O Teatro Nacional de S. João da cidade do Porto é uma
magnífica obra de arquitectura do século XX.
No entanto, um primeiro edifício baptizado como Real Teatro
S. João, erguido nos finais do século XVIII, acabaria destruído por um
incêndio.
Ainda antes do antigo Real Teatro de S. João, o Porto teve
outro importante palco de espectáculos que se situava numa das dependências do
demolido Palácio dos Condes de Miranda, Marqueses de Arronches e Duques de
Lafões - casa de espectáculos particular aberta em 1760.
Na sua inauguração, foi levada à cena uma ópera lírica para
homenagear o casamento de D. Maria I com D. Pedro. Este teatro foi riscado por
João Glama Stroberle, auxiliado pelos artistas José Régióli, Francisco José,
João André Chiape, Veríssimo Nunes, Domingos Teixeira Barreto e José dos Santos
Cartaxo.
Francisco Almada, que sucedeu a seu pai no governo da
cidade, haveria de dar continuidade, também, à arte cénica, no Porto,
incrementando a construção, bem perto dali, do Real Teatro S. João, com um
projecto aprovado pelo governo, e um capital reunido entre comerciantes e
capitalistas da cidade, até Abril de 1796.
Um capital (31.000$000 reis) subscrito em 313 acções
permitiu avançar com o empreendimento.
Para o efeito, o Corregedor Francisco de Almada adquire
parte do terreno da muralha fernandina, na zona da actual Praça da Batalha.
Entretanto, as obras arrancam em 1796 e, em 13 de Maio de
1798, dia do aniversário do Príncipe D. João, foi inaugurado o novo teatro da
autoria do arquitecto Vicente Mazzoneschi, o “Real Teatro S. João”, chamando-se, inicialmente, Theatro
do Príncipe em honra do futuro D. João VI, apesar de as obras ainda não
estarem totalmente concluídas, com a comédia "A Vivandeira".
Para que fosse possível a sua construção, foi destruído um
grande pano da Muralha Fernandina, cuja pedra serviu para fazer as suas paredes
e também as da Casa Pia.
O escudo real, que esteve na sua frontaria, encontra-se nos
terrenos do Museu Nacional Soares dos Reis.
Até 1809, a sala de espectáculos apresentou peças ligeiras e
variadas, acontecendo a primeira temporada de teatro musicado em 1809, com uma
zarzuela. A primeira ópera só lá foi apresentada na temporada 1814/1815.
Durante o cerco do
Porto, foi bastante danificado pela artilharia miguelista pelo que teve de
sofrer grandes obras entre 1835 e 1838.
A planta do teatro era em forma de ferradura com o tecto,
redondo, pintado por Joaquim Rafael, com uma nova pintura de Paulo Pizzi, em
1856.
Tinha quatro níveis de camarotes e, no segundo, possuía uma
sala para concertos.
O pano de palco foi pintado por Sequeira, sendo substituído
em 1825, por um do espanhol João Rodrigues, ao qual sucedeu um outro de
Palucci.
A iluminação, até 1838, foi de velas de sebo e, mais tarde,
de azeite.
Na noite de 11 para o dia 12 de Abril de 1908, um violento
incêndio reduziu o Real Teatro S. João a escombros.
Nas duas fotos anteriores, está em primeiro plano um
fontanário/ candeeiro.
No mesmo ano, o arquitecto Marques da Silva concebia o risco
do novo teatro portuense, vindo este a ser concluído em 1918.
A estrutura interior do original Real Teatro de S. João era
semelhante à do Teatro de São Carlos, e a sua composição próxima dos teatros de
tipo italiano que, na época, se tinham estabelecido como regra de sucesso.
O novo Teatro S. João foi inaugurado a 7 de Março de 1920 e,
em 1992, foi adquirido pelo Estado português.
Entretanto, a 18 de Junho de 1932, a sala de espectáculos
abriria, após obras importantes para adaptação a novas formas artísticas - o
cinema. Foi, então, levado à cena, em estreia, o filme de Georg Wilhelm Pabst
"Atlântida".
Na noite de 6 de Maio de 1936, quando na Europa se começava
a viver a subida do poderio nazi, a cantora chilena com vida artística feita
sobretudo na Alemanha, Rosita Serrano, exibe-se no Teatro S. João para delícia
da burguesia portuense.
