terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

(Continuação 27) - Actualização em 21/10/2017 e 09/04/2020

11.18.1 Delegação do Porto da Cruz Vermelha
 
 
Em 24 de Novembro de 1909, instala-se no edifício do Centro Comercial, à Praça de Santa Teresa, a delegação do Porto da Cruz Vermelha.  
Antes, a delegação da Cruz Vermelha tinha sido fundada em 8 de Abril de 1897, trinta e dois anos depois de a instituição ter surgido, pela primeira vez, em Portugal, mais concretamente, em Lisboa.
A primeira comissão directora era constituída pelo General Adriano Cibrão e por António Baptista Alves de Lemos, Ezequiel Vieira de Castro, Augusto de Araújo e major José Augusto Maria da Silva e Sousa.
Apesar de dificuldades financeiras e logísticas, a delegação do Porto montaria um hospital para militares, em pisos alugados no Hospital de Crianças Maria Pia, na Rua da Boavista.
Assim, em pleno conflito mundial, em 6 de Julho de 1917, o Hospital de Crianças Maria Pia cede à Cruz Vermelha, por escritura lavrada no notário Domingos Curado, algumas dependências para instalação de um Posto Hospitalar para atendimento de militares feridos da 1ª Grande Guerra.
No dia 10 de Julho de 1917, era nomeado como médico-chefe dos Serviços Cirúrgicos do Posto Hospitalar da Cruz Vermelha, já devidamente instalada, desde 1916, em instalações do Hospital Maria Pia, o cirurgião Professor Júlio Esteves Franchini.
Em Dezembro de 1917, chegaram os primeiros militares, mas face à epidemia de tifo que assolou a cidade, o hospital foi adaptado ao serviço antitifoso em Fevereiro de 1918.
Assim, no dia 22 de Fevereiro de 1918, O Hospital da Cruz Vermelha, à Rua da Boavista, face a uma epidemia de tifo que grassava no País, é transformado num hospital para tifosos. Na época, seria nomeado um Inspector de Saúde com poderes extraordinários para enfrentar o flagelo na cidade e o Governador Civil e o Dr. Almeida Garrett, decidem mandar adaptar o convento do Sardão, em V. N. de Gaia, para a convalescença daqueles doentes.
Como no mês seguinte, em Março, a epidemia não desse sinais de abrandamento, seria o Palácio das Carrancas, também, adaptado a hospital, pois o número de doentes já ultrapassava as doze centenas.
Por isso, o Hospital da Cruz Vermelha recebe para reforço do corpo médico, o conceituado, Dr. José Maria Braga.
Entretanto, aconteceria a primeira vaga de gripe pneumónica entre Maio e Julho de 1918, o que obrigaria à diversificação das intervenções.
Ao longo dos anos, a Cruz Vermelha para além de dividir instalações com o Centro Comercial e com o Hospital de Crianças Maria Pia, peregrinou por outras moradas, nomeadamente, nas ruas da Fábrica e dos Mártires da Liberdade e, ainda, por duas moradas na Rua da Boavista.
Em 1928, a Cruz Vermelha dividia instalações, com o "Posto de Socorros, n.º 1 - Secção de Transportes", na Rua da Boavista, n.º 621, à Carvalhosa.
 Em 4 de Abril de 1955, foi adquirido um palacete, na Rua Nossa Senhora de Fátima, para alojar a Cruz Vermelha em instalações que, ainda hoje, estão a cumprir a sua função.


 

