sábado, 23 de setembro de 2017

(Continuação 6) - Actualização em 16/01/2019

21.7 Palacete Balsemão ou Palacete do Visconde da Trindade ou Palacete do Barão do Valado


Palácio do Visconde de Balsemão - Desenho de Carlos Alberto Nogueira da Silva In «Archivo Pittoresco», 4, 1861, p. 393


O Palacete dos Viscondes de Balsemão é um edifício histórico mandado construir, em meados do século XVIII, pelo fidalgo José Alvo Brandão Perestrelo Godinho.
Foi património da família Balsemão por casamento de D. Maria Rosa Alvo com seu primo Luís Máximo Alfredo Pinto de Sousa Coutinho, 2.º Visconde de Balsemão e depois, seria propriedade do Visconde da Trindade e do Barão do Valado.
Em 1834 decorreram no palacete, as aulas da Academia Real de Marinha, já que, as instalações próximas do Colégio dos Órfãos, estavam a ser recuperadas da destruição que sofreram com o cerco do Porto.
Na década de 1840 António Bernardino Peixe alugou o palacete, transferindo a hospedaria que tinha na Rua do Bonjardim para este local. O que celebrizou esta hospedaria, conhecida como Hospedaria do Peixe, foi a estadia, entre 19 e 27 de Abril de 1849, do exilado rei Carlos Alberto da Sardenha, antes de ir para a Quinta da Macieirinha, onde viria a falecer em 28 de Julho do mesmo ano.
Em 1854, o palacete foi adquirido por José António de Sousa Basto, 1º Visconde e 1º Conde da Trindade grande proprietário e capitalista, que introduziu profundas alterações no edifício, vindo a casa a atingir o maior esplendor que se lhe conhece.
José António de Sousa Basto (Cabeceiras de Basto, Refojos de Basto 19.03.1805 ; Porto, Vitória 21.05.1890), partiu para o Brasil em 1823, com dezoito anos, em busca de fortuna, tendo-se dedicado à vida mercantil e criado com outros sócios a firma "Amorim & C.ª", que duraria até 1846 e, com a qual, obteve rápida e crescente prosperidade.
Regressa a Portugal, aportando em Lisboa, a 16 de Julho de 1850, tinha 45 anos. Vinte e sete anos de trabalho persistente aliados a uma série de empreendimentos felizes, permitiram-lhe amealhar considerável fortuna.
No mês seguinte fixou residência no Porto vindo, algum tempo depois, a comprar um palacete na Praça Carlos Alberto que pertencia aos Viscondes de Balsemão, que tinham transferido residência para Lisboa.
Segundo uma carta do Barão de Forrester ao Jornal Commercio antes de 1854, o Visconde da Trindade habitava, ainda, o palacete que tinha sido do Barão de Forrester na Ramada Alta.
De um 2º casamento com Josefa Rosa de Amorim, José António de Sousa Basto entre outros, tem uma filha, Josefina Henriqueta de Sousa Basto que viria a casar com Augusto Correia Pinto Tameirão, 3º Barão do Vallado.
Decorrente desta união, o palacete é por vezes designado como Palacete do Barão do Vallado, já que, o casal, fixou nele residência.
No palacete haveria de nascer alguém que se viria a tornar uma figura típica da cidade (devido a uma característica física) e que na transição do século XIX para o século XX, pontificava no Porto – Jaime Valado.
Jayme Augusto Teixeira Correia Pinto Tameirão Valado, de seu nome completo, tinha nascido na freguesia de Santo Ildefonso, Porto, a 21 de Agosto de 1874, sendo funcionário da Direcção-Geral dos Caminhos-de-Ferro do Minho e Douro, distinto desportista, cavaleiro tauromáquico amador, e que acabaria por falecer, ainda em vida de seu pai, o 3º barão do Valado, a 10 de Março de 1913. 
Na gíria do povo, era: O Valado da cabeça ao lado!
Este epíteto, era devido ao facto de a dita personagem ter a cabeça um pouco inclinada para um dos lados, embora isso não o impedisse de apresentar um porte, segundo apreciação de Arnaldo Leite “dum verdadeiro gentleman, vestindo com distinção. Viam-no à tarde de fraque de cor e luvas amarelas; nessa mesma noite, se fosse inverno, chapéu mole e luvas brancas, a saírem das mangas dum varino avivado a vermelho; se ia aos touros, na sua charrette lustrosa e asseada – que dois cavalinhos levavam como um brinquedo de luxo – como bom aficcionado que era, colocava na cabeça o seu mazantini, de abas largas brunidas. Passadas duas ou três horas, o mesmo Jaime Valado,estava no teatro S. João a ouvir ópera, elegantemente vestido, correctíssimo na sua casaca impecável. Vestia bem.”
Como curiosidade diga-se que o 2º Visconde da Trindade, José António de Sousa Basto Júnior que nasceu a 5 de Julho de 1843, filho primogénito varão do segundo casamento de seu pai, casaria no Rio de Janeiro com D. Mariana Rochedo, actriz do teatro Baquet.
Em 6 de Julho de 1906 a filha do Visconde da Trindade, Josefina Henriqueta e o 3.º Barão do Valado, Augusto Correia Pinto Tameirão, arrendam o palacete da Praça Carlos Alberto à Companhia de Gás do Porto, que tinha sido constituída em 1900 e mais tarde receberia os Serviços Municipalizados de Gás e de Eletricidade e a EDP.
Actualmente lá funcionam alguns serviços da Câmara Municipal do Porto, nomeadamente a Direcção Municipal de Cultura.


Palacete Balsemão e estátua de Humberto Delgado – Ed. JPortojo



Escadaria de entrada - Ed. JPortojo


Estuques do tecto - Ed. JPortojo

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