domingo, 21 de maio de 2017

(Conclusão) - Actualização em 13/07/2018

ASSOCIAÇÕES DE TRABALHADORES

Na segunda metade do século XIX com a expansão da indústria começaram a aparecer os primeiros movimentos de associação de operários.
Uma das zonas da cidade onde se concentravam essas manifestações era na Fontinha.


“O sítio da Fontinha, chamemos-lhe assim, nasce junto a Fradelos e morre, lá no alto, na Rua da Fábrica Social. Fica-lhe pelo dorso torcicolado as Carvalheiras, essa maravilha humilde de serventia citadina; e a Rua das Musas - na sua graça poética de legenda toponímia.
Trata-se de um dos mais típicos e generosos aglomerados populacionais tripeiros de índole tipicamente operária, cuja verdadeira história está ainda por fazer.
Com efeito, foi por estas bandas que, no surto associativo dos anos 70-80, do século XIX, se deram os passos mais decisivos do movimento operário portuense - um período e um sítio acerca dos quais muito pouco ou nada se tem dito.
É para tentar ajudar à reconstituição histórica do movimento operário portuense que aqui se evocam apenas alguns dos mais significativos acontecimentos que tiveram por palco o Bairro da Fontinha ou as suas redondezas.
Em Abril de 1874, por exemplo, um pequeno núcleo de operários fundou, na Rua de Santa Catarina, na esquina com a Calçada do Luciano, hoje Rua da Escola Normal, a Associação dos Trabalhadores que, dois anos depois, transferiu a sua sede para o Largo da Fontinha, onde se manteve, em permanente actividade, por muitos anos mais. Nesta associação, que reunia operários dos mais diversos ramos da indústria, pontificava o cidadão francês Joseph Delarue, fabricante de pianos, que estivera implicado nos acontecimentos da Comuna, e por causa dos quais deixara França para se radicar no Porto. Ainda há relativamente pouco tempo funcionava na Praça da República a Casa Delarue, especializada na reparação e afinação de pianos.
Associada aos primeiros passos do movimento operário portuense, anda a Imprensa operária que surge para sustentar, apoiar e defender os interesses da classe e a doutrina mutualista que lhe andava associada. Em 1875, apareceu nas imediações da Fontinha, mais concretamente na Rua do Bonjardim, nas proximidades do actual Largo de Tito Fontes, o "Jornal Artístico Social", de que eram redactores os irmãos Abreu, Bernardino e Eduardo Gonçalves, pertencentes, os três, ao quadro redactorial de "O Primeiro de Janeiro".
O nome da Rua da Fábrica Social anda ligado, por sua vez, à fábrica de chapéus que por ali laborou.
Em 1873, a classe dos chapeleiros atravessava uma das suas fases de maior desenvolvimento com a mecanização das instalações das fábricas Social, no Alto da Fontinha; e de Costa Braga, na Rua da Firmeza, no mesmo local onde agora está a Escola Artística de Soares dos Reis.
