quinta-feira, 25 de maio de 2017

(Continuação 3)

Bairro de Casas Económicas de Paranhos 1935/1939

“Este bairro situa-se na Freguesia de Paranhos, junto à Faculdade de Economia e Cemitério de Paranhos.
O bairro organiza-se a partir da praça do Cávado numa malha rectangular, com ruas de traçado rectilíneo, com duas ruas principais longitudinais, a Rua do Guadiana e a Rua do Dr. Manuel Laranjeira, e catorze ruas secundárias, transversais e longitudinais, com nomes de rios portugueses. É definido por um agrupamento de moradias económicas de unidade tipológica, da Classe A e B, do tipo um, dois e três, de um e dois pisos, em banda e geminadas duas a duas, com logradouro junto do alçado posterior, jardim fronteiro e alpendre a anteceder a porta principal.
Na primeira fase foram construídas cento e cinquenta casas, térreas, da classe A, sendo dezoito do tipo I, noventa e duas do tipo II e quarenta do tipo III; na segunda fase construíram-se mais trinta casas, com dois pisos, sendo doze da classe A e dezoito da classe B. Estas últimas encontram-se localizadas na rua do Dr. Manuel Laranjeira”.
Fonte: IHRU-DGEMN (Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana-Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)

Rua do Tejo com escola primária ao fundo

As casas térreas na actualidade

As habitações de 2 pisos


Bairro de Casas Económicas de Ramalde 1935/39

“Na freguesia de Ramalde junto à Avenida Antunes Guimarães situa-se este bairro de moradias económicas, organizado em torno da praça onde se localiza a Escola Primária, com ruas com o nome de árvores. O bairro é constituído por 148 moradias, construídas em duas fases, que evidenciam duas categorias económicas, e definem uma hierarquização social espacial. A primeira fase, localizada no interior do rectângulo, é caracterizada por casas térreas, de construção simples, da classe A, tipo I, II, e III, geminadas duas a duas, com logradouro junto do alçado posterior, jardim junto do alçado principal, e alpendre de estrutura simples, de betão ou tijolo aparente, apresentado nalguns casos telheiro. As moradias da segunda fase, das classes B, C, e D, apresentam-se voltadas, na sua maioria, para a Avenida do Dr. Antunes Guimarães, também geminadas duas a duas, de maiores dimensões, com dois pisos, melhores materiais e acabamentos, delimitadas por muros. No interior, todas a variantes dispõem de cozinha, e casa de banho, variando esta em número, dimensão e equipamentos de acordo com as várias classes e tipologias. Na classe A, nalguns casos não dispõe de sala e noutros é comum, as classes B, C, e D, dispõe de sala de estar e sala de jantar, tendo a classe D, ainda um pequeno gabinete de estudo. O número de quartos varia de classe para classe e dentro da classe, de tipologia para tipologia, podendo ir de um a quatro nas classes A e B, e de dois a cinco nas classes C e D.
Nestas últimas, pode ainda existir vestíbulo, "quarto de criada" e respectiva casa de banho. (fonte IHRU- DGEMN)
Foi o único, na cidade do Porto, a ser contemplado com duas escolas, com quatro salas de aula cada (actualmente unidas) destinadas respectivamente aos dois sexos”.
 Fonte: IHRU-DGEMN


Casa térrea


Habitação de 2 pisos na actualidade

Escolas primárias do Bairro de Casas Económicas de Ramalde, em 1939.

Os edifícios das duas escolas na Rua dos Choupos estão agora unidos


Bairro de Casas Económicas de S. Roque 1938/40

“Na freguesia de Campanhã perto da Secundária do Cerco e Bairro de Contumil este bairro tem um acesso por S. Roque da Lameira.
Conjunto urbano localizado na zona Oriental da cidade do Porto, organizado segundo um trapézio com três triângulos internos, circundado pela estrada da circunvalação a Nordeste e pela linha de caminho- de- ferro, com a estação de Contumil a Noroeste. Os arruamentos têm nomes de batalhas históricas. Começou por se chamar Bairro de Casas Económicas de Contumil.
O Bairro constituído por 234 moradias geminadas, unifamiliares, das classes A e B, tipos I, II, III e organizadas simetricamente em torno de três triângulos bem definidos, servidos por quatro artérias principais de circulação”.
 Fonte: IHRU-DGEMN


Centro do bairro

Casa de 2 pisos na actualidade


Bairro de Casas Económicas de Costa Cabral 1939/42

O bairro é denominado de Costa Cabral já que quando foi construído, a Avenida Fernão de Magalhães ainda não chegava à Circunvalação e ficava pelas bandas da Rua das Cavadas. Assim, o bairro era servido pelas ruas de Contumil, de Santa Justa e da Cruz, que ligavam com a Rua Costa Cabral.
As suas ruas têm topónimos de lugares de Lisboa.

Rua da Cruz (no começo da Rua João Roby) – Fonte Google maps

Ainda há 30 anos a Rua da Cruz do local mostrado na foto anterior seguia (flectindo para a direita) para a Avenida Fernão de Magalhães, situada 20 metros adiante. Ainda é possível apreciar na foto o resto do empedrado do trecho da rua cortado.
Antes da construção daquela avenida e do Bairro de Costa Cabral, a Rua da Cruz seguia o trajecto da hoje chamada Rua de Nau Vitória.


