Mercado do Peixe
O Mercado do Peixe situava-se na parte oeste da «Cordoaria», o antigo Campo
do Olival e, desde 1835, chamado de Campo
dos Mártires da Pátria.
Foi construído em 1874, em local onde se situaram os
antigos celeiros da cidade e onde, depois, também estiveram, nas
mesmas instalações, alojados os quartéis militares dos terços destinados
à guarnição da cidade.
Até à ocorrência de um incêndio, em 1832, o edifício que surgiu no dealbar do século XVIII, por iniciativa do Senado da Câmara, albergou também corpos de defesa militar ou de manutenção da ordem pública.
No século XVIII, começou a pensar-se transferir a venda pública de peixe, que então se fazia, desde longa data, no Mercado da Ribeira.
Até à ocorrência de um incêndio, em 1832, o edifício que surgiu no dealbar do século XVIII, por iniciativa do Senado da Câmara, albergou também corpos de defesa militar ou de manutenção da ordem pública.
No século XVIII, começou a pensar-se transferir a venda pública de peixe, que então se fazia, desde longa data, no Mercado da Ribeira.
Depois de terem feito um estudo para instalá-la na Praça de
Santo Elói (o que não veio a acontecer), foi a venda passada para a zona da
Cordoaria, para a denominada Travessa de S. Bento dos Frades,
hoje, apenas, Travessa de São Bento.
Uma sentença lavrada pelo Tribunal da Relação determinou em
1793, que a venda do peixe passasse para a parte do jardim da Cordoaria, mais
voltada a poente.
No começo o peixe era vendido, no novo local, ao ar livre,
na via pública.
Após o incêndio, em 1832, que destruiu o que tinha sido o quartel da 1ª Companhia da Guarda Real da Polícia do Porto que, entretanto, ali se tinha
instalado, mas que algum tempo antes já se tinha mudado para o Largo da Cividade, a venda do peixe passou novamente para a Praça da Ribeira, quando foi
determinado pela Câmara, em Junho de 1837, que a venda do pescado passasse para
junto do convento de Santa Clara, nos Guindais, encostado à Muralha Fernandina,
na Postigo do Sol. Por aqui se iria manter, durante muitos anos, a venda do
peixe fresco e salgado.
Entretanto, em 1869, a câmara determinou a construção de um
edifício unicamente destinado à comercialização do pescado no local do quartel
que tinha ardido na Cordoaria.
O Mercado do Peixe propriamente dito, ao lado do qual
funcionou durante cerca de 40 anos a Roda dos Expostos para
recolha de crianças abandonadas, data de 1874, ali permanecendo até finais dos
anos 50 do século XX, pois no mesmo local foi construído o actual edifício
do Palácio de Justiça do Porto, onde funciona o Tribunal da
Relação, cuja construção se iniciou em 1958 e foi inaugurado em 1961.
O Mercado do Peixe, bem como o Mercado do Anjo, seriam
substituídos pelo mercado do Bom Sucesso, por resolução camarária de 1952.
Nessa data o Mercado do Anjo estava anexo ao Mercado do
Peixe, em instalações provisórias, levantadas meia dúzia de anos antes na área que
tinha sido ocupada pela Roda.
A Roda (antes a brévia dos frades antoninos) esteve no
primeiro edifício à esquerda da foto do qual se observa uma pequena fatia em cujo solo foi montado após a sua
demolição o mercado provisório do Anjo
Junto da brévia dos frades esteve edificada também a capela
de Senhor do Calvário Novo.
Traseiras do Mercado do Peixe e Roda dos Expostos
Extracto de uma planta de Telles Ferreira de 1892 – Fonte:
“aportanobre.blogspot.pt”
Legenda:
1. Mercado do Peixe
2. Roda dos Expostos (antigo Hospício dos Capuchos)
3. Capela do Calvário Novo
a. Igreja das Taipas
Traseiras do Mercado do Peixe à esquerda – Fonte:
“aportanobre.blogspot.pt”
Na foto acima ao centro está a traseira da Roda dos Expostos
e à direita a traseira da capela do Calvário.
Mesma vista da foto anterior mas mais antiga - Fonte:
“aportanobre.blogspot.pt”
A foto acima mostra no local do Mercado do Peixe as
traseiras dos chamados “celeiros da cidade", depois, quartel dos Terços, que o antecederam nesse local.