E espectáculos de todo o género foram acontecendo nesta sala
portuense de eleição ao longo dos anos.
Em 2012, o teatro foi reclassificado como monumento
nacional. A reclassificação, aprovada em Conselho de Ministros, a 24 de Maio,
foi publicada em Diário da República no dia 10 de Julho de 2012.
O actual edifício, de aspecto robusto mas sem estilo
definido, é composto por uma imponente frontaria guarnecida por quatro colunas
jónicas, entre as quais se abrem três janelas de arco pleno e outras tantas
portas.
Internamente, a decoração da sala de espectáculos e
principais salões ficou a cargo dos pintores Acácio Lino e José de Brito e dos
escultores Henrique Moreira, Diogo de Macedo e Sousa Caldas, sendo estes dois
últimos responsáveis pelas quatro figuras alegóricas colocadas no friso do
entablamento e que representam a Bondade, a Dor, o Ódio e o Amor.
Hoje, o edifício totalmente reconstruído é um dos principais
edifícios da cidade e local de realização dos principais espectáculos
culturais.
A reconversão do antigo
Real Teatro para o novo Teatro S. João
Em 1909, a cidade começa a empreender a tarefa de reerguer
um novo teatro.
Assim, em 3 de Junho de 1909, são registados no 4º Cartório
Notarial do Porto os estatutos da Sociedade do Teatro de S. João. São
outorgantes, decidindo formar uma sociedade anónima de responsabilidade
limitada, com sede no Porto, sem sucursais, e com a denominação de Sociedade do
Teatro de S. João:
“ (…) o Dr. Adolfo da
Cunha Pimentel, à época Governador Civil do Porto, casado, residente na Rua do
Príncipe, Bento de Sousa Carqueja, casado, lente da Academia Politécnica do
Porto e jornalista, residente na Rua da Alegria, Arnaldo de Sousa Moreda,
casado, proprietário, residente na Rua de S. Jerónimo, Pedro Mariani Pinto,
casado, proprietário, residente na Rua do Barão do Corvo (Gaia), António
Joaquim Machado Pereira, casado, proprietário, residente na Rua de S. Roque da
Lameira, Alberto Nunes de Figueiredo, casado, proprietário, residente na Rua do
Crasto, este outorgante por si e na qualidade de procurador do Dr. Ricardo
Pinto da Costa Bartól, conde de Lumbrales, solteiro, maior, capitalista,
residente na Rua da Picaria, António Pedro Augusto da Costa, casado,
negociante, residente na Rua de Fernandes Tomás, João Baptista de Lima Júnior,
casado, negociante e proprietário, residente na Rua do Monte Crasto, Dr. Álvaro
de Vasconcelos, casado, advogado, residente na Avenida da Boavista, António da
Silva Marinho, viúvo, industrial e proprietário, residente na Rua da Piedade,
Eduardo Honório de Lima, casado, industrial e proprietário, residente na Rua de
Cedofeita, João Gomes do Espírito Santo, casado, oficial do exército e
residente na Rua do Sol, Manuel Reis, solteiro, negociante, residente na Rua da
Alegria, José de Oliveira Basto, casado, negociante, residente na Rua de Santa
Catarina, Ezequiel Ribeiro Vieira de Castro, casado, negociante e proprietário,
residente em Ermesinde (Valongo), António da Silva Cunha, casado, negociante,
residente na Rua de Santa Catarina.”
Cortesia de Maria José de Sousa Ferraria (2000)
Após alguns re-arranjos na repartição do capital accionista
e após alguns aumentos de capital, o novo teatro é inaugurado em 22 de Janeiro
de 1920.
Assim, em 22 de Janeiro de 2020 (está próximo), será a
comemoração do centenário daquele que, agora, é denominado Teatro Nacional de
S. João.
Quatro anos após a inauguração do novo Teatro S. João, a
capela de Nossa Senhora da Batalha, que lhe era fronteira, foi mandada demolir.
Essa capela foi construída (c. 1799) para substituir uma
outra, bem próxima, que dataria de 1686, e que tinha passado a albergar uma
imagem da santa, que estava numa edícula, localizada na Porta de Cima de Vila
da muralha fernandina.










Sem comentários:
Enviar um comentário