In jornal “Diário Popular” de 5 de Abril de 1955


 
A inauguração das novas instalações ocorreria em 8 de Abril de 1956.
Tratava-se de um palacete do início do século XX e que, em 1906, tinha sido vendido pela primeira vez, após a sua construção.
Em 21 de Junho de 1900, o pedido de licenciamento do prédio em causa foi solicitado à Câmara do Porto por George Phillip Shweder, obtendo o nº 155.
George Schweder foi o fundador, juntamente com Ferdinand Claus, da fábrica de sabonetes “Claus & Schweder” que, em 1906, já estava pela Rua de Serpa Pinto e, mais tarde, viria a ser a “Ach Brito”.
Em 1906, o palacete mandado construir por George Schweder é então vendido quando, em 1903, a saúde dele já dava sinais de debilidade, obrigando-o a abandonar a “Claus & Schweder”.
Até chegar à posse da Cruz Vermelha, a propriedade passaria pelas mãos de alguns outros proprietários.
Durante as décadas de 1960 e 1970, nos terrenos anexos ao referido palacete seria construído um edifício no qual passariam a funcionar os serviços de formação e outros ao nível da assistência às populações.
Uma figura ligada à delegação da Cruz Vermelha no Porto, entre várias outras que se destacaram, foi Ana Guedes Costa, a primeira enfermeira diplomada, fundadora da Liga das Mulheres Portuguesas, com relevância no apoio aos combatentes na 1ª Guerra Mundial e que, seria em 1943, durante a 2ª Guerra Mundial, vereadora na Câmara Municipal do Porto, com o pelouro da Saúde.
Foi benemérita do Hospital de crianças Maria Pia, a quem salvou da decadência com a receita da venda de alguns bens patrimoniais; esteve também na origem da criação do Instituto de Oncologia do Porto.
Por toda a sua actividade em favor da comunidade, podemos ver uma singela homenagem à sua pessoa, num busto, da autoria de Henrique Moreira, exibido no átrio da delegação da Cruz Vermelha.
Em virtude de laços familiares aos Guedes, da Casa da Costa, Ana Guedes tem uma ligação a Mancelos, Vila Meã.
 
 
 

Sede da Cruz Vermelha, na Rua Nossa Senhora de Fátima








“A Sociedade Protectora dos Animais do Porto (SPAP), foi fundada a 30 de Maio de 1878, por um conjunto de pessoas liderado pela Exma. Sra. D. Alice Ulsenbos, filha do ilustre cônsul Holandês Conrad Ulsenbos. A 9 de Novembro de 1878, foram aprovados os estatutos por alvará do Governo Civil do Porto. Aquando da sua criação, a Sociedade centrava-se na protecção de animais de tracção, uma vez que era notório o trabalho excessivo e o sofrimento dos animais que durantes longas horas subiam as íngremes calçadas da cidade do Porto, encontrando-se sujeitos a esforços físicos astrosos.
A primeira acção da Protectora dos Animais foi a colocação de fontanários em determinados locais da cidade do Porto, para que os animais pudessem usufruir de água. Com a substituição dos animais por veículos motorizados, a Sociedade Protectora dos Animais do Porto sofreu uma nova orientação, começando a centrar-se na prestação de cuidados a animais de estimação.
Procedeu-se ainda à construção de uma sede na Praça de Carlos Alberto, num segundo andar, que foi adaptado para a instalação de um consultório, onde os serviços de veterinário, a tempo parcial, eram reservados para associados. Com o evoluir dos anos e após alguma contenda no parlamento, consegue a fundação ser abrangida pela declaração de utilidade pública particular por lei de 16 de Março de 1914”.
Fonte – Site: “spaporto.pt”


A Sociedade Protectora dos Animais foi fundada, portanto, em 30 de Maio de 1878, tendo sido abrangida pela lei de Declaração de Utilidade Publica em 1914.
Por ocasião das comemorações dos seus 25 anos, foram inaugurados dois fontanários – Praça da Batalha e Praça de Carlos Alberto - que tinham a particularidade de ter duas taças: a superior destinava-se aos cavalos e a inferior aos cães.
Em 1907 a Srª D. Alice Hulsenbos contribui para o levantamento de uma fonte para animais no actual Largo Artur Arcos.
O rei D. Manuel II foi uma das personalidades que estiveram presente nas comemorações dos 31 anos da Sociedade Protectora dos Animais do Porto.
Foi em 1969, que o benemérito José Maria Nascimento Cordeiro, presidente do F C Porto entre 1961 e 1965, concretizou o sonho de tantas gerações, ao doar a Quinta das Tílias à instituição, o que permitiu criar um pavilhão clínico e dar abrigo aos animais que vadiavam pelas ruas do Porto.
A Quinta das Tílias ficava situada no Monte da Costa e era, também, conhecida por Quinta do Monte da Costa.
A cerimónia da doação ocorreria durante um almoço, em 16 de Fevereiro de 1969, no Hotel Tuela, ao Bom Sucesso, em que foi homenageado Nascimento Cordeiro.
Entre 1970 e 1974, a SPA construiu cem canis e deu protecção a 300 animais.



Quinta das Tílias – Fonte: Arquivo Municipal do Porto




Entrada da Quinta das Tílias – Fonte: Arquivo Municipal do Porto



A Sociedade Protectora dos Animais teve que ceder a maior parte do espaço que ocupava na zona das Antas para a construção do Estádio do Dragão, tendo ficado reduzida aí a um pequeno espaço, vindo a ocupar, posteriormente, uma outra área cedida nas antigas instalações do antigo Matadouro Municipal, na Rua de S. Roque da Lameira. 





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