domingo, 18 de junho de 2023

25.195 Visita da rainha D. Maria II, ao Porto, em 1852

 
Em 1852, D. Maria II encetaria uma visita ao Norte do País, começada em 15 de Abril, em Lisboa.
Assim, a comitiva que acompanhava o séquito real começou essa viagem em 15 de Abril de 1852, em direcção a Vila Franca, a bordo do vapor “Terceira” (esteve ao serviço da Real Marinha desde 1836 a 1856), tendo seguido depois, em carruagem, para a Ota, onde pernoitou.
No dia 16, chegou às Caldas da Rainha; a 18, estava em Alcobaça; a 20, em Leiria; a 21, em Pombal; a 22, em Condeixa; a 23, em Coimbra, seguindo-se Buçaco, Águeda e Albergaria e, por fim, o Porto, com entrada a 29 de Abril, um Sábado, tendo por cá ficado até ao dia 5 de Maio, quando a comitiva real rumou ao Minho.
Antes da chegada à cidade invicta, aquela comitiva pernoitou nos Carvalhos, onde as autoridades portuenses e da região se deslocaram para integrarem a caravana nas últimas léguas da jornada, com a chegada à margem esquerda do rio Douro a fazer-se pela Rua Direita (actual Rua Cândido dos Reis).



Após quase setenta anos sobre a visita de D. Maria II, a Rua Direita, na confluência com a Rua do Conselheiro Veloso da Cruz, vendo-se, à direita, a casa de António Teixeira Lopes, mais tarde, a sua Casa-Museu



Dos preparativos realizados no Porto, da chegada real e da sua passagem pelo Minho, nos haveria de deixar rico testemunho o escritor Júlio Dinis, na sua obra "Serões da Província", no conto "Justiça de sua Majestade".
À data da visita real, Júlio Dinis tinha 13 anos e aquela obra é publicada cerca de dez anos depois, em fascículos, no "Jornal do Porto". No entanto, comparando com os factos narrados pelos periódicos de então, o escritor revela-se muito factual.


(…) no centro da Praça de D. Pedro terminava-se um obelisco, diversamente comentado pelos cadeirinhas do passeio do poente, pelos políticos do sul, pelos vigias e empregados municipais do norte, e do lado do nascente pelos grupos de elegantes, e literatos, que então estacionavam nas imediações do Guichard, aquele café que há de merecer uma menção honrosa na história da literatura portuense, se alguém se lembrar de a escrever um dia.
Júlio Dinis, In Serões da Província; Conto: A Justiça de Sua Majestade



Obelisco provisório instalado na Praça D. Pedro



Ao Porto, depois dessa deambulação pelo norte do País, haveria D. Maria II de voltar, aquando do retorno a Lisboa.
A rainha fazia-se acompanhar do rei consorte, D. Fernando II e dos príncipes que seriam, mais tarde, os reis D. Pedro e D. Luís.
O Presidente da Câmara do Porto era, à data, José António de Sousa Basto.
Chegada a comitiva real à margem esquerda do rio Douro, segundo Júlio Dinis, o atravessamento do rio é feito num escaler, desconhecendo-se a razão de não ter sido usada a ponte pênsil.
Na Ribeira, a rainha receberia, num palanque montado para o efeito, as boas-vindas.
A recepção à rainha continuou de acordo com a programação traçada, e depois do beija-mão inicial no Paço dos Carrancas, destacam-se, em resumo,  as visitas feitas ao Palácio de Entre-Quintas, onde tinha falecido há três anos atrás o Rei Carlos Alberto, ao Castelo da Foz, à Escola Médico-Cirúrgica, à Academia Politécnica, ao Museu, à Feitoria Inglesa, a vários estabelecimentos comerciais e fabris e, marcando ainda presença, no habitual baile de gala na Assembleia Portuense.
A Academia Politécnica viria, também, a receber a rainha D. Maria II, durante a qual, não perdeu a oportunidade, o professor de Matemática Joaquim Torcato Álvares Ribeiro, de lhe recordar a falta que faziam os laboratórios práticos e os prejuízos causados pela paragem das obras no edifico, decorrente da apropriação pelo Tesouro Nacional da dotação feita por D. João VI.
Na preparação da visita real à Academia tinha sido pela 1ª vez decidido pelo Conselho Académico, os lentes apresentarem-se de “casacas, coletes e calças pretas, sapatos e meias de seda preta e lenço branco ao pescoço”.
Na sequência da visita real foi ainda projectado um obelisco a erigir na Praça de Dom Pedro da autoria de Luís Augusto de Parada e Silva Leitão.
Detalhando, no dia seguinte, após a chegada, os monarcas convidaram muitas personalidades para jantar, entre as quais o visconde de Terena, conde Ferreira, visconde de Oliveira, visconde de Gouveia, visconde de Podentes, barão de Ancede, Pessanha, presidente da Relação, Passos José, Matos, Martins da Costa, Norton e Silva Amaral, João Elias da Costa, Manuel Castro Pereira, e general Ferreira.
Os monarcas visitariam, durante a sua estadia, o Hospital Real de Santo António, da Misericórdia do Porto, a Roda dos Expostos, na Cordoaria e o Museu. Estiveram ainda presentes nos bailes da Assembleia e da Feitoria.
Visitaram, igualmente, fábricas e, entre essas, a Fábrica de Tecidos de Manuel Joaquim, ao Carregal, a Fábrica do Bicalho, onde foram recebidos pelos directores Hargreaves e Mesnier e a Fábrica de Jacinto da Silva Pereira.
Manuel Joaquim Machado, proprietário da fábrica de tecidos, ao Carregal, era, à data, talvez, o industrial têxtil mais considerado da época, dando trabalho a 437 operários, sendo ainda um dos mais activos no associativismo industrial, fundador tanto da Associação Industrial do Porto como da Associação Industrial Portuense e tendo já estado presente na primeira tentativa associativa que, desde 1838, procurava a legalização da associação do sector.
A comitiva real visitaria, ainda, a Fábrica de Oleados de Domingos José da Fonseca Pascoal, na Rua das Fontainhas, a de Sedas do sr. Barbosa, a do sr. Raimundo, estabelecida ao cimo da Calçada do Luciano, hoje, a Rua da Escola Normal e a do sr. Silva, na Boavista.
No dia 1 de Maio, os monarcas visitaram a quinta da baronesa de Vilar e o jardim da marquesa de Terena e, ainda, deram beija-mão, no Paço.
No dia 3 de Maio, a visita foi ao palácio do barão do Bolhão, a que se seguiria, no fim da jornada, o baile na Feitoria.
A notícia destas visitas teria sido publicada em vários jornais.
A seguir se dá conta de uma delas na qual o periódico da capital “A Revolução de Setembro”, de 10 de Maio, transcreve uma outra, saída no portuense jornal “O Braz Tizana”, em 4 de Maio.
Refere-se à visita real ao palácio do barão do Bolhão.
 
