- A crónica que se segue reúne um conjunto de
memórias a propósito de uma visita que fiz, em 1909, à baixa do Porto,
ilustrada com fotos públicas da época, que guardo na minha colecção.
Porto, 17 de Julho
de 1949
A Foz do Douro estava
já em plena calmaria, após mais uma época sazonal, da ida dos portuenses a
banhos, aproximando-se, agora, a abertura e começo das aulas.
Na 4.ª Feira, 29 de
Setembro de 1909, portanto, há mais de três décadas, apanhei a “Máquina” n.º 5,
em Cadouços, quando ela voltava de Matosinhos e saí para apanhar, na Rotunda da
Boavista, o carro eléctrico n.º 37 de 8 janelas e ainda de plataformas abertas,
pois os veículos de plataformas fechadas, só a partir daquele ano, começaram a ver
a luz do dia.
Finalmente apeei-me,
na Praça D. Pedro.
Segundo tinha lido,
a empresa Brill estava prontinha para começar a entregar à Companhia Carris de
Ferro do Porto (CCFP), viaturas do modelo Brill 23, de uma encomenda de 20
unidades.
Tudo isso se viria a
concretizar, de facto, recebendo essas unidades a numeração de 251 a 270.
Também já tinha ouvido
falar que, naquele ano, a CCFP decidira adquirir cinco carros da UEC de
Preston, na Inglaterra.
Não tivera, no
entanto, como é óbvio, a oportunidade de viajar nesses novos veículos, que
começariam a ser entregues.
Há pouco mais de um
mês, tinha ocorrido uma greve, entre o início do mês de Julho e o início de
Agosto, dos guarda-freios e condutores da Companhia Carris de Ferro do Porto
(CCFP), que lutavam por melhores salários, que provocou grande alvoroço na
cidade.
A situação já estava,
no entanto, normalizada.
Na foto acima, um
militar do Regimento de Engenharia, conduz um elétrico durante a greve da
"Carris", em 1909.
Dirigi-me, então, ao
quiosque do Sebastião, vizinho da estátua equestre de D. Pedro IV, onde comprei
o jornal “A Voz Pública” e lhe encomendei o “Diário da Tarde”, que tinha ali mesmo,
no edifício das Cardosas, a sua redacção.
Sebastião far-me-ia
o obséquio de o deixar, no Hotel Francfort, onde eu iria pernoitar.
O “Diário da Tarde” existiu
entre 1871 e 1874 e, depois de um interregno, voltou às bancas em 1898 e
manteve-se até 1911, enquanto a “Voz Pública” publicou-se de 1891 a
1909. Por sinal, este número que tenho na mão é o penúltimo e, amanhã, será
editado o último.
Para recordação,
solicitei ao Sebastião que mo guardasse esse derradeiro exemplar que, no dia
seguinte, recolheria. Entretanto, paguei em adiantado os exemplares reservados.
No 1.º dia de
Outubro, já estaria nas bancas, pela primeira vez, “A Pátria”, que tomou o
lugar de “A Voz Pública”, situando-se na mesma linha editorial de defesa dos
ideais republicanos. Haveria, em 1918, com a ascensão do sidonismo, de ter
grandes problemas.
E quem era este
Sebastião, com o apelido de “correligionário”?
Fosse de que partido
político fosse o freguês que lhe comprava o jornal, ele cumprimentava-o da
seguinte forma: Então como passa o correligionário?
O quiosque não era
propriedade do Sebastião que, de facto, o tinha arrendado à Câmara.
Antes, o Sebastião esteve,
a nascente da praça, com vistas para a estátua equestre de D. Pedro IV, quase
na esquina do edifício com fachadas voltadas para aquela praça e para o Largo
da Feira de S. Bento.
Em 1892, ainda o
Sebastião estava por lá.
O negócio era feito
através do peitoril de uma janela para o passeio.
O senhorio, o
banqueiro Pinto da Fonseca, necessitou de fazer obras no prédio e foi
necessário reconstruí-lo.
Foi quando o
Sebastião se instalou no quiosque de ferro, propriedade da Câmara.
Seguramente, antes
de 1896, o Sebastião mudou-se para a sua nova morada.
Pois, para fazer horas, dirigi-me de jornal debaixo do braço em
direcção ao Largo do Laranjal, subindo a Rua D. Pedro, deixando para trás, à
esquerda, a redacção do Jornal de Notícias e estava chegado ao Café Primavera,
que não tinha ainda frequentado e foi inaugurado, no ano anterior, em 1908.
