terça-feira, 25 de julho de 2017

(Continuação 15) - Actualização em 11/05/2018

Torre de Pedro Sem e Torre da Marca

Nas traseiras do Paço da Mitra pode ver-se a “Torre”, falsamente denominada de “Torre da Marca”, mandada construir entre os anos 1336 e 1341, por Pedro do Sem ou Docém, cavaleiro nobre da rainha Santa Isabel e ouvidor e chanceler-mor de Dom Afonso IV. Daquele fidalgo, descenderam os «Brandões», proprietários da torre e do palacete que lhe está acoplado a Sul.
Quando Luís Brandão de Mello Pereira de Lacerda, construiu a casa junto à Torre, na segunda metade do século XVIII, c. 1758, a torre estaria completamente destruída interiormente.
A torre está classificada como Monumento Nacional.


Torre de Pedro Sem

Junto desta torre e nas imediações do Cemitério dos Ingleses situava-se o Casal do Pombal (segundo um documento de 1805), junto do actual Largo da Maternidade de Júlio Dinis que, ainda há relativamente pouco tempo se chamava, Campo Pequeno.
O referido documento é uma petição do negociante Jerónimo Pereira Leite, no qual solicita autorização Régia para poder "sub-emprazar chãos (alugar terrenos) do seu Casal do Pombal" a fim de neles poderem ser construídas casas. Acontece que do tal casal era senhorio directo a Colegiada de Cedofeita, que se mostrou contrária ao empreendimento. O caso, por isso, teve que ser resolvido nos tribunais.
O Casal do Pombal era atravessado por um tortuoso caminho, espécie de estreita azinhaga que após a urbanização do sítio se transformou em artéria pública tomando o nome da propriedade com a designação de Rua do Pombal. Trata-se da actual Rua de Adolfo Casais Monteiro.
A Rua de Jorge de Viterbo Ferreira, que corre entre os jar­dins do Palácio de Cristal e os terrenos ante­riormente ocupados pelo quartel, só foi aberta em 1865, ano da inauguração no novo palácio e da grande exposição internacional. Por esse motivo, a artéria em causa tomou o nome de Rua Nova do Palácio e mais tarde (1877) deram-lhe nova denominação: Rua do Palácio de Cristal.
O nome de Viterbo Ferrei­ra, antigo administrador da empresa da Ferreirinha, é já dos nossos dias.
Para servir a Exposição Colonial Portuguesa, aberta nos anos 30 do século XX, e permitir um rá­pido acesso ao Palácio de Cristal, foi aberta desde as imediações da Torre de Pedro Sem, a Rua Júlio Dinis. 
Mas, seria a famosa e verdadeira Torre da Marca, uma baliza para quem navegava no rio Douro, que deu nome a um largo, próximo do quartel e ao Palácio dos Brandões ou dos Terena ou dos Monfalim (Paço Episcopal desde 1919) situado na esquina das ruas de Júlio Dinis e da Boa Nova.
Essa verdadeira Torre da Marca (baliza) era uma referência dos navios que demandavam a barra do Douro e seria construída pela Câmara em 1542, a pedido do rei D. João III, em substituição de um pinheiro que ali existia com as mesmas funções, nos terrenos onde hoje se situa o Palácio de Cristal, ao fundo da Avenida das Tílias, perto de onde está a Capela de Carlos Alberto. Esta torre foi muito danificada pela artilharia miguelista, acantonada no alto do Castelo de Gaia, para atingir os liberais que, à sua sombra, ali tinham instalado uma bateria, durante o Cerco do Porto, e a sua reparação, embora decidida em 1839, nunca chegou a ser levada a efeito.
A evocação da velha Torre da Marca sobrevive, então, também erradamente, no chamadouro popular da Torre de Pedro Sem, que se ergue junto ao antigo Paço Episcopal, como também é ainda hoje conhecido, e foi propriedade dos Brandões que se juntaram aos marqueses de Terena e depois aos marqueses de Monfalim, mas, como já sabemos, nada tem a ver com a torre que servia de baliza à navegação no rio Douro.
Por curiosidade diga-se que, Camilo no romance “O Senhor do Paço de Ninães” escreve que o Sr. Marquês de Monfalim era casado com a Srª Marquesa de Terena, habitando no lugar de Reboredo, no Minho.