 
 
 
In “A Revolução de Setembro”
 
 
 
A 5 de Maio, os reis, finalmente, lá seguiram para o Minho.
O jornal “ A Revolução de Setembro” transcreveria, alguns dias depois, o que tinha sido escrito no jornal “O Nacional” sobre a partida da comitiva real para o Minho.

 
 
“A Revolução de Setembro” de 11 de Maio de 1852

 
 
Por sua vez, o brasileiro “Jornal do Comércio”, do Rio de Janeiro, de 11 de Junho de 1852, referia que na viagem para o Minho, a comitiva tinha almoçado, a convite do município da Maia, no Castedo, a sua sede de concelho desde a reorganização administrativa de 1836. A importância do sítio advinha de se encontrar à face da estrada Porto – Braga.
O Castedo é, hoje, Castêlo da Maia, sim, castêlo e não castelo, pois uma tal fortaleza existiu, de facto, para as bandas de Águas Santas. Por aqui, poderá ter existido, quando muito, uma torre de vigia.
Naquele almoço, teria sido servido um prato de lampreia.
 
 
“As dez horas chegaram ao Castedo no meio de povo imenso. A câmara recebeu SS. MM. e AA. debaixo do pálio, e conduziu a rainha, el-rei e os príncipes à sala do almoço. A rainha gostou muito da lampreia que lhe apresentaram, e a câmara anunciou com ênfase que por três vezes reformou a mesa das pessoas que acompanhavam SS. MM. o que denuncia fome canina servindo[?] a profusão dos nossos banquetes provincianos.”



Acontece que aquele dia, 5 de Maio de 1852, fora escolhido para inaugurar as carreiras de diligências entre o Porto e Vila Nova de Famalicão pela Companhia de Viação Portuense que, no entanto, não tinha ainda construído a ponte pênsil da Trofa. Por esta razão, a comitiva real teve que fazer o atravessamento do rio Ave, na famosa Barca da Trofa, antes da chegada a Vila Nova de Famalicão e ao fim da jornada.
Vila Nova de Famalicão tinha sido elevada a vila, por D. Maria II, em 1841.
Segundo Júlio Dinis, os soberanos ficam alojados em casa de familiares do Exmo. Sr. António Emílio Brandão.
De seu nome completo, António Emílio Correia de Sá Brandão (1821-1909) era filho de José Maria Brandão de Melo Cogominho Correia Pereira de Lacerda e Maria Emília Jácome Correia de Sá, 2.ª condessa de Terena, 2.ª viscondessa de São Gil de Perre e casado com Carlota Inês O'Neill.


