sábado, 29 de julho de 2017

(Continuação 19)

Revolta de 31 de Janeiro de 1891 e Revolta de Fevereiro de 1927

Em 1784, o presidente da Junta das Obras Públicas era João de Almada e Melo que morreu dois anos depois, não tendo chega­do a assistir ao começo das obras do levantamento desta rua, que só se iniciaram, efectivamente, em 1805.
O pró­prio filho de João de Almada, o Francisco de Almada e Mendonça, que deu continui­dade a muitas obras começadas no tempo do pai, não viu o início da construção da rua porque morreu prematuramente em 1804. 
A Junta das Obras Públicas tinha numa sessão de 1784, decidido, então, construir a Rua Nova de Santo António , em cuja acta se lia: 

“...entre o Bairro de Santo Ildefonso e o do Bonjardim, se deviam abrir duas ruas de comunicação entre estes dois bairros na forma da planta que se acha delineada sobre o plano extraído do terreno intermédio. Que a primeira dessas ruas deve principiar a sua abertura na frente do pátio da Igreja dos Congregados e seguir a sua direcção em linha recta a desembocar na frente da Igreja de Santo Ildefonso…cujo declive se suavizará alteando o seu pavimento do princípio dela, e rebaixando o que for necessário no seu fim”.

Por ter começado a ser construída "em frente ao pátio da igreja de Santo António dos Congregados" a rua começou por se chamar Rua de Santo António o Novo. Esta designação tinha razão de ser.
O “Novo” para não ser confundida com uma outra rua bem mais antiga, a de Rua de Santo António da Picaria.
A Rua de 31 de Janeiro (em homenagem à Revolução Republicana) que se chamou antes Rua de Santo António dos Congregados ou Rua de Santo António o Novo, nome pelo qual ainda é conhecida, resultou então duma decisão de 1784, e seria construída sobre um conjunto de estacas e arcos, para dar passagem à mina do Bolhão e, também, para vencer o declive do terreno.
Na parte mais baixa da rua, ou seja, junto da embocadura com a Rua de Sá da Bandeira que, antes, era o prolongamento da Rua do Bon­jardim, foi montado um sistema de estaca­ria para facilitar o escoamento de um cano de água que, proveniente da mina do Bolhão (que vai mais à frente dar origem ao rio da Vila) se destina­va ao abastecimento do entretanto demo­lido mosteiro das monjas beneditinas de S. Bento de Ave Maria que ficava, onde agora está, a estação ferroviária de S. Bento.
Como é fácil de imaginar, tendo em con­ta a topografia do terreno, a construção da nova rua não foi tarefa fácil.
Por exemplo, os prédios que se construíram nos dois la­dos da rua têm a curiosidade de serem mais altos nas traseiras do que na parte da fren­te, por causa da profundidade a que tiveram de ser cavados os alicerces, devido ao desnível do terreno. Daí deriva uma outra curiosidade que é a existência por baixo desta artéria de quatro túneis, hoje pratica­mente impercetíveis. Devido ao acentua­do desnível que o terreno apresentava, quando a rua foi delineada, houve necessi­dade de erguer também, muros de suporte, e de pro­ceder a aterros para tornar a encosta mais suave.
Com a construção daqueles túneis, possibilitou-se a ligação da parte do lado da Rua da Madeira com o lado oposto, que comunicava com as traseiras do edifí­cio do Teatro de Sá da Bandeira e, daqui, com a Rua de Passos Manuel.
Os túneis já não são visíveis, mas, é possí­vel, descendo a Rua da Madeira, aperceber-mo-nos dos sítios em que foram construí­dos.
Por exemplo: um desses locais serviu, durante muitos anos de depósito de máqui­nas industriais; noutro funcionou um ar­mazém de bananas; uma marca de águas minerais teve também o seu armazém num outro túnel; e
no túnel que ficava mais perto do fim da rua, para quem a desce des­de a Praça da Batalha, funcionou um restau­rante.
É fácil identificar as entradas desses anti­gos túneis, porque apresentam a forma ar­redondada na parte superior comum a to­dos os túneis que se conhecem.
Os túneis existentes debaixo da Rua de 31 de Janeiro, durante a revolução de Feverei­ro de 1927 serviram para algumas famílias escaparem à artilharia da serra do Pilar. Os ornamentos com que vistosamente se or­namentava a rua em dias festivos eram também neles guardados até voltarem a ser utilizados.
