quinta-feira, 4 de maio de 2017

(Conclusão)



Em meados do século XIX seria inaugurado o serviço ferroviário na ligação entre as duas principais cidades do reino, de que narram os textos seguintes:

“Em 1845 o governo de Costa Cabral criou uma companhia com a finalidade de fazer uma linha férrea entre Lisboa e Porto. Mas só em 1852 Fontes Pereira de Melo deitou mão firmes para essa realização, criando a Companhia Central Peninsular de Caminhos de Ferro. Em 1856 a linha chegou ao Carregado. Na ida este primeiro comboio real, que transportava D. Pedro V, demorou 40 minutos a fazer a viagem, mas na volta a máquina avariou e demorou 2 horas! Pelos vistos as máquinas compradas eram já muito usadas e velhas. 
O chiste que correu foi que o opíparo banquete servido no Carregado tinha sido tão pesado que as máquinas não aguentaram. 
Daí até Gaia, 7/7/1864, houve grandíssimas dificuldades técnicas, mas sobretudo financeiras, chegando-se ao ponto de a companhia ter aberto falência. 
Foi criada a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses que terminou o percurso.
Os bilhetes entre Lisboa e Devesas custavam de 6$000, 4$670 e 3$330 reis da primeira à terceira classe.
Os passageiros que alugassem um trem entre a Praça D. Pedro e Devesas pagavam 200 reis, e da Ribeira somente 120 reis.
A viagem demorava 14 horas o que foi uma grande redução em relação à anterior Mala-Posta que levava 34. Saía de Lisboa à 8h e chegava ao Porto às 22.
O comboio parava em Coimbra, às 16 horas, o tempo suficiente para se almoçar e bem, segundo a opinião de clientes.
Só em 1886 foi criado o primeiro expresso que demorava 8 horas!”
Fonte : portoarc.blogspot




O caminho-de-ferro era inaugurado em Portugal em 1856, entre Lisboa e o Carregado, mas só em 1864 ficaria concluída a Linha do Norte.
De Santa Apolónia até Gaia, demorava-se na altura 14 horas de viagem. Um autêntico feito, comparado com os vários dias que demorava a antiga mala posta. O caminho-de-ferro acabava na margem esquerda do Douro e só 13 anos depois se vencia o "temível fosso daquele rio" com a construção da Ponte de D. Maria, que permitia, enfim, ao comboio chegar ao centro da Invicta.
Até lá, as primeiras composições partiam de Lisboa às 9h15 e chegavam a Gaia às 23h20. Em sentido contrário, saía-se da estação das Devesas às 5h00 da manhã e descia-se em Santa Apolónia às sete da tarde. Um dia de viagem, sim, mas com paragens para se tomar as refeições no Entroncamento e na Pampilhosa.
Em 1899, a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses inaugura os "rápidos" entre Lisboa e Porto que passam a fazer os cerca de 300 quilómetros entre as duas cidades em apenas sete horas. Uma nova melhoria do serviço ocorre em 1911, com a compra de locomotivas alemãs, capazes de circular a 120 km/hora e que reduzem o percurso para cinco horas e meia”.
In Público de 2/9/2006; Fonte: “portoarc.blogspot”


Estação de Gaia, Devesas – Fonte: “restosdecoleccao.blogspot”

“Até à construção da Ponte Maria Pia, durante 13 anos, os passageiros e mercadorias saíam na Estação de Gaia, Devesas, seguindo para o Porto por diversas formas. Os mais pobres vinham a pé e os que podiam alugavam um trem ou tinham o seu próprio veículo esperando. Atravessavam a Ponte D. Maria II, pênsil. Porém, algumas pessoas preferiam atravessar o rio de barco por razões várias, entre elas o custo”.
Fonte: portoarc.blogspot

