quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

(Continuação 22)

Feira na Corujeira em 1900 – Ed. Emílio Biel



Vendedor de porcos na Feira dos Moços de 1913, possivelmente nesta data, na Praça da Corujeira

Após a vitória liberal em 1834 o município do Porto decidiu levantar o mercado de S. Miguel-o-Anjo, para onde seriam transferidos vários mercados de levante espalhados pela cidade.
Assim transitou para aqui o da Praça de S. Bento, assim chamada por ficar defronte do mosteiro de S. Bento da Ave-Maria, a actual Praça de Almeida Garrett, onde se vendiam frutas e hortaliças; o do Largo do Correio, na embocadura da Rua da Fábrica do Tabaco (agora só da Fábrica) e a Rua do Correio, (a actual Rua de Conde de Vizela), onde se vendiam, também, frutas e legumes; o da Praça da Batalha, que funcionava à entrada da Rua de Santo Ildefonso, onde se podiam comprar, diariamente, frutas, cebolas, flores e pão de milho.
Em 1840, um ano depois da inauguração do novo mercado, a Junta de Freguesia da Sé requereu à Câmara que se dignasse mandar restabelecer a Feira das hortaliças nas escadas que havia junto do convento das freiras de S. Bento da Ave-Maria. Mas a Câmara indeferiu o requerimento alegando haver ali perto um mercado novo construído no ano anterior que reunia as melhores condições tanto para vendedores como para compradores. Quarenta e sete anos depois era aprovado, pela mesma Câmara, o projecto da construção de uma estação ferroviária no local onde ainda estava de pé o edifício do mosteiro, mas já ao abandono e em ruína.

Feira de bois no Campo 24 de Agosto


Feira de Gado na Corujeira que reuniu as feiras de S. Lázaro e do Poço das Patas

“No dia 2 de Janeiro de 1900 festeja-se o 9º. Aniversário da feira da Corujeira com grande concorrência, entusiasmo e correlativas alegrias populares. Na feira do gado, a que concorrem quase todos os criadores nortenhos, tem as honras do dia um ilustre cevado – por acaso muito lavadinho – com 560 quilos de peso. Um elefante a que só faltava a tromba.” 
O Tripeiro, Série V, Ano V. 


A HISTÓRIA DO MERCADO DE FLORES 


“Naquele espaço fronteiro à fachada da Igreja dos Clérigos, entre esta rua e as da Assunção, São Filipe de Néri, Carmelitas e da moderna Conde de Vizela, antiga Rua do Correio, fez-se, durante muitos anos, uma interessante e muito perfumada feira de flores. Vinha do tempo em que aquele espaço onde está hoje a Rua de Cândi­do dos Reis era conhecido, nos finais do século XVII, como Largo do Ermitão, por ha­ver ali uma pequena ermida que tinha anexa uma modesta dependência em que vivia o re­ligioso que assegurava o funcionamento da er­mida: o ermitão.
No lado oposto àquele, onde estava a capela, ou seja, no sítio em que foi construída, no sé­culo XVIII, a Igreja dos Clérigos, ficava "o Chão da Cruz da Cassoa" e, logo a seguir, "entrava-se no Campo das Malvas". Tudo isto ficava da parte de fora da Muralha Fernandina, que corria ali perto ao longo da atual Rua da Assunção.
O sítio era horrendo. Era no Campo das Malvas ou Chão da Cassoa que se enterra­vam os facínoras que expiavam os seus crimes na forca. Quando era justiçado um ladrão, um salteador de estradas, um as­sassino, não enterravam o corpo no inte­rior de uma igreja, como era de tradição naqueles recuados tempos. A lei do tem­po mandava que se lhe abrisse uma cova numa encruzilhada e aí se metessem os restos mortais do criminoso. 
O Campo das Malvas estava, de certo modo, numa encruzilhada de caminhos que muito mais tarde vieram a ser trans­formados em ruas: Clérigos, Carmelitas, Conde de Vizela. 
Em 1813, dava-se ao antigo Largo do Ermitão o nome de Largo do Correio, porque era naquelas imediações que, nessa altura, ficava a casa do correio-mor, onde funcionavam os serviços pos­tais da época.
O mercado de flores foi dali retirado em 29 de Junho de 1911, por proposta do então vereador municipal Cristiano de Magalhães, que sugeriu a colocação das vendedeiras de flores no Mercado do Anjo, numa ala especial­mente criada para esse efeito.”
Com a devida vénia a Germano Silva

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