A verdadeira Torre da Marca à esquerda, e sobre a direita ao longe, o forte de S. João da Foz - Gravura de Manuel Marques de Aguilar



Torre da Marca

A gravura inglesa acima, talvez do Coronel Betty, tirada do Monte da Arrábida – 1829 – ainda se vê a Torre da Marca, ao fundo, pois só foi destruída no cerco do Porto em 1832.


Paço da Mitra ou Palacete dos Brandões ou Palacete dos Terena ou Palacete dos Monfalim

Em frente à entrada dos jardins do Palácio de Cristal, encontra-se o Paço da Mitra ou Solar dos Terenas, que já foi Paço Episcopal após a implantação da República quando abandonou as instalações na Sé, que foram ocupadas, mais tarde, pela Câmara Municipal depois da demolição das que tinha na Praça D. Pedro, e após breve passagem pelo palacete da quinta de Sacais.
O chamado Palácio da Torre da Marca pertenceu, em tempos idos, a três poderosas e influentes famílias portuenses os Brandões, a que andaram ligados Diogo e Fernão Brandão, poetas do Cancioneiro; os condes e marqueses de Terena; e os primeiros e únicos marqueses de Monfalim, que morreram sem descendência. No brasão ainda existente na fachada do nobre edifício estão representadas, exactamente, as armas dessas três famílias.
Foram os herdeiros dos Monfalim que venderam o imóvel à Diocese do Porto. No edifício funcionou um colégio, esteve instalado o Asilo Profissional do Terço, antes de se transferir para as suas actuais instalações na Praça do Marquês de Pombal e, a partir de 1910, com o surgimento da Lei da Separação e a ocupação, pelo Estado, do antigo Paço Episcopal, junto à Sé, o antigo Palácio da Torre da Marca, que ficava no que chegou a chamar-se, Largo da Torre da Marca, serviu de residência aos bispos do Porto.
Do site do Centro de Cultura Católica retirámos as seguintes passagens: 

“Chamou-se-lhe, em eras campónias que o tempo soterrou, Quinta da Boavista. Ainda o Porto se remetia à Sé e a S. Nicolau e à Vitória, situava-se aquela granja no então Couto e Honra de Cedofeita. É um rosário de gerações até hoje… Diz a lenda que um tal Pedrossen, negociante hamburguês terá vindo para o Porto no último quartel do séc. XVII e se estabeleceu na freguesia de S. Nicolau, e ali enriqueceu. É com este Pedrossen que Pinho Leal relaciona a lenda do negociante rico e orgulhoso, senhor da Torre do mesmo nome, que, ao ver os seus navios entrarem a barra carregados de mercadorias preciosas, desafiou o próprio Deus: Agora nem Deus seria capaz de me fazer pobre. Acto contínuo, uma tempestade destroçou todos os barcos e reduziu-o à miséria, obrigando-se, o pobre, a andar pelas ruas a pedir: dai esmola a Pedro Sem, que já teve e agora não tem… Como quer que seja, sabe-se que, por escritura lavrada no tabelião Pedro Fernandes do Porto, em 26 de Fevereiro de 1492, a Torre e os seus anexos, ali identificados como Quinta da Boa Vista, passou das mãos de um outro Pero do Sem, sobrinho de Martim do Sem, para os seus parentes colaterais João Sanchez, fidalgo castelhano, e sua mulher Isabel Brandoa, da Casa dos Condes da Feira. Esta é a razão por que a Torre aparece depois identificada como de Brandão ou dos Brandões...
…Terá sido um seu descendente, Luís Brandão de Mello Pereira de Lacerda, que construiu a casa junto à Torre, na segunda metade do século XVIII e ali terá nascido, em 1793, o seu filho José Maria Brandão de Mello que casou, em 1814, com D. Maria Emília Correia de Sá, filha do primeiro Marquês de Terena. A neta deste José Maria, D. Eugénia Maria Brandão de Mello, 3ª Marquesa e 4ª Condessa de Terena e 3ª viscondessa de S. Gil de Perre, casou em 29 de Julho de 1861, com o seu tio materno D. Filipe de Sousa Holstein, 1º Marquês de Monfalim e filho dos Duques de Palmela. Deste casamento não houve descendência, pelo que a Casa e a Torre foram deixadas a suas sobrinhas D. Mariana e D. Eugénia de Jesus de Sousa Holstein. Esta, nascida a 7 de Março de 1866, professou na Congregação das Irmãs de Santa Doroteia em 1897 e veio a falecer em 31 de Maio de 1937…” 