O projeto inicial da nova artéria previa, ainda, que sensivelmente a meio, se construísse uma praceta.
Aí por 1851 o espaço onde esse logradouro devia ser construído ainda não tinha casas. Na altura esse espaço tinha a forma de um quadrado e era guarnecido com parapeitos de pedra que permitiam ver, em baixo, de um lado, os quintais das casas da parte baixa da Rua de Sá da Bandei­ra e, do outro lado, a antiga Calçada da Te­resa, hoje Rua da Madeira e o pano da mu­ralha fernandina que descia da Batalha e li­mitava a cerca do convento das freiras.
A praceta não chegou a ser feita. 
A Rua Nova de Santo António passou a chamar-se finalmente, em 30 de Agosto de 1874, Rua de Santo António, dado o desaparecimento de Rua de Santo António da Picaria.
Em 1910 recordando a Revolta do Porto, passou a ser a  Rua 31 de Janeiro, mas, em 1940 a C.M.P. repôs o anterior topónimo de Rua de Santo António. Por fim, após a revolução de 25 de Abril, voltou a chamar-se Rua de 31 de Janeiro.
A Revolta de 31 de Janeiro de 1891 foi o primeiro movimento revolucionário que teve por objectivo a implantação do regime republicano em Portugal. A revolta teve lugar na cidade do Porto e teve esta rua em plano de destaque.
No dia 31 de Janeiro de 1891, na cidade do Porto, registou-se um levantamento militar contra as cedências do Governo (e da Coroa) ao ultimato britânico de 1890 por causa do Mapa Cor-de-Rosa, que pretendia ligar, por terra, Angola a Moçambique.
A 1 de Janeiro de 1891 reuniu-se o Partido Republicano em congresso, de onde saiu um directório eleito, constituído por: Teófilo Braga, Manuel de Arriaga, Homem Cristo, Jacinto Nunes, Azevedo e Silva, Bernardino Pinheiro e Magalhães Lima.
Estes homens apresentaram um plano de acção política a longo prazo, que não incluía a revolta que veio a acontecer, no entanto, a sua supremacia não era reconhecida por todos os republicanos, principalmente por aqueles que defendiam uma acção imediata. Estes, além de revoltados pelo desfecho do episódio do Ultimato, entusiasmaram-se com a recente proclamação da República no Brasil, a 15 de Novembro de 1889.
As figuras cimeiras da "Revolta do Porto", que sendo um movimento de descontentes grassando sobretudo entre sargentos e praças careceu do apoio de qualquer oficial de alta patente.
Assim, foram o capitão António Amaral Leitão, o alferes Rodolfo Malheiro, o tenente Coelho, além dos civis, o Dr. Alves da Veiga, o actor Miguel Verdial e Santos Cardoso, além de vultos eminentes da cultura como João Chagas, Aurélio da Paz dos Reis, Sampaio Bruno, Basílio Teles, entre outros, aqueles que tomaram as rédeas da revolta.
Esta tem início na madrugada do dia 31 de Janeiro, quando o Batalhão de Caçadores nº 9 (sedeado no convento de S. Bento da Vitória), liderados por sargentos, se dirigem para o Campo de Santo Ovídio, hoje Praça da República, onde se encontra o Regimento de Infantaria 18 (R.I.18). Ainda antes de chegarem, junta-se ao grupo, o alferes Malheiro, perto da Cadeia da Relação; o Regimento de Infantaria 10, liderado pelo tenente Coelho; e uma companhia da Guarda Fiscal. Embora revoltado, o R.I.18, fica retido pelo coronel Meneses de Lencastre, que assim, quis demonstrar a sua neutralidade no movimento revolucionário.
Os revoltosos descem a Rua do Almada, até à Praça de D. Pedro, (hoje Praça da Liberdade), onde, em frente ao antigo edifício da Câmara Municipal do Porto, ouviram Alves da Veiga proclamar da varanda a Implantação da República. Acompanhavam-no Felizardo Lima, o advogado António Claro, o Dr. Pais Pinto, Abade de São Nicolau, o Actor Verdial, o chapeleiro Santos Silva, e outras figuras.
Verdial leu a lista de nomes que comporiam o governo provisório da República e que incluíam: Rodrigues de Freitas, professor; Joaquim Bernardo Soares, desembargador; José Maria Correia da Silva, general de divisão; Joaquim d'Azevedo e Albuquerque, lente da Academia; Morais e Caldas, professor; Pinto Leite, banqueiro; e José Ventura Santos Reis, médico. 