O sítio onde se realizavam os maiores comícios operários desses tempos era no actual Largo do Dr. Tito Fontes por ser, para a época, o mais amplo logradouro que havia na cidade para esse tipo de manifestações. As reuniões públicas em que participavam os associados das instituições operárias da altura faziam-se num velho edifício situado na esquina da Rua de Gonçalo Cristóvão e do actual Largo do Dr. Tito Fontes. Defronte ficava outra casa célebre a sede da Laboriosa (está agora em ruínas) em cujo salão se realizaram importantes e agitadas reuniões operárias. Dionísio Ferreira dos Santos Silva, antigo operário chapeleiro, estreitamente ligado aos movimentos republicanos (seria um dos participantes na revolta de 31 de Janeiro de 1891) e mutualistas, com a sua palavra fácil e convincente interveio em inúmeros comícios e reuniões especialmente nos da classe a que pertencia.
Por falar em oradores de comícios a Rua de Conceição Fernandes, em Gaia, lembra um grande orador dos movimentos operários dos meados do século XIX, José Maria Conceição Fernandes, que em 25 de Julho de 1875, juntamente com Felizardo Lima, protagonizou uma vibrante intervenção no Salão da Laboriosa durante um concorrido comício operário. Era serralheiro de profissão e acabou os seus dias professor na Escola Industrial do Infante D. Henrique. O Porto esqueceu-o. Gaia perpetuou-lhe o nome na toponímia local.
O espaço da crónica é curto mas não queremos encerrá-la sem falar num tipo de indústria que teve algum sucesso nos meados do século XIX e se desenvolveu através de pequenas oficinas que se espalhavam pelas faldas do monte da Fontinha, ou seja, nas zonas das Liceiras e Carvalheiras. Referimo-nos ao fabrico de camas e outra mobília de ferro. O pioneiro desta indústria foi um antigo operário da Fundição do Bolhão chamado António Martins Viana, que morreu em 1912, na sua casa do Bairro Operário da Constituição, esquina desta rua com a de Serpa Pinto, mandado construir pelo jornal "O Comércio do Porto", segundo um projecto do arquitecto Marques da Silva.
Em 1876, paredes-meias com a sede da Associação dos Trabalhadores, citada na peça ao lado, funda-se, também, no Largo da Fontinha, a Cooperativa de Tecidos em que congregam os trabalhadores do sector têxtil. Mas a mais famosa actividade desta zona foi, sem dúvida, a indústria do fabrico manual de pregos de ferro forjado, disseminada por inúmeras oficinas instaladas na Rua das Musas, no Alto da Fontinha e em terrenos onde, posteriormente, viria a ser construído o hoje tão falado (pelos piores motivos) Bairro do Leal. A 12 de Maio de 1876, os pregueiros das oficinas das Musas e da Fontinha deram início uma greve exigindo aumentos salariais. Este movimento grevista coincidiu com a inauguração, na Rua dos Bragas, da Companhia Aurifícia, uma unidade industrial moderna, apetrechada com a mais moderna maquinaria que na época existia para o fabrico de pregos a partir do arame. Estes dois acontecimentos estiveram na origem da extinção da velha indústria artesanal do fabrico de pregos de ferro forjado.” 
Com a devida vénia a Germano Silva, no Jornal de Notícias


