Câmara do Porto para licenciamento de construção de um anexo no quintal de um prédio já existente para funcionar como colégio – Fonte: AHMP
 
 
 

Grande Colégio Universal, em 1934, ainda sito na Avenida da Boavista, nº 28 (palacete de António Costa Ramalho), em publicidade inserida no Álbum-Catálogo da “Exposição Colonial do Porto” (1934)

 
 

Entretanto, recuando a 1869, e ao palacete que foi da família Almeida Garrett, naquela data, já lá estava sedeado o Colégio de Nossa Senhora da Boavista, que se distinguia pela qualidade do seu ensino.
 
 
 

Publicidade ao Colégio de Nossa Senhora da Boavista, no “Jornal do Porto” de 1 de Setembro de 1869



Notícia de espectáculo anual no Colégio de Nossa Senhora da Boavista - "Jornal do Porto" de 17 de Janeiro de 1872


 
 
 

Publicidade ao Colégio de Nossa Senhora da Boavista no jornal “A Voz Pública”, em 29 de Setembro de 1895
 
 
 
Como se pode observar no anúncio anterior, em 1895, o Colégio de Nossa Senhora da Boavista, continuava pela “Casa dos Almeida Garrett”, tendo como director Ivo Silvestre Pinto da Gama.
Em 1908, já era director do estabelecimento de ensino João Diogo, que segundo a revista " O Tripeiro", Vª série, Ano XV, nº 1, em 19 de Maio de 1908, seria alvo de uma festa de homenagem, na passagem do seu aniversário, com a realização de uma festa desportiva e, à noite, um sarau dramático-musical.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

(Continuação 51)


Foi morada do banqueiro Manuel Pinto da Fonseca na esquina da Avenida da Boavista com a Rua de Belos Ares, e destruído por um incêndio no dia 14 de Outubro de 1926. 
Nesse incêndio pereceram 5 bombeiros municipais, cujos funerais emocionaram e consternaram toda a cidade.
O palacete, à data, pertencia ao capitalista portuense, Manuel Joaquim de Oliveira.



Ataque ao incêndio no palacete, em 1926 – Ed. Foto Alvão – CPF; Fonte: portoarc.blogspot.pt




Combate ao incêndio no Palacete Manoel Pinto da Fonseca, na Avenida da Boavista - Fonte: Revista Ilustração



Fonte: Revista Ilustração, em 1 de Novembro de 1926




Na mesma rua, na esquina oposta, fica o palacete da viscondessa de S. Tiago de Lobão.
Na planta de Teles Ferreira de 1892, é possível observar que uma construção  já existia nesse terreno, nessa data. 




Com o nº 1 o Palacete Manuel Pinto da Fonseca




Manuel Pinto da Fonseca foi um banqueiro que, em conjunto com o seu irmão Joaquim Pinto da Fonseca, fundou, em 1896, a Casa Bancária Pinto da Fonseca & Irmão, na cidade do Porto, que encerraria portas em 1933.
Eram ambos filhos de Joaquim Pinto da Fonseca, falecido em 1897, um outro banqueiro e brasileiro de torna-viagem, que fez fortuna no comércio na América do Sul, dedicando-se, também, ao negócio de escravos, conjuntamente com seu irmão mais velho, Manoel Pinto da Fonseca, falecido, em Paris, em 1855.




Palacete Manuel Pinto da Fonseca



Palacete Manuel Pinto da Fonseca na Avenida da Boavista - Ed. Estrela Vermelha



Vista actual da foto anterior - Fonte: Google Maps


Em 1898, pela licença de obra nº 131/1898, Manuel Pinto da Fonseca, na qualidade de proprietário, vai fazer um requerimento à Câmara do Porto a solicitar a construção de um prédio entre Rua dos Belos Ares e a Avenida da Boavista.



Desenho do alçado nascente do prédio que Manuel Pinto da Fonseca se propunha construir, em 1898, em terreno situado entre a Rua de Belos Ares e a Avenida da Boavista  






terça-feira, 19 de dezembro de 2017

(Continuação 50)


Esta "Casa" foi uma das primeiras construções da cidade influenciada pela Exposição Internacional de Artes Decorativas de Paris, de 1925.
Em estilo Art-Deco, localiza-se na Rotunda da Boavista nº 151, desde 1927, em projecto do arquitecto Júlio de Brito (1896-1965). 

