segunda-feira, 16 de outubro de 2017

(Continuação 26) - Actualização em 10/01 e 11/10/2019 e 17/01/2021



Solar dos Correia Montenegro (demolido)


Este solar situado na Sé foi dos Correia que, mais tarde, seriam condes de Castelo de Paiva.



Solar dos Correia Montenegro



Solar dos Correia com a Rua Escura a desenvolver-se no centro da foto



Solar dos Correia observado da Calçada de Vandoma



Localização do Solar dos Correia (1) e do Aljube (2), na Planta de Telles Ferreira (1892)



Solar dos Correia


Na foto anterior está o Solar dos Correia em 1951, na confluência da Rua Chã com a Rua Escura. Ao fundo, à direita, é possível observar as torres da Câmara e da igreja da Trindade. 
O brasão heráldico exposto na fachada exibia o timbre dos Correias e as armas dos Coutinhos, dos Pintos e dos Correões.
Com antecedentes arquitectónicos dos séculos XIV e XV, no século XVIII era seu proprietário Pedro Correia de Azevedo Montenegro.
O vínculo haveria de passar Martinho José Pinto de Vasconcelos de Miranda Montenegro e para os seus descendentes.
Os últimos proprietários da Casa dos Correias foram os descendentes de Bernardo Miranda Montenegro que casara, em 1852, com uma filha do conde de Arronchela.
Quando foi demolido este solar todas as pedras foram numeradas para ser erguido noutro local… até hoje.






Palacete de Júlio Costa
 

António Júlio da Costa foi um empresário e capitalista, nascido em 1855, na Vila de Chacim e falecido em 13 de Abril de 1913.
O projecto do palacete situado na Avenida da Boavista, nºs 2483-2521, é de 1907.

 
 
Desenho de muro de vedação e portões de acesso ao jardim do Palacete de Júlio Costa, anexo a pedido de licenciamento de 1909 – Fonte: AHMP

 
 

Construção do Palacete, na Avenida da Boavista, de António Júlio da Costa, na foto acompanhado por Hugo da Paz dos Reis e a irmã, Hilda Reis – Fonte: Centro Português de Fotografia


Na foto acima, o palacete que se observa é o da família Gilbert e o pinheiro é o tal famoso “Pinheiro Manso”.
O palacete de Júlio Costa situava-se, em frente, no outro lado da Avenida da Boavista, em terreno onde estão as pessoas que se deixaram fotografar.




Palacete de Júlio Costa
 
 
 

Palacete de Júlio Costa, em 2009 – Fonte: Google maps
 
 
 

Palacete de Júlio Costa, em 2021 – Fonte: Google maps










Esta moradia (que praticamente já não existe) ficava na Avenida Marechal Gomes da Costa, nº 1103, na artéria que já foi Avenida do Gama.
Estava situada no gaveto daquela avenida e da Rua Fernão Lopes de Castanheda, tendo sido inspiração do mesmo arquitecto dos Armazéns Frigoríficos em Massarelos – Januário Godinho (Almeida).
Presentemente, parte da moradia foi aproveitada para dar lugar a um projecto que contempla um condomínio habitacional de luxo, e no qual foram aproveitados alguns (poucos) elementos arquitectónicos da construção primitiva.
Daniel Maria Vieira Barbosa (Porto, 13 de Julho de 1908, Cascais, 12 de Maio de 1986), conhecido como Daniel Barbosa, licenciou-se em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto em 1935, onde foi professor.
Transfere-se, em 1952, para o Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa para chefiar, como professor catedrático, o ensino da Economia. Foi ainda ministro de Salazar em 1947-48 (Ministro da Economia apelidado do “Barbosa das Farturas”) e Ministro da Indústria e Energia (1974), no governo de Marcelo Caetano.



