1. O encalhe do navio
grego Hadiotis
O Hadiotis, um navio de carga a vapor foi lançado em 1928,
em Howden, Tyne, no estaleiro de Northumberland Shipbullding Co. e entregue, em
1929, ao armador grego Kassos Steam Navigation.
O saudoso Rui Amaro, no texto seguinte, deu-nos uma
panorâmica do acontecido, junto ao porto de Leixões.
“A 15/02/1941, pelas
16h00, começaram a sentir-se ventos tempestuosos do quadrante noroeste com
rajadas de 65kmH, as quais por vezes aumentavam de intensidade, formando forte
maresia, que penetrava, perigosamente na bacia e na nova doca comercial do porto
de Leixões, e das 18h00 às 21h30 passou à situação de ciclone com ventos
soprando entre os 128 e 145kmH. Aquele ciclone devastava-tudo por onde passava,
eram árvores, automóveis, telhados, casas velhas, embarcações, etc. Por
precaução, o sota-piloto-mor António da Silva Pereira, já tinha mandado alguns
pilotos para bordo dos vapores surtos no anteporto para resolver qualquer
eventualidade, que entretanto surgisse e de facto a sua decisão não foi em vão.
No pico do ciclone, o paquete Brasileiro CUYABÁ, 129m/6.672tb, piloto Tito dos
Santos Marnoto, transportando passageiros e carga diversa, fundeado a dois
ferros ao norte, partiram-se-lhe as duas amarras, situação provocada pela força
da ressaca e do vento. Aquele paquete tendo a máquina a trabalhar no máximo,
não se consegue deter devido à força eólica do ciclone, apesar das manobras
orientadas por aquele piloto, vai de garra e acabando por encalhar junto da
entrada da doca nº 1, que por pouco não ficou bloqueada, ficando um pouco
adornado.
Também o vapor Grego
HADIOTIS, 121m/4.386tb, piloto Francisco José de Campos Evangelista, em lastro,
fundeado a dois ferros na Bacia, com a máquina a trabalhar no máximo da sua
potência, apanha de lado a força do vento e vai de garra sobre o CUYABÁ, mas
aquele piloto, com certa perícia, tenta conduzir o vapor de maneira a impedir o
abalroamento com o paquete Brasileiro, que entretanto encalhara, não evitando,
que também o HADIOTIS acabe por varar na praia, a sul da rampa do Pescado. Tudo
isso depois de ter passado por cima dos escolhos de natureza granítica, que
eriçavam o fundo daquela zona portuária, rebentando com eles e rasgando-se a si
próprio. O vapor ficou de proa a sul, portanto paralelo à praia. Era
impressionante ver um navio tão grande naquela posição e era voz corrente, que
ele se não safaria das garras em que caíra, visto que excepcionalmente se
formaria outra maré igual à do dia em que encalhara e que só outro ciclone
poderia reproduzir. O argumento tinha peso mas não era convincente e muito
menos decisivo. Assente sobre rochas rijas, mais salientes umas que outras,
força essa, como de facto sucedeu, que algumas lhe amolgaram ou trespassaram o
fundo, que todo se deformou mais ou menos”.
Texto de Rui Amaro
Cargueiro Hadiotis encalhado
Entretanto, após o encalhe em Leixões, em 1941, o Hadiotis
haveria de ser reparado em Lisboa para onde foi rebocado e haveria de ter
alguns anos mais de serviço pela frente, como narra o naco de prosa seguinte.
Assim, em 30 de Dezembro de 1941, o navio sob bandeira suíça
(n.º oficial 8) passou ao serviço daquele país sob o nome de EIGER.
2. O naufrágio do
Silver Valley
O naufrágio do vapor liberiano Silver Valley aconteceu
quando caía a noite do dia 15 de Março de 1963, durante uma forte tempestade no
mar.
Mais uma vez, o saudoso Rui Amaro, no texto seguinte, deu-nos
uma panorâmica do acontecido.
