segunda-feira, 15 de maio de 2017

(Continuação 9) - Actualização em 15/02/2018

2. Representante da Singer

Publicidade às "machinas de coser” Singer, em 1874

Em 1874 no Porto, a "agência" da Singer situava-se no número 10 da Rua de São Bento da Vitória.


Publicidade às "machinas de coser” Singer, em 1876

No Porto em 1876, a "succursal" da então designada "Companhia Fabril Singer" situava-se na Rua Formosa, números 355 e 357.



Publicidade à Singer na Rua Formosa


3. L. G. Carregosa


Fundada em 1833, a Casa Carregosa atravessou revoluções, crises e tumultos.
Quem desce a Rua das Flores, próximo da Rua Trindade Coelho, não consegue passar sem deixar de reparar na fachada que reveste a antiga sede da L. J. Carregosa & Companhia Limitada, embora a sede já tenha passado, entretanto, para a Avenida da Boavista.
Na terceira década do séc. XIX a firma L. J. Carregosa iniciou a sua actividade na cidade do Porto. Foi em plena guerra civil, durante as lutas liberais entre D. Pedro IV e D. Miguel I, que se ergueu por entre as ruas da cidade a casa financeira mais antiga da Península Ibérica, 13 anos antes da fundação do Banco de Portugal. 

Sede da L. G. Carregosa na Rua das Flores - Fonte: Google Maps


4. Casa Coração de Jesus

Situada na Rua Mouzinho da Silveira nº 302, começou em 1885 como loja de bordados em vestes litúrgicas e chegou a fornecer até a Sé Catedral de Goa, mas hoje vende de tudo o que são artigos religiosos.
Quando na década de 1950, Joaquim da Silva Melo, sobrinho-neto do fundador e actual proprietário da loja, deixou as antigas instalações na Rua do Corpo da Guarda, nas traseiras da actual loja, procurou manter a proximidade da Estação de São Bento, para estar a dois passos dos principais clientes, padres da província que chegavam ao Porto de comboio. Encontrou uma casa bancária que lhe cedeu a loja por 100 contos de réis.
A Casa Coração de Jesus tem como traço distintivo os santos em terracota, um processo milenar em que o barro é tratado, lavado e batido, passando de vermelho a cinzento, para a peça ficar com mais resistência.
São peças deste tipo e todo o enquadramento do espaço, com madeiras e vitrais e um corrimão a circular o primeiro andar que impressionam os turistas que entram na loja.

Casa Coração de Jesus - Ed. Diário de Notícias

5. Empresa Técnica Publicitária – Propagandas Caldevilla

“Raul de Caldevilla nasceu no Porto em 21 de Novembro de 1877 e faleceu em Agosto de 1951. Interessou-se por publicidade e ficou conhecido como o primeiro publicitário em Portugal.
Em 1912, fundou, na rua de 31 de Janeiro, n.º 165, a “ETP - Empreza Technica Publicitaria” de “Raul de Caldevilla & Cª, Lda” que se tornou empresa pioneira na utilização de publicidade exterior com recurso a cartazes de grandes dimensões”.
 In Porto Desaparecido

Mural das Propagandas Caldevilla na Rua de Sá da Bandeira em 1923 – Ed. Foto Guedes


Filho de um casal espanhol, Raul Caldevilla, é considerado o criador em Portugal do filme de publicidade, promovendo-a por via do cinema, abrindo assim, novos horizontes à sua prática, ao tornar-se produtor e realizador de documentários promocionais. Escreveu o argumento do primeiro filme de temática sobre o fado, realizado por Maurice Mariaud (O Fado - 1923).
Depois de abandonar a primeira sede da empresa na Rua de 31 de Janeiro, instala-se no nº 32 da Rua Formosa no palácio do Conde do Bolhão, a Raul de Caldevilla & Cia. Lda., que ficará conhecida por Caldevilla Film (1916).