Marco comemorativo da inauguração na Praça do Campo Grande


Na actualidade


Bairro de Casas Económicas de Rebordões ou Rebordãos

Situado entre S. Roque e a Areosa, onde mais tarde surgiria o já demolido Bairro de S. João de Deus, foi a iniciativa que sucedeu em 1941, à malograda empreitada do Bloco da Rua Duque de Saldanha.

Bairro de Casas Económicas de Rebordões – Fonte: Google maps


Bairro de Casas Económicas do Monte da Bela ou Bairro da Corujeira ou Bairro de S. Vicente Paulo

Sobre o topónimo Monte da Bela, o padre Agostinho de Azevedo diz que com esta ação de “velar, vigiar ou fazer vela” se devem identificar todos os topónimos bela como Monte da Bela ou Alto da Bela, curiosamente ambos na freguesia de Campanhã, aqui no Porto. Como que a corroborar a opinião daquele sacerdote diremos que, antigamente, tanto o Alto da Bela, como o Monte da Bela dos nossos dias se chamavam Outeiro da Vela.
Com efeito, o topónimo de Monte da Bela, nada tem a ver com beleza mas, sim, com velar ou seja vigiar.
Sabe-se que por um documento de 1484, que se guarda nos arquivos municipais, que aos moradores de determinadas áreas do termo do Porto se ordenava que fossem fazer “a dita vela“, ou seja vigiar, estar de vela, para prevenir contra a aproximação do inimigo.

“No dia 27 de Abril de 1949, a câmara inaugurou a primeira fase do Bairro da Corujeira (mais tarde nomeado Bairro de S. Vicente de Paulo, situado no Alto da Bela, em Campanhã). O custo médio destas 148 moradias, pagas apenas pelo município, foi de 40 contos, para o tipo 1, e 53 contos, para tipo 2. O bairro de casas económicas do Estado foi construído por iniciativa da DGEMN, que acumulava experiência na construção desde 1934; as casas económicas da cidade, desde a construção dos bairros de Costa Cabral e S. Roque da Lameira, tinham o equipamento sanitário reduzido ao mínimo, as casas não estavam equipadas com banheira, por exemplo. Por outro lado, o custo de bairros de casas para pobres inclui a compra do terreno, a sua urbanização e todos os equipamentos necessários para serem habitados, já que a sua finalidade é o arrendamento. Nesta altura a câmara arrendava um total de 407 “casas para pobres”: Duque de Saldanha (115), Rebordões/S. João de Deus (144) e Corujeira (148). Estavam já em projecto as 162 habitações do bairro de Sobreiras (depois nomeado Rainha D. Leonor), situado na Quinta da Boavista. É assinalável que o investimento da câmara no bairro mais luxuoso da cidade, em regime de renda resolúvel, embora menor, seja aproximado ao dos empreendimentos de “casas para pobres”, conforme são designadas as habitações unifamiliares promovidas pela câmara dentro da filosofia prevista pelo regime. O bairro de Marechal Gomes da Costa, ao contrário dos bairros da primeira fase, não teve uma escola primária no miolo do agrupamento”.
In mestrado em História de Paulo Rogério de Sá Pinto Marques de Almeida

“Ângelo Coelho, conhecido por Lito é o terceiro de quatro irmãos e viveu os seus tempos de miúdo num bairro pobre de Campanhã.
Em 2007, as obras de demolição de São Vicente de Paulo começaram e foi aí que Ângelo soube que tinha de escrever as memórias do bairro social. “A minha mãe tinha-se mudado para um bairro ao lado e sempre que ia à janela, via as máquinas a triturarem as casas e a desfazerem-se delas”, conta, “Eu olhava para a minha mãe, via-a a chorar e disse: ‘Tenho de fazer qualquer coisa pelas pessoas do bairro'”. E o livro começou a formar-se, com o objetivo de gravar as memórias daquele lugar: as brincadeiras de criança, as dificuldades, as doenças.
“Memórias do meu bairro” é um livro que retrata, sobretudo, a realidade. As dificuldades que se viviam eram imensas: a fome, a miséria, as doenças. A tuberculose, que vitimou muita gente no séc. XX, é assunto no livro, bem como os maus-tratos e a violência doméstica, numa altura em que “era comum o homem bater na mulher”.
No entanto, as dificuldades eram quase que esquecidas, quando as crianças, se juntavam para brincar.
“No meio de toda a dificuldade havia de facto uma grande solidariedade entre as pessoas. As crianças, quando passavam na rua, faziam uma bola de trapos e tudo isso era esquecido momentaneamente”, lembra Ângelo. “As crianças eram pobres, mas ao mesmo tempo felizes e sonhavam. Esses sonhos, essa liberdade de sonhar e de pensar ninguém nos arrancava. 
In jpn.up/2014/07/04/


“O Bairro de S. Vicente de Paulo, situado na Freguesia de Campanhã, foi construído na década de 50. 
Inicialmente constituído por 18 fogos, num único bloco, e 201 habitações unifamiliares, presentemente existem 18 fogos, num único bloco.
Atualmente, residem neste Bairro cerca de 40 pessoas”.
In site www.domussocial/habitacoes/bairro-de-s.-vicente-de-paulo


Bairro da Corujeira - Ed. Boletim do GDE Mário Navega

Na foto acima, lá ao longe no centro da foto, pode ver-se o bairro de S. Vicente Paulo no Monte da Bela, na Corujeira.
Em 1º plano temos o campo de jogos de Ruy Navega, no começo da Rua de Benjóia ou Bonjóia.