Antes, ainda no começo da Rua D. Pedro, deixei a pequena mala que me
acompanhava e comportava uma muda de roupa interior e uma camisa de dormir e
marquei aposentos para a noite daquele dia, no Hotel Francfort.
Chegado ao café Primavera, sobre o qual um cronista da época disse:
"A sua
clientela era heterogénea. Entrava lá de tudo. Desde o cocheiro e o operário
ao jornalista e comerciante, parava por lá, enfim, gente de toda a esfera
social, talvez, é de crer, levada pelas estonteantes diversões (leia-se
bailarinas espanholas) que o seu proprietário apresentava diariamente como reclamo
essencial ao bom êxito do seu negócio".
Por outras ocasiões,
voltei a este café e não pude estar mais de acordo com a apreciação supra,
enquanto se manteve pelo Laranjal.
Quando passou para a
Travessa da Picaria, junto aos Lavadouros, em 1917, deixei de frequentar.
Aberto o jornal, na
primeira página, lá estava o anúncio da saída para as bancas do jornal “A
Pátria”.
Um outro anúncio,
porém, me chamou a atenção. Dizia respeito à programação para esse dia do
cinematógrafo, “Novo Salão High-Life”, à Praça da Batalha que, mais tarde, se
viria a chamar cinema Batalha.
Tinha sucedido a um
outro High-Life, que continuaria de portas abertas na Cordoaria e que, no
último ano e meio, continuei a frequentar.
Vai ser, portanto, o
meu baptismo no novo cinematógrafo.
Para outa vez,
deixaria a visita ao Jardim Passos Manuel, que o meu amigo Luiz Faria Guimarães
dirigia com sabedoria e que, naquela noite, apresentaria o músico Saldac que,
na concertina, há dias, deliciava os espectadores, interpretando trechos da
“Tosca”, “Viúva Alegre”, “Alma de Dios”, “Bohémia”, “Coppelia” e “Sorriso de
Abril”, entre outros.
Resolvi que iria
assistir, apenas, ao quadro das 8 horas da noite e regressaria à Praça D. Pedro
para cear no restaurante Camanho.
Lamentavelmente, por
que o meu amigo Manuel Camanho já tinha falecido, em 1902, estabeleceria
conversação com o seu filho Carlos, que conhecia há muitos anos e era também um
bom interlocutor.
Até já tinha o tema
em mente: seria a história que ele tinha contado a uma revista de assuntos
portuenses, saída no ano anterior, em que dava a conhecer o início da vida
empresarial do seu pai.
Como não estávamos
em tempos de lampreia, escolheria o bife na caçarola.
Então, entre 1870 e
1917, a nascente da Praça D. Pedro, existia o famoso restaurante "O
Camanho", fundado por Manuel José Camanho, de origem espanhola,
com um esmerado serviço de restaurante, sendo especialmente apreciados os
pratos de peixe, as costeletas e se almoçava, jantava ou ceava, lampreia à
bordalesa e bifes de caçarola.
Por aquelas bandas,
esteve também o café Guichard, mas “O Camanho” é posterior a ele.
Manuel José Camanho chegou ao Porto, na primeira metade do
século XIX, tendo sido empregado de Frederico Clavel, um empresário cervejeiro e,
por aqui, acabaria por montar um restaurante que foi uma referência na cidade
do Porto.
Frederico Clavel estava bem estabelecido no ramo cervejeiro,
possuindo uma fábrica de cerveja nas Escadas do Codeçal que, em 1865,
transferiu para a Rua de Camões, n.º 91.
Por informação pública de Carlos Camanho, filho de Manuel
José Camanho, na revista “O Tripeiro” de 10 de Dezembro de 1908, seu pai teria
adquirido por compra a seu patrão, em prestações mensais, por contrato de 30 de
Outubro de 1868, uma cervejaria sita na Rua do Bonjardim, n.ºs 148 a 150.
Carlos Camanho lembrava-se bem, que seu pai lhe tinha
contado de ter dado colo a Heitor Guichard Júnior e de que Heitor Guichard
(pai) e Frederico Clavel serem amigos e puderem ter, ainda, para além da
amizade pessoal, uma ligação profissional. O estabelecimento da Rua do
Bonjardim, segundo ele, teria pertencido inicialmente a Heitor Guichard.