Cartaz da Caldevilla de 1916


Cartaz da Caldevilla de 1916

6.1 Espelho da Moda

Rua dos Clérigos em 23/11/1908 aquando da visita do rei D. Manuel II – Fonte: Ilustração Portuguesa

“Fotografia que, pessoalmente, muito me diz. Vê-se a Rua dos Clérigos, em 1908, engalanada esperando a passagem do Rei D. Manuel II que acabava de chegar ao Porto em visita oficial. À direita vemos a casa Á Noiva onde em 1893, com 12 anos, o meu avô paterno, Francisco da Silva Cunha, entrou como moço de recados, ao tempo chamado marçano, e onde foi desempenhando de forma brilhante a sua profissão. Ascendeu a empregado de balcão, pondo gravata como era de tradição, e mais tarde a gerente da loja. Nesse tempo os empregados viviam na própria casa dos patrões, habitualmente no último andar onde se encontrava a cozinha e os quartos das criadas e dos empregados. Tendo-se apaixonado pela Menina Luísa, filha do Sr. Alves, o patrão, decidiu sair e lançar a sua própria casa de retalho em 1903. Deu conhecimento disso ao Sr. Alves, que aceitou e apoiou, pois via no seu gerente um homem sério e trabalhador. Foi assim que, em 1903, fundou no nº. 54 o ESPELHO DA MODA. Prometeu ao Sr. Alves que, assim que lhe apresentasse dois balanços com lucros suficientes para manter a sua casa, lhe iria pedir a mão da menina Luísa. Em 1905 casou com a minha avó, vindo a ter 3 filhos. Por alturas desta fotografia o ESPELHO DA MODA tinha 5 anos e não é visível por se encontrar tapado pelo eléctrico.
Uma curiosidade é verificar-se que nesse tempo, à inglesa, ainda se circulava pela esquerda, e só em 1928 o novo código mudou para o sistema continental de circulação pela direita”.
Com a devida vénia a Rui Cunha, In portoarc.blogspot

Espelho da Moda c. 1900 

Na foto anterior está à direita a “Loja das Alminhas” e à esquerda, a loja de confecções para criança “A Moda infantil”.


Fachada do “Espelho da Moda” no nº 54 em 1903


Fachada de 1928 a 1945

Fachada a partir de 1945 com projecto e decoração do Arquitecto Amoroso Lopes


Publicidade ao “Espelho da Moda” em Dezembro de 1960 – Fonte: Revista Orfeão (Orgão do Orfeão Universitário do Porto)

“Espelho da Moda” hoje ocupado pela “Parfois”

“À Noiva” e a evolução da sua fachada – Fonte: Rui Cunha, administrador do blogue “portoarc.pt”

Um outro estabelecimento comercial icónico da Rua dos Clérigos foi o “À Noiva” referido no texto acima pelo autor identificado, que é também, a fonte da foto anterior.



6.2 “Casa Forte” e “Lã Maria”

O denominado "quarteirão da Casa Forte" situa-se próximo do Mercado do Bolhão, sendo delimitado pelas ruas de Sá da Bandeira, Formosa e Bonjardim e Travessa do Bonjardim, compreendendo uma área com 28.500 metros quadrados, tendo sido previsto para ela um parque habitacional para 100 famílias e, ainda, a criação de áreas comerciais, com lojas nos pisos térreos, construção de um parque de estacionamento e de um hotel, num investimento de 27 milhões de euros.
Todo o conjunto vai manter as fachadas da Rua de Sá da Bandeira.
Naquele quarteirão à face da Rua de Sá da Bandeira ficava a Casa Forte e à A “Casa Forte” na Rua Sá da Bandeira, 261-281, ficava do lado oposto aos bazares Paris e Londres (agora uma loja de telemóveis) mas, um pouco mais acima.
A velha Casa Forte fechou em 2004. É uma memória de um Porto de outros tempos, mais propriamente desde a década de 20 do século XX, dedicando-se ao comércio de confecções e vestuário, e de malas e carteiras.
A Casa Forte, "forte nos sortidos, fraca nos preços" (era o slogan), chegou a abrir uma outra loja, mas de artigos de desporto e campismo, na Travessa da Rua Formosa (ligava a Rua de Sá da Bandeira à Rua Formosa), próxima da loja mãe.
Um outro estabelecimento de nome “Lã Maria” era uma espécie de “tem tudo para o lar”, e ainda com um grande sortido de lãs, numa altura em que os centros comerciais e as grandes superfícies eram uma miragem, acabaria por ficar no imaginário de muitos portuenses, tendo pertencido a uma família conhecida da cidade – Os Aires Pereira.
De comum tanto a Casa Forte como a “Lã Maria” tinham traseiras para a Travessa da Rua Formosa, já extinta.

“Casa Forte” secção de campismo, à esquerda na Travessa da Rua Formosa – Ed. “carlaeangelo.blogspot.pt/”



Travessa da Rua Formosa – Ed. J Portojo

Na foto acima observa-se a entrada da Travessa da Rua Formosa, já entaipada, e à direita, já encerradas, as instalações da Casa Forte que iam até à Ourivesaria do Bolhão situada na esquina das ruas de Sá da Bandeira e Formosa.