Quando, em 1914, o Bispo do Porto, D. António Barroso regressou do exílio em Remelhe, Barcelos, instalou-se, por empréstimo, na Quinta de Sacais. O seu sucessor D. António Barbosa Leão, apoiado por uma subscrição dos fiéis da cidade, adquire, aos herdeiros dos Marqueses de Monfalim, a Casa da Torre da Marca para aí instalar a residência Episcopal. Assim, desde os finais de 1919 até 1964 esta foi ocupada por D. António Barbosa Leão, D. António Augusto de Castro Meireles, D. Agostinho de Jesus e Sousa e D. António Ferreira Gomes, e aqui funcionaram também os serviços da Cúria Episcopal. Foi nos terrenos desta casa que, em 1934 quando se realizou a Exposição Colonial, se abriu a Rua de Júlio Dinis, no troço que liga a Praça da Galiza ao Palácio de Cristal.
A Rua de Júlio Dinis projectada há anos, só em consequência da Exposição Colonial, seria aberta, em terrenos expropriados à Mitra.
Em 1964 o Paço da Sé voltou à posse da Diocese.

Paço da Mitra


Palácio dos Monfalim antes da abertura da Rua de Júlio Dinis (rasgada pela esquerda da foto)

Rua de Júlio Dinis antes e 70 anos depois com a Torre da Marca ao fundo - Ed. "facebook.com/PortoDesaparecido/"


A Rua Júlio Dinis no local hoje identificado como Praça da Galiza passaria junto de um campo em tempos chamado, Campo do Lagarinho, "na aldeia de Vilar". Ora foi através desse campo que nos meados do século XIX se rasgou uma nova artéria "que ia desembo­car ao sítio do Padrão de Vilar" a que foi dado o nome de Rua da Torrinha.
Na altu­ra, este novo arruamento corresponderia à actual Rua da Piedade, na parte que vai do Largo de Alexandre de Sá Pinto até à Praça da Galiza. A parte que hoje é a Rua da Tor­rinha tinha, naquele tempo, o nome de Rua do Priorado por também pertencerem ao D. Prior da Colegiada os terrenos em que foi aberta.
O topónimo Torrinha designava um casal rústico. 


Capela do Senhor Jesus da Boa Nova

A capela teve origem num padrão que um piloto da carreira da Índia, Pantaleão Gomes, morador em Miragaia, ali mandou erguer, em 1628 no cumprimento a uma promessa ao Senhor Jesus de Bouças (Matosinhos) durante uma tempestade. Para além de mais de um século, o padrão esteve numa encruzilhada de caminhos por onde passavam os romeiros que se dirigiam às romarias a Bouças (Matosinhos) e Senhora da Hora.
Para a Senhora da Hora os romeiros passavam pela torre de Pedro Sem, e rumavam ao seu destino, por Ramalde depois de passar na Falperra (Ramada Alta).
Para Bouças (Matosinhos) seguiam a Rua de Vilar, subiam a actual Rua Rainha D. Estefânia e pelo Campo Alegre rumavam ao Senhor de Bouças.
Devido à quantidade apreciável de esmolas angariadas junto do cruzeiro, foi possível em 1782 construir uma capela nessa encruzilhada de caminhos, para o que contribuiu com a cedência gratuita de um terreno, o grande capitalista João Pacheco Pereira que morava à entrada da Rua de Vilar.

Planta de Balck de 1813


Acima mostra-se o percurso (a azul) que os romeiros faziam, desde a Torre de Pedro Sem em direcção à Ramalda Alta, com destino à Senhora da Hora.


