Amorim, Lage &
Soares, Lda., Amorim, Lage, Lda. - Cerealis
Em Fevereiro de 1919, começava a história duma empresa, que
chegou aos nossos dias, fruto da união de vontades de José Alves de Amorim,
Manuel Gonçalves Lage e Aníbal Gonçalves Soares e que culminaria com a fundação da Amorim, Lage & Soares, Lda.
A empresa passaria, então, a movimentar-se no sector das
moagens e massas, tendo ao longo dos anos disfrutando de instalações
industriais em Parada (Águas Santas), Maia, Trofa, Porto, Coimbra (encerrada) e
Lisboa.
À data da constituição inicial da empresa, a primeira
unidade fabril foi instalada em Parada, Águas Santas.
Em 1923, já a capacidade de moenda era de 25 ton/dia.
Em 1931, o sócio Aníbal Gonçalves Soares abandona a
sociedade.
Em 1933, era inaugurada a fábrica de massas alimentícias,
surgindo no mercado a marca Milaneza.
A, então, Amorim,
Lage, Lda., na década de 1930, vai adquirir a unidade de Moagem do Minho,
Lda., de Guimarães, que seria depois deslocada para Parada e, ainda, a Moagem da Restauração, Lda, que se tinha estabelecido em Massarelos como Moagem do Corpo Santo e, depois, Moagem Victória.
Em 1945, após a morte de Manuel Gonçalves Lage, sucedem-lhe
nos destinos da empresa os filhos António Augusto Gonçalves da Costa Lage e
Rodrigo Gonçalves da Costa Lage, acompanhados por José Alves de Amorim.
Estava-se no fim do conflito mundial e Amorim, Lage, Lda. vai actualizar e ampliar as unidades fabris de
Águas Santas.
Então, uma nova moagem é inaugurada, substituindo a
primitiva (cessou a actividade em 1959) e, ainda, montada a primeira bateria de
silos de trigo. Para concluir, surgiria a primeira moagem portuguesa com
transporte pneumático de produtos.
A fábrica de massas também é intervencionada e é transferida
a unidade Moagem do Minho, Lda., de Guimarães, para um edifício contíguo à nova
instalação fabril.
Em Março de 1954, José Eduardo Marques de Amorim, o filho do
sócio fundador José Alves Amorim (falecido em Setembro de 1954), é nomeado gerente.
A gestão passa para os três elementos da 2.ª geração.
De forma a consolidar a posição ascendente das massas
Milaneza no mercado nacional, foi decidido investir na primeira semolaria
portuguesa de trigo duro, unidade inaugurada a 28 de Julho de 1962.
Em 1967, em parceria com Augusto Eduardo de Magalhães
Paranhos e seus familiares (da antiga Moagem Granja), nascia a Moacir – Moagem
de Coimbra, com a construção de uma nova moagem de trigo na Adémia.
Em 2005, a Moacir foi adquirida pelo grupo Cerealis, mas,
entretanto, já foi encerrada.
Stand de “Amorim, Lage, Lda.”, numa exposição, no Palácio de
Cristal, em 1971 – Fonte: Acervo da empresa
Em 1999, foi adquirida a Companhia Industrial de
Transformação de Cereais e Derivados, S.A., detentora da marca Nacional.
Com esta aquisição, nasceria o maior Grupo português no sector
Agro-alimentar e o maior Grupo português na área da moagem de cereais e fabrico
de massas alimentícias.
“Impunha-se
reorganizar e simplificar a estrutura de participações do Grupo.
Consequentemente, reorganizámos a nossa estrutura de participações, reunindo
sob a nova designação Cerealis, todas as
empresas do anterior Grupo Amorim, Lage. Desta reorganização, resultaram as
empresas Cerealis SGPS, S.A. (empresa holding), Cerealis Produtos Alimentares –
S.A. (divisão de negócio de todos os produtos destinados ao consumidor final),
Cerealis Moagens – S.A. (divisão de negócio de produtos para usos industriais)
e Cerealis Internacional – Comércio de Cereais e Derivados, S.A. (divisão
responsável pela importação de cereais, matérias-primas para o fabrico de todos
os produtos do Grupo e, exportação de produtos acabados) e a Sociedade
Imobiliária Paradense (vocacionada para rentabilizar os ativos imobiliários não
afetos à indústria). Tendo herdado um património ímpar, Amorim, Lage, S.A. e
com uma nova identidade agora como Cerealis, preparámo-nos para assumir novos
desafios em novos produtos e novos mercados. A nova designação representa a
união, a internacionalização, o dinamismo e a solidez de um dos maiores Grupos
Agro-alimentares portugueses”.