Na esquina era a Ourivesaria do Bolhão a que se seguiam as diversas lojas da “Casa Forte”- Ed. “portosombrio.blogspot.pt”


À direita na área do taipal era a fachada da “Lã Maria”


A fachada do prédio abandonado desde do fim da década de 70 do século XX dos “Armazéns Lã Maria”, seria alvo de uma derrocada em 5 de Outubro de 2009, pelas 23 horas.

Derrocada do prédio já abandonado da “Lã Maria”, à direita – Ed. Álvaro Vieira; Jornal Público


“Ali mesmo, junto a Sá da Bandeira, em frente ao palacete do Conde do Bolhão, o que resta há uns largos meses do que já foi uma das lojas que atraía muita gente à rua Formosa.
No primeiro andar existiam, nos anos sessenta consultórios médicos, entre os quais o do Doutor Celestino Maia. 
Ah! o nome diz-vos qualquer coisa, bem me parecia. Talvez o nunca tenham visto mas era o autor do livro de Geologia que se usava no ensino liceal a partir do terceiro ano, se não me engano. Também era o médico das Caldas do Gerez. 
Como ainda tenho algumas recordações deste médico e professor, aqui hei-de deixar mais algumas linhas mais tarde.
Sobre a "Lã Maria" tenho a impressão que nunca lá entrei, mas há sete ou oito anos encontrei um antigo empregado desta casa comercial que me contou que nas caves do dito edifício existiam longas passagens subterrâneas que levavam a um rio subterrâneo. Será verdade? Será aquele ribeiro que descia ali pela rua do Bonjardim, que passava perto da Cancela Velha?”
Com a devida vénia a Teo Dias, administrador de “ruasdoporto.blogspot.pt” (4 Novembro de 2012)


6.3 CAFEZEIRO

Trata-se de uma loja tradicional que comercializa cafés na Rua Augusto Rosa nº 40, fundada em 1934, cujo proprietário em 2013 era o Senhor Fernando Braz.

Entrada do Cafezeiro – Ed. Carlos Pereira

Interior do Cafezeiro – Ed. Carlos Pereira




7. BAZARES

Gravura do Bazar dos 3 Vinténs

O Bazar dos Três Vinténs situava-se na Rua de Cedofeita, nºs 88-96 e dispunha de um catálogo de novidades anual, com os preçários dos artigos à venda. 
Abriu na década de 80 do século XIX e encerraria portas na década 80 do século XX.
No catálogo de 1952 e de 1953 contém um artigo designado ” O Pequeno Jardineiro” que a descrição se assemelha às construções de brinquedos feitos em cartão.
Foi um bazar de referência na cidade a par do Bazar do Porto e são ambos desaparecidos.

Bazar dos Três Vinténs, In site: “amaieurope.org”

O painel de azulejos representando o Pai Natal, que se observa na foto acima, foi produzido na Fábrica do Carvalhinho.

“Por mera curiosidade diga-se que na Rua de Santa Catarina, encontra-se um painel de azulejos publicitário alusivo à casa Luiz Soares, na fachada de um prédio. Os dois painéis de azulejos contêm a assinatura da Fábrica do Carvalhinho. O azulejo referente à casa Luiz Soares data de 1918.
Desconhece-se a época precisa em que este estabelecimento esteve aberto.
Entre outros, na década de 50 do século XX existiam os seguintes bazares: Bazar Económico; Bazar Esmeriz na Rua dos Clérigos, 70; Bazar Ideal; Bazar Invicta; Bazar Londres na Rua de Sá da Bandeira; Bazar de Paris, na Rua Sá da Bandeira; Grande Bazar do Porto na Rua Santa Catarina em frente ao Hotel do Porto; Casa Ametista, na Praça dos Poveiros”.
Com a devida vénia ao administrador do blogue, “amojogos.wordpress.com”


O Grande Bazar do Porto ficava na Rua de Santa Catarina em frente ao Grande hotel do Porto.
Do começo do séc. XX era este bazar, frequentado especialmente pela alta burguesia. Vendiam uma variedade enorme de artigos para além de brinquedos: perfumarias, artigos de viagem e de desporto, autopianos e gramafones e respectivos discos e rolos.
As passagens de Ruben A. (Andresen) por este bazar ficaram célebres, pela obra “O Mundo à Minha Procura”.