“(...) A evolução dos transportes e vias de comunicação terrestres sofreu uma significativa evolução durante o início do séc. XIX com o aparecimento dos caminhos-de-ferro, em Inglaterra. 
Em Portugal, o primeiro troço ferroviário foi inaugurado no ano de 1856, ligando Lisboa e o Carregado e tornava-se importante continuar a via-férrea até à cidade do Porto. Para isso o Porto precisava de uma estação ferroviária. Após algumas opções falhadas, optou-se por construir a estação em Campanhã, entre a zona de Godim e da Quinta do Pinheiro. Devido à sua localização a estação ferroviária ficou conhecida como Estação do Pinheiro e o primeiro comboio que circulou a norte do Douro português partiu daí em direcção a Braga a 20 de maio de 1875. Dois anos mais tarde seria inaugurada a Ponte Maria Pia, permitindo assim a ligação por via-férrea entre o Porto e o centro e sul do país. Revestida de grande importância para a cidade e também para o seu comércio e indústrias, a Estação do Pinheiro viu essa importância diminuir devido ao seu afastamento do centro da cidade, que “obrigou” à construção da Estação Central de São Bento. Ainda assim, na entrada do séc. XX e agora já conhecida por Estação de Campanhã, acompanhou a evolução tecnológica e industrial, foi-se mantendo uma estação moderna, com ligação internacional a Espanha e foi ponto de chegada, partida, ou passagem de figuras importantes da História nacional. Além disto, também foi local de armazenagem e controlo de produtos e mercadorias, local de fabrico e arranjo de material circulante com as suas oficinas e os seus ferroviários deram mesmo origem em 1930 a um grupo desportivo. Mais tarde, na década de 1960 a electrificação da linha permitiu que comboios mais eficazes e menos poluentes pudessem circular pela estação. De Campanhã havia ligação de comboio às Linhas do Minho, Douro, ligação a Leixões, ligações de longo curso para o centro e sul, ligações concelhias a São Bento e à Alfândega e ligações à Galiza. 
Na entrada para o séc. XXI a Estação de Campanhã, integrou a rede do Metro do Porto recebendo uma estação metropolitana e permitindo, entre outros, a ligação ao aeroporto. Ao longo dos seus 140 anos de história esta Estação soube resistir ao tempo e a uma localização “afastada”, dinamizou uma região, viu a sua importância crescer e serviu a cidade e o país, sempre acompanhando a evolução a diversos níveis. Foi e é um importante ponto de ligação entre locais e pessoas e é actualmente a mais importante estação ferroviária do Norte de Portugal”. 
In Arquivo Municipal do Porto; Fonte: “portoarc.blogspot”

Estação de Campanhã em 1896 – Desenho de R. Christino – Fonte: portoarc.blogspot 



Gare da Estação de Campanhã em 1900 - Fonte AHMP


Caixa de correio

No dia 15/9/1897 inaugurou-se o primeiro serviço de venda de selos e de recepção da última hora, na gare da Estação de Campanhã. 
A correspondência para o norte, desde que fosse colocada nos receptáculos para o fim colocados na gare, até 5 minutos antes da partida dos comboios, seguiria no mesmo dia para os seus destinos. 


Estação de Campanhã em 1900 – Ed. Arnaldo Soares

Estação de Campanhã na actualidade – Fonte: portoarc.blogspot

Outras ligações entre o Porto e outros destinos foram-se instalando como por exemplo o caminho-de-ferro do Minho e Douro.
Esta ligação ficaria célebre, entre outros factos, por um acidente nela ocorrido que envolveu uma personalidade conhecida, e que é narrado a seguir.

“Camilo tomara o comboio n.º 4, descendente, em Vila Nova de Famalicão, com destino ao Porto. O comboio em que viajava descarrilou entre as estações de São Romão e Ermesinde. Eram 4 horas e 50 minutos do dia 11/10/1878. Camilo ficou ferido na cabeça e na perna direita. Ele, para sair da situação crítica em que se encontrava e quando a asfixia era quase completa, rompeu a portinhola que lhe servia de tecto e conseguiu desta forma libertar-se. «Estou sofrendo mais dos nervos que das feridas…» - exclamou”.
Fonte: “portoarc.blogspot”

Desenho sobre o desastre ferroviário vivido por Camilo

O desenho acima foi feito por “Alberto” a partir de uma fotografia de M. Talbot e o desastre ocorreu em 11 de Outubro de 1878 já perto de Ermesinde, quase a chegar a Contumil.

Estação de Contumil em 1984 (desaparecida)


Carruagem de 2 andares na Estação de Nine (Linha do Minho) – In portoarc.blogspot

Estação de Famalicão na linha do Minho


Estação Ferroviária de Famalicão

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