Memórias de um Porto Operário e Anarquista


Após 4 anos da greve e tumultos de Chicago em 1886, que provocou a condenação à forca de 7 anarquistas, realizou-se no Porto o Dia do Trabalhador, com 12000 manifestantes, em que socialistas e anarquistas se juntaram no Monte Aventino.
Teria sido no Largo da Fontinha nº 50 que nasceu o movimento sindicalista e socialista, em volta da Fábrica Social, antes Fábrica de Chapéus e hoje a sede da Fundação José Rodrigues.
Em volta daquela fábrica existiam uma série de pequenas oficinas que foram o campo para a explosão do movimento sindical.
Por sua vez a Rua do Almada ou Rua das Ferragens seria no início do século XX a rua com maior número de associações de classe.
Muitos sindicatos desta rua estavam ligados aos socialistas mas devido a um certo desencanto com o caminhar dos acontecimentos, a chegada da República e alguma desilusão, fizeram com que muitos se aliassem à anarco-sindicalista União Operária Nacional em 1912.
Assim, em 1895 os socialistas saem da Fontinha e vão para o nº 641 da Rua do Almada, onde fundam o Partido Socialista Português e o Centro Operário de Propaganda Socialista.
Já antes aí funcionava o Instituto Antero de Quental e algumas outras associações profissionais, tendo, naquele ano, o Centro Operário de Propaganda Socialista se associado a outros sindicatos e por aí se mantiveram até 1914 quando passam para a Rua do Paraíso (cooperativa do Povo Portuense).
No cimo da Rua do Almada no nº 641 chegaram a ter sede 8 sindicatos
Os anarquistas continuaram na Fontinha.
O movimento associativo, no feminino, está ligado a duas mulheres trabalhadoras na Fábrica de Camisas Confiança na Rua de Santa Catarina.
Esta fábrica sucedeu a uma modesta loja de camisas no mesmo local, aberta em 1883.
Foi naquela fábrica que chegou a empregar mais de mil mulheres que Margarida Barros e Virgínia Dantas se conheceram e acabaram por fundar a primeira secção da Juventude Socialista que mais tarde se estenderia a outras unidades fabris.
Aquelas duas mulheres, mais tarde haveriam de fundar o Grupo Anarquista Louise Michel e escreviam frequentemente para o periódico “A Comuna”.
Por sua vez o Comunismo nasceria perto da Cadeia da Relação, na Rua de Trás.
Em 1919 cria-se a Federação Maximalista Portuguesa pelas mãos de libertários inspirados na Revolução de Outubro de 1917.
A existência daquela federação foi de um ano e meio, mas alguns dos seus membros acabam em 1921 por fundar o Partido Comunista Português, tendo o seu primeiro secretário-geral sido um dos fundadores da Fundação Maximalista Portuguesa.
O Largo Dr. Tito Fontes representa outro marco importante do sindicalismo portuense.
Num edifício daquele largo, que já foi a sede da Junta de Freguesia de Santo Ildefonso, funcionavam a Cooperativa dos Carpinteiros e a Associação dos Fabricantes do Calçado.
Em Setembro de 1918 a União Operária Nacional, que mais tarde se transformaria em Confederação Geral do Trabalho, promove aí, uma reunião de 300 manifestantes durante o governo de Sidónio Pais, que foi dispersa pela polícia à coronhada.
A imprensa ligada ao movimento associativo teve também vários locais emblemáticos.
Na Rua da Bainharia na Sé, desde 1910, teve assento o semanário anarquista “Aurora” que daria ao fim de mês e meio origem à Cooperativa Aurora Social.
Enquanto a cooperativa só viveu 4 anos o semanário esteve a público até 1920, extinto após perseguições políticas e policiais.
Entre 1920 e 1926 o periódico “A Comuna” na Rua do Sol foi a expressão escrita do anarquismo portuense”.
Fonte principal: Zita Moura, In Jornal Público 


Como acima é dito, o Monte Aventino torna-se um local de eleição para a realização dos comícios operários.
Em 24 de Abril de 1898, durante a realização de um grande comício operário no Monte Aventino contra a Lei de 13 de Fevereiro de 1896, considerada contra os princípios da liberdade do operariado português, Cristiano de Carvalho daria a conhecer uma petição que iria ser enviada ao Parlamento sobre o assunto. O comissário da Polícia, capitão Feijó, pergunta se ele é o autor do texto e se os dirigentes do comício (António Pereira de Carvalho, José Pinto Moreira e Joaquim Mendes Campos) a perfilhavam. Como todos responderam afirmativamente, foram os 4 presos e o comício dissolvido.


Carro Alegórico e Cortejo do 1º de Maio no Jardim de S. Lázaro em 1905 – Ed. Aurélio Paz dos Reis

Manifestação de comemoração do 31 de Janeiro de 1911 na Rua de Pinto Bessa


Associações de operários católicos

Centro de Democracia Cristã

O Centro de Democracia Christã nasceu na cidade do Porto em 1912, sob influência de outros grupos similares, nomeadamente o Centro Académico de Democracia Cristã de Coimbra. Eram associações ligadas aos movimentos operários e ao pensamento social-católico. Promoviam diversas actividades, como sejam debates, organização de uma biblioteca, escolas nocturnas, grupo de arte dramática, conferências, dinamização de cooperativas, recolha de fundos e apoio a iniciativas religiosas como as peregrinações ao Monte da Virgem. Editaram um jornal de regularidade intermitente entre 1912 e 1924: A Paz.

