sábado, 18 de fevereiro de 2017

(Continuação 31)



“O Instituto Industrial e Comercial do Porto foi fundado (Decreto de 30 de Dezembro, 1886), pelo então ministro Emídio Navarro que lança as bases teóricas da organização do ensino industrial e comercial do nosso País.
Antes disso, em 1852, tinha sido fundada a Escola Industrial do Porto e que daria mais tarde origem ao Instituto Industrial e Comercial do Porto, depois de em 1864 se ter tornado, no Instituto Industrial do Porto (IIP).
Em 1891, as reformas de ensino técnico de João Franco mantiveram inalteráveis as secções, industrial e comercial do Instituto Industrial e Comercial do Porto, não as transformando em escolas independentes.
Todavia, os cursos elementares de comércio foram suprimidos e o curso superior fica reduzido a três anos e dividido em dois graus.
O Instituto Comercial e Industrial do Porto vê, em 1896, serem reconhecidos os seus Cursos Superiores, equiparados aos das demais escolas: o antigo Curso Superior de Comércio (criado pelo Decreto de 30 de Dezembro de 1886) e o Curso Superior ministrado nos Institutos Industriais e Comerciais.
O Instituto Industrial e Comercial do Porto viveu um percurso atribulado, pela falta de orientação definitiva, até 1918, data da publicação do Decreto n.º 5 029, de 1 de Dezembro, quando é desdobrado em três: Instituto Industrial do Porto, Instituto Comercial do Porto e Instituto Superior do Comércio do Porto.
Nesta data dá-se pela primeira vez a separação dos Institutos Comerciais em relação aos Institutos Industriais, situação que se manteve até 1924. Esta segmentação é no entanto temporária, pois rapidamente se fundem de novo estas áreas do saber e só em 1933 se opta por uma segmentação definitiva”. 
Fonte – Site: “iscap.ipp.pt”




Em Maio 1912 inicia-se a construção dum edifício escolar que viria a ser o Instituto Moderno, em que o único investidor é o Prof. Dr. José de Oliveira Lima, que tinha adquirido nessa zona, três parcelas de terreno, que, hoje, deram origem à Quinta da Bela Vista e em cujo edifício esteve sedeado o colégio.
Actualmente toda aquela área comporta um quartel da GNR, conhecido por Quartel da Bela Vista e, ainda, um parque florestal público, denominado Parque de S. Roque.

“Este estabelecimento escolar destinava-se ao ensino primário e secundário, funcionando em regime de internato e externato.
Construído expressamente para funcionar como estabelecimento de ensino, esta instituição foi modelar, quer devido à qualidade das instalações, quer porque utilizou os mais modernos princípios didácticos e higiénicos da época. O seu ginásio principal ainda hoje funciona. Apesar destes propícios requisitos, a vida deste Instituto foi relativamente curta. Funcionou como colégio no período compreendido entre 1914, data da conclusão do edifício, e 1918. Não esqueçamos que esta época foi marcada pelas conturbações políticas, económicas e sociais do início do regime Republicano e pela grande guerra de 1914-18, o que pode de algum modo explicar a efemeridade da instituição”.
Fonte – Site: “j-f.org”


Instituto Moderno

Na foto acima, os alunos saindo do Colégio Moderno. O Director, Prof. Dr. José de Oliveira Lima à porta, à direita da foto, assiste.


Refeitório do colégio com mesa do professor em 1º plano no canto à direita




Hoje na Avenida Camilo, em terrenos que tinham feito parte integrante da Quinta de Sacais, passou antes pela Rua de Santa Catarina, onde funcionou na segunda metade do século XIX, como Liceu Central do Porto ou Liceu Nacional do Porto (como lhe chamava Alberto Pimentel, que o frequentou e, onde leccionou Antero Quental), no edifício conhecido por Palacete dos Castro Pereira, onde mais tarde se instalou a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, bem perto da Rua Formosa.

