sábado, 4 de fevereiro de 2017

(Continuação 17) - Actualização em 09/05/2018


Foz do Rio Leça em 1887


O óleo acima representa uma “Paisagem de Matosinhos” da autoria de Francisco José Rezende (1825-1893) e, está exposto, habitualmente, no Museu da Quinta de Santiago, em Matosinhos.
Como curiosidade, diga-se que aquele pintor e escultor era o pai da pintora Clara de Resende.
Naquela paisagem, é possível observar em primeiro plano o Bairro Piscatório do rio Salgado, a capela do Senhor da Areia ou do Senhor do Padrão (junto ao mar com a sua arcaria característica), o Castelo do Queijo mais à frente (a meio), o Farol da Senhora da Luz (mais elevado) e lá, bem longe, a foz do rio Douro.



Bairro Piscatório do Rio Salgado em Matosinhos - Ed. Photo Guedes


Em 1908 a Ponte Tavares


O braço do rio que se vê na foto acima é o salgado que, por correr a uma quota inferior, sofria a influência das marés.

No estuário do rio Leça a ponte de 19 arcos com Leça da Palmeira no horizonte


Ponte dos 19 Arcos e Escola Régia em Leça da Palmeira

Escola em Leça da Palmeira à saída da Ponte de Pedra


Ponte de 19 Arcos com Leça da Palmeira à esquerda


Ponte de Pedra e a Alameda de Leça que “roubou” 1 arco à ponte

Ponte dos Arcos durante cheia do rio Leça com Matosinhos em fundo

Na foto acima a Alameda de Matosinhos desenvolvia-se à direita da mesma.

Rio Leça e Ponte de 19 Arcos


Ponte de 19 Arcos, na foz do rio Leça com Leça da Palmeira em fundo - Ed. Foto Beleza-Porto

À esquerda o que ainda restava da Ponte dos Arcos

Na foto anterior, à esquerda, está Leça da Palmeira e ao fundo o novo viaduto, durante a construção da Doca nº 2.


Prado de Matosinhos - Ed. Câmara Municipal de Matosinhos

Na foto acima de c. 1910, pode ver-se o Prado de Matosinhos e o ribeiro que o atravessava e onde as mulheres iam lavar a roupa observando-se, à esquerda, o monumento ao Senhor do Padrão. De notar que as ruas de Serpa Pinto e Heróis de França ainda não existiam.
Os terrenos desse prado pertenciam ao Conde de Leça, José Leite Nogueira Pinto, e ao seu irmão Ernesto, tendo começado naquela data, a ser vendido em talhões.
Nestes tempos a vila de Matosinhos terminava na actual Rua do Godinho.

Ribeiro do Prado – Ed. Emílio Biel, nº 85; Fonte: “matosinhosantigo.blogspot.pt”


“(…) prado de Matosinhos, que ladeava a estrada que vinha da Foz por Carreiros (por esta altura a Foz ainda pertencia ao concelho de Bouças), vemos nesta imagem várias mulheres, acompanhadas de duas criança, presumivelmente suas filhas, a lavar roupa no ribeiro do prado. Tem esta imagem de curiosa o verem-se as ovelhas a pastar e uma mulher com a gamela de madeira á cabeça, tal como se usava na época”.
Com a devida vénia a Américo de Castro Freitas

Junto do Senhor do Padrão, que se situava na Praia do Espinheiro, esteve localizada a primeira praça de touros de Matosinhos.

“A Ermida do Senhor do Padrão que nos recorda o lugar onde apareceu a imagem do Nosso Senhor Bom Jesus de Bouças.Deverá ser anterior a 1733, mas não há nada que indique a sua construção. Mas, junto ao monumento encontra-se uma construção em pedra que encerra uma fonte, resposta divina à súplica de uma crente ao Senhor do Padrão para o seu mal de pele. Banhando-se na água obteve a cura. Esta fonte terá surgido em 1726, levando a crer que o monumento é anterior.
In portojofotos.blogspot



Praça de Touros em Matosinhos – Ed. Estrela vermelha


“Já em 1888 se realizavam espectáculos taurinos neste laborioso centro de pesca; em 28 de Julho de 1901, por iniciativa do conde de Bettencourt, de Raúl Pinto de Sousa e de Afonso Faria era inaugurado novo redondel, este construído não longe da Praia de Banhos “D. Carlos I”, por detrás da Memória do Senhor do Padrão, porém a sua exploração não chegou a atingir uma década. Mais tarde, nova praça foi erguida no antigo Campo de Sant’Ana, tendo uma duração ainda mais efémera”.
Fonte - Guilherme Felgueiras, In: Monografia de Matosinhos, 1958


