domingo, 9 de julho de 2017

(Conclusão)

Quanto ao actual edifício da Câmara Municipal do Porto foi começado a construir em 1920 e ocupado a partir de 1957.
No projecto de Carlos Pezarat de 1889 a sua localização seria a poente da Avenida dos Aliados e segundo a sugestão de Marques da Silva, deveria ser escolhido um local para os lados do Carmo e da Universidade. Acabou por vingar a hipótese de Barry Parker ao cimo da avenida.
No projecto inicial o edifício, muito diferente do risco de Barry Parker, foi projectado com uma escadaria frontal e com uma torre a encimar o edifício.


Escadaria da Câmara Municipal

Motociclistas diante da escadaria da CMP ainda em obras em 1948

O arquiteto Carlos Ramos explicou a 12 de Janeiro de 1951, em sessão na C.M.P., que a torre do edifício iria ter menos 7 metros, não haveria nichos na fachada, e que passariam a existir duas rampas de acesso em vez de escadaria.

Edifício da Câmara já com rampas de acesso

Torre da Câmara Municipal antes de ser encurtada

Na foto acima tirada da Rua de Sá da Bandeira, pode-se também observar, que a torre do edifício da Câmara chegou a ser mais elevada.

Estátua de Garrett de Barata Feyo em frente à Câmara Municipal


A Menina Nua e a avenida que é uma saudade para muitos portuenses

Acima uma foto da estátua em mármore e pedra lioz conhecida como, "A Juventude", de 1929, dita a “Menina Nua”, do escultor Henrique Moreira.
Um pouco mais acima está do mesmo autor, a escultura “Os Meninos - A Abundância” de 1931, em bronze.


A “Menina Nua” e a sua personagem

“Chamava-se, Aurélia Magalhães Monteiro, e era conhecida por Lela, Lelinha ou pela «Ceguinha do 9» (cegou aos 43 anos) - para a eternidade ficará sempre a ser a «Menina Nua» da Av. dos Aliados. Nasceu no dia 4 de Dezembro de 1910, na freguesia do Bonfim, e pouco tempo antes de falecer, dizia-me «que tinha sido uma das mulheres mais apreciadas e cobiçadas do seu tempo» … Estive duas semanas a «posar» e ainda hoje recordo com alegria e saudade aqueles momentos de trabalho, pois posso morrer amanhã que todos ficarão a saber quem era a Lela... se a memória não me falha, comecei com o mestre Teixeira Lopes, na figura-modelo da rainha D. Amélia, esta estátua encontra-se actualmente no Museu com o mesmo nome, em Vila Nova de Gaia… fiz de modelo para vários mestres, entre eles: Acácio Lino, Joaquim Lopes, Dórdio Gomes, Sousa Caldas, Augusto Gomes, Camarinha e os consagrados, Henrique Moreira e Teixeira Lopes…” Aurélia Magalhães Monteiro, a Lela, Lelinha, ou a «Ceguinha do 9», faleceu no dia 2 de Junho de 1992, com 82 anos de idade; no entanto a «Menina Nua», continua viva, fixa e eterna, ali na Av. dos Aliados envolta nos nevoeiros citadinos, perpétua e ardente, nos dramas e vitórias deste povo.
Extraído do livro “Pasteleira City”, de Raul Simões Pinto. Edições Pé de Cabra, Fevereiro de 1994


“Os Meninos” ou “A Abundância” - Ed. “pt.wikipedia.org”

Atelier de Henrique Moreira no cimo dos Guindais

“O atelier de Henrique Moreira, talvez o escultor que mais obras deixou no Porto, ficava na antiga casa das máquinas do antigo elevador dos Guindais, desactivada depois do acidente. Amigo de nossa família, ainda o visitei em jovem, tendo ficado assombrado com a quantidade das esculturas em gesso que aí estavam “semeadas”. Uma boa parte delas eram de obras já executadas. Na foto ainda se vêm pedras e trabalhos.
Desde o século XIX a escola de Belas artes do Porto tem-se distinguido por grandes escultores tais como Soares dos Reis (1847-1889), Teixeira Lopes (pai) (1837-1918), Teixeira Lopes (filho) (1866-1942), Américo Gomes, António Fernandes Sá (1874-1959), Henrique Moreira (1890-1979) e tantos outros”.
Com a devida vénia a Rui Cunha


Avenida dos Aliados em Março de 1930 – Fonte: portoarc.blogspot


Na foto acima a Câmara ainda está a ser construída e no centro à frente da estátua da “Menina Nua”, observa-se uma bomba de gasolina da Shell (em cada bombada eram 5 litros).


Avenida dos Aliados em meados do século XX - Ed. (s.n.) AHMP

Para memória futura, na foto abaixo, a Avenida dos Aliados, que começou por se chamar Avenida da Cidade e depois Avenida das Nações Aliadas e finalmente Avenida dos Aliados.


À direita o “Edifício Joaquim Pinto Leite” e à esquerda “A Nacional”





A Praça das Flores já foi Campos de Godim por altura das Invasões Francesas, e depois Largo do Fôjo ou Campo do Fôjo, em 1891, por se encontrar nas imediações do morro do Fojo.
Diga-se que nos finais do século XVIII, aquele amplo logradou­ro já estava ajardinado. Possuía cómodos bancos de pedra e estava ornada com ár­vores frondosas que, no estio, pro­piciavam frescas sombras. Todos es­tes arranjos foram feitos por iniciati­va, e à custa, da Companhia das Vi­nhas do Alto Dou­ro, no cumprimen­to de uma obriga­ção que lhe compe­tia: “conservar, me­lhorar e embelezar as estradas que, na­quele tempo, ligavam o Porto com a re­gião do Alto Douro”. 
Passou a ter o nome actual de Praça das Flores em 1903, mas entre 1945 e 1980, foi alterado para Praça Dr. Pedro Teotónio Pereira, ministro e embaixador de Salazar e, o seu jardim, chama-se, hoje, Guedes de Oliveira.
Guedes de Oliveira foi proprietário da casa de fotografia na Rua de Santa Catarina, nº 262 denominada de Foto Guedes”, tendo sido ainda professor e director da Escola de Belas-artes do Porto.



Praça das Flores 

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