Na realidade Heitor Guichard era o dono da fábrica de cerveja
de Arnelas, em V. N. de Gaia, por isso, era lícito extrapolar.
Passados dois anos, em 1870, Manuel José Camanho transferiu
o estabelecimento para uma nova morada, nas imediações do célebre café Baviera,
na Praça D. Pedro.
Em 1880, foram executadas obras de ampliação do espaço
comercial e o Restaurante Camanho entrou em velocidade de cruzeiro.
Para a posteridade ficaria a expressão : “É do
Camanho”!
Por descrições feitas, por quem conheceu bem o primitivo “O
Camanho”, a sua sala não era muito ampla, mas era arejada e bastante iluminada
(uma característica pouco comum aos cafés daquele tempo que, por regra,
ocupavam salas pequenas e pouco ventiladas) e que, rapidamente,
se transformou no centro de cavaqueira e de reunião preferido
dos literatos, professores, políticos e negociantes do Porto desse tempo.
O estabelecimento começou por servir quase que
exclusivamente bebidas, principalmente
as bebidas tradicionais daqueles tempos:
“ (…) o porto, e
havia-o da colheita de 1815; a genebra Fockink, nas
suas tradicionais botijas de grés; o então muito
apreciado gim; várias marcas de uísques escoceses; e, claro,
o alucinante absinto”.
Mas, não tardou, que começasse a ter um esmerado serviço de
restaurante sendo especialmente apreciados os pratos de peixe, as costeletas e
onde se almoçava, jantava ou ceava, lampreia à bordalesa e bifes de caçarola,
por pouco mais de cinco tostões.
Lá, se reuniam Guerra Junqueiro (1850-1923) com a sua
inseparável bengala, Rodrigo Salgado Zenha (1860-1902), Camilo (1825-1890), o
pintor Francisco José de Rezende (1825-1893) e tantos outros famosos artistas,
políticos, literatos e cientistas do tempo.
De todos os mencionados, apenas Guerra Junqueiro se mantinha
entre os vivos, à data.
Guerra Junqueiro ia frequentemente e era conhecido por sair
às 11 horas em ponto, quando ouvia as badaladas da torre da Lapa.
Restaurante “O Camanho”, em 1901, durante um brinde entre
amigos, vendo-se, ao centro, Rodrigo Salgado Zenha, à sua direita, o capitão
Rodrigues e, à sua esquerda o tem-cor José Fumega – Foto de floricultor Augusto
Pinto Chaim júnior
O restaurante Camanho haveria de receber, em Novembro de
1908, o rei D. Manuel II, durante uma sua visita ao Porto. O convite, para o
efeito, partiria do Dr. Júlio da Fonseca Araújo (presidente da Associação
Comercial do Porto entre 1906 e 1911).
Francisco Guimarães (Guido Severo), cronista da época, sobre
as personagens que frequentavam o Camanho, disse:
" (…) as melhores
rodas do Porto" e especificou: "jornalistas e poetas; mundanos e
"noceurs"; comerciantes, industriais, professores,
banqueiros, enfim, tudo o que tinha um nome na política, na
ciência, na literatura, na arte, na esfera dos negócios e no
âmbito das ideias, ou mesmo qualquer pessoa que começasse a
afirmar-se em radiosas esperanças, dentro do minúsculo mas curioso caleidoscópio da
vida portuense daquele tempo, não desdenhava de abancar, de
forma transitória ou diariamente, ao redor das mesas de mármore
branco do Camanho".
O sítio da sala mais ruidoso, onde
as conversas decorriam num tom mais acalorado era aquele em que
se juntavam os jornalistas. Quase todos, os daquele tempo, por lá
passavam. Citando, apenas, os mais conhecidos: João Grave que dirigiu o
"Diário da Tarde"; Pai Ramos, de "O Primeiro
de Janeiro"; Marcos Guedes, correspondente no Porto de
"O Século"; Guedes de Oliveira; e o caricaturista Manuel
Monterroso.
Por cima do balcão, na foto abaixo, vê-se uma escada de
acesso às prateleiras cheias, das mais variadas bebidas, do Camanho.
Na foto acima, está o velho Manuel José Camanho ladeado pelo
moço da copa e pelos criados Pedro e Tomás.
Em virtude do arranjo urbanístico que ocorreria na baixa do
Porto, a partir de 1916, Carlos Camanho acabaria por transferir o Camanho para a Rua de
Sá da Bandeira.