Em 1882 seria construída entre as duas margens do rio Leça, uma ponte chamada “Ponte de Pau”, ou “Ponte de Madeira” a mando da “Companhia Carril Americano do Porto à Foz e Matosinhos”, também conhecida por Companhia de Baixo, perto do terminal da linha a vapor da Máquina, que aqui tinha chegado em 1882.
Essa ponte ligava a Rua de Roberto Ivens (Juncal de Baixo), em Matosinhos, ao Largo do Arnado, em Leça da Palmeira. 
Para concretizar as ligações a Leça da Palmeira seriam concedidas duas outras licenças: uma da Rua Roberto Ivens até ao cais de Matosinhos e outra da Rua Roberto Ivens até à Rua Brito Capelo.
De notar que só em 1893, seria criada a Companhia Carris de Ferro do Porto (CCFP) pela fusão de duas empresas existentes.
Uma delas a Companhia Carril Americano do Porto ou Companhia de Baixo e a outra a Companhia Carris de Ferro do Porto ou Companhia de Cima. Como se vê, depois da fusão a companhia resultante, tomou o nome daquela última.
A Ponte de Madeira tinha uma serventia pedonal e, foi construída, para que as pessoas (nomeadamente, os utentes dos Americanos) pudessem fazer o atravessamento entre as duas margens do rio Leça, que tinha chegado a Matosinhos (pela Rua Brito Capelo) em 1874, vindo da Foz. 
A partir de 1884 era atravessada pelo Americano.



Ponte de Pau ou Ponte de Madeira

Na foto acima pode ver-se ao fundo a Ponte de Pedra, e à direita, um pouco da Alameda de Matosinhos.
A Ponte de Pau foi alvo de um incêndio em 1899. Em 1922 foi abatido completamente, o que dela restava.
Mais para montante existia entre aquelas duas pontes, a Ponte Metálica ou Ponte do Eléctrico, que servia também peões e que se situava sensivelmente onde está hoje a Ponte Móvel.
Esta ponte seria levantada em 1887. 
Neste ano o Americano chegava através dela a Leça, sendo que a tracção eléctrica só lá chegaria em 1898.

«Companhia Carril Americano. - É hoje aberta á circulação dos carros da Companhia Carril Americano do Porto á Foz e Mathosinhos a Ponte metallica construida por esta Companhia sobre o rio Leça. Por esse motivo os carros passam a ter o seu termo de paragem na rua Nova do Arnado, em Leça, em lugar da alamêda de Mathosinhos.
Continúa em vigor o mesmo horario e o actual preço das passagens.»
Fonte: jornal "O Commércio do Porto", n.º251, pág.2. Domingo, 09 de outubro de 1887


O contrato da construção desta ponte foi feito em 1886 com José Cláudio Sousa.
Tinha apenas 5 pilares e os extremos assentavam em alvenaria. Nela passaram os primeiros carros Americanos, e desde 29/10/1897 até 04/03/1960, os carros eléctricos entre o fim da R. do Juncal de Cima e a Rua Nova do Arnado.




Ponte do Eléctrico no fim da década de 90 do século XIX

Legenda:

1. Ponte do Eléctrico
2. Quartel dos Bombeiros de Matosinhos-Leça e dos Socorros a Náufragos
3. Capela (demolida em 1890) da Nossa Senhora da Apresentação à saída da Ponte de Pedra
4. Ponte dos 19 Arcos
5. Igreja de Leça


Carro eléctrico atravessando o rio Leça - Ed. Alberto Ferreira-Batalha-Porto

A foto anterior tem por fundo Leça da Palmeira.

Ponte do Eléctrico

A foto anterior tem por fundo Matosinhos.
Em 1898 a linha electrificada da Companhia Carris de Ferro do Porto, chega a Leça, à Rua Nova do Arnado e depois ao Castelo e, mais tarde, à praia de Fuzelhas. Até à década de 40 do século XX, o eléctrico levará a maioria dos banhistas para Leça.




Mapa de Matosinhos de 1895



Legenda:
1. Avenida Serpa Pinto
2. Rua Roberto Ivens (Juncal de Baixo)
3. Rua Brito Capelo (Juncal de Cima)
4. Ponte de Madeira
5. Ponte dos Arcos
6. Rua do Conde do Alto de Mearim
7. Rua de S. Roque
8. Rua França Júnior
9. Rua de Álvaro Castelões
10. Ponte do Eléctrico
Obs: No local da pinta amarela estava a Capela de Santo Amaro

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