 
Nesta casa, na Rua Direita, em Vila Nova de Famalicão, ficaram alojados D. Maria II, o rei consorte e os príncipes, em 5 de Maio de 1852 – Fonte: Google maps


Passados dois dias sobre a partida da cidade do Porto e tendo a urbe voltado já ao seu quotidiano habitual, os telégrafos informam que, na noite anterior, pelas onze horas, tinha deflagrado um incêndio na residência onde se alojavam os monarcas, em Barcelos, tendo a rainha escapado em trajes menores e o rei em ceroulas e descalço.
A Casa da Nogueira, assim se chamava a residência referida, ardeu por completo tendo, porém, sido possível salvar o recheio.
Ana Joaquina da Silveira era, à data, senhora da Casa da Nogueira (nela faleceu em 1858) e viúva (desde 1828) do negociante e procurador camarário, José Simões Gomes, o fundador da casa em 1816.
A comitiva real iria então ser alojada numa outra residência daquele que, um ano depois, mercê da sua hospitalidade, haveria de ser o barão da Retorta.

 
 
 

Casa da Nogueira, em Barcelos

 
 


Casa do barão da Retorta, no Largo José Novais (antigo Largo da Cadeia), em Barcelos
 
 
 
 
Prosseguindo o seu périplo, em 8 de Maio, a comitiva já estava por Viana que, por decisão da soberana, se tinha passado a designar por Viana do Castelo, desde 1848.
Seguir-se-iam na visita, Braga e Guimarães. A vila do Gerês seria retirada do itinerário, devido à má qualidade das estradas, e na caminhada de regresso a comitiva real ainda pernoitou em Barcelos, em casa de José Vilas Boas, um deputado barcelense e um conhecido miguelista tendo, para o efeito, desempenhado um papel de intermediação decisivo o Duque de Saldanha. Diz-se que os monarcas ficaram admirados pela opulência exibida pelo anfitrião.
No ano seguinte, desde o exílio, D. Miguel atribuía a José Vilas Boas o título de conde de Alvelos.
Consta que, em Barcelos, a monarca foi também agraciada com os doces da então Confeitaria Confiança que, mais tarde, cerca de 1880, passaria a ser a Confeitaria Salvação.
Este estabelecimento fundado por Joaquim Domingos Duarte em 1830 teria, depois, na sua gerência um seu sobrinho de seu nome Manuel Joaquim Duarte Ferreira, que ficou conhecido por dizer aos seus clientes: "pela minha salvação que é da última fornada". Por isso, perdeu o apelido Ferreira e passou a Salvação e o estabelecimento mudaria também de nome.
Depois de muitas décadas de portas abertas, a célebre confeitaria, na década de 1990, fecharia as suas portas.
O retorno da comitiva real a Lisboa, passaria pela cidade do Porto e  aconteceu entre 18 e 22 de Maio de 1852.
A entrada na cidade do Porto foi antecedida por uma visita real ao Concelho de Valongo.

 
 
“O Diário do Governo, do dia 24 de maio de 1852, na primeira página, publica uma carta do Governador Civil do Porto, Visconde de Podentes, dirigida ao Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Rodrigo da Fonseca Magalhães, relativamente à visita que a Comitiva Real (Rainha D. Maria II, seu marido com o título de Rei, D. Fernando II, e os príncipes, que, mais tarde, viriam a ser reis de Portugal, D. Pedro e D. Luís) fez ao Norte do Reino, e onde se faz referência ao almoço que foi oferecido a Suas Majestades, nesta cidade, no lugar da Travagem, por parte da Câmara de Valongo em forma de gratidão pela criação do novo concelho de Valongo.”
“avozdeermesinde.com”
 
 
A seguir se dá conta de teor da carta do Governador Civil do Porto a propósito da passagem real por Valongo.
 
 
«Governo Civil do Districto do Porto / Ill.mo e Ex.mo Sr.
Tenho a honra de participar a V. Ex.ª, que tendo Suas Magestades e Altezas saído hoje de Santo Thyrso ás oito horas da manhã, e tendo-se dignado acceitar um bem servido almoço que tinha feito preparar, e lhes ofereceu na ponte da Travage a Camara de Vallango, a sua entrada se verificou nesta cidade pelas duas horas da tarde, dirigindo-se Suas Magestades á Real capella de Nossa Senhora da Lapa, aonde assistiram a um solemne e pomposo Te-Deum, preparado e dirigido pela irmandade da mesma capella, no qual celebrou S. Ex.ª o Bispo da diocese. (...) / Deos guarde a V. Ex.ª / Porto 18 de Maio de 1852, ás quatro horas da tarde. = Ill.mo e Ex.mo Sr. Rodrigo da Fonseca Magalhães, Ministro e Secretario de Estado dos negocios do Reino. = Governador civil, Visconde de Podentes».
 
 
Aproveitando a presença da Rainha, e quando o protocolo já se mostrava completamente livre de compromissos, um grupo de senhoras da alta sociedade resolveu dar uma festa, na Quinta das Águas Férreas, programando-a para a ante-véspera do dia de retorno dos monarcas e respectiva comitiva a Lisboa.
 