Júlio Brito apoiou-se na colaboração “do arquitecto gaiense Manuel Marques que tem obra bem marcante na cidade do Porto e que, em 1930, era um dos (únicos) 5 arquitectos portugueses com diploma passado pelo Governo Francês, sendo discípulo de Marques da Silva. Manuel Marques estudou em Paris no final da década de 10 e década de 20, tendo visito a exposição de Artes Decorativas de 1925 onde colheu influências Art-Deco que aplicou nos seus primeiros trabalhos no Porto. E este é um dos primeiros trabalhos que fez em co-autoria com o "consagrado" arqt.º e engº Júlio de Brito, que assinou o projecto como engenheiro.”
Com os nossos agradecimentos a  António Alves

Situada a cerca de uma dezena de metros da Rua Caldas Xavier, é de notar na sua fachada a aplicação de diferentes tipos de mármores e o requinte do trabalho dos metais do gradeamento e os motivos dos relevos impressos bem no alto. 
Na época a que se referem as datas acima citadas, tinha existência na cidade, na Rua dos Vanzeleres, a fábrica de malhas "Domingos Fernandes & CIA" uma referência importante no sector industrial têxtil.
O arquitecto Júlio de Brito obteve o diploma de arquitectura em 1926, foi professor no Liceu Rodrigues de Freitas e foi o projectista, entre outros: do Edifício da Companhia de Fiação e Tecidos de Fafe, no gaveto da Avenida dos Aliados e da Rua Rodrigues Sampaio; da Confeitaria Ateneia, na Praça da Liberdade; do Edifício do Café Aviz, na Rua de Aviz; da Livraria Figueirinhas, no gaveto da Rua de Ceuta e da Rua José Falcão; do Edifício da CIFA, na Rua de Ceuta e do Edifício de gaveto das Ruas Duque de Loulé e Alexandre Herculano.
A sua obra mais emblemática é, porém, o Teatro Rivoli.


Casa Domingos Fernandes - Ed. MAC 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

(Continuação 49) - Actualização em 19/06/2019


Moradia no gaveto da Rua D. João IV e Rua Fernandes Tomás


“Esta moradia, procurando imitar alguns dos modelos existentes, mas ainda assim original em vários aspectos, foi erguida segundo vontade do proprietário Joaquim Soares da Silva Moreira, comerciante de torna-viagem original de Moreira da Maia, que não só foi vereador da Câmara Municipal do Porto e comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, como se destacou enquanto administrador do Banco Aliança e como accionista da Companhia Aurifícia. Marques da Silva projectou-a em 1904 para o seu cliente, mantendo alguma fidelidade para com a arquitectura portuense da época, mas ainda assim conjugando-a com as linhas das Beaux-Arts de Paris, tendo escolhido os melhores materiais através de uma notória ausência de restrinções orçamentais.
Mais tarde a moradia sofrerá novas alterações. Em 1914 é acrescentada uma varanda virada para o jardim e em 1925 uma garagem no quintal, dispondo de arrecadações no piso superior. Ainda hoje se distingue pelo seu jardim, que cobre uma área situada num estreito entre a Rua D. João IV e a Rua Comandante Rodolfo de Araújo, ambas com ligação à Rua de Fernandes Tomás. Os gradeamentos de linhas sinuosas e os jarrões em granito que ladeiam os portões são um exemplo de outros detalhes interessantes”.
In Blog Porto Sombrio 



Fachada de prédio integrante de projecto para licenciamento de construção nº 13/1904, pelo requerente Joaquim Soares da Silva Moreira – Fonte: AHMP




Joaquim Soares da Silva Moreira tinha 11 filhos, só do seu 2º casamento. Era um capitalista de grandes posses e um brasileiro de torna-viagem.
A moradia que mandou construir na Rua de D. João IV, com projecto (1903) do arquitecto Marques da Silva, estaria concluída em 1904.
A moradia é, em termos práticos, um edifício de duas moradas.


Moradia de Joaquim Soares da Silva Moreira


Joaquim Soares da Silva Moreira, nascido na Maia, em 1843, foi novo para o Brasil ter com o seu tio António da Silva Moreira por quem foi educado.
Aos 25 anos enviuvou e já residia na freguesia da Sé, quando voltou a casar com a sua prima direita Alexandrina Soares da Silva Moreira, na igreja de Santo Ildefonso (05 Abr. 1869). O casal parte então para o Brasil e estabelecem-se em S. Luís do Maranhão, onde Joaquim Moreira faz uma fortuna colossal.
A ligação de Joaquim Soares da Silva Moreira à Companhia Aurifícia, resultaria do facto de, José Dias de Almeida, o fundador daquela empresa, sita na Rua dos Bragas, ser o sogro de sua filha Amélia, o que teria conduzido a que o característico pórtico de entrada, de 1906, daquela empresa, da autoria de Marques da Silva, se ficasse a dever à sua relação com ambos.
Entretanto, Delfim Ferreira, que virá a comprar a Quinta de Serralves, em 1957, acabará por adquirir também esta moradia, em finais dos anos 40, para a sua filha Alice Ferreira.
Delfim Ferreira, um dos homens mais ricos de Portugal, tinha residência, bem perto, na Rua D. João IV, nº 239. Era um palacete que apresentava, até à década de 60 do século XX, construções adjacentes para uso dos criados, que iam até à Rua de Fernandes Tomás e que seriam demolidas, para levantamento duma área ajardinada, que ainda hoje se observa.