Sede do Centro de Democracia Cristã na Rua Galeria de Paris - In Illustração Catholica, 28 de Agosto de 1915


Edifício da foto anterior actualmente

Círculo Católico de Operários do Porto (CCO)

“O incomensurável impacto da encíclica Rerum Novarum em todo o mundo católico alertando para os designados «deveres do Estado», estava já eivada de uma nova noção de justiça, da responsabilização dos proprietários, da promessa de relações renovadas entre trabalhadores e patrões através do associativismo operário. Esta primeira encíclica social reflecte largamente o sindicalismo e a participação dos católicos na organização sindical, apresentando os sindicatos como «instrumentos de solução da questão social e de […] correcção de situações injustas e desumanas». Demais, enquanto a encíclica Rerum Novarum deixa caminho aberto à opção livre entre o sindicato misto e o sindicato separado, os CCO em Portugal vão seguir, na sua essência, a primeira via, não envolvendo qualquer ideia de separação ou confronto, pelo contrário, como defendia na época o padre Roberto Maciel, os Círculos «eram um meio prático de reforma social.
O Círculo Católico de Operários do Porto, como primeiro e mais pujante CCO português, fundado em 9 de Junho de 1898.
Aliás, no cerzir daquela teia de Círculos Católicos releva-se a notável acção itinerante dos padres João Roberto Maciel e Benevenuto de Sousa, ambos redactores de A Palavra e O Grito do Povo, constituindo este último o órgão do CCOP.
Apesar de um certo pendor mutualista dos CCO, o advento do seu movimento em finais do século XIX é considerado uma primeira tentativa de «presença católica organizada no movimento operário português».
É, pois, com o patrocínio do bispo do Porto, D. Américo Ferreira do Santos Silva, em 1898, que vemos surgir a primeira associação de católicos não só para operários mas, sobretudo, constituída por número significativo de operários: o Círculo Católico de Operários do Porto (CCOP).
Augurando o impacto que viria a ter na cidade, a cerimónia inaugural do CCOP, presidida por Manuel Frutuoso da Fonseca, contou com a presença das mais altas figuras dos meios civil e eclesiástico, portuenses. A funcionar, desde 28 de Julho de 1898, no nº 192 da Rua dos Mártires da Liberdade, o CCOP vê os seus estatutos formalmente aprovados pelo Governo Civil em 27 de Agosto de 1898. A aprovação do prelado da Diocese é obtida por Alvará de 5 de Setembro daquele ano”.
Com a devida vénia a Eduardo C. Cordeiro Gonçalves

Rua dos Mártires da Liberdade nº 192- Fonte: Google Maps

À esquerda a sede actual do CCOP na Rua Duque de Loulé nº 202- Fonte: Google Maps


Cooperativa de Solidariedade Social do Povo Portuense, CRL e Cooperativa de Ramalde


“A CSSPP (Cooperativa de Solidariedade Social do Povo Portuense, CRL) resulta de uma fusão efectuada em 1900, de várias Associações e Cooperativas operárias que existiam no Porto.
No entanto, consideramos 1893, como o acto fundador dos valores e princípios desta Cooperativa, com a criação do Instituto de Instrução Antero de Quental.
Surge no meio operário, segundo a ideia e modelo da Casa do Povo de Bruxelas, com intuitos Associativos, Culturais (alfabetização das pessoas) e sobretudo Assistenciais, terminar com os funerais de vala comum e dar até na morte dignidade a quem tanto sofreu na vida.
Hoje em dia, 120 anos depois deste acto fundador, as preocupações são as mesmas, as necessidades são iguais e as metas a atingir continuam as mesmas.
Fonte Site: “animar-dl.pt”



