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domingo, 9 de julho de 2017

(Conclusão) - Actualização em 19/11/2020 e 14/10/2026


 
 
A Praça das Flores já foi Campos de Godim, por altura das Invasões Francesas e, depois, Largo do Fôjo ou Campo do Fôjo, em 1891, por se encontrar nas imediações do morro do Fojo.
Diga-se que, nos finais do século XVIII, aquele amplo logradouro já estava ajardinado. Possuía cómodos bancos de pedra e estava ornada com árvores frondosas que, no estio, propiciavam frescas sombras.
Todos estes arranjos foram feitos por iniciativa, e à custa, da Companhia das Vinhas do Alto Douro, no cumprimento de uma obrigação que lhe competia: “conservar, melhorar e embelezar as estradas que, naquele tempo, ligavam o Porto com a região do Alto Douro”.
Passou a ter o nome actual de Praça das Flores em 1903, mas, entre 1945 e 1980, foi alterado para Praça Dr. Pedro Teotónio Pereira, ministro e embaixador de Salazar e, o seu jardim chama-se, hoje, Guedes de Oliveira.
Guedes de Oliveira foi proprietário da casa de fotografia na Rua de Santa Catarina, nº 262, denominada de “Foto Guedes”, tendo sido ainda professor e director da Escola de Belas-artes do Porto.
As moradas ímpares da praça pertencem à freguesia do Bonfim e as pares à freguesia de Campanhã.
À praça confluem as ruas do Bonfim, S. Roque da Lameira, Amparo e Antas.
Após a Praça das Flores, pela Rua de S. Roque da Lameira, se chegava a Valongo, pela chamada Rota das Padeiras, que integrava a Estrada Real 33, a qual, passando por Paredes e Penafiel, se dirigia para Trás-os-Montes.
Pelo norte de Paredes, mais propriamente por Lordelo, passava uma outra estrada, a Estrada Real 28, que unia o Porto a Vila Real.
 
 
 

Praça das Flores no início do século XX



A nascente da praça existiu, durante a segunda metade do século XX, duas verdadeiras instituições – A Associação Recreativa e Cultural “Os Fluminenses” e uma sucursal da padaria Padouro.
Há alguns anos que, por razões diversas, abandonaram aí a sua actividade.
 
 
 
 

Associação Recreativa e Cultural “Os Fluminenses” – Cortesia de Blogue Monumentos Desaparecidos
 
 
 
 
 

A. R. C. “Os Fluminenses”- Cortesia de Blogue Monumentos Desaparecidos

 
 
 
 A A. R. C. “Os Fluminenses”, onde se praticava, sobretudo, o futebol amador, foi fundada em 9 de Novembro de 1965 e, antes de ter a sua sede na Praça das Flores, n.º 168, esteve na Rua de S. Roque da Lameira, n.º 2236.
Naquela morada, na Praça das Flores, tinha estado antes a Escola Primária Feminina n.º 20.
Na foto anterior, após já ter sido traçada a Avenida 25 de Abril, pode observar-se que o prédio onde se alojava a sede do clube, na Praça das Flores, ocupava desde há alguns anos, um prédio entre o novo arruamento e a antiga Rua de S. Roque da Lameira.
Antes, no início da nova avenida, esteve um terreno que, no começo do século XX, um clube chamado Sporting Club do Porto, debalde, durante anos, tentou que a Associação de Futebol do Porto legalizasse o recinto para a prática do futebol.
Durante grande parte do século XX, esse terreno foi, porém, utilizado por companhias circenses para montar as suas tendas.
Em meados da década de 2010, a A. R. C. “Os Fluminenses” viu-se obrigada a mudar de instalações para a Rua de S. Roque da Lameira, n.º 2258, a poucos metros da anterior morada, nessa mesma rua.

 
 
 

Nova sede da A. R. C. “Os Fluminenses” na Rua de S. Roque da Lameira, n.º 2258
 
 
 
 
Por outro lado, a sucursal da Padouro – União Portuense de Padarias, S. A., empresa fundada na década de 1960, instalou-se em morada contígua à A. R. C. “Os Fluminenses”.
Até à ocupação do espaço por essa sucursal, um outro estabelecimento de padaria esteve por lá – a “Padaria e Confeitaria Três Estrelas”.
Devido a falência da empresa mãe, aquela sucursal fechou portas em 2007.
 
 
 

Padouro - Cortesia de Blogue Monumentos Desaparecidos
 
 
 

 
Presentemente (2026), alguns se lembrarão, ainda, da Escola Oficial Primária n.º 20 (secção feminina), na Praça das Flores, n.º 168 e da Escola Primária n.º 19 (secção masculina), na Praça das Flores, n.º 185, há muito desaparecidas.
Outros terão memórias: do Café Congo (Praça das Flores, n.ºs 141-161), frequentado pelos jogadores do F.C. do Porto, que tinha o seu “Lar do Jogador”, bem próximo no n.º 115; da mercearia Pérola do Brasil de A. Pereira da Costa & Filho (Praça das Flores, n.º 186) e da Estância de Serração de Madeiras de Manuel de Matos, Ltd., na esquina com a Rua Dom Lopo de Almeida (Praça das Flores, n.º 2).
 
 
  

Café Congo situava-se nos baixos do prédio de esquina formada com a Rua do Amparo – Fonte: Google maps
 
 
 
  

A Pérola do Brasil, em 2009, junto da Padouro (já encerrada, à data) - Fonte: Google maps
 
 

 

A Pérola do Brasil, na foto acima, já estava de portas abertas em 1939, quando era seu proprietário Alberto Coelho Moreira.


  


Na esquina com a Rua Dom Lopo de Almeida, pela direita, em 2009, a Estância de Serração de Madeiras já tinha encerrado a sua laboração - Fonte: Google maps

 
 
 

Almeida e Barrigana, defesas do F.C. Porto da década de 1960, à porta do Lar do Jogador do F. C. Porto, na Praça das Flores, n.º 115 - Cortesia de Armando Pinto
 
 
 
 
Na actualidade, a velhinha fonte, que foi transladada da Rua Firmeza, continua a dominar o espaço.


 
 

A Fonte da Firmeza no seu novo pouso – Cortesia de JPortojo
 
 
 
Com a abertura da Avenida 25 de Abril, o jardim Guedes de Oliveira ficou com um novo visual.
 
 
 

Jardim Guedes Oliveira - Cortesia de JPortojo