 
 

Palacete da Quinta das Águas Férreas
 
 
Sobre esta festa, fala-nos também um texto inserido n’ O Tripeiro, Série 5, Ano 9, nº 12, com o título de  “As consequências de um dia de chuva”.
 

“Em 1852, em honra da visita ao Porto da Rainha D. Maria II e de el-rei D. Fernando, a alta sociedade da cidade decide organizar uma festa elegante e original ao ar livre, sendo escolhido para tal efeito a Quinta das Águas Férreas, considerada na altura uma das mais belas do Porto. De modo a preparar tudo para a festa, terraplanou-se os terrenos e cobriu-se de saibro vermelho um campo para nele se improvisar uma esplanada. Foram contratados carpinteiros para construir barracas para os fornos e para as cozinhas ao longo dos muros de Cedofeita. Levan­taram-se vários tablados e construiu-se um imenso pavilhão quadrado, coberto com um toldo, para dançar e proteger do sol, sendo as mesas para o almoço colocadas debaixo das laranjeiras. Infelizmente a festa não terminou nas melhores condições, devido à intensa chuva que nes­se dia se fez sentir”. 
 
 
A comissão organizadora da festa era constituída pela Marquesa de Terena, Condessa de Terena, Viscondessa de Alpendurada, Viscondessa de Balsemão, Viscondessa de Castro Silva, Baronesa de Ancêde, Baronesa do Bolhão, Maria Ermelinda Woodhouse e muitas outras senhoras da alta sociedade, tendo como adjuntos António Bernardo de Brito e Cunha, Francisco de Oliveira Chamiço, Ricardo de Clamouse Brown, José Pedro Barros Lima e mais uns quantos.
Quem não esteve pelos ajustes, foi o S. Pedro. Foi água até dizer basta. E, lá se perderia uma oportunidade, para as meninas casadoiras serem apresentadas na corte. 
O Palácio das Águas Férreas, após várias utilizações ao longo dos anos está, hoje, na posse da Direcção Geral dos Serviços Prisionais.
 
 
 
Palácio das Águas Férreas, na Rua do Melo, nº 5 - Fonte: Google maps



Por seu lado, o rei consorte, D. Fernando II recebia, nos últimos momentos da estadia no Porto, no Palácio dos Carrancas, alguns pintores.
Entre outros, foi o monarca visitado por João Eduardo Malheiro, um pintor de quem se esperava muito sucesso, conforme narra notícia abaixo.
 
 
“O snr. João Eduardo Malheiro obteve a honra de ser apresentado a S. M. El-Rei, para lhe oferecer as seguintes obras do seu pincel e curiosidade.
Dois quadros de costumes do Minho em ricos caixilhos, e uma figura de três palmos de altura – verdadeiro modelo duma vareira, tanto nas formas do corpo como no vestuário, que era todo de fazendas próprias do costume.
S. M. vocalmente lhe dirigiu muitos elogios, e ontem lhe mandou em testemunho do seu Real apreço uma rica abotoadura de ouro para colete pelo seu ajudante e exm.º barão da Foz. O snr. Malheiro é nosso patrício, e como tal faz honra à cidade invicta.”
In “O Jornal do Povo”, de 22 de Maio de 1852

 
 
João Eduardo Malheiro, com formação adquirida em Itália, dada a impossibilidade de viver apenas da pintura, após a situação narrada esteve, praticamente, inactivo, vivendo do salário que obtinha do seu emprego na alfândega do Porto.
Apareceria publicamente, após quase dez anos, concorrendo à Exposição Industrial Portuense, em 1861, realizada entre Agosto e Setembro, na qual a curiosidade maior era uma enorme máquina a vapor da Fundição de Massarelos e uma outra hidráulica produzida na fundição do Bicalho, e onde os visitantes poderiam também encontrar produtos  químicos  e  farmacêuticos,  fazendas,  sabonetes,  móveis,  vestuário,  ourivesaria, cristais, cerâmica, etc., além de esculturas, pinturas e fotografias.
João Eduardo Malheiro obteria uma medalha de 2ª classe.
Apresentar-se-ia, depois, João Eduardo Malheiro, na 1ª Exposição Internacional do Porto, em 1865, aquando da inauguração do Palácio de Cristal, tendo recebido um grande elogio do pintor Francisco José Resende e ganhou uma Menção Honrosa.
 
