sábado, 11 de fevereiro de 2017

(Continuação 24)

11.15 O Mercado do Bolhão

As origens do Mercado do Bolhão, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, remontam a 15 de Novembro de 1837, quando a Câmara do Porto decidiu construir um mercado em terrenos de José António de Sequeira, tendo adquirido por 3600$000 réis dois lameiros chamados de Riba e de Baixo. Este local era atravessado por um regato que ali formava uma bolha de água, de que resultou o nome do mercado, “Bolhão”.
Bolhão significa "bolha grande" e tem a origem do seu nome, no local do próprio mercado, edificado sobre uma nascente de água (bolhão) que ali existia. Há dois séculos, onde hoje é o coração da baixa do Porto, ali havia um grande lameiro, parte integrante de uma quinta, onde serpenteavam ribeiros e algumas serventias, vielas e ruelas já desaparecidas como, a Travessa do Grande Hotel, a Travessa de S. Marcos e a Travessa de S. Marçal, das quais só restam parcos vestígios, e a ainda existente Travessa das Almas.

«Bolhão significa uma bolha grande, um borbotão de água. E na verdade a origem do topónimo está numa grande nascente de água que existia - e naturalmente existe - no próprio local onde hoje se ergue o mercado. Ali, havia, ainda há menos de dois séculos, um grande lameiro, terras alagadiças, junto a uma quinta de que eram directos senhorios os condes de S. Martinho.
É de 1741 a primeira referência que conhecemos ao Sítio do Bolhão. Em 1837 a Câmara decidiu instalar ali um mercado, mas as respectivas barracas só começaram a edificar-se em 1851, «com duas frentes alinhadas a todo o correr da praça»
"Toponímia Portuense" de Eugénio Andrea da Cunha e Freitas


A actual Rua do Bolhão, não é nenhuma das ruas que circundam o famoso mercado, mas, fica a noroeste do mesmo, a cerca de poucos metros e liga a Rua Fernandes Tomás à Rua Guedes de Azevedo, tendo como imediatamente paralelas, a Rua Sá da Bandeira, a oriente, e a Rua do Bonjardim, a ocidente.
A actual Rua do Bolhão, aparece já com o nome de Rua de São José do Bolhão, num documento da Misericórdia de 1763 e, pensa-se que, deve o seu nome a uma bica que ali existia, chamada exactamente de Fonte do Bolhão. 
Em tempos, existiu realmente um troço da Rua Fernandes Tomás, entre a Rua do Bonjardim e a de Santa Catarina, com o nome de Rua Nova de S. Marçal, depois Rua Santo António do Bolhão, e finalmente só Rua do Bolhão, mas este nome não vingou, embora, o tanque à entrada do mercado passasse a ser conhecido como, Tanque do Bolhão.
Com a construção do mercado do Bolhão, a Câmara pretendeu aí instalar, todos os mercados espalhados pela cidade, à excepção dos do Anjo e da Ribeira.
Em 1842, para guardar e manter a ordem no mercado, a Câmara destacou para o local, um corpo de guarda constituído por um cabo e 3 soldados.
Alguns anos depois, em 1852, esta praça foi melhorada com a construção de rampas de acesso e barracas de madeira no corredor central do mercado.
Mais tarde, no início do século XX, os governantes decidiram construir um novo mercado, de forma a assegurar o abastecimento de alimentos que permitisse a expansão da cidade.
Foi então, que em 1910 surgiu um ante-projecto do arquitecto, Casimiro Barbosa, que previa um edifício com duas alas, tendo a Rua de Sá da Bandeira como eixo central. Este projecto seria abandonado por razões económicas, acabando por ser construído, em 1914, o actual edifício, num projecto desenhado pelo arquitecto Correia da Silva. Tratou-se de uma obra de vanguarda para a época, devido à utilização do betão armado, em conjugação com estruturas metálicas, coberturas em madeira e cantaria de pedra granítica.
A cobertura, que nunca existiu, está no projecto original.
Acontece que nessa proposta original a estrutura pesava 250 toneladas e, como o mercado está construído sobre terrenos pantanosos, ninguém se arriscou a concretizar aquela cobertura.
Aquela instabilidade do solo, impediu que ela fosse erguida.
Inaugurado o novo mercado em Julho de 1915, o povo, dada a sua grandiosidade, passou a chamar-lhe o "Palácio do Repolho".
Em 18 de Maio de 1916 é descerrado o grande grupo escultórico que encima a fachada principal voltada para a Rua Formosa, no qual as figuras do Comércio e da Agricultura emolduram as armas da cidade, sobre um fundo de flores e frutos. 


Escultura na platibanda da fachada Sul em 1920 - Ed. Tabacaria Rodrigues

Ao longo da sua história, o mercado foi sofrendo algumas alterações ocorrendo, na década de 40, do século XX, a construção do piso que divide o edifício, fazendo a ligação das entradas entre as ruas Alexandre Braga e Sá da Bandeira.
Actualmente, o edifício do Mercado do Bolhão que se encontrava severamente degradado, está a ser alvo de uma grande intervenção.


Acesso ao Bolhão pela Rua Fernandes Tomás



Estamparia do Bolhão


“Nas fotos anteriores, podem ver-se as rampas de acesso ao primitivo mercado, destacando-se em cima (na primeira), a coluna designada por «Memória do Bolhão», inaugurado em 9 de Julho de 1862 em memória do rei D. Pedro V, constituído por coluna em granito de sete metros e meio de altura assente num pedestal de quatro faces, rematada por uma estrela de bronze e rodeada por uma grade de ferro fundido, situada em frente á antiga Fundição do Bolhão e Estamparia do Bolhão na Rua Fernandes Tomás”.
In portoantigo.org 


O transporte do obelisco, denominado a "Memória do Bolhão", desde as pedreiras de Águas Santas até Fernandes Tomás demorou 14 dias e empregou 20 juntas de bois e 40 operários.
A «Memória do Bolhão» foi justamente retirada em 1914, quando da construção do novo mercado.                 
Actualmente encontra-se no cemitério do Prado do Repouso, junto ao jazigo dos bombeiros falecidos.
Entretanto a 16 de Julho de 1924 a Estamparia do Bolhão, foi alvo de um pavoroso incêndio, na altura considerado um dos maiores do país, que destruiria completamente a enorme estamparia e três prédios contíguos.


O mercado, no início do século XX, visto de cima da Rua Fernandes Tomás – Ed. Arnaldo Soares

Interior do mercado – Fonte: Site “facebook.com/PostaisAntigosPorto”


Vista para a Rua Fernandes Tomás em 1914

Começo das demolições para construção do novo mercado do Bolhão, na foto acima.


Fachada lateral do mercado a nascente


Na foto acima pode ver-se que os edifícios a nascente do mercado, na Rua Oriental do Bolhão actual Rua Alexandre Braga e que antes tinha sido Rua de S. Marçal, ainda não tinham sido levantados.
Do lado oriental do antigo mercado do Bolhão existiu, portanto, a Rua Oriental do Bolhão, em que havia lojas de louças e adelos, e era muito pouco frequentada nos dias de semana.
Porém, ao Domingo de manhã, realizava-se aí a feira dos passarinhos que era muito concorrida. 


“Não havia portuense, algum que ao Domingo, depois de tomar o seu cafezito, vestir as suas roupas domingueiras, não fosse à velha praça do mercado dar um passeiozito e visitar os passarinhos”. 

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