“Os grandes vértices pelo qual somos conhecidos, são os subsídios de funerais que damos, e que completam para as famílias o acto do funeral, e através das nossas Clínicas (Porto e Vila Nova de Gaia), assistimos diariamente largas dezenas de Associados, a preços substancialmente mais baratos do que os do Serviço Nacional de Saúde.
Isto tudo sem filas, sem esperas, dando e proporcionado os melhores cuidados médicos e de enfermagem possíveis.
Somos também viveiro de Associações dado termos no nosso 2º andar, uma vintena de salas onde as Associações e colectividades populares da cidade podem nascer e crescer com confiança, a exemplo do que se verifica há mais de 50 anos”.
Fonte: Paulo Jorge Teixeira – presidente (2017)


Sede da Cooperativa de Solidariedade Social do Povo Portuense – Fonte Google maps


O edifício da foto acima fica na esquina da Rua do Paraíso com a Rua de Camões.
Entretanto em 1892, tinha já sido fundada a Cooperativa de Ramalde (ainda hoje existente).


Instituições que antecederam a “Cooperativa de Ramalde”

Antiga sede da “Associação Brilhante de Beneficiência Popular” na Rua Senhora do Porto

“A Restauradora de Ramalde fundada em 1879 é a mais antiga associação da freguesia de Ramalde, inscrita na história da freguesia, resultou da criação em Pereiró da Associação de Socorros Mútuos, percursora da Restauradora em Ramalde - Associação de Socorros Mútuos, que persiste até aos nossos dias e que funcionou onde fica hoje a Unidade de Saúde de Ramalde.
Com intervenção voltada para as áreas da saúde e social congregou o respeito dos Ramaldenses e continua a ser uma referência do que deve ser o associativismo. A mais antiga e prestigiada associação da freguesia envelheceu, porque o poder não foi capaz de reconhecer os altos serviços prestados pela Restauradora.
Sem sede, por falta de decisão, a Restauradora está viva no coração dos Ramaldenses, com a esperança de que em breve o problema da Sede esteja resolvido e possa continuar a prestar o seu meritório serviço social. Dona de um espólio histórico não se concebe que este se degrade sem que nada seja feito”. 
Fonte: “restauradora_ramalde.blogs.sapo.pt”


Sobre a Cooperativa de Ramalde é o texto seguinte.

“Na época da sua fundação, 8/12/1892, ainda a agricultura dominava a vida económica e a paisagem da freguesia. No último quartel do século XIX verifica-se um desenvolvimento acelerado da actividade industrial e a freguesia ocupa o principal centro da indústria têxtil do concelho do Porto. Para suprir as grandes dificuldades dos operários, que viviam em habitações sem ventilação e sem luz e para fazer face às dificuldades criam-se associações, onde a troco de uma pequena quota, os sócios obtinham assistência na doença e velhice e até no funeral. É neste contexto social que nasce a Sociedade Cooperativa União Familiar Operária de Consumo e Produção. A 6 de Maio de 1906 a Assembleia-geral toma a decisão histórica de adquirir um terreno para edificação da Sede. Em 1931 as instalações são ampliadas consolida-se o espaço comercial onde aos produtos tradicionais se juntam outros e outras actividades na área de prestação de serviços. A Cooperativa passa a ser um importante apoio social das famílias na dignificação do ser humano, no desenvolvimento cultural e informação”.
Fonte: “portoarc.blogspot.pt”


