A Praça das Flores já foi Campos de Godim, por altura das
Invasões Francesas e, depois, Largo do Fôjo ou Campo do Fôjo, em 1891, por se
encontrar nas imediações do morro do Fojo.
Diga-se que, nos finais do século XVIII, aquele amplo
logradouro já estava ajardinado. Possuía cómodos bancos de pedra e estava
ornada com árvores frondosas que, no estio, propiciavam frescas sombras.
Todos estes arranjos foram feitos por iniciativa, e à custa,
da Companhia das Vinhas do Alto Douro, no cumprimento de uma obrigação que lhe
competia: “conservar, melhorar e embelezar as estradas que, naquele tempo,
ligavam o Porto com a região do Alto Douro”.
Passou a ter o nome actual de Praça das Flores em 1903, mas,
entre 1945 e 1980, foi alterado para Praça Dr. Pedro Teotónio Pereira, ministro
e embaixador de Salazar e, o seu jardim chama-se, hoje, Guedes de Oliveira.
Guedes de Oliveira foi proprietário da casa de fotografia na
Rua de Santa Catarina, nº 262, denominada de “Foto Guedes”, tendo sido ainda
professor e director da Escola de Belas-artes do Porto.
As moradas ímpares da praça pertencem à freguesia do Bonfim
e as pares à freguesia de Campanhã.
À praça confluem as ruas do Bonfim, S. Roque da Lameira,
Amparo e Antas.
Após a Praça das Flores, pela Rua de S. Roque da Lameira, se chegava a Valongo, pela chamada Rota das Padeiras, que integrava a Estrada Real 33, a qual, passando por Paredes e Penafiel, se dirigia para Trás-os-Montes.
Pelo norte de Paredes, mais propriamente por Lordelo, passava uma outra estrada, a Estrada Real 28, que unia o Porto a Vila Real.
A nascente da praça
existiu, durante a segunda metade do século XX, duas verdadeiras instituições –
A Associação Recreativa e Cultural “Os Fluminenses” e uma sucursal da padaria
Padouro.
Há alguns anos que, por
razões diversas, abandonaram aí a sua actividade.
A A. R. C. “Os Fluminenses”, onde se
praticava, sobretudo, o futebol amador, foi fundada em 9 de Novembro de 1965 e,
antes de ter a sua sede na Praça das Flores, n.º 168, esteve na Rua de S. Roque
da Lameira, n.º 2236.
Naquela morada, na
Praça das Flores, tinha estado antes a Escola Primária Feminina n.º 20.
Na foto anterior, após
já ter sido traçada a Avenida 25 de Abril, pode observar-se que o prédio onde
se alojava a sede do clube, na Praça das Flores, ocupava desde há alguns anos, um
prédio entre o novo arruamento e a antiga Rua de S. Roque da Lameira.
Antes, no início da
nova avenida, esteve um terreno que, no começo do século XX, um clube chamado
Sporting Club do Porto, debalde, durante anos, tentou que a Associação de
Futebol do Porto legalizasse o recinto para a prática do futebol.
Durante grande parte
do século XX, esse terreno foi, porém, utilizado por companhias circenses para
montar as suas tendas.
Em meados da década
de 2010, a A. R. C. “Os Fluminenses” viu-se obrigada a mudar de instalações
para a Rua de S. Roque da Lameira, n.º 2258, a poucos metros da anterior
morada, nessa mesma rua.
Por outro lado, a
sucursal da Padouro – União Portuense de Padarias, S. A., empresa fundada na
década de 1960, instalou-se em morada contígua à A. R. C. “Os Fluminenses”.
Até à ocupação do
espaço por essa sucursal, um outro estabelecimento de padaria esteve por lá – a
“Padaria e Confeitaria Três Estrelas”.
Devido a falência da
empresa mãe, aquela sucursal fechou portas em 2007.
Presentemente
(2026), alguns se lembrarão, ainda, da Escola Oficial Primária n.º 20 (secção
feminina), na Praça das Flores, n.º 168 e da Escola Primária n.º 19 (secção
masculina), na Praça das Flores, n.º 185, há muito desaparecidas.
Outros terão
memórias: do Café Congo (Praça das Flores, n.ºs 141-161), frequentado pelos
jogadores do F.C. do Porto, que tinha o seu “Lar do Jogador”, bem próximo no
n.º 115; da mercearia Pérola do Brasil de A. Pereira da Costa & Filho
(Praça das Flores, n.º 186) e da Estância de Serração de Madeiras de Manuel de
Matos, Ltd., na esquina com a Rua Dom Lopo de Almeida (Praça das Flores, n.º 2).
Café Congo
situava-se nos baixos do prédio de esquina formada com a Rua do Amparo – Fonte:
Google maps
A Pérola do Brasil,
na foto acima, já estava de portas abertas em 1939, quando era seu proprietário
Alberto Coelho Moreira.
Na esquina com a Rua
Dom Lopo de Almeida, pela direita, em 2009, a Estância de Serração de Madeiras
já tinha encerrado a sua laboração - Fonte: Google maps
Almeida e Barrigana,
defesas do F.C. Porto da década de 1960, à porta do Lar do Jogador do F. C.
Porto, na Praça das Flores, n.º 115 - Cortesia de Armando Pinto
Na actualidade, a
velhinha fonte, que foi transladada da Rua Firmeza, continua a dominar o
espaço.
Com a abertura da
Avenida 25 de Abril, o jardim Guedes de Oliveira ficou com um novo visual.










