“Nos começos do século
XV, o Porto mantinha estreitas relações comerciais, não apenas com os portos
nacionais, desde Viana até ao Algarve, mas também com muitos empórios
estrangeiros, desde o Mediterrâneo ao longínquo Mar do Norte. E foi através do
trato do comércio que esta cidade se catapultou ao lugar de relevo e de
inegável evidência que a distinguiam das demais cidades do reino.
Dentro das altas
muralhas que defendiam a urbe, não havia, naquele tempo, mais do que 8500
almas. E no interior dos muros havia ainda muitos espaços verdes, isto é:
hortas, pomares, soutos de castanheiros, olivais. Só muito mais tarde, esses
espaços viriam a ser urbanizados.
Não obstante, o Porto
administrava um amplo e populoso termo
que se estendia desde a foz do Douro até à foz do Ave e incluía os julgados de Bouças (Matosinhos) Maia,
Azurara e todas as terras que hoje
pertencem aos concelhos de Barcelos, Santo Tirso, Lousada; e as da antiga
Arrifana de Sousa- (Penafiel) até ao Tâmega. A sul do Douro, abrangia também
Gaia até às terras da Feira.
O termo do Porto fora
criado por D. João I como paga dos inestimáveis serviços prestados pela cidade
à causa de independência nacional defendida por aquele monarca enquanto ainda
era mestre de Avis.
Os moradores dessas
terras ostentavam, com orgulho, o título de cidadãos do Porto e invocavam,
constantemente, os privilégios confirmados aos portuenses por vários monarcas.
Entre esses privilégios os quais
figuravam os de não poderem ser presos, sem culpa formada; de poderem andar
armados; e de poderem vestir seda, mesmo em tempos de crise.
No alvorecer do século
XV foi o tempo, dos mesteirais, dos homens que viviam arruados segundo os seus
ofícios: os artífices do ouro e prata na Rua da Ourivesaria; os sapateiros na
Rua das Congostas; os surradores e peleiros na Rua dos Pelames; os espadeiros e
bainheiros na Rua da Bainharia; os homens do comércio na Rua dos Mercadores; os
ferreiros, anzoleiros e latoeiros, nas ruas de Ferraria de Cima e Ferraria de
Baixo.
Cada um daqueles
ofícios correspondia a uma confraria, com estatutos e bandeira própria e
respectivo patrono: Santa Ana para os botoeiros, com altar na porta do mesmo
nome; Santo António para os tanoeiros, com capela na igreja de S. Francisco;
São Brás e S. José com altar em S. Francisco, para os carpinteiros, caixeiros,
violeiros e escultores de imagens; S. Crispim e S. Crispiniano para os
sapateiros, com capela na Rua da Biquinha; Nossa Senhora de Agosto e São Bom
Homem, com capela defronte da Sé, para os alfaiates; Nossa Senhora do Desterro
para os pasteleiros; Nossa Senhora da Batalha para os sirgueiros; São Jorge, na
igreja do Colégio dos meninos Órfãos de Nossa Senhora da Graça, para os
barbeiros; Nossa Senhora da Silva, na capela da Rua dos Caldeireiros, para os
ferreiros, serralheiros e anzoleiros.
Na Praça da Batalha,
funcionou na capela da Batalha a confraria dos sirgueiros, onde se reuniam os
irmãos da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, antes de se transferirem
para a sua nova igreja, no Carmo. ”
Com a devida vénia a Germano Silva
“O tráfico do
Brasil é grande e faz-se de dois modos: com licença ou sem ela. Esta paga-se ao
rei e aos favoritos. Quem a tem vai e volta direito àquele porto; os outros são
obrigados pelo governador do Brasil a voltar com o grosso da frota e a
desembarcar na Aduana de Lisboa. O fruto da permissão é poder carregar e partir
antes da frota, pelo que ao chegar, mesmo que não seja muito antes dela, se põe
o açúcar a preço mais alto.