 
“O snr. Malheiro tendo deixado de ser artista de profissão há muitos anos, ainda consagra à arte o mesmo amor e dedicação dos tempos passados: só uma bela alma como possui, alma de verdadeiro artista, lhe daria coragem para aproveitar os curtos instantes que lhe restam dos seus trabalhos quotidianos, empregando-os na pintura. É digno de verdadeira estima um cavalheiro tão inteligente e modesto.”
Francisco José Resende

 
 
Em 1867, Malheiro voltaria ao Palácio de Cristal, apresentando seis paisagens, mas não obteria qualquer reconhecimento neste certame.
Em 1877, apresenta três quadros, durante a Exposição Hortícola realizada no Palácio de Cristal.
Após este ano, a vida do pintor é eclipsada, desconhecendo-se a data do seu falecimento e actividade artística deste pintor amador (impossibilitado de viver exclusivamente da pintura), embora se saiba que, na primeira metade da década de 1880, ainda procedia a obras num seu prédio da Rua de Santa Catarina.
Nascido no Porto, na freguesia de Santo Ildefonso, a 24 de Junho de 1821, cursou Filosofia, em Coimbra, e, em meados da década de 1840, partiu para Roma e Veneza, aí fazendo estudos de pintura.
Regressou em 1847, ao Porto, e em Outubro de 1848, apresentou alguns trabalhos na Exposição da Academia Portuense de Belas-Artes, instituição fundada em 1836.

 
 
“Os dados conhecidos sobre a vida e obra de João Eduardo Malheiro são hoje muito escassos, mas, simultaneamente, bastante significativos. O estudo deste homem transporta-nos ao mundo dos pintores amadores dos meados do século XIX, universo muito peculiar, já que não se limitava a autores de segundo plano, mas envolvia nomes sonantes do nosso Romantismo. Por exemplo, Leonel Marques Pereira era militar de carreira, Isaías Newton trabalhava nos caminhos de ferro, Luís Ascêncio Tomasini comandava navios e Manuel Maria Bordalo Pinheiro era oficial na Secretaria da Câmara dos Pares do Reino.”
Cortesia de António Mourato - Breves apontamentos para a biografia do pintor João Eduardo Malheiro

 
 

Paisagem (assinatura e data no canto inferior esquerdo), n.º inv. 254 Pin CMP/MNSR; Óleo sobre tela (35,8x51,6), 1867. Proveniente da doacção Osório e à guarda do Museu Nacional Soares dos Reis

 

 

quarta-feira, 14 de junho de 2023

(Conclusão)

 
Exposições de flores no Palácio de Cristal
 
 
Ao longo dos seus 86 anos de existência, o Palácio de Cristal acolheu inúmeras exposições ligadas à floricultura, destacando-se a 1ª Exposição de Rosas, ocorrida em 17 de Junho de 1866, na nave central do Palácio de Cristal, sob direcção do jardineiro-paisagista Emílio David, com participação dos horticultores Marques Loureiro, Gentil Gomes da Silva e dezenas de amadores e a de 1879 ou a de 1899, inaugurada a 6 de Maio, subordinadas ao mesmo tema.
Muitas das exposições acontecidas tiveram a participação efectiva e como fotógrafo de Aurélio da Paz dos Reis.
Acontece que, a atenção que os portuenses dedicavam às flores conduziu a que aqueles certames acontecessem, também, nas instalações de algumas agremiações. Estas manifestações viraram moda.
 
 

Exposição de Rosas, em 1879



Exposição de Flores, no Palácio de Cristal, em 1900, na qual participou a “Flora Portuense” – Ed. Aurélio da Paz dos Reis
 
 
 

Expositor de Alfredo Moreira da Silva, horticultor e construtor de parques e jardins, na nave central do Palácio de Cristal, provavelmente, durante a Exposição Agrícola de 1903



 

Exposição de Crisântemos, no Palácio de Cristal, em 1904

 
 
No ano de 1908, a Exposição de Floricultura (foto abaixo) realizar-se-ia, mais uma vez, no Palácio de Cristal.
Nesse ano, a lista dos Horticultores era a que segue.





 

Exposição de Floricultura, no Palácio de Cristal, em 1908 – Ed. Aurélio da Paz dos Reis
 
 
 
 

Expositor de Alfredo Moreira da Silva, na Exposição de Crisântemos, no Palácio de Cristal, em 1910
 
 
O texto que se segue descreve a Exposição de Rosas de 1917, inaugurada em 26 de Maio.


In revista "O Tripeiro", 7.ª Série, Maio de 2017




No dia 11 de Maio de 1918, era inaugurada a tradicional Exposição de Rosas no Palácio de Cristal, que no dia 18, o certame reabriria para a visita de Sidónio Pais, que estava pela cidade.
 
 
 

In revista "O Tripeiro", 7.ª Série, Maio de 2018

 

Exposição de Rosas, no Palácio de Cristal, em 1919
 
 
 

Exposição de Rosas, em 1919, ocorrida no Palácio de Cristal – Fonte: Fotograma editado de filme da Cinemateca


No dia 26 de Outubro de 1935, ocorre a inauguração da já tradicional Exposição de Crisântemos no Palácio de Cristal. Mais um êxito.

terça-feira, 13 de junho de 2023

(Continuação)


Jacinto Matos
 
Jacinto Matos (1864-1948) veria o seu nome para sempre ligado à Quinta de Salgueiros ou Quinta do Ingleses, situada no Lugar de Antas de Cima, em tempos, junto do então topo norte do Estádio das Antas.