Casa Daniel Barbosa (obra de 1936) em 2015



A moradia pertenceu, portanto, ao Prof. Daniel Barbosa e teve licença de construção nº 295/1936, de 3 de Março.
O primeiro registo de propriedade é de 1956.
Em 1967, passou para as mãos da Associação Rainha D. Beatriz - uma associação de solidariedade social.
Em 1979, por Portaria, o imóvel foi integrado no Centro Distrital da Segurança Social do Porto.
A partir do início dos anos 80 do século passado, a moradia ficou conhecida de inúmeros portuenses, pois, lá se apresentaram a “Juntas Médicas” do “Núcleo de Verificação de Incapacidade”.
Em 2014, ao abrigo do Decreto-Lei nº. 112/2004, de 13 de Maio, o imóvel transitou para o Património do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, IP.
Em 2015, através de “Concurso de Alienação de Imóveis”, o imóvel foi vendido.
Durante o ano de 2019, um condomínio de luxo começaria a ser implantado no local da moradia.
Diga-se, em complemento, que a Associação Rainha D. Beatriz foi constituída em 1964 e viu os seus primeiros estatutos aprovados por Despacho Ministerial de 15 de Junho de 1964, publicado no então Diário do Governo nº 150, 3ª Série, de 27/06/1964.
A Associação Rainha D. Beatriz, hoje sita na Rua da Cerca 388 (à Foz Velha), tem acordo de cooperação com o Instituto de Segurança Social, funcionando como um lar para 31 idosas.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

(Continuação 25)



Edifício Parnaso

O Edifício Parnaso, no Porto, projectado pelo arquitecto José Carlos Loureiro em 1954, por iniciativa do seu proprietário, o compositor Fernando Corrêa de Oliveira, foi edificado em 1956 e está classificado como monumento de interesse público.
Viria a servir de modelo ao seu vizinho, onde está actualmente instalado o Museu Marta Ortigão Sampaio, sendo que esta era irmã de Feliciana, casada com Fernando Corrêa de Oliveira.
Situado na freguesia de Cedofeita, no gaveto das ruas de Oliveira Monteiro e Nossa Senhora de Fátima, este edifício de habitação, comércio e serviços, que deve o seu nome à Escola de Música Parnaso que aí funcionava (no rés-do-chão), é um importante exemplar da arquitectura moderna portuguesa.
Segundo a portaria de classificação publicada em Diário da República o Parnaso "é já uma referência na história da arquitectura portuguesa, concretizando com elevada qualidade artística e construtiva os princípios da arquitectura modernista, da Carta de Atenas e da Organização dos Arquitectos Modernos, de que o autor foi membro activo".
A mesma portaria destaca "o domínio das escalas, a utilização de volumes simples que se articulam de forma harmoniosa e a qualidade plástica global". Loureiro, que nasceu em 1925, conseguiu com "talento" que o edifício mantivesse "um generoso afastamento em relação à via pública", criando "um espaço de desafogo" e impondo simultaneamente "uma presença marcante no cenário urbano".
José Carlos Loureiro, natural da Covilhã, um dos decanos da arquitectura em Portugal, hoje com 92 anos, é também autor do Pavilhão Rosa Mota, nos Jardins do Palácio de Cristal e, entre muitos outros projectos seus de relevo, estão: a estação fronteiriça de Valença, a Capelinha das Aparições em Fátima, a Torre Hotel D. Henrique, etc.
Todo o seu acervo profissional foi por si doado, à Fundação Marques da Silva, à Praça do Marquês.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

(Continuação 24)

21.25 Palacete de Júlia Lopes Martins (esposa do arquitecto Marques da Silva) e Casa-Atelier de Marques da Silva


Palacete de Júlia Lopes Martins, ao Marquês - Fonte: Google Maps



“O edifício data da década de setenta do século XIX. Mandado construir por Narciso José da Silva, tornou-se posteriormente propriedade da família Lopes Martins, à qual pertence D. Júlia Lopes Martins, mulher do arq.to José Marques da Silva que, entre 1906 e 1909, projeta a remodelação de alguns dos seus espaços. Apesar desta intervenção, tendo sido habitado pelo próprio arquiteto desde 1943 até à data do seu falecimento, em 1947, e pelos seus descendentes até 2002, continua, ainda hoje, enquanto sede da Fundação Marques da Silva, a preservar, no essencial, as características construtivas e funcionais presentes em 1886, altura da sua compra por parte da avó de D. Júlia, D. Catarina Lopes Martins”.
Fonte: “fims.up.pt”




Acesso ao Pavilhão do Jardim do palacete – Fonte: “fims.up.pt”