Fonte: Cerealis
Centro industrial da Cerealis, Maia, especializado na produção de
massas alimentícias (uma semolaria e duas fábricas), assim como na produção de
bolachas, sendo ainda o polo logístico mais importante
Entretanto, durante a primeira década do século XXI, a
unidade da Trofa vai ser ampliada, com uma linha de cereais para criança e
outra para adultos quando, anos antes, já tinha sido melhorada tecnologicamente
de modo a proceder ao fabrico de cereais de pequeno almoço multigrão e dotada
de um novo torrador de Corn Flakes.
Em 2021, o empresário Carlos Moreira da Silva e a família Silva
Domingues compram 100% do Grupo Cerealis.
A aquisição da
Cerealis foi realizada pelas empresas de investimentos dos novos acionistas
TEAK Capital, B.V. e pela TANGOR Capital, S.A.
Apesar da mudança de propriedade, a Cerealis, continuou a
ser comandada por Rui Amorim, sobrinho de José Eduardo Marques Amorim, filho de
um dos fundadores da empresa.
Centro do Porto (Freixo) da Cerealis para moagem de trigo mole e de
centeio, com linhas de embalamento de farinhas industriais e expedição directa
A unidade do Porto (Freixo) tem as suas raízes na Companhia de
Moagem Harmonia SA., que começaria em 1918, a laborar anexa ao Palácio do
Freixo.
Centro industrial da Cerealis, em Lisboa, com uma capacidade moenda de 720
toneladas em 24 horas, uma recepção de cereal que atinge as 200 toneladas por
hora e uma capacidade de ensilagem de cereais de 27.000 toneladas
Em Março de 2023 a Europasta, empresa Checa situada em
Litovel, especialista em massas alimentícias, passa a ser consolidada
integralmente nas contas da Cerealis.
Fábrica de Moagens
Harmonia
Esta fábrica ficava junto do Palácio do Freixo que, ainda, é
um pouco visível, ao fundo na foto.
Quando o palácio ficou na posse de José Maria Rodrigues
Formigal, vendeu-o com uma propriedade anexa, por 19 contos de réis à sociedade
gestora da Companhia de Moagens Harmonia, que se instalou então numa nova
fábrica, bem junto do palácio.
Tal ocorreu, após o incêndio acontecido em 1890 numa
destilaria de cereais, que anteriormente tinha sido uma fábrica de sabão,
situada a poente do palácio. À data, toda a área estava na posse de um cidadão
alemão, Gustavo
Nicolau Alexandre Peters, que continuou na posse da destilaria e retalhou a
propriedade e a vendeu em talhões.
Em 1918, a Companhia de Moagens abre falência e é comprada a seguir por
um conjunto de capitalistas portuenses, que reabilita o funcionamento da
fábrica.
Em 1918, foi então fundada a Companhia de Moagem Harmonia SA.
A propriedade da empresa e a sua administração, sempre sob a liderança
de um grupo de indústriais portuenses que, ao longo dos anos, realizaram os
investimentos necessários para o seu desenvolvimento, ampliaram a unidade, em
1932, com o levantamento de mais dois pisos (obra realizada pelo arquitecto
José Júlio de Brito) e, introduziram várias melhorias no diagrama de produção,
o que lhes possibilitou obter índices de produção sempre crescentes e, manter
um lugar competitivo no mercado da região.
Mais tarde, à fábrica foi-lhe acrescentado um silo de 45 metros de
altura. A gestão da unidade fabril fazia-se a partir do Palácio do Freixo,
cumulativamente com a gestão de uma outra fábrica de briquetes situada a poente
do Palácio.
Por outro lado, a propriedade da Companhia de Moagens Harmonia, já era,
em meados do século XX, da Companhia União Fabril (CUF) que, em 1951, vai
construir mais um silo.
Em 1969, as instalações, até então, da fábrica da Companhia de Moagens
Harmonia, são abandonadas e ocupadas umas outras, em espaço contíguo, muito
mais modernas, situadas a Norte da Estrada Nacional 108.
Esta unidade, desde há anos, passou a fazer parte do universo da
Cerealis.
Antigas instalações das Moagens Harmonia - Cortesia de Vítor Oliveira
Depois de décadas de peripécias, as instalações da antiga fábrica
acabam nas mãos do instituto de Emprego e Formação Profissional, que as cederia
à Câmara Municipal do Porto.
Moagem Ceres
“João Ferreira de
Figueiredo, oriundo de Viseu, fundou em 1875, no Porto, o seu negócio, que
inicialmente era de Comércio de Cereais e Farinhas.
Em 1895, os seus
filhos, Abílio e Augusto, juntaram-se como sócios ao negócio do pai, assumindo,
passados 6 anos, a responsabilidade de uma nova sociedade, sob a designação de
“A. de Figueiredo & Irmão”.