“Instituição centenária prestou e ainda presta relevantes serviços à população da freguesia de Ramalde. Com um serviço na área do abastecimento de qualidade e para bem servir tem feito um esforço gigantesco para o manter. Na época da sua fundação ainda a agricultura dominava a vida económica e a paisagem da freguesia, que pertencia ao concelho de Bouças (Matosinhos), só foi integrada no Porto a 21 de Novembro de 1895. No último quartel do século XIX verifica-se um desenvolvimento acelerado da actividade industrial e a freguesia ocupa o principal centro da indústria têxtil do concelho do Porto.
Nos primeiros anos funcionou na Rua da Preciosa, nº 82 com o fabrico e venda de tabaco, mais tarde inicia o fornecimento de mercearia. 
A 6 de Maio de 1906 a Assembleia-geral toma a decisão histórica de adquirir um terreno para edificação da Sede. Em 1931 as instalações são ampliadas consolida-se o espaço comercial onde aos produtos tradicionais se juntam outros e outras actividades na área de prestação de serviços. 
A Cooperativa passa a ser um importante apoio social das famílias na dignificação do ser humano, no desenvolvimento cultural e informação. 
Apesar das dificuldades, foi durante o fascismo, (1926 / 1974), um espaço de liberdade com iniciativas culturais, uma biblioteca e uma escola básica. 
Com actividades culturais, recreativas e de lazer dispõe de um Salão polivalente com palco para teatro ou outras iniciativas.” 
Fonte: “cooperativa_ramalde.blogs.sapo.pt”

Antiga sede da "Cooperativa de Ramalde" na Rua da Preciosa (prédio em 1º plano)

Ruínas da antiga sede da "Cooperativa de Ramalde" actualmente - Fonte: Google maps


Sede actual da "Cooperativa de Ramalde" na Rua Dr. Pedro Sousa - Fonte: Google maps


A Cooperativa dos Pedreiros

“Em 1914, dez operários especializados, que trabalhavam na construção do Edifício da Estação de S. Bento, na cidade do Porto, resolveram fundar a Cooperativa dos Pedreiros, pagando cada um apenas 20 escudos. A sede foi instalada na Travessa das Almas, 36- 1º, no Porto e um dos cooperantes mais dinâmicos é José Moreira da Silva.
Nesse mesmo ano, inicia, a cooperativa recém-formada, a construção da sede da Cooperativa do Povo Portuense na Rua de Camões.
Pela alta qualidade profissional dos seus fundadores, foi encarregada a cooperativa, da construção do Monumento à Guerra Peninsular, erigido na Praça Mouzinho de Albuquerque, mais conhecida por Rotunda da Boavista. Por falta de verba, a Câmara Municipal do Porto suspende a construção mas, 34 anos mais tarde (1948), volta a entregar à Cooperativa dos Pedreiros a sua conclusão.
Em 1924, a câmara Municipal do Porto encarrega a Cooperativa dos Pedreiros da construção dos Paços do Concelho. Mas passados alguns anos, mais uma vez por falta de verbas, decidiu interromper o prosseguimento da construção. Então, aconteceu uma coisa que, nos dias de hoje, acharíamos extraordinária: a Cooperativa dos Pedreiros comprometeu-se a prosseguir a referida construção e a autofinanciá-la até a Câmara possuir a verba necessária, o que veio a acontecer no ano seguinte.
Em 1930, começa a construção de uma nova Sede Social, na Rua D. João IV, onde começaram a funcionar cantina, garagem, posto médico e de enfermagem.
Em reconhecimento pelo gesto tido com a C.M.PORTO e dado que na época existia uma elevada taxa de desemprego, a Cooperativa dos Pedreiros foi louvada pelo então Ministro das Obras Públicas e Comunicações, Eng.º Duarte Pacheco, pela sua acção social, por portaria do Diário do Governo nº. 31-2ª Série, de 7 de Fevereiro de1933.
A indústria dos Granitos Polidos foi introduzida em Portugal pela Cooperativa, em 1937. A laboração iniciou-se nas novas oficinas da rua D. João IV, no Porto. Em 1958, a Cooperativa é distinguida com a Medalha de Ouro e um Diploma de Honra na Exposição Universal de Bruxelas, pela apresentação em exposição de uma Coluna oca em granito totalmente polida.
Em 1953, a Cooperativa inaugura o edifício a que dá o nome de "Trabalho e Reforma" cujo rendimento é dedicado às pensões dos seus cooperantes e suas viúvas.