“No início do século XX José Marques da Silva (1869-1947) habitava num andar do inovador Edifício plurifuncional (comércio, escritórios e habitação) que projectara para a Rua das Carmelitas, no Porto.
O casamento com Júlia Lopes Martins, o conforto material e a preservação da contiguidade patrimonial terão conduzido à decisão de projectar e construir a sua casa (1909) no terreno que a família da sua mulher dispunha ao lado do seu palacete, na Praça do Marquês de Pombal e adquirido pela família Lopes Martins, em 1886.
(…) Em 1914, Marques da Silva já se encontra definitivamente instalado na casa-atelier, sendo este o local onde se regista o nascimento da sua filha Maria José Marques da Silva. Para além de cumprir o desígnio de habitação familiar, a casa-atelier, acolherá muitos dos arquitectos das gerações seguintes não só como espaço de aprendizagem, mas também de cruzamento de distintas experiências profissionais. Os últimos anos de vida de Marques da Silva serão, no entanto, passados no palacete. Em 1943, com o falecimento da tia de D. Júlia, o casal assegura a posse da totalidade do terreno, evitando a fragmentação do conjunto habitacional. Para a casa-mãe, Marques da Silva concebera, entre 1906 a 1909, um projecto de remodelação da sala de jantar, fazendo executar, entre outras intervenções, um impressivo mobiliário, de gosto historicista, mas as características construtivas e funcionais do palacete serão mantidas desde o momento, em que ele é adquirido pela família Lopes Martins, em 1886, até à actualidade”.
Fonte: “fims.up.pt”


Casa-Atelier de Marques da Silva ao Marquês - Fonte: “fims.up.pt”



“A Fundação Instituto Arquitecto José Marques da Silva (FIMS) foi instituída pela Universidade do Porto e tem como missão a promoção científica, cultural, formativa e artística do património arquitectónico de José Marques da Silva, inserida no contexto do seu tempo e aberta à cultura moderna de que foi precursora.
Sedeada na própria Casa-Atelier do Arquitecto e no contíguo palacete da família Lopes Martins, e ocupando ainda um pavilhão existente no seu extenso jardim, a FIMS alberga um diversificado conjunto documental que inclui, para além do arquivo profissional do arquitecto Marques da Silva, os arquivos da sua filha e genro, os arquitectos Maria José Marques da Silva e David Moreira da Silva”.
Fonte: “fims.up.pt”

terça-feira, 10 de outubro de 2017

(Continuação 23) - Actualização em 23/01/2019



António Pimenta da Fonseca, proprietário da Companhia de Fiação de Crestuma, que sucedeu a seu pai, José Moreira Pimenta da Fonseca, desde o seu falecimento em 1920, à frente daquela importante unidade industrial e que, é, ainda, parceiro de Arnaldo da Rocha Brito, como arrendatário do Teatro Sá da Bandeira, na década de 1910, foi quem viria a iniciar, no início do século XX, a construção do icónico edifício da Rua de Santa Catarina e que, hoje, alberga uma unidade hoteleira, no n.º 1347.
Em 1933, por portaria do Ministério da Instrução Pública assinada por Gustavo Cordeiro Ramos, então ministro da Instrução Pública, António Pimenta da Fonseca, já comendador, veria o seu nome ser atribuído a uma escola de Lever por deliberação em Conselho de Ministros de 28 de Janeiro de 1933.


“ (…) tendo o comendador António Pimenta da Fonseca prestado relevantes serviços à escola de ensino primário elementar da freguesia de Lever, concelho de Vila Nova de Gaia”.
Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”


