sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

(Continuação 16)

Capela de Santo Amaro

A capela da foto acima construída no final do século XVII e entretanto demolida, aquando da construção do mercado de Matosinhos (inaugurado em 1952) e, posteriormente, da doca nº 2 do porto de Leixões (com início em 1956), estava situada ao fundo da Rua Brito Capelo, num troço dessa rua já desaparecido, confrontando lateralmente com a Rua de Santo Amaro (visível à direita), também ela desaparecida.
Esta capela localizava-se primitivamente, sensivelmente onde hoje se situa a estação do metro, em frente à fachada principal do Mercado Municipal.


“A Capela de Santo Amaro era de construção moderna e é provável que, primitivamente fosse mais pequena, talvez de dimensões semelhantes às outras capelas de Matosinhos, umas ainda existentes, outras já demolidas.
Depois, foi consideravelmente aumentada, enriquecendo-se com vários altares e imagens, pertencentes às capelas desaparecidas. Assim, quando desapareceu a Capela de Santa Luzia, que existia no fim da actual Rua Cardeal D. Américo, veio para Santo Amaro um altar e uma imagem de Santa Luzia, quando se destruiu a Capela de Santa Ana, para aformoseamento do lugar onde hoje passa a Avenida Afonso Henriques, antiga Avenida Vitória, veio outro altar e a imagem de Santa Ana, quando se abateu a Capela de Nossa Senhora de Porto Salvo, que ficava defronte da Fonte dos Dois Amigos, veio a imagem de Santa Rita, e, enfim, quando foi sacrificada a Capela do Livramento, em Leça da Palmeira, para embelezamento da entrada da Ponte de Pedra, veio a imagem de Nossa Senhora do Livramento, com a qual continuava a haver grande devoção.”
Texto do blogue Monumentos Desaparecidos



Localização da capela, assinalada por um círculo e pela seta amarela



Retábulo da capela de Santo Amaro



Capela de Santo Amaro antes da demolição


Fachada da capela de Santo Amaro actualmente junto ao mercado de Matosinhos



Evolução esquemática do complexo portuário de Leixões


«Em meados dos anos setenta começaram a mudar de forma radical os parceiros do comércio externo português, e por isso as vias utilizadas. Voltada a página do império, do sonho autárcico e do isolamento, as trocas reorientaram-se para a Europa continental onde se acelerava o desenvolvimento do tráfego TIR (…) restringindo a função portuária às matérias-primas mais pesadas e às viagens mais longínquas. »
François Guichard, O Porto no século XX, 1994.


“O desenvolvimento dos transportes aéreos e rodoviários e as profundas transformações socioeconómicas motivadas pela «Crise do Petróleo» no início da década de '70 e pelo «25 de Abril» de 1974 colocaram novos e profundos desafios ao Porto de Leixões: O fim dos mercados coloniais até aí preponderantes; As novas realidades impostas pelo processo de integração europeia; O profundo desenvolvimento técnico e tecnológico dos últimos anos.
Tudo isto, obrigou a novas respostas e a um acentuado dinamismo que muitos pensariam ser impossível ao já centenário porto. Prova acabada de que não há, neste caso como em todos os outros, um fim da História. Esta continua a fazer-se diariamente. Mesmo quando se trata de uma estrutura que tem na sua base um conjunto de velhos rochedos que, desde há séculos, os homens se habituaram a ver como porto seguro”.
Com a devida vénia a Joel Cleto

Farolim do Esporão

Por volta de 1940 iniciou-se a construção duma extensão com cerca de 1.000 metros para Sudoeste do Molhe Norte, que serviria de quebra-mar.
Na extremidade emergia o farolim do Esporão.
O farolim é várias vezes destruído e em 1979 foi a última reconstrução. É então edificado um novo quebra-mar sobre o antigo quebra-mar do Esporão.



O Leça é um rio que nasce no Monte Córdova a 420 m de altitude no município de Santo Tirso, percorrendo 45 quilómetros até à foz, no oceano Atlântico. Passa por Refojos de Riba de Ave, Lamelas, Reguenga, Água Longa, Alfena, Ermesinde, Maia e Matosinhos, indo desaguar no Porto de Leixões., Os principais afluentes são a Ribeira do Arquinho e a Ribeira do Leandro, ambas da margem direita.
Na margem esquerda e nos últimos quilómetros do seu percurso, recebe as águas da Ribeira de Amores e da Ribeira da Asprela, com nascentes em Paranhos.
Esta última ribeira toma o nome de Ribeira de Picoutos, durante o seu trajecto no concelho de Matosinhos.
Como se sabe, estas ribeiras vão tomando vários nomes ao longo do percurso, de acordo com os lugares que atravessam.

Trajecto em Paranhos das ribeiras afluentes do rio Leça


Como se pode ver na gravura acima, a Ribeira de Picoto ou Ribeira do Tronco nasce na zona da Telheira, em Paranhos, e vai entroncar na Ribeira da Asprela, já depois do atravessamento da estrada da Circunvalação na zona da Rua do Tronco e da Rua de Picoutos.
Por outro lado, a Ribeira de Amores nasce na zona da Arroteia, junto a Lamas, para os lados da Bouça da Viúva e, depois de passar para lá da estrada da Circunvalação, segue para a Rua das Cavadas e, daí, para a sua foz no rio Leça, um pouco a montante da famigerada Ponte da Pedra.
Por fim, observa-se na gravura a Ribeira da Asprela, que, em Matosinhos se chama de Picoutos, e que tem a sua foz um pouco a montante do Parque das Varas, em Leça do Balio. 
No lugar de Recarei de Cima, a Ribeira da Asprela ou Ribeira de Picoutos e que nas memórias Paroquiais de 1758 se chamava Ribeira de Queirões, colhe as águas da Ribeira das Avessas.