(…) Levam do
Porto para o Brasil infinitos panos ordinários que se fazem nas redondezas,
azeites, vinhos, farinha, peixe, cordames e aguardente, e de lá trazem o que
traz a frota, isto é, açúcares, etc.
Crónica do Conde Lorenzo Magalotti (viagem de Cosme de Médicis a
Espanha e Portugal - 1668/1669) – Fonte: “portoarc.blogspot.pt”
“O Porto foi, durante muito tempo da sua
história, a cidade mais comercial do país. Porém não podemos desprezar a sua
grande importância industrial, sobretudo a partir do séc. XIX.
Em 1877 havia na cidade 404 fábricas.
Destacam-se: 10 de cerveja, 22 de chapéus, 4 de tabaco, 11 de curtumes, 11
pichelarias, 17 tinturarias, 24 serralharias, mais de 100 de fiação e tecidos
de seda e algodão, 28 de galões e passamanarias, 46 padarias, 11 refinarias de
açúcar e muitas outras de outras especialidades. Poder-se-á dizer que o Porto
não só se auto abastecia como exportava muitos dos artefactos aqui produzidos.
As zonas mais industriais eram as ribeirinhas e as do Porto Centro e
Nascente.
Hoje é uma cidade de serviços e muito pouco
industrializada. Por uma questão de preço dos terrenos, custo da mão-de-obra e
fácil ligação rodo-ferroviária as indústrias começaram a deslocar-se para o
Minho, à altura unicamente dedicada à agricultura”.
In portoarc.blogspot
15.1 Unidades
Industriais
No século XIX o desenvolvimento industrial acelera.
Ao comércio do vinho do Porto feito principalmente por
famílias inglesas que se instalam na cidade e nas margens do rio Douro
juntam-se as inúmeras instalações industriais.
Entre muitas outras, as principais eram: Fábrica de Tecidos de Seda de
Raimundo J. Martins (1828); Fundição de Massarelos (1851); Fábrica
de Tecidos de Algodão (1850); Fábrica de Fiação e Tecidos de Algodão e Lã na
Rua da Paz; Fábrica de Fiação Portuense na Rua de Montebelo (1863); Fábrica
de Pás de Ferro no Bonfim; Fábrica de Lanifícios de Lordelo
remodelada em 1853; Fábrica de Fundição do Bicalho; Fábrica de Chapéus Costa Braga
na Rua Firmeza (1865); Fábrica de Seda de Manuel C. Moreira
na Rua da Boavista; Fábrica de Seda de João M. Pimenta na Rua Santa
Catarina e Fábrica de Seda de Francisco José Nogueira na Rua da Alegria
(1855).
Fundições e Metalurgias
No sector da
metalurgia, no Porto havia na década de 80 do século XIX, várias fundições de
ferro.
“Foram alguns ingleses os principais impulsionadores da indústria de fundição no Porto e também os introdutores das primeiras máquinas a vapor na cidade. Existe, aliás, uma íntima ligação entre um acontecimento e outro: em 1845, das 4 máquinas a vapor
existentes no Porto, 3 estariam aplicadas à fundição. O próprio
despertar precoce da industrialização
no Porto, teve bastante influência na subsequente importância das suas
fábricas de fundição. Como se sabe, as maiores fundições podiam produzir verdadeiras máquinas a vapor.
Onde existissem boas fundições, existiria maior
facilidade de instalação de novas
indústrias.
A Companhia de
Artefactos e Metais que ficou também conhecida por Fundição do Rosário tinha sido uma anterior serralharia produzindo
fogões e alambiques e é das primeiras unidades do sector.
Em 1839 teve uma injecção de capital vindo da Companhia
de Artefactos de Algodão e Seda tendo passado a accionistas principais
Francisco Inácio Pereira Rubião, Manuel Clamouse Brown o Barão de Massarelos e
António Bernardo Ferreira.