Em 1915, enquanto toda
a Europa se debatia numa guerra profunda, os irmão Figueiredo criaram a Fábrica
de Moagem junto ao caminhos-de ferro em Campanhã.
Na época conturbada
entre as duas Grandes Guerras, em especial na década de 30, quando uma
gigantesca crise económica e financeira abalou todo o Mundo, a Sociedade continuou
a crescer, adoptando em 1931 a sua designação definitiva, “Moagem Ceres, A.
de Figueiredo & irmão, S.A.R.L.”.
Em 1949, após o
falecimento quase simultâneo dos dois sócios fundadores, começou a
restruturação profunda da Moagem Ceres, que até então mantinha as
máquinas e tecnologias com que tinha iniciado a sua actividade. Esta
modernização foi acelerada pela publicação em 1961 de uma lei que obrigava a
reorganização da indústria moageira.
Em 1965, nas Bodas de
Ouro da Sociedade, foram inauguradas as novas máquinas e actuais instalações
sendo o grande impulsionador desta reforma o Administrador Arnaldo de
Figueiredo. A partir daí, a Moagem Ceres foi crescendo a um ritmo imparável,
adoptando sempre a mais moderna tecnologia existente, de modo a satisfazer as
crescentes necessidades do mercado.
Desde o 25 de Abril de
1974, sob a égide dos Administradores Armando Miranda e Rogério Figueiredo, a
Moagem Ceres aumentou mais de 6 vezes a sua capacidade produtiva, atingindo em
1998, uma capacidade instalada superior a 460 toneladas de trigo por dia e um
volume de negócios anual de cerca de 30 milhões de euros. Estando actualmente
cotada no top 20 das PME e entre as 500 maiores empresas nacionais tem obtido
sucessivas distinções, nomeadamente o "Rating 1" da Dun & Bradstreet
e os prémios "PME Prestige", "PME Excelência" e "PME
Lider" do IAPMEI.
No dia 1 de Abril de
2015 a Moagem Ceres completou 100 anos de actividade como moagem de
cereais, na qual se tem distinguido pelo elevado padrão de qualidade dos seus
produtos, pela satisfação dos seus clientes e pela constante inovação”.
Fonte: “moagemceres.pai.pt”
A Ceres na Rua do Pinheiro de Campanhã
De notar, que o jornal “O Commércio” de 26 de Dezembro de
1854, publicava uma notícia que dava conta da formação de uma sociedade em
comandita, sob a firma de Companhia Ceres, cujo objectivo principal era a moagem
de cereais, embora esta sociedade pareça nada ter a ver com a lançada, mais tarde,
por João Ferreira de Figueiredo.
Na sociedade em comandita há dois tipos de sócios. Os de
responsabilidade limitada que só contribuem com capital, e os de
responsabilidade ilimitada que contribuem, para além da subscrição de capital,
com o trabalho, sobre qualquer forma.
Fábrica de Moagem Andrades Villares. Moagens Invicta.
Sociedade de Moagem Aliança, Lda
Por volta de 1855, apareceram na cidade do Porto as
primeiras moagens a vapor.
As mais importantes foram o Moinho a Vapor do Bicalho, de
Pinto Basto e, com aparecimento naquele ano, a Companhia Ceres que viria a ser
dissolvida em 1860, passando para a posse do seu principal credor Felix
Fernandes Torres.
Na década seguinte, apareceram a Companhia Industrial e
Agrícola Portuense (de fiação e moagem de cereais) e a Manuel José Barreto, que
mais tarde passaria a Barreto Filho & Genro.
Em 1874, surgiria então a Andrades Villares que, a partir de
1881, aparece com a designação de António Joaquim de Andrade Villares.
Aquela Companhia Ceres não tem qualquer ligação com “Moagem Ceres, A. de Figueiredo & irmão,
S.A.R.L.”, surgida muito mais tarde.
“Pertencente a António
Joaquim de Andrade Villares, foi fundada em 1874, na Rua de S. Jerónimo, n.º
136, hoje Rua de Santos Pousada. Segundo o Inquérito Industrial de 1881, esta
importante fábrica de moagem não vendia farinha mas apenas pão, existindo aí
uma padaria.
Parte do cereal que
moía, cerca de 1/3, era utilizada na padaria da fábrica; o restante era moído
por «conta alheia», isto é, por clientes que aí levavam o cereal, como se de um
moinho tradicional se tratasse. Em 1908, é integrada na Companhia de Moagens
Invicta e, em 1918, na Sociedade de Moagem Aliança Ltd., mais tarde Sociedade
Industrial Aliança, tornando-se esta uma importante unidade do sector moageiro.
Foi reconvertida em complexo habitacional”.
