terça-feira, 26 de setembro de 2017

(Continuação 9)


“Casa Primo Madeira é a designação por que continua a ser conhecido o Círculo Universitário do Porto, espaço nobre de que a Universidade dispõe no Pólo 3 e utiliza para eventos de natureza variada. Este palacete dos finais do século XIX localiza-se no n.º 877 da Rua do Campo Alegre, freguesia de Massarelos, paredes meias com a Casa Burmester, pertença, também, da Universidade do Porto. No jardim que rodeia a Casa Primo Madeira predomina a vegetação romântica, de natureza idêntica à de outras propriedades nas imediações, como a Casa Andresen, também património da U. Porto.
O palacete, cujo primeiro proprietário foi o Conselheiro Pedro Maria da Fonseca Araújo (1862-1922), sofreu intervenções da autoria do arquitecto José Marques da Silva quando foi adquirido por Primo Monteiro Madeira, que lhe conferiu o nome pelo qual passou a ser conhecido. Na casa principal, de planta rectangular e quatro pisos, os aposentos distribuíam-se da seguinte forma: na cave, a cozinha, a lavandaria, a dispensa e arrecadações; no rés-do-chão, salas de entrada, salas de estar, de bilhar, de jantar e copa; no primeiro piso, quartos e respectivos sanitários; no segundo piso, quartos e sanitários para o pessoal.
Em 1899, a casa foi ampliada através da construção de um anexo com cavalariça e cocheira no rés-do-chão e duas residências para empregados no primeiro pavimento. No jardim, distribuíam-se uma casa de serviço e uma estufa.
Já na posse da U. Porto, a casa principal e outras edificações foram reconstruídas entre 1986 e 1988, observando um projecto do arquitecto Fernando Távora. Em 1990, este projecto foi galardoado com o Prémio João de Almada, de recuperação do património arquitectónico da cidade do Porto. O jardim romântico, de inspiração inglesa, também foi remodelado e adaptado pelo arquitecto paisagista Francisco Caldeira Cabral (1908-1992)”.
Fonte: “sigarra.up.pt”

“As obras levadas a cabo pela equipa liderada por Fernando Távora procuraram respeitar a traça original do edifício, assim como a dos equipamentos de interior. Na cave mantiveram-se a cozinha, a dispensa, a lavandaria, as arrecadações e as instalações para o pessoal. O rés-do-chão continuou a ser o piso de recepção, bem como o das refeições e do lazer. No primeiro pavimento, os quartos deram lugar a salas de reunião ou de serviços (de secretaria e direcção) e a área do segundo pavimento foi repartida entre o pessoal de serviço, o ginásio e gabinetes.
No edifício anexo de dois pisos, o andar térreo ficou reservado para salas de reunião e recepção e o superior para quartos de hóspedes da U. Porto. A maior parte das mobílias e dos candeeiros constituem peças únicas, desenhadas para o efeito. Alguns móveis foram adquiridos para equipar certas divisões e tirou-se partido da existência de desenhos e de pinturas da Escola Superior de Belas Artes do Porto e da Faculdade de Arquitectura para decorar os interiores.
A vegetação do jardim foi inventariada, seleccionaram-se as espécies a conservar - como o Cedrus atlântica (cedro do Atlas), o Liriodendron tulipifera (tulípio) e o Platanus occidentalis (plátano) - e a área de produção foi substituída por uma zona de lazer composta por relvados e por um jardim formal”.
Com a devida vénia ao Professor Artur Filipe dos Santos

Encerrado em 2013 devido a um incêndio que atingiu o telhado do edifício, o Círculo Universitário do Porto regressou à actividade em Fevereiro de 2016, agora com a designação de Clube Universitário do Porto.


Casa Primo Madeira



Casa Primo Madeira em planta de Teles Ferreira de 1892 (quadrícula 162)


O Conselheiro Pedro Maria da Fonseca Araújo a quem Primo Madeira adquiriu a propriedade, foi industrial e presidente entre 1895-1896 e 1901-1905 da Associação Comercial do Porto, proprietário em 1908 da Quinta do Vale da Rosa depois chamada Quinta da Brejoeira, em Monção, tendo sido, ainda, Presidente da Câmara Municipal do Porto, Governador Civil do distrito e também deputado às Cortes e Par do reino.

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