Palacete de Delfim Ferreira na Rua de D. João IV – Ed. MAC



“Detentor da maior fortuna do País, dava-se com Salazar e era íntimo dos ministros do Governo. Era uma espécie de visionário que pretendera construir um megacentro comercial no Porto na década de 40, quando a palavra shopping center ainda não tinha entrado no léxico comum dos portugueses.
Pessoalmente era tão fechado como uma ostra. Tímido, pouco expansivo e tão exigente com os outros como consigo próprio, passava a imagem de homem implacável que não admitia um deslize tão simples como a falta de pontualidade para um encontro. Exercia o paternalismo típico da época, mas era também um benfeitor. Construiu escolas, hospitais, creches. Deixou um legado que está vivo até hoje.
(…) A sua fama não se confinava ao Norte e foi convidado a juntar-se a Ricardo Espírito Santo e Manuel Queirós Pereira, entre outros, como promotor do Hotel Sheraton de Lisboa. Não aceitou a honra e fez sozinho o Hotel Infante de Sagres, no Porto. Pouco tempo depois, adquiriu a Casa de Serralves a Carlos Alberto Cabral, segundo conde de Vizela, que estava falido na época. O negócio tinha, num entanto, uma ressalva: a quinta não podia ser objecto de qualquer transformação. Quando Delfim Ferreira morreu, em 1960, de cancro, Serralves estava intacta tal como a tinha adquirido.”
Cortesia de Rita Roby Gonçalves (17 Mai 2009), In Diário de Notícias 


Voltando a Joaquim Soares da Silva Moreira, diga-se, que, em 1907, ele encomenda para a Rua de Gondarém, duas moradias geminadas, ao mesmo arquitecto - Marques da Silva.


Alçado principal das moradias geminadas na Rua de Gondarém – Fonte: “arquivoatom.up.pt”


Moradias geminadas de Joaquim Soares da Silva Moreira, na Rua de Gondarém, nº 680 – Fonte: Google maps


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

(Continuação 48) - Actualização em 09/03/2018 e 28/02/2020

Vivenda na Rua Honório de Lima



Começada a construir em 1941, foi demolida em 1971 e constituiu uma referência na arquitectura da cidade, da autoria do arquitecto Viana de Lima (1913-1991) que revolucionou a prática arquitectónica nacional no período do pós-guerra, tendo sido colega de Januário Godinho, Agostinho Ricca e Mário Bonito.
Foi seu proprietário António de Sousa Cortês e teve, a sua localização inicial, a Rua Aníbal Patrício, 24-26, que era, assim, como se chamava a actual Rua Honório de Lima.
Este arruamento que chegou a ter o topónimo de Avenida Patrício e que ligava a Rua de Costa Cabral à aldeia de Lamas, foi mandado abrir em terreno agrícola adquirido por Aníbal Patrício, proprietário de uma unidade de esmaltagem, sita na actual Avenida Fernão de Magalhães e foi oferecida à Câmara do Porto em troca da urbanização das suas margens.
Aquele industrial partiria para o Brasil e dele se perderia o rasto.




Pedido de licenciamento da moradia dirigido à Câmara Municipal do Porto – Fonte: AHMP



Esta vivenda é, para alguns, uma deliberada aproximação a Le Corbusier.
Na sua extensa obra nas áreas do planeamento e da arquitetura, assinalem-se ainda o plano de urbanização para a cidade de Bragança (início em 1960), o Bloco Habitacional de Costa Cabral no Porto e a Faculdade de Economia da Universidade do Porto.



Localização da moradia de António de Sousa Cortez na Rua Aníbal Patrício – Fonte: AHMP



Em frente a Rua Honório de Lima (antiga Rua Aníbal Patrício) desembocando na Rua Costa Cabral, em 1941



Rua Costa Cabral em 1941, na esquina com a Rua Honório de Lima (antiga Rua Aníbal Patrício)



Vivenda na Rua Honório de Lima da autoria do arquitecto Viana de Lima



Esquina da Rua de Honório de Lima e da Rua de Costa Cabral, actualmente – Fonte: Google maps



Outra perspectiva da vivenda na Rua Honório de Lima da autoria do arquitecto Viana de Lima – Fonte: “pt.wikipedia.org/”





Eduardo Honório da Lima (1856-1939), que viria a ver o seu nome dado a esta rua, foi um rico empresário portuense, coleccionador de arte e grande amador de música, foi, em 1881, um dos fundadores da sociedade de concertos «Orfeon Portuense», de cujo conselho de administração fez parte durante 57 anos. Possuidor de uma notável galeria de pinturas de artistas contemporâneos, manifestou em vida o desejo de que os seus 21 quadros de Silva Porto fossem doados ao Museu Nacional de Soares dos Reis, o que a sua viúva cumpriu, reservando-se ali uma sala para o grande paisagista, com a legenda «Doação de Eduardo Honório de Lima».
É avô de Jorge Nuno Pinto da Costa, o presidente do Futebol Clube do Porto.