A fábrica situava-se na Rua do Rosário nº 82.
Com a morte de Francisco Rubião em 1847 a unidade
industrial caiu a pique.
A fábrica passaria para a família Correia de Faria (tendo José Correia de Faria sido indigitado para presidente da AI Portuense, o que não se concretizou por ter falecido em 1852), e em
1854, era propriedade da firma José Correia Lopes de Faria & filhos.
Em 1875 encerraria completamente.
A Fundição do
Bicalho é considerada a primeira na cidade do Porto. Foi fundada em 1842 por
David Hargreaves e John Eccles Martin e tinha como caixa Carlos Coverly que
teve uma querela longa com o director da fábrica, Hargreaves.
A fábrica mudou sucessivamente de firma sendo
identificada em 1844 como Hargreaves & Cª e em 1845 teria apenas 7
operários.
Em 1848 era propriedade dos credores da massa
falida e em 1849 constituiu-se uma nova sociedade Hargreaves & Kopke Cª.
Porém, em 1850 passa a sociedade anónima como
Fundição do Bicalho, quando surge a figura de Gaspar da Cunha Lima, que seria
posteriormente director da Fundição de Massarelos.
Em 1860 a situação era novamente de falência
e Luís Ferreira de Sousa Cruz, até aí director fabril alternando no cargo com
Charles Hargreaves parente de David Hargreaves, assume a liderança.
Em 1861 Luís Ferreira é o gerente e Charles
Hargreaves o engenheiro.
Em 1863 a fábrica é arrematada por Eugénio
Ferreira Pinto Basto que teve praticamente de começar do zero, pois, máquinas e
moldes tinham sido levados por Luís Ferreira de Sousa Cruz.
Eugénio Pinto Basto fica aos comandos durante
alguns anos, mas, parece que em 1875 a fábrica já estaria encerrada.
A produção era de ferramentas, máquinas a
vapor, rodas e aparelhos hidráulicos e outra obra mais ligeira”.
Com a devida vénia a
Francisco Queiroz, In “Subsídios Para a História das Fábricas de Fundição do
Porto do Séc. XIX”
Pé da coluna do
coreto da Cordoaria com a marca da Fundição do Bicalho-Ed. MAC
Pelo Cais das Pedras nº 28 em Massarelos esteve em 1844,
ainda, de forma efémera, a Fundição de Wild & Hibbard.
No Cais das Pedras nº 1 esteve também, em 1844 a Fundição
de Bernardo Francisco de Oliveira & Cª, mas que no ano seguinte já
não é referenciada.
Por aqui esteve também desde 1844, mas com vida mais estável
até 1909 a Fundição da Boa Viagem de Joaquim Baptista Moreira, embora sem
grande expressão no tecido industrial.
O sector era
dominado pelas duas maiores, a Fundição
de Massarelos e a Fundição do
Ouro, que empregavam dois terços da mão-de-obra e utilizavam metade da
força motriz.
Na Fundição de
Massarelos trabalhavam 220 operários, sob a supervisão de um engenheiro inglês.
A Fundição do Ouro,
com 145 operários, era dirigida pelo proprietário, Luís de Sousa Cruz,
ex-administrador da Fundição do Bicalho.
Este Luís Cruz viria a dar o nome à rua que vai da Rua das Condominhas para o
miradouro de Santa Catarina.
“A Fundição de Massarelos
nasce em 1849, como parceria comercial entre Joaquim Lidoro de Castro, William
Hawke e o Barão de Massarelos, mas de início os problemas são imensos, até que
chega em 1852 à sociedade Gaspar da Cunha Lima, que tinha feito parte da
sociedade anónima da Fundição do Bicalho e abandonava a docência na Escola
Industrial do Porto. A partir daí a Fundição de Massarelos passa a ser
propriedade da Companhia Aliança.