Igreja de Lordelo do Ouro à direita

Na foto anterior, se vê a passagem de Lordelo para a Foz Velha pela nova Rua Diogo Botelho em meados do século XX. Por aqui se ia, anos antes, com destino a Bouças, vindos da zona de Vilar.
À esquerda seria a Rua de Serralves e ao fundo, à direita, a Paroquial de Lordelo.
Aquela capela do Senhor Jesus da Boa Nova erigiu-a a antiga confraria de S. José e S. Brás de carpinteiros, escultores enxambladores, violeiros e torneiros, que haviam estado na capela dos Brandões da Igreja de S. Francisco, no ano de 1782, no mesmo lugar onde, Pantaleão Gomes mandara levantar o citado padrão em honra do Senhor Jesus de Bouças.
Mais tarde juntou-se àquela confraria a irmandade dos Latoeiros e Picheleiros que tinham por patrono S. Gonçalo e sede na desaparecida capela de S. Roque à entrada da Rua do Souto.
Na casa anexa esteve durante anos o Seminário dos Meninos Desamparados, actualmente em Campanhã, na Rua do Pinheiro.
O Padrão inicial está guardado no Museu de Arte Sacra, anexo à Igreja de S. Lourenço (vulgo Grilos).
À entrada da capela, ao nível do degrau superior da pequena escada exterior que dá acesso à porta principal, do lado da Rua da Boa Nova, ainda existe uma pedra com restos de uma inscrição já quase imperceptível que se julga ter pertencido ao referido padrão.
A festa à Senhora da Boa Nova que ficou mais conhecida, tinha lugar em S. Nicolau.


Capela do Senhor Jesus da Boa Nova


Hotel do Louvre

No prédio do gaveto das actuais ruas do Rosário e de D. Manuel II ficava o célebre Hotel Louvre, inaugurado em 1865, ano das exposições industriais no Palácio de Cristal.
Em Março de 1872, aí se hospedou, durante oito dias, o imperador D. Pedro II do Brasil e a imperatriz D. Teresa Cristina Maria de Bourbon numa visita ao Porto e, desde esse momento, o imperador ficou ligado a uma história, que narra, que ele, por intermédio do Cônsul no Porto, achando especulativa a conta da estadia, se recusou a liquidá-la.
A dona do hotel embarcou então num navio tentando resgatar a referida conta de mil libras, no Brasil, após um tribunal lhe ter dado razão na acção judicial que entretanto correu. Para obstar ao escândalo quatro ricos portugueses residentes no Brasil pagaram do seu bolso a dita maquia. 
Nessa visita do Imperador do Brasil em 1872  um outro episódio ocorreria, durante a visita à cidade, que será narrado nos textos seguintes.
Assim, o imperador ao visitar a Academia Portuense de Belas Artes, sedeada no extinto convento de S. Lázaro, procurou conhecer os pintores Francisco Rezende e João Correia e as suas obras, pelo prestígio que tinham entretanto adquirido na cidade.

“Depois de reparar no mau estado em que se acha o edifício, cuja reparação compete à camara municipal da cidade, subiu às aulas da Academia, e ahi notou os quadros dos srs. Francisco José Resende e João António Corrêa, que elogiou, perguntando pelo primeiro, o qual se não achava presente. Mais tarde foi o sr. Resende recebido no hotel do Louvre, aonde foi offerecer-lhe dois quadros, um de costumes, outro com o retrato del-rei o sr. D. Luiz.”…
In Viagem dos Imperadores do Brasil em Portugal. Imprensa da Universidade. Coimbra 1872. (pág.103)

Entretanto, no Jornal “O Primeiro de Janeiro” de 3 de Março de 1872 dizia-se a propósito daquela visita:

Hontem, pelas 7 horas da manhã foi o snr. Resende collocalos na sala de espera do hotel do Louvre, e quando procedia áquella operação, entraram na sala o snr. D. Pedro II com os snrs. Marquez de Ficalho, Andrade Corvo e seu secretario António Sampaio, os quais não só muito elogiaram os quadros como também dirigiram affectuosissimas palavras ao notável artista. Suas magestades querem que aquellas pinturas vão já na sua companhia para o Rio de Janeiro.
Fonte: “doportoenaoso”