“A origem do Castelo Santa Catarina tem início com uma história que remonta ao ano de 1887, altura do seu primeiro registo predial, quando se dá início, numa primeira fase, à construção da capela privativa em honra de Nossa Senhora da Conceição, sendo o Torreão construído posteriormente.
Este edifício foi mandado edificar pelo Comendador António Pimenta da Fonseca, ilustre industrial têxtil de reconhecimento internacional.
O Comendador decidiu construir este espaço para habitação privada familiar, tendo também o intuito de receber os seus convidados e ostentar o seu poderio económico-social.
Rodeou-se dos melhores artífices da época de modo a que o produto final fosse de uma tal beleza que motivasse a admiração profunda de quem o visitasse. Nesta casa o Comendador viu nascer a sua filha e assistiu ao infortúnio da morte da sua esposa.
Continuou a habitar a sua residência e aqui casou pela segunda vez. Após o seu falecimento, a sua esposa e a filha do primeiro casamento não se entenderam em relação às partilhas e decidiram retirar todo o espólio existente, quer na Capela como no Torreão, deixando o Castelo de Santa Catarina vazio e abandonado durante longos anos.
Em 1969, Joaquim Teixeira Brás, empresário hoteleiro, vendo uma oportunidade única de exploração deste magnífico espaço e reconhecendo nele características ímpares para o tornar num hotel de 5 estrelas, decide adquiri-lo.
A transformação em hotel de 5 estrelas nunca viria a acontecer, por motivos que lhe foram alheios, nomeadamente os tempos conturbados da época da revolução de abril de 1974 e anos subsequentes. Não desistindo da ideia de abrir o Castelo à cidade, decidiu abrir o espaço como Residencial, chamando para seu lado o seu filho, João Brás.
Não foi fácil manter um espaço com tanta história, preservando-o e adaptando-o às exigências dos tempos modernos. Este esforço foi reconhecido pela Cidade do Porto, que classificou o Castelo de Santa Catarina como Edifício com Interesse Patrimonial e Arquitetónico.
Joaquim Teixeira Brás faleceu subitamente em 1999, deixando nas mãos do seu filho a tarefa de continuar o que seu pai tinha iniciado. Em 2008, João Brás tornou-se o legítimo proprietário do edifício”. 
Fonte: “castelosantacatarina.com.pt”



Aguarela - Fonte: “castelosantacatarina.com.pt”


Esta propriedade parece ter sido também pertença de Luciano Simões de Carvalho, que foi presidente da Câmara do Porto em 1837 e 1838, e tem o seu nome ligado ao cemitério do Prado do Repouso, pois, quando foi doado o respectivo terreno pelo bispo do Porto, ele desempenhava aquelas funções na edilidade portuense e, ainda, à abertura da Rua Gonçalo Cristovão. 
Existem em documentos, referências a um portão vindo do convento das carmelitas, que foi aqui instalado, na então chamada Quinta do Castelo, sita na Rua Bela da Princesa, que tinha como proprietário Luciano Simões de Carvalho.
Esse portão, com gradaria de ferro, dava acesso a um pátio situado a Sul, à face da Rua das Carmelitas, de servidão geral, e teria sido retirado quando houve necessidade de fazer um novo alinhamento da Rua das Carmelitas, sendo vendido em hasta pública.



O Castelo de Santa Catarina em 2009 - Ed. arquitecto Nelson Miguel; Fonte: doportoenaoso.blogspot



O Castelo da Rua de Santa Catarina e a Torre de Belém - Ed. doportoenaoso.blogspot

“A Torre de Belém foi o modelo do Castelo da Rua de Santa Catarina, nas suas variações românticas e neomanuelinas do século XIX… “
Fonte: doportoenaoso.blogspot 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

(Continuação 22) - Actualização em 27/01/2021 e 25/04/2021



Este solar fica situado na Rua Azevedo Albuquerque, antiga Rua dos Fogueteiros, onde está, actualmente, a Cooperativa Árvore.
Trata-se de uma casa caracteristicamente nobre, que exibe por cima da porta uma pedra de armas identificadora da família proprietária e que foi seriamente atingida pelos bombardeamentos ocorridos durante o Cerco do Porto, obrigando a “Roda dos Expostos” que a ocupava na época, a trocá-la por outras instalações na Rua de Cedofeita.




Solar dos Albuquerques




A Casa das Virtudes foi construída em 1767 pelo Capitão José Pinto de Meireles, Cavaleiro da Ordem de Cristo, Capitão-mor de Rebordães e senhor da Quinta de Manguela, próxima de Santo Tirso, de onde era natural.
José Pinto de Meireles vem para o Porto e adquire os terrenos onde hoje se localiza a casa e a quinta e, em 1756, casa-se com Dª Francisca Clara de Azevedo Pinto Aranha e Fonseca.
Do enlace o filho Joaquim Pinto de Azevedo Meireles casaria com Maria Clara de Azevedo Albuquerque, oriunda de uma família nobre da Beira Alta, cujo descendente e neto, Joaquim de Azevedo Sousa Vieira da Silva Albuquerque, acabaria por dar o seu nome à rua, inicialmente, a Rua dos Fogueteiros.

