domingo, 19 de fevereiro de 2017

(Continuação 32)

Liceu Rodrigues de Freitas

Esta escola vai buscar as suas origens ao decreto de 17 de Novembro de 1836, de Passos Manuel, que criou o Liceu Nacional do Porto, que entrou em funcionamento quatro anos depois.
Até 1861, desde a sua instalação em 1840, o Liceu Nacional do Porto funcionou no edifício da Academia Politécnica, na qual Rodrigues de Freitas foi professor. Nessa ocasião, nessa academia, já estavam a Academia das Belas-Artes e a Escola Médico-Cirúrgica.
Decidindo-se a mudança face às deficientes condições das instalações em 1847, só 14 anos depois foi possível fazê-lo primeiro para a Rua de Santa Catarina e, depois, entre outros locais, para a Rua S. Bento da Vitória.
Em 1895 vem à luz do dia a Reforma Jaime Moniz e fruto dela e de outras mais, o ensino liceal é distribuído, em 1906, por duas zonas geográficas, dando origem ao que viria a ser o Liceu Rodrigues de Freitas e tinha à data a designação de Liceu Nacional Central da 2.ª Zona (ocidental) Escolar do Porto e, por decreto de 9 de Setembro de 1908 passaria a Liceu D. Manuel II. A outra instituição que passaria a ter existência a partir daí seria o Liceu Nacional Central da 1.ª Zona (oriental) Escolar do Porto, depois Liceu Alexandre Herculano.

“Imediatamente após a implantação da República em Portugal, a 23 de Outubro de 1910, o governo provisório decretou a designação de Liceu Rodrigues de Freitas, em homenagem a José Joaquim Rodrigues de Freitas, político, jornalista e professor de Comércio e Economia Política na Academia Politécnica do Porto e eleito, em plena monarquia (1870), o primeiro deputado republicano português.
Desde 1906, em que o Liceu Central da 2ª Zona (ocidental), que daria origem ao actual Liceu Rodrigues de Freitas apareceu, até ocupar as instalações actuais junto à igreja de Cedofeita, andou por vários prédios alugados.
O actual edifício, situado na Praça de Pedro Nunes, data de 1932-1933 e é da autoria do arquitecto José Marques da Silva, tendo sido em 1958,  alvo de intervenção segundo projeto do Arquitecto Manuel Lima Fernandes de Sá.
Para além das suas grandes dimensões, o edifício é dotado de diversas infra-estruturas, pouco habituais nas construções escolares da época, nomeadamente um museu da ciência, um observatório meteorológico, diversos laboratórios de química, física e biologia, quatro ginásios (um deles exterior), uma biblioteca, um teatro, três salas de desenho, cantina e bar, para além de numerosas salas de aula e outros equipamentos.
Em 1945, o estabelecimento de ensino regressou à designação de Liceu D. Manuel II e, após o 25 de Abril de 1974 assumiu, definitivamente, o nome de Escola Secundária Rodrigues de Freitas”.
Fonte: pt.wikipedia.org/


Em anexo a esta escola funciona há alguns anos, o Conservatório de Música do Porto.

Liceu Rodrigues de Freitas-Fonte: pt.wikipedia.org


Liceu Carolina Michaëlis e Liceu Rainha Santa Isabel

Em 1914/15 entra em funções o Liceu Nacional Feminino do Porto como uma Secção Feminina dos Liceus do Porto, que teve como primeira instalação o nº 441 da Rua de Cedofeita, no edifício conhecido como a residência antiga da família Sandeman e, também, como Palacete do visconde de Barreiros, tendo sido depois, esquadra da Polícia de Segurança Pública.
O Liceu Rodrigues de Freitas manifestou um grande interesse no desenvolvimento desta secção feminina, ao contrário do Alexandre Herculano, talvez, pela localização dela, estar um pouco distante da sua área de influência.
O Liceu Feminino do Porto teve como patronos sucessivamente Castilho (1919), Sampaio Bruno (1919-1926) e a partir de 1926 Carolina Michaëlis.
Mantendo-se o liceu nas instalações primitivas da Secção Feminina dos Liceus do Porto em Cedofeita, até 1921, mudaria neste ano para o Largo do Coronel Pacheco para um palacete mais amplo.