A Companhia Aliança haveria de deter a Fundição de
Massarelos e, a Fundição do Ouro, por volta de 1897.
Em 1890 a Fundição de
Massarelos surge denominada como Companhia
Aliança com sede na Rua da Praia de Massarelos nº 60.
Sabe-se que, em 1873
William Hawke vai fundar a sua própria fábrica, a Fundição de Monchique, que funcionou em parte das instalações do
antigo convento de Monchique, mas, em 1891 está de volta à fundição de
Massarelos”.
Com a devida vénia a
Francisco Queiroz, In “Subsídios Para a História das Fábricas de Fundição do
Porto do Séc. XIX”
Fundição de Massarelos
No desenho acima da autoria de F. Lopes a fundição de Massarelos que ficava nos terrenos adjacentes a
poente, do que é hoje o Museu do Carro Eléctrico.
Fundição de Massarelos da Companhia Alliança em estampa
publicitária
“A Fundição do Ouro é
fundada por Luís Ferreira de Sousa Cruz, antigo secretário na Fundição do
Bicalho.
Aquando da tomada de
posse da Fundição do Bicalho por Eugénio Ferreira Pinto Basto, em 1864, Sousa
Cruz abandonou a fábrica levando moldes e máquinas e instalou-se na Rua das
Condominhas nº 202 ao Cais do Ouro.
Depois de aí laborar
em barracões provisórios as instalações novas seriam inauguradas em 1866.
A partir de 1877 a
fábrica passa a contar com a colaboração dos filhos de Luís Ferreira e em 1889
pensa-se que encerrou temporariamente voltando a abrir em 1890 com propriedade
da Companhia Nacional de Fundição e Forjas de LIsboa com gerência de Adriano de
Sousa Cruz, filho de Luís Ferreira.
No ano seguinte passa
a Nova Companhia de Fundição do Ouro,
dirigida por Adriano de Sousa Cruz e em 1893 como firma Cruz & Filhos com gerência de Luís Ferreira de Sousa Cruz.
Em 1897 passa a
sociedade anónima tendo adquirido a Fundição
da Vitória que passa a funcionar como sucursal.
Pouco depois a fábrica
passa para a Companhia Aliança que já detinha a Fundição de Massarelos.
A Fundição da Vitória
começou por ser uma ampliação de uma serralharia fundada em 1851 na Rua da
Vitória nº 53 e pertencente a Manuel Luís Sentieiro. Depois de um prémio recebido
em 1861 na Exposição Industrial desse ano, em 1880 já tem uma dimensão
razoável, pois, é citada num inquérito industrial de 1881 e, em 1890 vai já ser
considerada como uma fundição, sita na Rua da Vitória nº 148.
Com o devido crédito
a Francisco Queiroz in Subsídios Para a História das Fábricas de Fundição do
Porto do Séc. XIX
“(…) Sousa Cruz decide então instalar-se por
conta própria, fundando a sua própria fábrica metalúrgica, logo em 1864. Apesar
de se debater com carência de capitais, conseguiu erguer rapidamente três
barracões de madeira, no Campo de Ferreiros, freguesia de Lordelo do Ouro,
dando ali logo início à actividade da nova fábrica - a que chamou Fundição do
Ouro. As instalações definitivas, ocupando uma área de 3000 metros quadrados,
foram inauguradas dois anos mais tarde, em 15 de Agosto de 1866, numa cerimónia
em que estiveram presentes as principais autoridades e figuras notáveis da
Cidade Invicta. Foram inúmeras as vicissitudes que a Fundição do Ouro conheceu
ao longo da sua existência, as quais conduziram, por diversas vezes, a novas
razões sociais, principalmente durante a última década do século passado. No
início do séc. XX, a Fundição do Ouro readquiriu a sua estabilidade económica e
empresarial, ao integrar a Companhia Aliança, a qual já era proprietária da
mais importante fábrica metalúrgica do Porto, a Fundição de Massarelos. No
princípio da década de 1980, após 125 anos de actividade, a Fundição do Ouro
(Companhia Aliança) encerra definitivamente a laboração”.