Após a árvore a ribeira de Amores chega ao rio Leça - Ed.Graça Correia


A foz da Ribeira de Picoutos à direita - Fonte: Google maps


Com as obras do Porto de Leixões, houve a necessidade de erguer grandes molhes de atracagem. Tal obrigou a que tivessem de ser colocadas grandes quantidades de pedra, que, depois do esgotamento das pedreiras de Aguiar, passaram a ser retiradas das pedreiras de São Gens. Desta forma, os empreiteiros Dauderni & Duparchy, que tinham sido contratados para as obras dos molhes, construíram, em 1884, para a Companhia das Docas do Porto, uma linha ferroviária desde as pedreiras até à zona do porto, com bitola de 900 milímetros, a Linha de S. Gens. Esta linha foi, junto com a da Póvoa, a primeira em Portugal com a bitola de 900 mm, sendo um dos primeiros caminhos- de- ferro de via estreita de importância no país.
Desde do reinado de D. Afonso V existia a chamada ponte dos 19 arcos toda em pedra a unir as margens esquerda e direita do rio Leça, próximo da foz do rio. Foi por aqui, que nasceu o porto de Leixões.
Esta ponte estava lançada entre as duas margens, sensivelmente onde estão hoje as ruas do Conde Alto Mearim em Matosinhos e Óscar Silva em Leça da Palmeira.
O tabuleiro da ponte descia ligeiramente de Leça para Matosinhos, em rampa mal perceptível e, perto da margem sul, flectia um pouco para a direita, numa pequena curva.

“As dimensões da ponte eram [em metros]:
Comprimento total: 121,50
Comprimento, da curva até à margem sul (Matosinhos): 26,20
Largura junto da margem norte(Leça): 4,00
Largura, a meio da ponte: 4,22
Largura, junto da margem sul: 4,20

Cumpre analisar, finalmente, as duas meias-laranjas abertas no tabuleiro, sem dúvida os pormenores mais curiosos deste monumento. Compõem-se de dois corpos ligeiramente ovais, de fundo lageado, que apoiados, cada um, no seu talhamar cilíndrico, avançam fora do piso da ponte, formando varandas para o lado de montante.
Tais construções destinavam-se a facilitar o cruzamento de carros, descongestionando a via. Ainda se utilizavam como miradouros ou caramanchões, para o que serviam os bancos de pedra que lhes correm a toda a volta.
A primeira meia-laranja encontra-se mesmo na curva que o tabuleiro faz, à distância de 26,20m da margem sul (Matosinhos) e de 95,30m da margem norte (Leça da Palmeira). Adiante 25,30m fica a outra meia-laranja, a 70m da margem norte e a 51,50m da margem sul. O uso destes corpos salientes - feitos para dar passagem aos carros, cavalos, e peões que se enfrentavam na ponte - divulgou-se a partir do século XVII”.
Com a devida vénia ao blogue “aportanobre”

Cerca de 1 km a montante desta ponte existiu uma outra chamada “Ponte Tavares”.
Os veraneantes em Leça da Palmeira em seus momentos de lazer costumavam, em barcos a remos, ir em passeio até à Ponte Tavares após passarem por baixo do 5º arco da Ponte de Pedra.
Junto da ponte Tavares, o Leça formava dois braços de rio; o rio Doce, do lado de Leça da Palmeira e o rio Salgado, do lado de Matosinhos. Estes dois braços do rio só voltavam a unir-se a jusante da ponte de Pedra.
Os Brito e Cunha, da Casa do Ribeirinho, eram senhores de grandes extensões de terrenos em Matosinhos, nomeadamente nas cercanias da sua casa.
Entre os dois braços do rio Leça, o doce e o salgado possuíam terrenos que antes tinham sido salinas e se denominava “Campo das Marinhas”.
Este topónimo, “Campo das Marinhas”, sobreviverá até meados do século XX quando esta ilha, entre os dois braços (o “doce” e o “salgado”) do Leça, desapareceu com a construção da Doca nº 2 do Porto de Leixões.
Algumas daquelas salinas, em tempos, foram adaptadas para a criação de peixes.
Supõe-se que nas décadas de 30 e 40 do século XIX, se estabeleceu um litígio entre João Eduardo de Brito e Cunha e suas tias (Joana e Ana Brito e Cunha), a propósito da divisão daquela propriedade e da sua forma de exploração.
Existe um documento não datado, que refere que João Eduardo Brito e Cunha, nascido em 1841, havia destruído uma ponte de pedra, chamada “Ponte de Brito”, que ligava as Azenhas, propriedade das tias, ao Campo das Marinhas e, que, esta propriedade havia passado de juncal para marinhas de sal.
Terminada a exploração salineira no estuário do Leça, em 1866, a ilha dos Brito e Cunha sobreviverá ainda durante quase um século sob a designação do seu tradicional e multissecular topónimo: Campo das Marinhas. Durante esse espaço de tempo o local serviu para outros fins. Foi o campo de tiro do Real Club Caçadores de Matozinhos. 

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