 

Planta da Quinta de Salgueiros e da implantação dos viveiros de Jacinto Matos

 
 
Legenda:
1. Hospital do Conde Ferreira
2. Rua de Costa Cabral
3. Rua Nova de Contumil
4. Rua da Vigorosa
5. Lugar de Antas de Cima


 
Assim, naqueles terrenos, Jacinto Matos teve os seus viveiros desde o início do século XX.

 
 

Entrada para a Quinta de Salgueiros



 
Horto de Jacinto Matos, em Antas de Cima - Fonte: Ilustração Católica (Braga), 6 de dezembro de 1913
 
 
 
 
Como horticultor, Jacinto de Matos continuava o negócio de um pequeno horto que seu pai, Zeferino de Matos, tinha na Rua da Boavista. Aliás, o horto aparece já, fundado, em 1870, no catálogo abaixo.


 
 



A partir de 1882, organizou e participou em diversas exposições no Palácio de Cristal do Porto e no Ateneu Portuense
Em 1899, participou na fundação da União dos Jardineiros do Porto enquanto presidente da assembleia geral (sendo reeleito em Outubro de 1901), sendo José Monteiro da Costa o presidente da direcção.
No livro Jardins Históricos do Porto (Ed. Inapa, 2001), Teresa Andresen e Teresa Portela Marques enumeram alguns dos jardins e parques projectados por Jacinto de Matos em todo o país: Parque de São Roque, jardim da Casa Allen (Casa das Artes), Quinta dos Salgueiros, jardim da Ordem dos Médicos (à Arca d'Água), Parque da Curia, Parque das Pedras Salgadas, espelhos de água dos jardins da Presidência do Conselho de Ministros, Jardim municipal de Nisa.


 
 

Palacete, na Avenida da Boavista, nº 2609, mandado construir por José Zagalo Ilharco, um amante da horticultura que haveria, em colaboração com Jacinto Matos de criar, em volta da sua casa, na Avenida da Boavista, o chamado Parque Zagalo Ilharco, jardim que rodeava a vivenda mandada construir em 1902


 
 

Jardim (1910) da casa da D. Adelaide Nogueira Pinto, em Leça da Palmeira
 
 
 
Adelaide da Rocha Nogueira Pinto (Leça da Palmeira 26.01.1866 - Leça da Palmeira 21.11.1899), sem descendência, era filha de José Nogueira Pinto (pai do Conde de Leça), nascido em 1834 e de Rosa Joaquina da Rocha, nascida em 1832.

 
 

Casa de Nogueira Pinto, na Rua Direita, nº 234, em meados do século XX

 
 

O que resta, hoje, da casa Nogueira Pinto – Cortesia de Vítor Monteiro





Exposição de Flores organizada por Jacinto de Matos, no Casino Peninsular da Figueira da Foz, em Junho de 1905 - Ed.  Ilustração Portuguesa de 24 de Julho de 1905
 
 
 
 
Aurélio da Paz dos Reis
 
 
Esta personalidade, para além de ter o seu nome ligado à sua actividade política desenvolvida na cidade do Porto, ficaria imortalizada, também, por ter sido o realizador e produtor do icónico e primeiro filme português, "A Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança" (Rua de Santa Catarina).
No entanto, a sua actividade profissional principal era exercida no sector agrícola.
Assim, Aurélio da Paz dos Reis (1862-1931) tinha a sua casa de comércio, situada na Praça D. Pedro (Praça da Liberdade), numa loja onde, mais tarde, se iria instalar a Confeitaria Ateneia.
Aí, na “Flora Portuense”, a loja fundada em 1893, de comércio de flores, plantas e sementes, instalada na Praça D. Pedro, Aurélio da Paz dos Reis transacionava os produtos oriundos dos seus viveiros, localizados em terrenos anexos à sua residência na Rua do Barão de Nova Sintra, nº 125.
 
 
 

“Flora Portuense”

 
 

Aurélio da Paz dos Reis, no interior da loja “Flora Portuense”, em estereograma de 1900
 
 
 

No prédio mais afastado, do conjunto de três observados, tinha Aurélio da Paz dos Reis a sua residência e, a ela anexo, os referidos viveiros – Fonte: goole maps

 
 
 

Aurélio Paz dos Reis fotografado com a sua mulher e filhos no jardim da sua residência

 
 

Estufas e viveiros de plantas e flores, em Nova Sintra
 
 
 
 
Em complemento, no âmbito da fotografia, Aurélio da Paz dos Reis aproveitava a sua loja na Praça D. Pedro para comercializar alguns trabalhos fotográficos ou artigos ligados à fotografia.
Ainda neste capítulo, Aurélio da Paz dos Reis ficaria conhecido pelas excelentes reportagens fotográficas realizadas aquando das exposições de floricultura levadas a cabo no Palácio de Cristal, nas quais a “Flora Portuense” costumava participar.