Mas, decidido o local da ceia, o almoço já estava marcado há
alguns dias. Para o efeito, incumbi um amigo para me marcar o repasto, uns dias
antes, no Restaurante o “Túnel”, na Rua do Bonjardim, entre as ruas de
Fernandes Tomás e Guedes de Azevedo (este
topónimo, desde 1901, substituía o anterior de Rua de Fradelos), à direita de
quem subia o Bonjardim, para as bandas do Largo de Santo António do Bonjardim.
A escolha do café Primavera não tinha sido ao acaso, pois,
escalada a Rua da Cancela Velha, voltava à esquerda, passava Liceiras e o Túnel
já estava à vista.
Andava com saudades de comer um bacalhau assado no forno, preparado
pela cozinheira belga, Anne Marie Adèle Heiderscheidt da Silva, esposa do
Francisco Silva, “criatura baixa, com uns olhinhos muito vivos e uma pêra muito
bem tratada”.
Francisco não admitia reparos e era exigente na marcação
antecipada das refeições, pois precisava de tempo para preparar e demolhar as
postas de bacalhau. Qualquer recomendação que tivesse que ver com qualidade era
por ele rejeitada. Daquilo, percebia ele.
Aquele nome de Túnel era consequência de a ele se aceder,
por um estreito portal, muito comprido, que terminava numa quadra térrea, larga
e ampla, ao lado da qual havia “gabinetes”.
Longe estava de calcular, que passados dois anos, em 1911, o
“Túnel” iria passar para Largo de Santo António do Bonjardim, perdendo-se a
entrada característica do túnel que lhe dava o nome.
Passada mais de uma década, em 1922, o “Túnel” encerrava definitivamente.
Paciência! No Porto, nunca faltaram bons restaurantes.
Acabado que foi o almoço, teria pela frente uma tarde com os
múltiplos afazeres que ali me tinham conduzido.
- Pretendo, durante esta
tarde, na Casa Fígaro, à Praça da Batalha, fazer um corte de cabelo, munir-me
dos meus perfumes favoritos e, na oportunidade, tratar de um calo no pé direito,
que me anda a incomodar e ainda, nos baixos do prédio comprar os meus cigarros
ingleses da Rothman, na Tabacaria Trindade, que Januário Trindade fundou há
alguns anos.
Antes, ainda passo pela
Praça D. Pedro para dar umas tacadas, no café Suisso, que tem os melhores
bilhares da cidade.
Desde de que o café
Suisso sofreu obras, em 1902, o seu salão de quatro bilhares é muito atractivo,
situando-se logo após a sala de entrada, que funciona como café e ostenta os
seus grandes espelhos.
Por vezes, após a
jogatana, gosto de frequentar o seu restaurante, no 1.º andar, o que hoje não é
o caso.
Dezenas de
“carambolas” depois, sigo, então, o rumo da Praça da Batalha, acabando por
fazer, também, por recomendação de um amigo, uma visita a uma nova joalharia,
que abriu em 2 de Março 1905, na Rua de Santo António, n.º 174, a “Joalharia
Miranda, Filhos & Duarte”, pois necessito de adquirir uma prenda para alguém
muito especial.
Chegado à Praça da
Batalha, espreito o arruinado Real Teatro S. João, alvo de um incêndio
catastrófico, na noite de 11 para 12 de Abril de 1908.
O teatro por ali
continua, exibindo a sua ruína.
À esquerda, o edifício da Câmara Municipal e, à direita, vê-se
uma nesga do prédio onde estava o café Suisso, no começo do século XX
À esquerda da foto, no local do prédio, em que se vê apenas
uma nesga, iria surgir, em 1920, o Café Chave D’0uro, que frequentei na
companhia do meu bisavô.
À direita, não visível, ficava, desde há anos, a Tabacaria
Africana, à data, de Alberto Vieira da Cruz, que a tinha tomado, por trespasse,
de António de Almeida Campos, em 1902.
Aqui, em diversas ocasiões, comprei os meus havanos.
E a tarde seria cumprida conforme o que tinha previsto.
Com muito apetite entrei, pouco passava das nove horas da
noite, no Camanho, onde Carlos me recebeu com toda a sua simpatia.
O bife na Caçarola foi acompanhado com uma boa conversa com
o Carlos Camanho, que me precisou alguns dos factos que tinha tornado públicos
na revista “O Tripeiro”, sobre a história do seu restaurante.