É visível ainda, a igreja de Nossa Senhora da Graça e o
colégio dos Meninos Orfãos, bem como, a Reitoria em construção.
Interior do Mercado do
Peixe
“No dia 17 de março de 1389, o rei D. João I
enviou aos homens da governança do Porto uma carta a recomendar "que todo
o pescado fresco que aí [à cidade] viesse, em navios ou em bestas ou em colo
de homens, que antes que o descarregassem que o levassem logo à praça da
Ribeira para as gentes o comprarem.
Há neste documento
régio dois pontos importantes: é a primeira vez que se faz referência à Praça
da Ribeira; e da leitura da carta régia deduz-se que D. João I pedia ou sugeria,
às autoridades portuenses da época, que se regularizasse, na cidade, a venda
do peixe.
Sabemos que muitos
anos mais tarde, em 1784, o problema da venda de peixe na cidade continuava
por resolver. Com efeito, a 26 de março daquele ano, a Câmara do Porto estudava
um projeto que previa a construção de uma arcaria ao redor da Praça de Santo
Elói, atual Largo dos Lóios, para, debaixo dela, se fazer a venda de
peixe.
Cerca de dez anos
depois, em 26 de janeiro de 1793, os vendedores de peixe andavam com as
canastras às costas. Por essa altura, vendiam na Travessa de S. Bento dos
Frades, atual Travessa de S. Bento, e na rua "junto à igreja da
Vitória", que era a Rua de S. Bento da Vitória. Uma sentença lavrada pelo
Tribunal da Relação, que funcionava ali mesmo ao lado, no edifício da antiga
cadeia, ordenava que os peixeiros fossem removidos daqueles locais para a
Cordoaria, "onde - acentuava a sentença - já anteriormente se vendia (o
peixe) por este sítio ser mais próprio e oferecer melhores comodidades ao
público".
Os vendedores de peixe
instalaram-se na Cordoaria, onde já haviam estado, numa fase anterior e, como
antigamente, a vender o seu produto mas ao ar livre, na parte do jardim mais
voltada a poente.
Em 1832, ocorreu uma
tragédia na Cordoaria que causou a morte a sete pessoas e a quinze
"solípedes". Um incêndio, de proporções descomunais, reduziu a
cinzas um grande imóvel onde estavam aquartelados os soldados de uma companhia
de infantaria e os guardas da Guarda Real de Polícia do Porto. O edifício era
histórico. Servira, durante muitos anos, de Celeiro Público da Cidade. Era lá
que se arrecadavam os cereais com que se fazia a farinha para o fabrico do pão
que havia de alimentar a população citadina. O incêndio deve ter tido
implicações sérias na atividade dos peixeiros, porque, seis escassos anos
volvidos sobre a tragédia, em dezembro de 1838, a Câmara andava à procura de um
novo sítio para a instalação dos vendedores de pescado. De facto, nas vésperas
de Natal daquele ano, os do Município deram a conhecer que "oferecendo o
terreno próximo ao postigo do Sol, destinado a mercado de palhas e ervas, a
necessária comodidade para igualmente nele se estabelecer um mercado de peixe
fresco", logo deliberaram no sentido de no dito terreno, "junto ao
muro [Muralha Fernandina] das religiosas de Santa Clara, "ser permitida
a marcação de lugares para a venda de peixe, "até uma hora para além das
Avé-Marias".
Por muitos e bons
anos, ficaram ainda os peixeiros junto aos Guindais. É que só trinta e um anos
depois, em 10 de maio de 1869, foi lançada a primeira pedra para a construção,
de raiz, de um mercado exclusivamente destinado à venda de peixe. E, curiosamente
- ou talvez não -, o local escolhido para o novo edifício foi, na Cordoaria,
aquele onde havia estado o Celeiro da Cidade e, posteriormente, um
aquartelamento militar.
O projeto da nova
Praça do Peixe foi com esta designação que passou a ser conhecida a nova
estrutura, ficou a dever-se ao Eng. Gustavo Adolfo Gonçalves de Sousa, funcionário
da Câmara Municipal. A inauguração solene da nova Praça do Peixe ocorreu em 1
de março de 1874.