 
 
“A monumental pedra de armas, que coroa a porta de entrada, é um sinal que aquela família era poderosa. A pedra de armas é barroca e o escudo partido apresenta os brasões dos Pintos (cinco crescentes) e dos Meireles (cruz de Avis), armas concedidas por D. José em 1758.
Entre 1826 e 1834 esteve aí instalada a “Roda dos Expostos”, vinda da Rua dos Caldeireiros, onde se encontrava desde 1685. 
Em 1839 nasce, nesta casa, a insigne figura do Professor Joaquim de Azevedo Sousa Vieira da Silva Albuquerque (1839-1912), Engenheiro de Pontes e Estradas, Professor do Liceu do Porto e da Escola Politécnica do Porto, bisneto de José Pinto de Meireles. Esteve ligado à revolta do 31 de Janeiro de 1891. A ele se deve o nome da Rua de Azevedo Albuquerque, antiga Rua dos Fogueteiros. A quinta pertenceu a esta família até 1965. Neste ano a CMP compra a quinta e a casa por 2400 contos a D. Margarida Helena Relvas Navarro de Azevedo Albuquerque, neta do eng  Azevedo Albuquerque. Foi alugada à Cooperativa Árvore, onde ainda se encontra. Os jardins são hoje o Parque das Virtudes que mantém o desenho antigo.”
Fonte: “portoarc.blogspot.pt”
 
 
 
Ao lado da entrada principal da casa (encimada por uma bela pedra de armas), havia uma capela, construída em 1767, da invocação de Nos­sa Senhora da Conceição e Jesus Maria e José. Ficava na esquina do edifício que fica mais perto do Passeio das Virtudes.
A quinta anexa haveria de ser, nas primeiras décadas do século XIX, transformada num horto, primeiro sob a exploração de Pedro Marques Rodrigues e, depois, em 1844, debaixo da orientação de José Marques Loureiro.
O "Jardim do Senhor Loureiro" passa, então, em 1849, a “Horto das Virtudes”.



 
Casa da Quinta das Virtudes, c. 1969 – Fonte: revista “O Tripeiro”, ano IX, 1969, p. 56
 
 
 
“Em 1963, foi fundada a Cooperativa Árvore – dedicada à produção e divulgação de actividades artísticas – que arrendou esta casa, vindo a adquiri-la duas décadas depois. A quinta das Virtudes, por sua vez, foi adquirida pela Câmara Municipal do Porto, abrindo-a ao usufruto público.
Em janeiro de 1976, a Casa das Virtudes foi vítima de um atentado bombista que destruiu parte da fachada e dos telhados. Na reconstrução, apoiada pela Fundação Gulbenkian, foi aberta uma galeria, bem como oficinas de serigrafia, gravura, litografia e cerâmica.
Em 1984, a Cooperativa Árvore foi declarada instituição de utilidade pública e, em 1992, foi agraciada como membro-honorário da Ordem do Infante D. Henrique. Integrada na Rede Portuguesa de Arte Contemporânea, a Cooperativa Árvore mantém até hoje uma intensa programação cultural”.
Cortesia de Porto Desaparecido



A Cooperativa Árvore, na madrugada de 7 de Janeiro de 1976, foi alvo de um atentado bombista, tendo sido destruídas as suas instalações


domingo, 8 de outubro de 2017

(Continuação 21) - Actualização em 11/10/2020



O Palacete Morais Alão Amorim



Este palacete da 1ª metade do século XVIII, tinha adossado a si, um outro da mesma época onde funcionava a Câmara, e que em 1864 seria também adquirido pela edilidade, para expansão das suas instalações.
Este novo edifício pertenceu a D. Maria da Natividade Guedes de Por­tugal e Menezes, filha do 1.º Visconde da Costa, que morava em Coimbra. Em prédio contíguo, no nºs 111-113, funcionava a drogaria de Custódio José de Passos, pai do malo­grado poeta do romantismo Soares de Passos. 
O Palacete de Morais Alão segundo Manuel José Cunha, “Serviu de apoio ao edifício da Câmara e o brasão deste palacete, sobre a sua porta de entrada, tem correspondência histórica com a casa de Bonjóia, dado que contemplam as mesmas armas de D. Lourenço Amorim Gama Lobo, que pela relação de casamento de seu filho com a família Portugal e Menezes, a sua sobrinha e herdeira foi detentora da venda desta casa, tendo sido demolida aquando da abertura da Avenida dos Aliados, em 1916.”