Antigas instalações do Liceu Carolina Michaëlis no Largo Coronel Pacheco com entrada à direita – Fonte: Google maps


Na foto acima ao meio, vemos a Rua do Mirante e, à esquerda, um edifício construído na década de 1870, que albergou o Colégio Inglês de Miss Hennessey (de 1873 a 1911) e até 1975 o Colégio Almeida Garrett. 
Nesse mesmo local, a partir de 1911, por doação da Irlandesa Miss Hennessey, estiveram gerindo o estabelecimento de ensino feminino que aí funcionou, as religiosas do “Sagrado Coração de Maria”  que, anos mais tarde (1926) haveriam de fundar o Colégio de Nossa Senhora do Rosário.
O Liceu Carolina Michaëlis ocuparia o edifício da direita da foto acima, que também foi pretendido, sem sucesso, pela Faculdade de Medicina para nele montar uma maternidade anexa à faculdade, e pelo Liceu Rodrigues de Freitas, que para aqui queria deslocar-se e abandonar as instalações da Rua da Vitória. 
Mais tarde e após o abandono das instalações pelo Liceu Carolina Michaëlis, elas seriam ocupadas pelo Departamento de Minas da Faculdade de Engenharia.
Em 1951 o Liceu Carolina Michäelis, acabará por ocupar as instalações de um edifício construído na Quinta do Meio, à Ramada Alta, local onde ainda permanece, cujo projecto é do arquitecto José Sobral Branco.
Entretanto, voltando um pouco atrás,

“O Liceu Carolina Michaëlis, incapaz de responder à crescente procura, foi autorizado, em 4 de Outubro de 1933, a funcionar com uma secção localizada na zona oriental da cidade, numas instalações situadas na Rua dos Heróis de Chaves, n° 710 (actual Rua D. João IV), passando no ano lectivo seguinte para a Rua de Santa Catarina, 726”.
Fonte: Teresa Maria Morais Moreira - Dissertação de Mestrado em História da Educação

Em 12 de Outubro de 1946, a Secção do Liceu Carolina Michaelis autonomizou-se, tornando-se no Liceu Rainha Santa Isabel, pelo Decreto-Lei 35 905.
Passaria o Rainha Santa a funcionar num edifício de esquina das ruas do Heroísmo e António Carneiro.
Em 29 de Agosto de 2003 o Liceu Rainha Santa fecharia as suas portas.

Liceu Rainha Santa Isabel na Rua António Carneiro – Fonte: Google maps

Na foto anterior está o edifício onde primitivamente se instalou o liceu Rainha Santa Isabel, na Rua António Carneiro. Em terrenos situados à esquerda da foto iria surgir, na década de sessenta do século XX, um outro edifício de ampliação das instalações existentes.

“Foi o primeiro liceu de raparigas do Porto e, durante décadas e décadas, teve como imagem de marca o elevado nível de exigência. Muitos viam ali uma escola de elite e, até aos anos 80, ainda era comum chamarem-lhe, não sem alguma ironia, a "Universidade da Carvalhosa". Atual sede de agrupamento, a escola Carolina Michaëlis está a celebrar cem anos. E deve o seu nome a uma mulher que provavelmente nem passou por lá.
O que se sabe é que a escritora e crítica literária nascida em Berlim vivia no Porto e era casada com Joaquim de Vasconcelos, professor no Liceu Nacional Central da 2.ª Zona Escolar do Porto (mais tarde Rodrigues de Freitas). Foi em 1926, no período da Ditadura Militar e pouco depois de Carolina ter falecido, que a escola assumiu o seu nome, abandonando a republicana designação Sampaio Bruno.
«Não se sabe o motivo da escolha do nome, nem se sabe que ligação ela tinha à escola. Pensa-se que terá lecionado cá em 1915», refere-nos Ângela Marques, coordenadora da equipa que está a desenvolver o programa comemorativo do centenário. Ora, esse foi precisamente o ano em que a escola foi criada - com a designação de Liceu Nacional Feminino do Porto - e na sua génese esteve a Secção Feminina do Liceu.
A lei que previa os institutos de ensino secundário para o sexo feminino era de 1888, e Lisboa viu surgir o Liceu Maria Pia em 1906. O Porto ainda teria de esperar mais nove anos, não obstante a pressão exercida pela Câmara e o empenho dos republicanos que viam na criação da escola para raparigas uma forma de prestigiá-las e de enaltecer o seu papel na sociedade. «Mas, mesmo entre os republicanos, havia quem questionasse essa ideia do prestígio. A questão não era pacífica», sublinha Ângela Marques.
Curiosamente, essa resistência viria a manifestar-se anos mais tarde no sentido inverso. «A nível nacional, foi o liceu que mais tardiamente recebeu rapazes», recorda aquela responsável. Só cinco anos após o 25 de Abril é que o Carolina passou a ser uma escola mista (o Rainha Santa Isabel foi bem mais cedo). E, no primeiro ano, apenas se matricularam dez rapazes. «Era um liceu muito mais tradicional e muito mais fechado, com uma cultura muito própria», acrescenta.
«Entre 1915 e 1926, não houve tempo para a escola se afirmar como vanguardista», sublinha, lembrando que, durante o Estado Novo (instituído em 1933), o Carolina Michaëlis baixou consideravelmente o número de alunas: «Não interessava que houvesse muitas raparigas a estudar. Era só uma elite». Nada que se comparasse aos áureos anos 80, em que a escola chegou a ter mais de três mil inscritos. Hoje, tem cerca de 900.
Já depois de ser um estabelecimento misto, o Carolina «manteve a mesma imagem de grande exigência» que teve desde a primeira hora. Em paralelo, granjeou invejas. Ângela Marques lembra que expressões como «meninas bem», «privilegiadas» e «Universidade da Carvalhosa» foram epítetos que acompanharam, do lado de fora, a vida da escola. Até que, em 2004, foi dada «a primeira machadada no peso da instituição», quando se aventou a hipótese de encerramento. Tal acabou por não acontecer, mas a polémica afastou muitos alunos. Depois, o Carolina passou a fazer parte de um agrupamento de escolas. «Os agrupamentos acabaram com as imagens de marca das instituições. A identidade diluiu-se», remata aquela responsável”.
Fonte : Isabel Peixoto, In Jornal de Notícias