Outras personalidades do mundo da jardinagem
 
 
A título pessoal, em regime de amadorismo, muitos burgueses portuenses se dedicaram ao arranjo dos seus jardins, que rodeavam espectaculares palacetes, numa actividade que pressupunha que fossem aplicados grossos cabedais.
De facto, era uma actividade cara, pois, na maioria das situações, era necessário, para sobressair, fazer importações de espécies raras e recorrer a serviços de entendidos profissionais, que se faziam pagar bem.
Entre muitos outros, ficaram célebres as intervenções do Conde de Silva Monteiro.
Apaixonado pela jardinagem, Silva Monteiro, para além de cuidar dos seus jardins do palacete situado na Rua da Restauração, tinha um espaço imenso em V. N. de Gaia, que transformou numa propriedade agrícola e de recreio, a Quinta da Lavandeira, pertencente também a seu irmão, onde a praticava e que, é hoje, o Parque Municipal da Lavandeira, à data, confinando com a Quinta do Sardão.
Nesta propriedade mandou construir Silva Monteiro, entre 1881 e 1883, na fundição do Ouro, uma estufa monumental em ferro e vidro, tendo dessa sua paixão pela jardinagem, chegado a receber alguns prémios em exposições efectuadas no Palácio de Cristal.


 
 

Estufa do século XIX, no Parque da Lavandeira, aguardando recuperação
 
 
 
Outro apaixonado pela jardinagem foi o Conde das Devezas, Francisco Pereira Pinto de Lemos (1849-1916), que na sua quinta, em V. N. de Gaia, se dedicou à sua paixão – a floricultura, na qual sobressaiam vários exemplares de camélias.
Presentemente, com o antigo solar da quinta, em ruínas, os seus jardins foram transformados no “Parque da Quinta das Devesas”, um equipamento municipal aberto ao público, situado na Rua Leonor de Freitas.
 
 
 

À esquerda, pela rampa, se entra no Parque da Quinta das Devezas
 
 
 

Tulipeiro (Liriodendron tulipifera) à entrada do parque
 
 
 
 
Terá sido pela Quinta Vilar d’Allen, já sob a responsabilidade de Alfredo Allen, que terão sido introduzidas uma série de plantas exóticas em Portugal.
Esta quinta, situada ao fundo da Rua do Freixo, em Campanhã, nº 194, foi obra de João Allen, ou mais, precisamente, John Francis Allen, um cidadão inglês ligado ao comércio do vinho do Porto, que comprou, primitivamente, em 1838, a Quinta da arcádia.
Seria, no entanto, um seu filho, Alfredo Allen, 1º visconde de Villar d’Allen, quem iria ampliar a propriedade anexando à área adquirida por seu pai, as quintas da Vesada e a de Vila Verde e exercer uma acção decisiva sobre os jardins da propriedade.
 
 
“Os jardins da Quinta de Vilar d'Allen têm vários elementos de interesse como o lago, a zona da mata, a estufa, o Jardim dos Cisnes, vários exemplares de camélias e um jardim formal. Há uma grande quantidade de camélias de cerca de 180 variedades diferentes no jardim. Há, ainda, esculturas e ornamentos arquitetónicos da autoria de Nicolau Nasoni, assim como uma fonte do antigo Mosteiro de Monchique.
A Casa e a Quinta foram classificadas como Imóvel de Interesse Público em 2010 e pode ser visitada, por marcação”.
Fonte: “ambiente.cm-porto.pt/”
 
 
 
Alfredo Allen era enólogo, agricultor e jardineiro.
Foi um dos impulsionadores da Sociedade do Palácio de Cristal Portuense tendo, anteriormente, sido, na companhia do filho de Francisco Van Zeller, Roberto Van Zeller (1818-1868), director da Feira Agrícola do Porto, realizada de 12 a 14 de Julho de 1857, pela sociedade Agrícola do Porto, em terrenos da Torre da Marca onde, em 1865, haveria de nascer o Palácio de Cristal.

 
 

Fonte que terá pertencido ao mosteiro de Monchique, instalado na Quinta Villar d’Allen

 
 
Na foto acima está um dos dois chafarizes (existiam dois claustros) que esteve num dos claustros do mosteiro de Monchique.