Horácio Marçal, In “O Tripeiro”, nº 1, Série V, Ano X, Maio 1954



Palacete Morais Alão


Palacete de Morais Alão (em primeiro plano) e palacete de Monteiro Moreira, em dia de festa. À esquerda, ainda é parcialmente visível, o prédio onde o pai do poeta Soares de Passos tinha a sua drogaria

sábado, 7 de outubro de 2017

(Continuação 20)


No terreno do gaveto da Rua Gonçalo Cristóvão e o Campo de Santo Ovídio instalou-se uma fábrica de cordas com dois cordoeiros que trabalhavam com quatro rodas, vindos da Praça da Cordoaria, de onde, a 4 e 5 de Outubro de 1852, haviam sido despejados com outros artífices por decisão da Câmara do Porto, que mandou arrasar todas as rodas, pias, caldeiras e mais apetrechos dos cordoeiros, tendo sido estes obrigados a procurar pelos vários sítios da cidade, em regime de aluguer, quintais, campos ou terrenos devolutos.
Tal como outros mesteres os cordoeiros tinham uma organização própria. A sua confraria com sede inicialmente em Miragaia, tinha como padroeiro São Pedro, apóstolo.
À medida que a classe foi crescendo estendeu-se a partir de Miragaia, encosta acima para a actual Rua Francisco da Rocha Soares, conhecida antes por Rua da Cordoaria Velha, até se instalar em força num terreno da Cordoaria junto ao que viria a ser o Mercado do Anjo e, depois, por intimação das autoridades, para o Campo de Santo Ovídio.
Foi para aquele terreno no Campo de Santo Ovídio que, em 5 de Novembro de 1856, João Eduardo de Oliveira Costa requereu à Câmara do Porto licença para construir “huma morada de Cazas na rua Gonçallo Christovão com frente também para o Campo da Regeneração”.
Entretanto, o edifício que acabaria por ser o Palacete das Águias passaria das mãos de Narciso José Gonçalves Maia, de acordo com o seu testamento, para D. Isabel Jacinta Moreira Maia, conhecida, na época, por «A Viúva das Águias». 
O palacete ganhou aquele nome devido ao facto de na platibanda ,em volta dele, ostentar diversas esculturas de águias.
Nos finais do século XIX, passava D. Isabel Maia, por ser a senhora que melhor e mais caro vestia no Porto – gastava cerca de 4.000$00 rs anuais na modista e possuía no seu guarda-roupa cerca de quatrocentos vestidos!
De destacar no interior do palacete, os trabalhos de molduras dos tectos em estuque da autoria da Oficina Baganha, de Manuel Enes Baganha e António Enes Baganha, de Afife.
Depois de ser durante anos residência de gente de destaque da cidade, o palacete viria a dar guarida ao colégio de Santa Emília, de que era directora D. Maria Emília Cândida da Silva Cervaens e que a 18 de Maio de 1916, encerraria as suas portas, transitando para uma quinta na zona das Antas.


 


In jornal “A Voz Pública” de 26 Setembro de 1909



“Segundo o anunciado em cartaz, o Palacete das Águias recebeu a 14 de Janeiro de 1925 uma “Sessão de Magia” em família, apresentada pelo amador Horácio Ramos, falecido em 1931.
Diga-se, entretanto, que este tipo de sessões dirigidas por Lino Nascimento no requintado Palacete das Águias repetia-se, regularmente, acolhendo “as melhores famílias do Porto” à época”.
A. Cardinal, In Jornal Tribuna de Macau

Hoje, o edifício está ocupado pelo Conselho Distrital da Ordem dos Advogados, tendo sido, durante parte do século XX, a sede da cooperativa “O Problema da Habitação”, fundada em 1926.


Palacete das Águias - Ed. Teófilo Rego, 1958; Fonte: “gisaweb.cm-porto.pt”


Palacete das Águias com algumas delas bem visíveis


Sala de reuniões do Palacete das Águias – Ed. “oa.pt”

Clarabóia e trabalho envolvente de molduras em estuque