Criada oficialmente no ano de 1884 por pressão dos industriais do Porto, a actual Escola Artística de Soares dos Reis, obteve, à altura, a designação de Escola de Desenho Industrial de Faria de Guimarães do Bonfim.
Iniciou a sua atividade em 1895 no Campo 24 de Agosto, num antigo edifício de habitação em situação de grande precariedade e, entre 1921 e 1927, ocupou as antigas instalações do Liceu Alexandre Herculano, na Rua de Santo Ildefonso. Em 1927 foi transferida para as antigas instalações de uma fábrica de chapéus na Rua da Firmeza nº 49, onde permaneceu por oito décadas.
Instalada a escola nesse edifício, depois de obras que o adaptassem às novas funções, as instalações seriam ampliadas, expropriando-se os terrenos contíguos – ao longo da Rua D. João IV –, o que permitiu ao edifício adquirir a actual configuração.

“No domínio educativo a escola foi acompanhando a sociedade do século passado nas suas oscilações político-sociais e, assim, as primeiras quatro décadas são dirigidas à formação da classe trabalhadora, ministrando-se cursos exclusivamente destinados a alunos do sexo masculino (Cursos de Desenho Elementar e Industrial: Pintor, Decorador, Tecelão, etc. e ainda Cursos Complementares de Cinzelagem, Marceneiro, Ourives, etc.) e outros criados especificamente para a população feminina (Lavores Femininos, Costureira de Roupa Branca, Bordadora-Rendeira, Modista de Chapéus e Modista de Vestidos), conferindo também por essa altura a habilitação à Escola de Belas Artes.
Com a edição do Estatuto do Ensino Técnico Profissional em 1948, adquirindo a designação de Escola de Artes Decorativas de Soares dos Reis, passa a ministrar uma nova série de cursos especializados de índole artística: Pintura Decorativa, Escultura Decorativa, Cerâmica Decorativa, Mobiliário Artístico, Cinzelador, Gravador, sendo pioneira no desenvolvimento da área de Artes Gráficas ao ministrar o curso de Desenhador Gravador Litógrafo.
Após o 25 de Abril de 1974 suprimiram-se os Cursos Gerais – que tinham sido apenas instituídos em 1972/73 –, sendo substituídos pelo Curso Unificado do 7.º, 8.º e 9.º anos. Em consequência da indiferenciação entre ensino liceal e técnico, a escola passa a designar-se Escola Secundária de Soares dos Reis.
Mas em Outubro de 1986, com a publicação da Lei de Bases do Sistema Educativo, inicia-se um processo que culminará na aprovação do Estatuto de Escola Especializada de Ensino Artístico e assim, enquanto estabelecimento especializado, permitirá transformações (a nível de programas, projecto pedagógico, equipamentos e organização de espaços), visando a alteração da frequência para Cursos Complementares de nível secundário”.
Fonte: pt.wikipedia.org/

Assim, 80 anos depois da ocupação do edifício da "Real e Imperial Chapelaria a Vapor", na Rua da Firmeza, dá-se a mudança para as instalações da extinta Escola Secundária de Oliveira Martins, localizada na Rua do Major David Magno, paralela a Fernão Magalhães.
Por outro lado, o imóvel, que de fábrica de chapéus passou a escola artística, conquistará nova vocação: albergará o Hotel e a Escola de Hotelaria do Porto.

Instalações da Escola Soares dos Reis na Rua Firmeza

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