Fonte: “cct.portodigital.pt”
Pedido para instalação, em Agosto de 1909, de uma
panificação e fabrico de amêndoas, da firma Andrades Villares na Travessa de
Fernandes Tomás, nº 84 (hoje a Rua Comandante Rodolfo de Araújo) – Fonte: AHMP
A Companhia de Moagens Invicta formou-se em 1908 e, em 1917,
era proprietária de 5 fábricas:
Fábrica de S. Jerónimo (Antiga Andrades Villares – 1874),
Fábrica da Afurada (1890), Fábrica do Freixo (1890) e Fábrica de Valbom (1892)
e a sociedade passa a ser gerida por Raúl Monteiro Guimarães que,
“É ele que, em 1915,
junta àquele lote, a Fábrica de Barcelos, em Barcelos e, três anos mais tarde,
vai organizar a Sociedade de Moagem Aliança, adquirindo em 1920, a Nova
companhia Nacional de Moagem, organizando, ainda, a Companhia Industrial de
Portugal e Colónias que, por sua iniciativa, adquire o jornal Diário de
Notícias”.
Fonte: “A
experiência da Primeira República no Brasil e em Portugal” - Alda
Mourão e Angela de Castro Gomes
A Fábrica de
Bolachas Villares, na Rua de Santos Pousada, nº 145 (antes a Rua de S.
Jerónimo), coexistiu com a Fábrica Aliança, naquela rua, durante quase todo o
século XX, lançando no ar um cheiro característico ao produto final.
A Fábrica de Bolachas Villares esteve por aqui, na Rua de Santos Pousada – Fonte:
Google maps

De notar, que no projecto a que se refere o desenho anterior,
a longa fachada no seu envidraçado central estava dotada com um relógio e a cobertura
do edifício era plana para servir de área de secagem das massas.
Agora um condomínio fechado, a fábrica de bolachas da
“Aliança” era aqui – Fonte: Google maps
A marca Aliança foi adquirida em 1997, pela firma “Vieira de
Castro” de Famalicão.
Moagem do Ouro
Após ter sido a Moagem do Ouro, por lá esteve uma garagem
pertencente ao exército e serviu, ainda, de armazém ligado à indústria têxtil.
Hoje, alberga uma leiloeira e um restaurante.
Fábrica de Moagem da
Senhora da Hora
A conhecida, no fim dos anos 20 do século passado, como “Fábrica de
Moagem da Senhora da Hora” começou a laborar em 1900, fundada por Francisco
Joaquim Pinto e sendo, de início, conhecida por “Fábricas a Vapor de Moagem de
Trigo da Senhora da Hora”.
Esta unidade de
moagem de cereais da Senhora da Hora, tinha escritório no Porto, na Travessa da
Fábrica, nº15 (hoje é a Rua de Avis).
Fábricas a Vapor de Moagem de Trigo da Senhora da
Hora – Postal de 1910
Fachada principal (parcial) da Moagem da Senhora da Hora c. 1927 – Fonte:
Fotograma de filme da Cinemateca
“Germen-Moagem de Cereais Sa”
A fábrica de Joaquim Francisco Pinto iniciou, então, em 1900
(fábrica original a vapor), foi ampliada em 1905 (segunda fábrica a vapor) e
passou para novos sócios em 1920 (Sociedade de Fomento Industrial Lda).
Hoje, após a passagem inexorável dos anos, a antiga unidade
de moagem é apenas uma memória, mas, no mesmo local (gaveto formado pela Rua de
Joaquim Pinto – uma homenagem ao seu fundador há mais de 100 atrás - e a
Avenida Fabril do Norte), está uma importante fábrica de moagem de cereais que
faz parte de um grupo moageiro conhecido por “Germen-moagem de cereais Sa”.
A Fábrica de Moagem da Senhora da Hora foi, a par com a EFANOR
(Empresa Fabril do Norte, SA, que abriria em 1907), uma das unidades
industriais mais importantes da Senhora da Hora que, entre 1836 e 1853, tinha
sido a sede do concelho de Bouças, mas que viria a perder esse estatuto para
Matosinhos.
Fábrica de Bolachas
Imperial
Com início de actividade nos anos 30 do século XX esta
fábrica tinha instalações na Rua de Entreparedes nº 21, e tinha a
particularidade de aromatizar com o cheiro doce das bolachas que aí eram
fabricadas, toda a rua até à Praça da Batalha, que lhe ficava próxima.
Encerrada já neste século mudou instalações para V. N. de Gaia sob a orientação
do actual e único sócio-gerente e proprietário da fábrica, António Rocha, que
nos últimos anos apenas se dedica ao embalamento de bolachas, compradas em Espanha,
por ser mais "rentável".
Fábrica de Bolachas Imperial, na Rua de Entreparedes, nº 21-23
– Fonte: Google maps
Publicidade à Fábrica Imperial em calendário para 1983
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