Quartel de Infantaria nº 18 à Praça da República - Ed. Estrela vermelha


Foi hasteada uma bandeira vermelha e verde, pertencente a um Centro Democrático Federal. Com fanfarra, foguetes e vivas à República, a multidão decide subir a Rua de Santo António, em direcção à Praça da Batalha, com o objectivo de tomar a estação de Correios e Telégrafos.
No entanto, o festivo cortejo foi barrado por um forte destacamento da Guarda Municipal, posicionada na escadaria da igreja de Santo Ildefonso, no topo da rua. O capitão Leitão, que acompanhava os revoltosos e esperava convencer a guarda a juntar-se-lhes, viu-se ultrapassado pelos acontecimentos. Em resposta a dois tiros que se crê terem partido da multidão, a Guarda solta uma cerrada descarga de fuzilaria vitimando indistintamente militares revoltosos e simpatizantes civis. A multidão civil entrou em debandada e com ela, alguns soldados.
Os mais bravos tentaram ainda resistir. Cerca de trezentos barricaram-se na Câmara Municipal, mas por fim, a Guarda, ajudada por artilharia da serra do Pilar, por Cavalaria e pelo Regimento de Infantaria 18, sob as ordens do chefe do Estado Maior do Porto, General Fernando de Magalhães e Menezes força-os à rendição, às dez da manhã. Terão sido mortos 12 revoltosos e feridos 40.
Alguns dos implicados conseguiram fugir para o estrangeiro: Alves da Veiga iludiu a vigilância e foi viver para Paris: o jornalista Sampaio Bruno e o advogado António Claro alcançaram a Espanha, assim como o Alferes Augusto Malheiro, que daí emigrou para o Brasil.


Croquis de L. Freire sobre o bombardeamento dos Paços do Concelho no 31 de Janeiro de 1891 - Ed. “O Occidente n.º 437 11de Fevereiro de 1891


Os nomeados para o "Governo Provisório" trataram de esclarecer não terem dado autorização para o uso dos seus nomes. Dizia o prestigiado professor Rodrigues de Freitas, enquanto admitia ser democrata-republicano:
"mas não autorizei ninguém a incluir o meu nome na lista do governo provisório, lida nos Paços do Concelho, no dia 31 de Janeiro, e deploro que um errado modo de encarar os negócios da nossa infeliz pátria levasse tantas pessoas a tal movimento revolucionário."

A reacção oficial seria como de esperar, implacável, tendo os revoltosos sido julgados por Conselhos de Guerra, a bordo de navios, ao largo de Leixões: o paquete Moçambique, o transporte Índia e a corveta Bartolomeu Dias.
Para além de civis, foram julgados 505 militares. Seriam condenados a penas entre 18 meses e 15 anos de degredo em África cerca de duzentas e cinquenta pessoas. Em 1893 alguns seriam libertados em virtude da amnistia decretada para os então criminosos políticos da classe civil.
Em memória desta revolta, logo que a República foi implantada em Portugal, a então designada Rua de Santo António foi rebaptizada para Rua de 31 de Janeiro, passando a data a ser celebrada, dado que se tratava da primeira de três revoltas de cariz republicano efectuadas contra a monarquia constitucional (as outras seriam o Golpe do Elevador da Biblioteca, e o 5 de Outubro de 1910).


À esquerda está o Convento de S. Bento da Ave-Maria

Na foto acima ainda podemos ver um troço da muralha Fernandina.
Este tramo da muralha, a Norte do convento, foi destruído juntamente com ele. 
À sua direita ficava a Viela da Madeira e a Calçada da Teresa, personagem desconhecida e que desencadeia polémica entre os historiadores. Já vimos referidos os nomes de Calçada de Santa Teresa, de Calçada de D. Teresa e Calçada da Teresa. Era a ligação a Cima de Vila, antes da construção da Rua Nova de Santo António. Junto da muralha de frente para os Congregados, ficava o Botequim do Frutuoso, um dos primeiros do Porto.

Rua da Madeira

A actual Rua da Madeira, antigas Calçada da Teresa e Viela da Madeira, observada do lado Nascente, na foto acima.
Antes da construção da Rua Nova de Santo António, era por ali que se fazia o trânsito de pessoas entre Cima de Vila e a Porta dos Carros.