 
“A Norte, o aterro cria uma zona individualizada, cercada por um pequeno bosque, onde Alfredo Allen, filho de João Allen e 1º Visconde de Villar d'Allen, introduziu na propriedade, e em Portugal, alguns exemplares de plantas e arbustos exóticos, entre os quais se destacam as famosas camélias de Villar d'Allen. Este tratamento paisagista tem vindo a ser considerado como um dos primeiros no nosso país que segue a tipologia dos jardins paisagistas e pituresques que procuram reproduzir a espontaneidade da natureza; sendo, muito possivelmente, inspirado nos livros trazidos de Londres e que ainda hoje integram o espólio da biblioteca de Villar d'Allen, entre os quais se destacam William Kent e Capability Brown. Nos jardins surgem, amiúde, pedras trabalhadas e falsas ruínas, entre as quais se destacam os fogaréus e os "cestos de fruta" atribuídos a Nicolau Nasoni e muito possivelmente provenientes do vizinho Palácio do Freixo, concebido por este arquitecto”. 
Cortesia de Rosário Carvalho

 
Sendo que, os viveiros da propriedade (5 hectares de jardim e mata) continuam em actividade, ainda há poucos anos, obtiveram o prémio para a melhor Camélia, durante a Exposição de Camélias do Porto organizada pela Câmara Municipal do Porto..
 
 
 
 

Casa da Quinta de Villar d’Allen – Fonte: “ambiente.cm-porto.pt/”
 
 
 
 
Também Francisco Van Zeller (1774-1852), proprietário da Quinta de Santo Inácio, localizada na Rua 5 de Outubro, nº 4503, Avintes, V. N. de Gaia, se destacou ao ser considerado o responsável pela introdução oficial, entre 1808 e 1810, das camélias no nosso país, trazidas justamente para a Quinta de Fiães, onde, ainda hoje, podem ser admiradas.
Na Quinta de Santo Isidro, além das camélias, os jardins foram recriados, há poucos anos, aquando da abertura da quinta ao público, com a inclusão de roseirais e mixed-borders no jardim formal e, no jardim romântico, uma grande colecção de azáleas e rododendros.

 
 
Jardins da Quinta de Santo Inácio - Cortesia de Vilma Silva (2005)
 
 
 
A propósito da introdução das camélias, há quem garanta que a camélia (Camellia japonica) terá aparecido, primeiro, na primeira metade do século XVI, na Quinta do Campo Belo, sobranceira ao rio Douro, na margem direita da foz da Ribeira das Azenhas, em V. N. de Gaia, oriunda do Japão.
Adriano de Paiva de Faria Leite Brandão (1847-1907), 1º conde do Campo Belo que, a partir de 1872, integrou o quadro de lentes da Academia Politécnica do Porto, foi um grande matemático e cientista nas áreas da Termodinâmica e da Óptica.

 
 
«O Conde de Campo Belo ficou conhecido nos meios científicos pelas suas reflexões sobre a telescopia como uma nova aplicação da eletricidade (1878). Explorou este tema na obra "La Télescopie Électrique Basée sur l'emploi du Selenium", em 1880, referindo-se a um "telescópio elétrico com o qual se poderiam transmitir imagens". Este trabalho teve impacto internacional e inspirou estudos pioneiros no campo da televisão. Foi lido e estudado durante os anos vinte em Itália, quando o regime de Mussolini se interessou pelo tema televisivo. Foi também autor de "These Ex Naturali Philosophia" (1868)».
Fonte: sigarra.up.pt/up/
 
 
 
 
Paço e jardins da Quinta do conde de Campo Belo – Fonte: sapoencia.blogs.sapo.pt/

 
 
Sobre as plantações da camellia japónica na Quinta do Campo Belo, a obra de Frederick Meyer, publicada em 1959, intitulada “Plant explorations: ornamentals in Italy, southern France, Spain, Portugal, England, and Scotland”, na figura 49, apresentava uma foto, de Teófilo Rego, do primitivo exemplar com cerca de 400 anos.

 
 

Camellia japonica, na Quinta do Campo Belo

 
 
Sobre a foto anterior Frederick Meyer dizia:


 


 
 
Curiosamente, Frederick Meyer, na mesma obra, faz referência à Quinta do Meio que, a partir de 1871, passa a ser arrendada a William Chester Tait, negociante abastado ligado ao Vinho do Porto e ornitologista, que acabará por comprá-la em 1900.
O irmão de William Chester Tait, Alfred Welby Tait era um botânico de reconhecidos méritos, nomeadamente, especialistas em espécies nativas do Gerês, onde tinha casa.
Por isso, não admira que esta propriedade fosse também relevada pelos seus jardins e espécies arborícolas.


 




Actualmente, os jardins anexos ao palacete do 3º visconde Villar d'Allen, Joaquim Ayres de Gouveia Allen, na Rua António Cardoso, da Casa de Serralves, do Palacete dos Andressen (Jardim Botânico), do Parque Ocidental da Cidade, do Palácio de Cristal e os muitos Jardins Públicos espalhados pela cidade do Porto, podem dar-nos uma ideia de quanto os portuenses são afeiçoados a eles.


(Continua)