Edifício na Rua Nossa Senhora de Fátima


Em1969 é inaugurado um novo edifício com 13 andares a que se deu o nome de Miradouro, cujo rendimento se destina aos pensionistas cooperantes e suas viúvas. Nos últimos pisos do edifício é instalada uma unidade hoteleira e um restaurante panorâmico no último andar.
No mesmo ano faleceu o seu Gerente Honorário José Moreira da Silva. 
Por iniciativa da Câmara Municipal do Porto, o largo em frente à sua Sede Social passa a chamar-se Largo José Moreira da Silva e é ali colocado, em sua homenagem, um monumento e o seu busto em bronze (1971).
A Cooperativa é distinguida, em 1972, com a Medalha de Prata da Direcção Geral de Minas e Geologia, pelos serviços prestados à indústria de rochas naturais.
Em 1989, a Cooperativa faz 75 anos e é distinguida pela Câmara Municipal do Porto com a Medalha de Mérito (Grau Ouro) pelos serviços prestados à Cidade.
No mesmo ano são inaugurados a Escola Profissional de Estudos Económicos e Sociais José Moreira da Silva e o Museu da Cooperativa.
É ainda atribuída, a título póstumo, a José Moreira da Silva, a Comenda da Ordem de Mérito Industrial.
A Cooperativa dos Pedreiros é agraciada, em 1991, com o título de Membro Honorário da Ordem de Mérito, por alvará, de 31 de Outubro, da Presidência da República.
Em1991 inaugura o Instituto de Estudos Sociais Joaquim Oliveira Guedes, na sede na Rua da Alegria.
A Cooperativa inaugura as suas novas instalações (fábrica) em Ponte de Moreira - Leça do Balio- Matosinhos, em 1997, onde além, de uma moderna unidade de corte de blocos, polimento e acabamento, tem também um grande parque de blocos e placas serradas.
Pode dizer-se que “A Cooperativa dos Pedreiros” faz parte da História da cidade do Porto por mérito próprio. Construiu um vasto património que para garantir rendimentos destinados a um fundo social, que é aplicado na ajuda aos seus Cooperantes e suas viúvas na velhice, como complemento das reformas, e obras públicas e privadas que são o orgulho da cidade e dos Portuenses. Para além dos anteriormente referidos, o Monumento ao Império (na Praça do Império), a Igreja de Nossa Senhora da Conceição (no Marquês), a Igreja de Santo António (nas Antas), o Palácio do Comércio (na Rua de Sá da Bandeira), o Pelourinho actual junto da Sé do Porto e muitos outros. Os seus trabalhos em granito, as suas colunas ocas e cantarias não estão só na cidade do Porto mas espalhadas pelos quatro cantos do mundo”.
Fonte: “amaroporto2.blogs.sapo.pt”

Algumas daquelas emblemáticas obras devem-se ao arquitecto David Moreira da Silva, filho de José Moreira da Silva, casado desde 1943 com a arquitecta Maria José Marques da Silva, filha do arquitecto Marques da Silva.
David Moreira da Silva é um dos primeiros urbanistas portugueses, tendo realizado, entre outros, os anteplanos de urbanização de Moledo do Minho, Águeda, Paredes, Matosinhos, Aveiro, Barcelos, Elvas, Valongo, Guimarães e Chaves.
Alguns destes trabalhos foram realizados em co-autoria com sua mulher, bem como as principais obras de arquitectura de que se destacam os projectos e direcção de obras do Palácio do Comércio (quarteirão de Sá da Bandeira e Fernandes Tomás), do prédio de rendimento Trabalho e Reforma (na Rua Nossa Senhora de Fátima), a torre de habitação da Cooperativa dos Pedreiros (na Rua da Alegria), o adro da Igreja de Nossa Senhora da Conceição e seu remate (na Praça Marquês de Pombal).

Instalações da cooperativa dos Pedreiros na Rua D. João IV - Fonte: Google maps






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