Miradouro na Rua do Monte da Bela no bairro S. Vicente Paulo com o rio Douro lá ao fundo


Bairro de Casas Económicas Marechal Gomes da Costa 1947/50

“Agrupamento constituído por cento e oitenta e seis moradias unifamiliares, desenvolvido em terreno plano com traçado rectilíneo formando vários rectângulos distribuídos de forma simétrica, envolvendo três arruamentos principais de faixa dupla com alinhamento de árvores ao centro, as Ruas de Dom Luís Ataíde, de João de Barros e de Diogo do Couto, e vários arruamentos secundários longitudinais e transversais de largura considerável, ladeados alguns deles, por jardins e árvores.
As moradias eram destinadas a pessoas que fossem «chefes de família com idade entre os 21 e os 40 anos, empregados, operários ou outros assalariados, membros dos sindicatos nacionais, funcionários públicos, civis e militares, e outros operários dos quadros permanentes dos serviços do Estado e das Câmaras Municipais». O regime de propriedade era o de propriedade resolúvel, pelo qual os adquirentes pagariam uma prestação (nunca inferior a 240 meses). A prestação incluía além do pagamento da habitação ainda seguro de vida, de invalidez, de doença, de desemprego e de incêndio.
Os arruamentos têm nomes de personalidades dos Descobrimentos. Localizada a nascente, encontra-se uma praça arborizada e ajardinada onde foi colocado o marco comemorativo da inauguração do bairro e, posteriormente, a escultura Afonso de Albuquerque de Diogo de Macedo.
As tipologias habitacionais definem-se pelas casas com dois pisos, geminadas duas a duas, com diferente tratamento dos alçados consoante a respectiva classe e tipologia, com jardim e quintal que pode variar entre os cem e os duzentos metros quadrados.
O bairro económico Marechal Gomes da Costa foi o primeiro a ser contemplado com as categorias C e D, das tipologias dois e três, destinadas a estratos sociais mais altos, não sendo construídas habitações da classe A, para moradores de rendimentos mais baixos, mostrando a inflexão do regime no sentido de privilegiar a classe média e os funcionários públicos um dos principais suportes do regime. A área destas habitações varia entre os sessenta e quatro e os setenta e oito metros quadrados por piso, dependendo da tipologia. No interior todas as variantes dispõem de cozinha, despensa, escada, chaminé com lareira e casa de banho variando esta em número, dimensão e equipamentos de acordo com as várias classes. Ambas as classes dispõem de sala de estar e sala de jantar, tendo a classe D ainda um pequeno gabinete de estudo. Relativamente aos quartos, consoante a tipologia, o número pode variar entre dois e quatro para a classe B, e dois e cinco para as classes C e D, sendo um deles de recurso. Nestas variantes pode ainda existir vestíbulo, quarto de "criada" e respectiva casa de banho. Todas as divisões apresentam luz directa com excepção das casas de banho.
Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”

Casa na actualidade em Marechal Gomes da Costa


Na actualidade junto da Rua Diogo Couto


Na actualidade junto da Rua André Álvares de Almada


Marco das Moradias Económicas do Bairro Marechal Gomes da Costa

Vista aérea da zona do bairro de Marechal Gomes da Costa

O bairro de casas económicas de Marechal Gomes da Costa, faz a transição da 1ª para a 2ª fase do Programa de Casas Económicas no Porto.
Seguir-se-ão o da Vilarinha, o de António Aroso e o do Amial II fase, projectados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 33 278, de 24 de Novembro de 1943, que definiu a construção de mais duas classes C e D destinadas a estratos sociais mais alto.


Bairro de Casas Económicas de António Aroso

Este bairro localiza-se junto à Rua da Vilarinha.
Em 1955 são feitos os estudos de urbanização do agrupamento, elaborados pelo Serviço de Construções de Casas Económicas e em 1957 são executados os trabalhos de escavação para as fundações.
Por fim em Maio de 1958, o bairro, composto por 225 casas, está inaugurado.
Um Posto fiscal seria construído em 1960


Na Rua de Meixomil – Fonte Google maps


Junto à Rua Roriz e Rua Vermoim – Fonte Google maps


Bairro de Casas Económicas da Vilarinha

Começado a construir em 1958, à Fonte da Moura.


Bairro da Vilarinha – Ed. “gisaweb.cm-porto.pt”


Actualmente Junto à Rua Paredes e Rua Santo Tirso – Fonte: Google maps

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