Com o devido crédito
a José Manuel Lopes Cordeiro, jornal Público em 25 Abril de 1999
Cais do Ouro em 1904 – Ed. Arnaldo Soares
Aqui ao cimo da Rua
do Aleixo esteve a Fundição do Ouro - Fonte: Google maps
A Fundição do
Bolhão por sua vez foi uma das
mais importantes fundições do Século XIX, fundada em 1847.
Joaquim Ribeiro Faria
Guimarães (1807-1879) um importante empresário oitocentista da cidade, era o
proprietário e geria a célebre Fundição do Bolhão, que tinha as suas
instalações junto ao mercado do mesmo nome e tinha sido fundada pelo seu pai,
Joaquim António da Silva Guimarães.
Criou, em 1857, a
Fábrica de Lanifícios do Lordelo e era ainda proprietário de uma tipografia
onde se fazia a impressão de vários periódicos (O Athleta, A Coallisão e O
Nacional), tendo desempenhado cargos de presidência em várias instituições
oficiais e parlamentares. Foi vice-presidente da Câmara Municipal do Porto.
Os seus biógrafos
dizem que foi um grande benemérito da cidade. Sabe-se que incluiu a comissão de
cidadãos portuenses que, em 1854, pugnou pela instalação do Asilo de
Mendicidade na antiga Praça da Alegria e, nessa qualidade, ofereceu
gratuitamente todos os tubos de ferro que foram necessários para encanar a água
desde a fonte da Rua das Fontainhas até aquele Asilo.
Faria Guimarães
conjuntamente com Vitorino Damásio como director técnico da fundição
introduziram a indústria do fabrico da louça de ferro fundido esmaltada e
estanhada a banho, na Fundição do Bolhão.
Em 1849, Vitorino
Damásio encabeçou um movimento de que fazia parte também Faria Guimarães que
levou à criação da Associação Industrial Portuense, hoje Associação Empresarial
de Portugal, da qual foi, mais tarde, o seu terceiro presidente.
Por sua vez entre 1852
e 1854, Faria Guimarães seria o primeiro presidente da Associação Industrial
Portuense”.
Com a devida vénia a
Francisco Queiroz in Subsídios Para a História das Fábricas de Fundição do Porto
do Séc. XIX
Estátua de José vitorino Damásio no jardim junto à Rua Diogo
Botelho
“A fundição do
BOLHÃO está localisada no centro da cidade, na rua sobranceira ao mercado
d'este nome, e consiste n'um recinto vasto mas baixo onde estão congregadas
todas as oficinas. O machinismo é em geral velho e de typos em grande parte já
substituídos na industria. Tem duas caldeiras tubulares desenvolvendo 12
cavallos de forca cada uma, trabalhando aiternadamente, e alimentando a machina
motriz fixa, d'um cylindro vertical, construida na fabrica VULCANO de Lisboa e
comprada já em segunda mão em 1857. O BOLHÃO tem como indústrias accessorias a
serração de madeira e o fabrico de tubos de chumbo; espécies que serão
estudadas, com os outros elementos dessas indústrias nos seus respectivos
lugares. No BOLHÃO, sob a administração dos indutriaes, a direcção está a cargo
de João de Sousa Soares, discípulo do Instituto Industrial do Porto,
ex-operario do Ouro, e que está ao serviço do BOLHÃO desde 1871”
In Relatório do Inquérito Industrial de 1881
Vitorino Damásio viria a ser o fundador das Escolas
Industriais de Lisboa e no Porto.
Devido à simpatia de que desfrutava junto do Duque de
Saldanha, Vitorino começa a passar longas temporadas em Lisboa, em missões
governamentais e na direcção da Escola Industrial da capital.