“A 15-03-1963, já
noite fechada, o vapor liberiano Silver Valley, 135m/7.161tb, Silver Star
Shipping Corporation, Monrovia, interesses gregos, quando sob mau tempo e
fortes pampeiros, que lhe reduziam a visibilidade, procurava o porto de Leixões
e foi encalhar no Cabeço da barra do Douro, a cerca de 600 metros para oés-sudoeste
do molhe de Felgueiras. O navio que era uma construção "Park Type"
Canadiana de 1944, produzida em série, a fim de satisfazer o esforço de guerra,
não resistiu à forte ondulação local, tendo em pouco tempo alquebrado,
refugiando-se toda a tripulação à proa, suportando o mau tempo e a perigosa
maresia que se fazia sentir. Os esforços dos meios de salvamento terrestres e
marítimos não conseguiam resgatar os náufragos, pelo que as autoridades marítimas
decidiram solicitar a vinda de helicópteros Franceses, que se encontravam em
Alverca, e de facto foi a melhor solução encontrada e a primeira operação do
género realizada na costa Portuguesa e talvez das pioneiras a nível mundial.
27 homens foram
resgatados em cerca de 40 minutos, num vaivém continuo pelos dois helicópteros,
cerca das 15h00 do dia seguinte”.
Texto de Rui Amaro
3. O encalhe do MV Reijin
Este desastre aconteceu na madrugada do dia 26 de Abril de
1988, ao largo da praia da Madalena.
MV Reijin, o maior e mais avançado
"porta-automóveis" do mundo, à época, naufragou na costa portuguesa
na sua primeira grande viagem, cerca de um ano após ter deixado doca seca.
“O encalhe deu-se na
madrugada do dia 26 de abril de 1988, na praia da Madalena (...). O navio
japonês transportava cerca de 5400 automóveis da marca Toyota. Vinha do Oriente
e tinha feito escala no porto de Leixões, para abastecer e desembarcar duas
centenas e meia de carros, com destino à empresa Salvador Caetano, de Vila Nova
de Gaia, devendo depois seguir para a costa irlandesa. Navegava sob bandeira
panamiana, com uma tripulação de 22 homens, todos coreanos.
O Reijin saiu do porto
de Leixões já com sinais de não estar nas melhores condições, devido talvez ao
mau acondicionamento da sua carga, ou a imperfeição da sua construção. O barco
não tinha mais de um ano e esta foi a sua primeira grande viagem.
Saiu já adornado,
prosseguindo a sua rota paralelamente à costa em vez de se fazer ao largo. O
mar um tanto ou quanto alteroso nessa noite deve ter dificultado as manobras da
tripulação, acabando o Reijin por se aproximar da costa gaiense e encalhar na
praia da Madalena.
Já completamente de
lado quando embateu nas rochas, o Reijin abriu uma grande fenda, não saindo
mais desse local. Alertadas pela população, várias corporações dos bombeiros de
Gaia e do Porto, auxiliados por homens-rãs do Instituto de Socorros a
Náufragos, procederam às operações de salvamento dos tripulantes. Alguns dos
marinheiros chegaram à costa no meio da noite, outros foram recolhidos no mar.
Dada a violência do acidente o mesmo provocou um morto e um desaparecido, não
tendo sido encontrado o seu corpo nas buscas que se seguiram”.
Cortesia de Porto Desaparecido
Foi impossível colocar o MV Reijin a navegar.
Em 9 de Agosto, iniciou-se o desmantelamento do navio nipónico.
Umas partes seguiram para a sucata, outras para o fundo do mar, onde ainda hoje
repousam.
No final, após grande polémica acontecida entre as
autoridades e associações ambientais, parte do navio foi afundada a 150 milhas
(240 km) de distância, outra enviada para a sucata e alguns dos automóveis que
o MV Reijin transportava acabaram a 2000 m de profundidade e a 40 milhas (64
km) da costa.







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