Edifício do Liceu na Rua de Santa Catarina - Ed. MAC


Aliás o Liceu Central do Porto ou Liceu Portuense foi inicialmente instalado, em 1840 na Escola Politécnica e aí funcionou até 1866, onde estiveram também a Academia de Belas- Artes e a Escola Médico Cirúrgica e depois, a partir daquela data, esteve sucessivamente instalado, na Rua de Santa Catarina próximo da Rua Formosa até 1878, onde viria a funcionar a repartição de Obras Públicas e num edifício da Rua de Entreparedes, onde já tinha funcionado a Companhia Vinícola e viria a funcionar o Instituto Comercial e o Instituto de Contabilidade e Administração do Porto e ainda na Rua de S. Bento da Vitória, onde hoje se encontra Polícia Judiciária, no palacete da Baronesa da Regaleira a partir de 1887.
Entre 1878 e 1884 tinha ocupado, o Palacete dos Cirnes no Campo 24 de Agosto.
Em 1906 o Liceu Central acabaria por dar origem a dois estabelecimentos, um para a zona ocidental e outro para a zona oriental da cidade, ficando a ser, este último, conhecido, como o Liceu Central da 1ª Zona (oriental) do Porto e em 1908 como o Liceu Central de Alexandre Herculano que, em 1921, ocupará as instalações na Avenida Camilo, como Liceu Alexandre Herculano.
Em 1906 o Liceu ocupara um edifício na Rua do Sol e, em 1908, dois edifícios na Rua de Santo Ildefonso, edifícios alugados, que não eram adequados aos fins a que se destinavam.

“Com o aumento demográfico verificado em finais de oitocentos e, em especial, o acréscimo das exigências sociais do alvor da nova centúria, especialmente emanadas dos círculos republicanos, as entidades competentes viram-se na necessidade de fundar novos estabelecimentos liceais, ao mesmo tempo que desdobravam as zonas escolares entretanto definidas.
Neste panorama traçado para a generalidade do território português, a cidade do Porto seria dividida em duas grandes zonas pedagógicas, instalando-se em cada uma delas um liceu central, por decreto de 4 de Janeiro de 1906. O que ocorreria de imediato, para o caso que nos interessa, como Liceu Central da 1ª zona (oriental) do Porto, em instalações provisórias e pouco apropriadas aos requisitos de um ensino desta natureza, como acima se disse, em edifício alugado na Rua do Sol, até que, passados dois anos, em 1908, e já ostentando a denominação de
Liceu Central de Alexandre Herculano", se procedeu à sua transferência para a Rua de Sto. Ildefonso, onde ocuparia instalações arrendadas para o efeito.
Mas, foi somente com o advento republicano e, mais propriamente, em 1911, que o Parlamento aprovou a proposta apresentada pelo médico e deputado pelo Porto na legislatura das Constituintes desse mesmo ano, Ângelo Vaz, controverso defensor e divulgador do polémico movimento neomalthusiano, emergido entre nós, justamente, no início desta centúria, que mudaria, radicalmente, a História do Liceu. Referimo-nos, em concreto, ao empréstimo governamental de 150 contos para construção de um edifício de raiz.
Não obstante, e depois de ter sido lançada a primeira pedra em 1916, em cerimónia oficial testemunhada pelo presidente da República Bernardino Machado (1851-1944), a conclusão do projecto verificou-se apenas em 1934, da autoria do conhecido arquitecto José Marques da Silva (1869-1947), que viveu em Paris, entre 1889 e 1896, depois de ter cursado na Academia de Belas-artes do Porto, e antes de ter obtido vários prémios de reconhecimento internacional, designadamente no âmbito das Exposições Universais de Paris (1900) e do Rio de Janeiro (1908).
Um longo período pautado por diversas adversidades, não apenas económicas, como, sobretudo, políticas, ditadas, quer pelo envolvimento do país na I Grande Guerra, quer pelos sucessivos tumultos registados entre finais da segunda década, inícios da terceira, culminando no estabelecimento da Ditadura Militar e do Estado Novo, levou a que o LAH só fosse finalizado em 1934, ainda que já fosse frequentado desde o ano lectivo de 1921-1922, reduzido, porém, à ala poente do seu corpo.
Contemplando de início 28 salas de aula, com áreas específicas destinadas ao ensino de Física, Química, Geografia, Desenho e Música, a par de uma biblioteca, anfiteatro para apresentação de teatros e, já num segundo momento, de cinema, cinco pátios de recreio, um de desporto, três ginásios, piscina, cozinha e refeitórios, sanitários, gabinetes médicos, sala de professores, gabinete do médico escolar e três cómodos para o reitor, o projecto denunciava um conhecimento assaz profundo das mais recentes teorias e práticas pedagógicas, designadamente das implementadas além-fronteiras, assim como, certamente, uma colaboração estreita e verdadeiramente exemplar entre arquitecto e pedagogos. As alterações verificadas, desde então, resumiram-se à construção de 8 novas salas de aula e de uma capela, já nos anos sessenta, perante o aumento do número de alunos entretanto registado, amplamente frequentado por destacados membros da sociedade portuense, nomeadamente das suas Artes e Letras”.
Fonte – Site: patrimoniocultural.gov.pt




Liceu Alexandre Herculano em 1930

Liceu Alexandre Herculano 

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