Projecto de fachadas


“A sua construção, como é fácil de imaginar, foi um tanto difícil devido à natureza ou topologia do local. Basta dizer que, os prédios nela erguidos têm mais andares para as traseiras do que para a frente, em vista da fundura em que os alicerces tiveram de ser cavados. Por esse motivo, foi a rua, em alguns pontos, assente em fortes arcadas de pedra que, por baixo, davam – e dão ainda- passagem de um para o outro lado. Na embocadura, teve de fazer-se uso de estacaria, por se espraiar até ali a chamada “mina do Bolhão” que abastecia de água o Convento de Ave-Maria”. 
O Tripeiro Série VI, Ano IV.

Devido a todas as dificuldades de construção a rua só foi concluída em 1805, já depois da morte de Francisco de Almada e Mendonça. 


Rua de Santo António antes de 1852



“Mais uma curiosidade da Rua de 31 de Ja­neiro. Na frontaria do prédio com o núme­ro 230 existiu até há relativamente pouco tempo uma argola de ferro. Para prender os cavalos dos clientes da casa, julgava muita boa gente. Mas não. Nos baixos do edifício funcionava, nos finais do século XIX, um estabelecimento do Miguel Toucinheiro que todas as manhãs trazia com ele "uma linda e asseada jumenta" que prendia na re­ferida argola e cujo leite era vendido ali ao público interessado”.
Autor desconhecido





Tabacaria Africana ao cimo da Rua de Santo António


Pegado à Tabacaria Africana na direcção da Praça da Batalha esteve a “Casa Fígaro”.


Casa Fígaro e Tabacaria Trindade c. 1900 – Ed. Foto Guedes

Na foto acima, é observável a fachada do edifício da Casa Fígaro (cabeleireiro, calista e perfumaria de homem e mulher) e da Tabacaria de A. Trindade & C.ª Sucessores, na Praça da Batalha, 141-143. À direita aparecia a Tabacaria Africana.


Tabacaria Africana após 1910 já na rua que passou a ser Rua 31 de Janeiro



Das fotos anteriores sobre a Tabacaria Africana, a primeira, será ulterior a 1902, pois, uma tabuleta indica ser propriedade de Alberto Vieira da Cruz.



“Tabacaria Africana – esquina da Rua de Santo António e Praça da Batalha – Pertenceu a António de Almeida Campos até 1902 e foi trespassada a Alberto Vieira da Cruz. Além de vender todos os artigos ligados ao tabaco, editava lindíssimos postais de costumes portugueses.
Infelizmente a rica frontaria foi destruída há poucos anos”.
In portoarc.blogspot.pt 


Rua de Santo António em 1907

Na foto acima de 1907, o edifício na esquina, à direita, ainda não tem a fachada característica da Ourivesaria Reis.


Rua 31 de Janeiro em 1905

Rua de Santo António - Ed. Eduardo Portugal, Arquivo Municipal de Lisboa

A foto acima é de 1925 e nela se vê que os veículos ainda circulam “à inglesa”, pois, a circulação pela direita só se verifica a partir de 1 de Junho de 1928.
A Rua de Santo António ficaria também ligada a outra revolta importante ocorrida na cidade e que seria votada ao insucesso.
Entre 3 e 9 de Fevereiro de 1927, o Porto foi palco de uma rebelião militar liderada pelo general Sousa Dias. Foi a primeira tentativa consequente de derrube da Ditadura Nacional que então se consolidava em Portugal, na sequência do golpe de 28 de Maio de 1926.
A intentona terminou com a rendição e prisão dos revoltosos e saldou-se em cerca de 80 mortos e 360 feridos no Porto e deu início ao período chamado “ O Reviralho”.


Revolta de 1927 na Rua de Santo António

A trincheira da morte ao cimo da Rua de Santo António na revolta de 1927 - Ed. monumentosdesaparecidos.blogspot


Trincheira na Sé no acesso à ponte Luís I  na revolta de 1927 - Ed. monumentosdesaparecidos.blogspot

Embarque junto da Estação das Devesas em V. N. de Gaia para o Porto a 5 de Fevereiro de 1927 - Ed. Ferreira da Cunha, Arquivo Municipal de Lisboa


Conjuntamente com a Rua dos Clérigos e a Praça de D. Pedro, depois, da Liberdade, a Rua de Santo António/31 de Janeiro, ganhou foros de excelência. Era a artéria onde imperavam os luveiros, as alfaiatarias e os cabeleireiros da moda.
O texto seguinte dá-nos uma ideia da vida comercial que se vivia na rua.