Pescadores numa Praia” 1887. Óleo sobre tela 95 x 145 cm, de Francisco José Rezende, exposto no Palácio Nacional de Queluz

Na obra acima temos uma vista sobre a praia de Matosinhos.
A visita acontecida em 1872 à cidade do Porto começaria alguns meses antes. Assim, em 25 de Maio de 1871 D. Pedro II e a sua mulher D. Teresa Cristina de Bourbon (1822-1889) partem do Rio de Janeiro no paquete Douro.
Chegados a Lisboa a 12 de Junho, permanecem de quarentena obrigatória no Lazareto tendo recusado a oferta de D. Luís da corveta portuguesa Estephanea. Finda a quarentena instalaram-se no Hotel Bragança até à partida no caminho-de-ferro para uma digressão pela Europa, em Junho de 1871. Visitaram Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Áustria, Itália e o Egipto no Norte de África.
No dia 29 de Fevereiro de 1872, estão de regresso em comboio a Portugal dirigem-se para o Porto, tendo aqui chegado através da Estação das Devesas em V. N. de Gaia.

Após uma estadia no Porto seguiu-se uma visita a Braga e a comitiva brasileira partiria para Lisboa com paragem em Coimbra, Leiria, Alcobaça, Caldas e Batalha. Depois de demorada estadia em Lisboa no Hotel Bragança embarcam de regresso ao Brasil.


O Largo da Feira de S. Bento (com a Igreja dos Congregados ao fundo) preparado para receber o Imperador em 1872


Em 1830 a esquina da Rua do Rosário com a Rua dos Quarteis, que viria a ser do Triunfo, estava ocupada pela casa de António Caetano da Silva Pedroza e por terrenos que o mesmo pretendia comprar, precisamente onde mais tarde se levantaria o Hotel do Louvre que começaria por se chamar até 1875, Hotel de Paris, que nesta data era já propriedade de Maria Henriqueta de Mello Lemos e Alvellos, tornando-se um dos melhores hotéis da cidade.
O prédio do hotel foi construído em 1863 e pertenceu a Gaspar Joaquim Borges de Castro, sogro do segundo conde de S. João da Pesqueira, que ali residiu e, mais tarde, veio a encomendar diversas ampliações – principalmente em 1875, tendo coberto o seu terraço.
Começou como hotel de luxo, gerido por Maria Henriqueta de Mello Lemos e Alvellos, que alguns dizem ter sido amante do proprietário.
Em 1880 é dada notícia de um incêndio de reduzida dimensão, mas que no entanto é significativo do estado do hotel.

“A notícia é de 15 de junho - Às 5 horas e um quarto da tarde. Rua do Triumpho. Propriedade do visconde das Devezas, onde está estabelecido o hotel do Louvre, de D. Maria Henriqueta de Mello Lemos e Alvellos. O incendio que causou insignificantes prejuizos declarou-se na fuligem da chaminé e foi extincto pela bomba dos voluntários.”
Fonte: “doportoenaoso.blogspot.pt”


Em 1880, o Hotel do Louvre acaba mesmo por fechar as portas, na sequência de um processo que Joaquina Augusta Vieira Borges de Castro, filha de Gaspar Joaquim Borges de Castro, move contra Maria Alvellos, por esta lhe estar a dever a prestação de arrendamento de 1879 e 1880.
Em 1904 Maria Henriqueta de Mello Lemos e Alvellos morre na miséria.
Foi neste prédio, em 1885, inaugurada uma das primeiras clínicas particulares da cidade - a Casa de Saúde do Dr. António Bemardino de Almeida e, entre 1927 e 1930, aqui esteve instalado o Orfeão Lusitano.
Nos anos 30, foi sede do velhinho e popular Sport Comércio e Salgueiros seguindo-se o Cineclube do Porto fundado em 1945 e o Movimento Unidade Democrática (MUD) entre 1947 e 1948, até à sua expulsão pela PIDE.
No final do século XX veio a ser ocupado pela Escola de Condução “A Desportiva”, que ali permaneceu até meados do início do século XXI, na altura da construção do Túnel de Ceuta.


À direita na foto o edifício do antigo Hotel do Louvre

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