Em 1865 a Fundição do Bolhão é já propriedade de Costa Basto
& Irmão e passará em 1880 a Costa Basto & Cª.
Desde 1871 a fábrica passa a ser dirigida por João de Sousa
Soares, antigo funcionário da fundição do Ouro.
Em 1881 a fábrica tinha máquinas obsoletas e não conseguia
produzir peças de louça de qualidade. Tinha ainda instalações de serração de
madeiras e fabrico de tubos de chumbo.
Entre 1890 e 1920 a fábrica vai ter grande sucesso no
fabrico de portões de luxo e gradeamentos.
Por curiosidade se aponta que todo o gradeamento exterior e
dos jardins interiores do Hospital Conde de Ferreira, bem como os seus inúmeros
portões, foram executados pela fundição do Bolhão.
Pormenor do gradeamento do hospital
O mercado do Bolhão, vista aérea de c. 1930
Na foto acima em frente à entrada Norte do mercado do Bolhão
(no canto superior direito) vê-se o terreno fruto da demolição da Estamparia do
Bolhão e à esquerda o edifício da Fundição do Bolhão, que seria demolido para
dar lugar ao troço da Rua de Sá da Bandeira entre a Rua de Fernandes Tomás e a
Rua de Gonçalo Cristovão, e ao Palácio do Comércio.
Aspecto do interior da Fundição do Bolhão, sita na Rua
Fernandes Tomás, nº 352, quando era propriedade de Costa Basto & Cª –
Fonte: cartão comercial
A Fundição de Fradelos foi fundada em 1877 por
António Lopes dos Santos, que também foi nela, operário, oriundo da Fundição de
Massarelos.
Situada no gaveto da Rua de Guedes de Azevedo e da Rua do
Bolhão, a Fundição de Fradelos (um pouco a Norte e atrás da Fundição do
Bolhão), em 22 de Novembro de 1888 ganharia um processo de concurso para execução
e fornecimento de 200 bocas de incêndio e rega, cuja adjudicação é feita a
António Lopes dos Santos (Fundição de Fradelos), representado por José Batista
Teles Guimarães.
Em 1889 possuía uma máquina de 7 cv, tinha um capital social
de 2.800$000 e 14 trabalhadores.
A partir de 1892 a fábrica passa a ter denominação de
“Barros & Praça”, assumindo a liderança o engenheiro Dinis Joaquim Praça e,
em 1894, passava a “Praça & Filhos”.
Em meados de 1896 num outro processo de concurso para
arrematação da tarefa de fornecimento de 16 bocas para incêndio e rega, a
adjudicação é feita já a “Praça & Filhos”, proprietários da Fundição de
Fradelos, que a teriam adquirido em 1892.
O tal Praça foi de seu nome completo, Dinis Joaquim Praça,
nascido em 1860 em Massarelos, filho de um tal Joaquim Francisco Praça, de Vila
do Conde e de Delfina Guilhermina Barros de Massarelos.
Em 22 de Abril de 1917, os funcionários da fundição, seriam
à passagem dos 25 anos de Dinis Praça à frente da empresa, contemplados com
aumentos de salário da ordem dos 10%, durante uma festa em honra dele.
A Fundição de Fradelos era especializada no fabrico de bocas
para incêndio e rega e ainda, em mictórios que estavam, à data, muito em voga e
espalhados pela cidade, de que se lhe reconhece a paternidade, por exemplo, do
mictório da Praça da Batalha, sendo ainda conhecida pelos seus trabalhos de
serralharia e forja.
Planta de localização da Fundição de Fradelos – Fonte:
“gisaweb.cm-porto.pt”
A planta acima fazia parte de um processo remetido à Câmara
em 1910, para solicitar a instalação de um cano de água que atravessaria a Rua
do Bolhão (identificado pela letra A).
Local actual da localização da antiga Fundição de Fradelos –
Fonte: Google maps










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