Nos meados do século XIX havia no Porto sete estabelecimentos que vendiam luvas, quando estas constituíam um adereço quase obrigatório do vestuário. Estavam todos na rua então chamada de Santo António. A avaliar pelos nomes dos proprietários, cinco dessas lojas pertenciam a franceses (Bernard, Fresquet, Loubié, Martel e Bénard), um espanhol, Vicent e uma portuguesa, Maria Martins.
Um dos mais célebres estabelecimentos que funcionaram nesta rua foi a Casa Prud'homme uma "mercearia fina" pertencente, claro, a um cidadão francês. Neste estabelecimento vendiam-se os melhores queijos do país de origem do dono, bem como os mais apreciados champanhes. Era frequentado pela melhor sociedade portuense daquele tempo, como o presidente da câmara Oliveira Monteiro, o médico Ricardo Jorge, ou o escritor Camilo Castelo Branco”.
Fonte: “pt.wikipedia.org”


Vicent (antes) uma loja emblemática



Vicent no nº 174 (depois) 

Antes do Vicent esteve aqui a Ourivesaria Miranda & Filhos


Casa de Banhos

Na Rua de Santo António, existiu uma famosa casa de banhos aberta em 1866, recebia água do manancial de Camões conduzida por mina construída propositadamente. Foi fechada em 27/9/1909. 
Era esta, uma rua tradicional neste ramo de negócio, pois, em 27 de julho de 1854 era feito o “Anúncio no jornal “O Porto e a Carta”:

 “…de banhos na R. de Santo António, que a partir do dia 15 vão ter “água do mar quente”.

A esta casa de Banhos se refere Camilo Castelo Branco no romance “A Brasileira de Prazins, nos seguintes termos:

“O autor teve relações muito saudosas com este venerando sacerdote, que em 1851 residia num antigo casarão da Rua de Santo António, que depois se transformou em casa de banhos. Por esse tempo, se congregavam ali os homens eminentes, por inteligência e haveres, do partido realista. Neste ano, padre Luís de Sousa passava os seus dias rodeado de pergaminhos, imobilizado numa poltrona, gemendo as dores da gota. Morreu muito pobre e muito desamparado”. 

Segundo Camilo em 1851 a casa aí existente era a morada do padre Luís de Sousa, que era correspondente no Porto do exilado D. Miguel.

Mesmo local da foto anterior - In site Monumentos Desaparecidos



Em fins do século XIX existia nesta rua uma chapelaria chamada “Chapéu Elegante” cujo dono, em 1895, começou a adoptar o sistema de preço fixo nos seus artigos.
No dia 2 de Março de 1905, abriu a “Joalharia Miranda, Filhos & Duarte”, cujas instalações se impunham pelo seu gosto artístico. A fachada que ainda hoje, felizmente, pode ser vista, é de ferro fundido estilo Luís XV.
O termo portuense  “isso é bera!” pretendendo depreciar alguém ou alguma coisa radica no facto de ter existido na Rua de Santo António, uma loja que vendia joias falsas e que se chamava “Bera Diamond Palace”. Durante alguns anos foi um sucesso comercial. Pertenceu a uma estrangeira chamada Bera.
Por fim uma referência à “Farmácia Central”.


Publicidade à Farmácia Central

O hipotético Mr. Lencart, “prestigioso farmaceutico parisiense”, não era senão o inteligente Sr. Álvaro Salgado, dono da Farmácia Central, no nº 203, e que LENCART era um anagrama de CENTRAL. A verdade é que deve ter vendido milhares e milhares de caixas de rebuçados e de pomitos, um creme para todas as ocasiões.




Ourivesaria Machado que antes esteve na Rua do Loureiro



O mesmo local, antes e depois da abertura da Rua Sá da Bandeira (à esquerda)


Em frente está a Rua Sá da Bandeira

Na foto anterior, a confeitaria Palace em 1930, no gaveto das Ruas de Sá da Bandeira e de Santo António.

Ourivesaria e Joalharia Âncora em 1960

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