quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

(Continuação 22) - Actualização em 07/04/2021

A Feira dos Porcos era também muito antiga e de grande participação.
Começou por se realizar todas as terças-feiras no Terreiro da Graça (ao Carmo), em meados do século XVIII.
Deambulou esta feira por diversos locais, mas um dos mais populares foi o da Praça da Alegria, para onde transitou em 1833, vinda do Campo de S. Lázaro, onde esteve vinte e cinco anos e se realizava às Terças-Feiras e Sábados.


"A feira de gado suíno, na Praça da Alegria, esteve, na terça-feira, 11 do corrente, muito concorrida e por ser a exposição do mesmo gado, foram distribuídos os prémios."
In jornal "O Periódico dos Pobres" de 13 de Dezembro de 1855; Cit de Guido de Monterey, "O Porto 3"

"Deliberação camarária de 27 de Março de 1862, concebida nestes termos:

«As feiras de gado suíno que, até ao presente, se faziam na praça da Alegria serão, desde 1 de Julho em diante, estabelecidas na Praça das Flores e no sítio da arca d'Água, no terreno público.»
O sr. presidente, finalizando os debates, propôs que a feira se fizesse por algum tempo na Arca d'Água, até a câmara resolver o assunto."
In jornal "Actualidade"; Cit de Guido de Monterey, "O Porto 3"


A deliberação anterior jamais seria cumprida, na íntegra e, só mais tarde, dezasseis anos depois, seria realizada parcialmente.
Em sessão camarária de 10 de Fevereiro de 1870, é decidido mudar a Feira dos Suínos para a Póvoa de Cima e, em 1878, para o Lugar das Barrocas, próximo da Cruz das Regateiras.


"Resolveu-se que a feira do gado suíno fosse mudada definitivamente para o lugar das Barrocas, próximo da Cruz das Regateiras."
In "O Comércio do Porto" de 8 de Fevereiro de 1878; Cit de Guido de Monterey, "O Porto 3"


Os feirantes nunca aceitaram a transferência para o Lugar das Barrocas e opuseram-se firmemente e, em Julho de 1878, já estava na Arca d´Água.

"Verificou-se ontem, no lugar da Arca d'Água, a feira de gado suíno."
In "O Comércio do Porto" de 24 de Julho de 1878;  Cit de Guido de Monterey, "O Porto 3"


Em 1892, finalmente, a Feira dos Porcos iria estabelecer-se na Praça da Corujeira, depois de ter passado sucessivamente por: Passeio da Graça (Carmo), Campo de S. Lázaro, Praça da Alegria, Praça das Flores, Póvoa de Cima, Cruz das Regateiras, Arca d'Água.



Vendedor de porcos na Feira dos Moços de 1913, possivelmente nesta data, na Praça da Corujeira



Após a vitória liberal em 1834 o município do Porto decidiu levantar o mercado de S. Miguel-o-Anjo, para onde seriam transferidos vários mercados de levante espalhados pela cidade.
Assim transitou para aqui o da Praça de S. Bento, assim chamada por ficar defronte do mosteiro de S. Bento da Ave-Maria, a actual Praça de Almeida Garrett, onde se vendiam frutas e hortaliças; o do Largo do Correio, na embocadura da Rua da Fábrica do Tabaco (agora só da Fábrica) e a Rua do Correio, (a actual Rua de Conde de Vizela), onde se vendiam, também, frutas e legumes; o da Praça da Batalha, que funcionava à entrada da Rua de Santo Ildefonso, onde se podiam comprar, diariamente, frutas, cebolas, flores e pão de milho.
Em 1840, um ano depois da inauguração do novo mercado, a Junta de Freguesia da Sé requereu à Câmara que se dignasse mandar restabelecer a Feira das hortaliças nas escadas que havia junto do convento das freiras de S. Bento da Ave-Maria. Mas a Câmara indeferiu o requerimento alegando haver ali perto um mercado novo construído no ano anterior que reunia as melhores condições tanto para vendedores como para compradores. Quarenta e sete anos depois era aprovado, pela mesma Câmara, o projecto da construção de uma estação ferroviária no local onde ainda estava de pé o edifício do mosteiro, mas já ao abandono e em ruína.




Feira de Gado na Corujeira 


“No dia 2 de Janeiro de 1900 festeja-se o 9º. Aniversário da feira da Corujeira com grande concorrência, entusiasmo e correlativas alegrias populares. Na feira do gado, a que concorrem quase todos os criadores nortenhos, tem as honras do dia um ilustre cevado – por acaso muito lavadinho – com 560 quilos de peso. Um elefante a que só faltava a tromba.” 
O Tripeiro, Série V, Ano V. 



A HISTÓRIA DO MERCADO DE FLORES 


“Naquele espaço fronteiro à fachada da Igreja dos Clérigos, entre esta rua e as da Assunção, São Filipe de Néri, Carmelitas e da moderna Conde de Vizela, antiga Rua do Correio, fez-se, durante muitos anos, uma interessante e muito perfumada feira de flores. Vinha do tempo em que aquele espaço onde está hoje a Rua de Cândi­do dos Reis era conhecido, nos finais do século XVII, como Largo do Ermitão, por ha­ver ali uma pequena ermida que tinha anexa uma modesta dependência em que vivia o re­ligioso que assegurava o funcionamento da er­mida: o ermitão.
No lado oposto àquele, onde estava a capela, ou seja, no sítio em que foi construída, no sé­culo XVIII, a Igreja dos Clérigos, ficava "o Chão da Cruz da Cassoa" e, logo a seguir, "entrava-se no Campo das Malvas". Tudo isto ficava da parte de fora da Muralha Fernandina, que corria ali perto ao longo da atual Rua da Assunção.
O sítio era horrendo. Era no Campo das Malvas ou Chão da Cassoa que se enterra­vam os facínoras que expiavam os seus crimes na forca. Quando era justiçado um ladrão, um salteador de estradas, um as­sassino, não enterravam o corpo no inte­rior de uma igreja, como era de tradição naqueles recuados tempos. A lei do tem­po mandava que se lhe abrisse uma cova numa encruzilhada e aí se metessem os restos mortais do criminoso. 
O Campo das Malvas estava, de certo modo, numa encruzilhada de caminhos que muito mais tarde vieram a ser trans­formados em ruas: Clérigos, Carmelitas, Conde de Vizela. 
Em 1813, dava-se ao antigo Largo do Ermitão o nome de Largo do Correio, porque era naquelas imediações que, nessa altura, ficava a casa do correio-mor, onde funcionavam os serviços pos­tais da época.
O mercado de flores foi dali retirado em 29 de Junho de 1911, por proposta do então vereador municipal Cristiano de Magalhães, que sugeriu a colocação das vendedeiras de flores no Mercado do Anjo, numa ala especial­mente criada para esse efeito.”
Com a devida vénia a Germano Silva

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