Cheguei ao Francfort já passava das onze horas da noite.
Pedi o meu “Diário da Tarde”, que Sebastião deixou para mim
na recepção e dirigi-me à sala de leitura e de fumo e, nunca pensei, por lá
encontrar alguém. Enganei-me. A fumar o seu charuto e a ler um periódico, com a
sua provecta idade de 87 anos, estava um amigo do meu pai, que me conhecia
desde jovem: o conde Alves Machado que deste hotel fez a sua residência por
anos.
Foi interessante a troca de impressões com o ancião, que
continuava muito lúcido.
Ele estava receoso e temia pela situação política do país.
Tinha-se encontrado, cerca de dois meses antes, durante a visita ao Porto do
rei D. Manuel II, no âmbito das comemorações do centenário da Guerra Peninsular
e pareceu-lhe que o monarca estava desanimado e não pressagiava nada de bom.
Nessa noite, dormi de uma vez só.
Levantei-me e fui tomar o pequeno-almoço ao café Suisso e,
pelas 9 horas, já entrava no meu alfaiate, o Amaral, para o que tive, apenas,
de atravessar a Rua de Sá da Bandeira que, após a implantação da República,
passou a Rua Sampaio Bruno. Nos baixos do prédio, ficava o Crédit
Franco-Portugais e alguns metros depois a delegação do Banco do Minho.
A última foto mostra uma tabuleta anunciando o Amaral.
- Feitas as necessárias
provas para ultimar o fato que vou levar ao casamento de um sobrinho, dirijo-me
à Praça D. Pedro para tomar uma caleche (carruagens de aluguer puxadas a
cavalos). É que pretendo, matar saudades deste transporte, que adoro. Na volta,
no regresso à Foz, poderia apanhar aqui, um carro eléctrico da Carris, mas
fá-lo-ei, apenas, a partir da Praça do Infante D. Henrique. Irei pela Linha da Marginal.
Não me esqueci e sigo
ao quiosque do Sebastião para recolher o último exemplar de “A Voz Pública”.
Tenho a hipótese de
descer a Rua Mouzinho da Silveira ou de descer a Rua da Restauração. Prefiro a
primeira hipótese e dou as ordens ao cocheiro. Não me arrependo. A Rua Mouzinho
da Silveira continua a ser urbanizada e os prédios são um encanto.
Depois de apreciar a
viagem de caleche, já me encontro no carro eléctrico n.º 150 de 6 janelas”.
Praça D. Pedro, em 1909, com o seu intenso movimento de trânsito
de caleches, carros eléctricos e carros de bois
- Na foto acima, o
eléctrico n.º 124 de 6 janelas e plataformas abertas é da série do que apanhei
na Praça do Infante que tinha o n.º 150.
Desvendando o futuro,
conto que esse veículo, em 1911, caiu ao rio Douro no Cais das Pedras,
resultando do acidente 31 feridos e 14 mortos.
Vou aproveitar para
passar os olhos pelo jornal e apreciar a paisagem.
Em Miragaia, a nova
Alfândega sobressai…é um edifício imponente.
Massarelos está como
sempre e para aqui, no local que foi a residência do Barão de Massarelos
decidiram construir a nova central eléctrica da CCFP, que continua a expandir a
sua frota.
Mais à frente, passo
na actual central eléctrica da Arrábida, que já não chega para as encomendas e
para a expansão da frota da CCFP. Lá está a segunda fonte da Arrábida.
Agora, passo, pelo
Ouro, com a sua antiga estação de muda. Está como sempre.
-
- Mais à frente, em
Sobreiras, passo por um novo edifício que tem que ver com esgotos e trabalha em
pleno há cerca de dois anos. O que se passa dentro dele é, para já, mistério.
E eis-me chegado ao
Jardim do Passeio Alegre que, de dia para dia, está mais bonito.
Esta ano, junto aos
muros do castelo, foram levantados uns novos campos de ténis do Lawn Ténis Club
da Foz e abandonados os primitivos situados no Jardim do Passeio Alegre.
O meu almoço vai
decorrer no Hotel Boa Vista, na Esplanada do Castelo e darei, assim, fim ao meu
passeio.
Caleche à porta do Hotel Boa Vista, em 1900



























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