Painel de Azulejos do Grande Bazar do Porto

Painel de azulejos do Grande Bazar do Porto - Ed. MAC

Painel alusivo ao Grande Bazar do Porto de Luís Soares - Ed. MAC


Publicidade em 1926 - Ed. Cinemateca

No século XIX um italiano chegado como refugiado ao Porto, ficaria ligado para sempre ao comércio do brinquedo e ao Bazar Paris, da Rua de Sá da Bandeira.
A propósito do Novo Bazar Paris, por ele aberto e do Bazar Paris, já existente à data, ambos na Rua de Santo António, se transcreve um interessante texto sobre o tema.

“Por volta de 1880, um imigrante chamado Fassini, tornado indigente pelas guerras em Itália, de que fugira com toda a família, chega ao Porto.
Numa primeira fase, Júlio e Maria Fassini, com as duas filhas, Frederica e Angelina, viveriam da mendicidade, percorrendo as ruas do Porto com o seu realejo, que tocava melodias de óperas italianas. Depois Júlio Fassini inicia-se na venda ambulante de brinquedos de barro dourado, que depressa despertam a atenção dos que o observam pelas ruas. Mas é o visconde de Gândara que altera o destino da família, proporcionando a Fassini meios para criar uma casa comercial na Rua de Santo António (a actual Rua 31 de Janeiro), onde acabou por ser instalado o Novo Bazar de Paris, concorrente directo do Bazar de Paris, de José Cierco, já existente na mesma rua. A nova loja conquista para a cidade o universo mágico do brinquedo moderno, que atraía então as multidões, e em particular a burguesia portuense…
A singularidade dos brinquedos importados, em que assenta a ideia de Fassini e o investimento do visconde de Gândara, depressa faz prosperar o negócio, de tal modo que em pouco tempo se inaugurara um segundo bazar, na Rua Sá da Bandeira. 
Sobre os Fassini hoje pouco mais se sabe além de que vendeu em 1903 à família Vilas-Boas o bazar da Rua de Sá de Bandeira, que ainda hoje existe na mesma morada no nº 190 e é considerado o bazar de brinquedos mais antigo do país. Também se sabe a partir de testemunhos escritos da época que Júlio Fassini terá regressado rico à Itália natal, onde terá morrido, de novo na miséria. A filha mais velha, Frederica, falece em Milão e a mais nova, Angelina, em Portugal, pouco depois do Natal de 1914. 
Independentemente do destino posterior dos empreendimentos dos Fassini no Porto, o legado da família ao imaginário colectivo portuense é precioso”.
Sérgio Costa Araújo, In IONLINE em 25/12/2013

Bazar Paris

Na foto acima c. 1960, o Bazar Paris na Rua de Sá da Bandeira, que ainda hoje tem as suas portas abertas.

Publicidade ao Novo Bazar de Paris – Site: todocoleccion.net


Bazar Londres

À direita da foto acima, pegado ao Bazar Paris, está o Bazar Londres que entretanto já encerrou, e hoje é uma loja Vodafone.
Sobre o Bazar Esmeriz que ficava na Rua dos Clérigos nº 74, dá-se conta a seguir, de testemunho do quão grande era o fascínio que as lojas de brinquedos tinham sobre as crianças…e não só!

“Uma montra de estarrecer; recordo com grandes saudades esta casa onde tantas vezes, em criança, passava largo tempo olhar a montra. 
Sendo que meu pai era um dos sócios do Espelho da Moda, no 54 dos Clérigos, muitas vezes tive a oportunidade de me deslumbrar com os maravilhosos brinquedos do 74… Tinha algum acanhamento em entrar, pois era conhecido dos empregados. 
Por vezes a D. Maria Esmeriz, uma senhora de uma educação esmerada e porte elegante e agradável, vinha à rua, pegava na minha mão convidava-me para entrar. Aí passava largo tempo a apreciar as centenas de brinquedos num deslumbramento total. Eram os carrinhos, os triciclos, os bonecos, enfim toda uma variedade de atracções que me levavam a sonhos maravilhosos.
Esquecia-me do tempo…
Mais que uma vez algum empregado do Espelho da Moda lá ia perguntar se ali estava… e eu estava mesmo”.
Rui Cunha, In “portoarc.blogspot”


Bazar Esmeriz – Ed. Google maps

Na loja com o toldo preto da foto acima, à esquerda, era o Bazar Esmeriz no nº 74 da Rua dos Clérigos.
A Casa Ametista era um bazar situado na Praça dos Poveiros.


Publicidade à “CASA AMETISTA” à Praça dos Poveiros nº 189, em Dezembro de 1960  – Fonte: Revista Orfeão (Orgão do Orfeão Universitário do Porto)


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