Prédio de Viana de Lima


O prédio icónico da foto acima fica na Rua Costa Cabral, próximo da Rua Silva Tapada.





Edifício da Faculdade de Farmácia na Rua de Aníbal Cunha

O imóvel que faz gaveto com as ruas de Aníbal Cunha e de Álvares Cabral foi construído especificamente para acolher a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto. Durante os primeiros anos de funcionamento, esta Faculdade ocupou um edifício na Rua do Rosário. Porém, a insuficiência das instalações levou o Conselho Escolar e, logo a seguir, o Senado Universitário, a equacionar a necessidade de construção de um edifício próprio. O terreno foi doado pela Câmara Municipal do Porto e a Faculdade apenas teve de recorrer a empréstimos para a edificação.
A 1 de Fevereiro de 1916 deu-se o lançamento da primeira pedra na presença do Presidente da República e o início das obras teve lugar no mês seguinte. Em 1918 já decorreram aulas na ala construída do lado sul. A construção, de planta rectangular e com a frente voltada para a Rua de Aníbal Cunha (na época, Rua da Carvalhosa), foi projectada pelo engenheiro Arnaldo Casimiro Barbosa.


Desenho do Projecto de reconstrução do Edifício da Rua de Aníbal Cunha (Alçado lateral norte)


Fachada principal a Poente da Faculdade de Farmácia em 1939 – Ed. SIPA

“No início de 1927, o edifício ainda não se encontrava concluído. Por incumbência do Conselho Escolar da Faculdade, o arquitecto Aucíndio dos Santos ficou responsável pela execução do projeto. Durante os dois anos seguintes tiveram lugar obras de beneficiação da fachada voltada para a Rua da Carvalhosa, construiu-se uma varanda no corpo principal e modificaram-se as guarnições das janelas.
A inauguração oficial ocorre em 13 de Abril de 1937 nas comemorações do centenário da Academia Politécnica da Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
 Com o passar dos anos e o envelhecimento natural do edifício, houve lugar para mais obras de recuperação, para a construção de um pavilhão situado nas suas traseiras, inaugurado em 1966 e até para a construção de mais um andar para fazer face à insuficiência das instalações. Com dois pavimentos, o corpo central albergou o Salão Nobre e a escadaria.
Em 1975, um violento incêndio destruiu a quase totalidade do edifício.
A Faculdade de Farmácia partilha actualmente as instalações com o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, na Rua Jorge de Viterbo Ferreira”.
Fonte: “sigarra.up.pt/up”

A Faculdade de Farmácia nas suas novas instalações na Rua Jorge de Viterbo Ferreira, desde 2012, veria, entretanto, ser inaugurado a 10 de Maio de 2013, o seu novo museu - um espaço que reúne um espólio alargado e de grande valor científico de objectos emblemáticos da história da farmácia e da ciência em geral.
Com previsão de conclusão para 2019, irá ser feito um aproveitamento para habitação, do antigo edifício da Faculdade de Farmácia do Porto, distribuída por 25 apartamentos. É um projecto da autoria de Armando Rui, de reabilitação do edifício pré-existente, que manterá a sua traça e estilo originais, mas, terá a si geminado uma nova construção com uma linguagem arquitectónica contemporânea, que marca um propositado contraste entre ambos. Nesta data a obra ainda não arrancou.
Sobre o topónimo de Aníbal Cunha, diz-nos Teo Dias em ruasdoporto.blogspot.pt

“ANÍBAL AUGUSTO CARDOSO FERNANDES LEITE DA CUNHA, nasceu no Porto em 1868. Como sargento, tomou parte na revolta de 31 de Janeiro. Exilou-se para Espanha e para o Brasil, amnistiado, regressou em Julho de 1894; habilitou-se com o Curso Superior de Farmácia, a cujo corpo docente veio depois a pertencer, contribuindo sempre para o engrandecimento desta profissão, designadamente na transformação das Escolas de Farmácia em Faculdades, e na, construção do edifício actual nesta cidade. Foi desta Faculdade muitos anos professor, director, e ainda internamente, vice-reitor da Universidade. Morreu em São Mamede, em 1931, no posto de tenente-coronel farmacêutico, deixando impressos alguns trabalhos sob química e farmácia”.