A fachada principal do
edifício, que estava voltada para o jardim, era constituída por uma série de
janelas com a parte superior em arco. A meio, havia três enormes arcos
almofadados encimados por uma cornija no meio, na qual estavam as armas da
cidade, as mesmas que agora estão numa parede lateral daquele arranjo que o
arquiteto Fernando Távora fez para a casa do Senado, junto à Sé. Antes de ser
levado para ali, o brasão estava no Roseiral do Palácio de Cristal.
No local, onde os
peixeiros se fixaram após terem saído de S. Bento da Vitória, havia um
cruzeiro de granito pintado, da invocação do Senhor da Saúde. Os vendedores
de peixe nutriam por esta imagem uma grande devoção e todos os anos faziam uma
festa em sua honra. De tal modo era venerado pelos comerciantes de peixe, que
o cruzeiro passou à história como o "Senhor dos Peixeiros". Foi
retirado do local no dia 1 de junho de 1869. Está na capela de S. José das
Taipas, onde pode ser visitado. Onde esteve a Praça do Peixe está agora o moderno
edifício do Palácio da Justiça.”
Com a devida vénia a Germano Silva
Mercado do Peixe e, à esquerda, a Roda dos Expostos
Mercado do Peixe – Ed. Arnaldo Soares
Pedra de armas do antigo Mercado do Peixe
O brazão do antigo
mercado do peixe da Cordoaria encontra-se hoje numa das paredes da Torre de
Fernando Távora, na reconstituição da antiga Casa da câmara, mesmo junto à Sé.
À porta do Mercado do Peixe
Mercado do Peixe ao fundo à direita
Mercado do Peixe à direita
Na foto acima da esquerda para a direita, vemos
sucessivamente o que foi a capela do Calvário Novo, o Hospício dos Capuchos e,
finalmente, o Mercado do Peixe.
É visível também que nos anos 30 do século XX, já tinham
sido abertas 4 portas no edifício que tinha sido capela, já que, durante
décadas, ele foi dedicado à actividade comercial.
Vista actual, com a mesma perspectiva da foto anterior –
Fonte: Google maps
Construção do Palácio da Justiça
Como já vimos cerca do ano de 1660, já existia no local uma
ermida. Em 1703 veio a receber obras, e seria transformada numa capela, de
acordo com o texto que se segue:
“Tendo grande devoção,
Magdalena da Cruz Campobello, da Villa de Guimarães com o Senhor, fez o
contracto de doação à Confraria, em 1703, com a obrigação de lhe fazerem huma
Caza junto à Capella que julgo ser a terra da cerquinha da dita Magdalena da
Cruz, para a dita viver .... Consistia a Capella naquelle tempo ser pequena,
baixa, com hum alpendre de fora e huma Caza ao pé da Fabrica e Ermitão...
Em o anno de 1703
emprazarão os Mordomos à Camera a terra para reedificarem o corpo da Capella
com o alpendre por Prazo fateuzim ... acabarão o corpo da Capella em 1705 e
continuarão a obras de 1737 ... Em 1734 forão inquietados pelos Religiozos
vezinhoos capuchos, alem das demandas, em pedirem a Capella ao Rey o Senhor D.
João Quinto. Em 1737 fizerão os assentos ao redor da Capella e outras obras,
tudo á custa da Confraria, como se vê de huma pedra nella esculpida que diz:
« Esta obra assim
cazas como pateo e assentos se mandou fazer à custa das do Calvario Novo anno
1737»…
(…)Não se descuidarão
os Capuchos em verem de que modo havião de uzurpar a Capella, de sorte que
começarão a miná-la pela parte de traz que confina com a sua Cerca, e
movendo-se pleitos sobre isto se fez vistoria que se julgou por sentença ... e
de que dipois rezultou fazer-se o paredão. Da parte da Viella intentou o Galvão
fazer humas Cazas terreas encostado ao muro do paceio e Logradouro da dita
Capella e fazendo-se vistoria, se julgou ser a terra do Publico ....
Em 1784 tornaram a
pedir a Capella os Capuchos à Raynha a Senhora D. Maria primeira, vindo a
informar responderão até o anno de 1787 por motivo de que fizerão o contracto
de transacção com a Ordem [da Trindade].”
Fonte: Bernardo Xavier Coutinho (História documental da Ordem da Trindade), In
“aportanobre.blogspot.pt”
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