domingo, 18 de junho de 2017

(Continuação 10) - Actualização em 14/11/2018


Muitos foram os escritores que tiveram a Foz como motivo ou referência, que lá nasceram, viveram, a frequentaram ou morreram.
Ramalho Ortigão foi um dos que descreveram a Foz do Douro como a viveu, e nos transmitiu essas mesmas vivências nos seus escritos.
Nascido no Porto, a 24 de Outubro de 1836, na freguesia de Santo Ildefonso, na Casa de Germalde (à Lapa),  onde foi criado pela avó, matriculou-se com a idade de catorze anos no curso de Direito da Universidade de Coimbra, que não chegou a terminar e, na sequência, começaria a leccionar francês no colégio dirigido por seu pai, o Colégio da Lapa.
Os textos seguintes de Ramalho Ortigão escritos em 1876 mas, que, reportavam à sua infância c. 1845, apontavam para algumas particularidades da Foz do Douro no que respeitava à hospedagem e, ainda, ao modo como os tempos de ócio eram passados.
Há quem diga que o escritor Ramalho Ortigão terá vivido na Foz do Douro, mas não existe qualquer prova do local exacto.
Aponta-se para uma casa em Carreiros, à data, ainda em território de Bouças, frente ao paredão do quebra-mar, um pequeno porto de abrigo das lanchas de pesca em dias de mau tempo. 


Primeiro troço do Molhe de Carreiros acabado de construir em 1869



Hospedarias na Foz do Douro c. 1845 – Fonte: Ramalho Ortigão, In “As praias de Portugal: guia do banhista e do viajante”-1876


Descrição de tempos de ócio passados na Foz do Douro c. 1845 – Fonte: Ramalho Ortigão, In “As praias de Portugal: guia do banhista e do viajante” - 1876


Lancemos agora um olhar para o carneiro que encima o “Chalet Suiço” e que o seu fundador, o Senhor António dos Santos Carneiro, quis que ficasse bem à vista, quando o construiu em 1873.
”Chalet do Carneiro” chamou-se ele muitos anos, até que em 1906, o vendeu ao inglês Charles Frederick Chambers, vendendo este, por sua vez, após 1910, ao suíço Jácome Rasker, crismando-se definitivamente com o nome por que o conhecemos vai para mais de cem anos.
Pois o “Chalet”, ficará ligado a muitos escritores e poetas que o frequentaram e foi ao longo dos anos um centro de tertúlia e de referência desde Camilo Castelo Branco a Eça de Queirós, a Ramalho Ortigão, Arnaldo e Augusto Gama, Júlio Lourenço Pinto, Diogo de Macedo, Delfim Maia e Alberto Pimentel, Raul Brandão, Guerra Junqueiro e Araújo Correia, até aos contemporâneos Eugénio de Andrade, António Rebordão Navarro e Vasco Graça Moura, entre muitos outros escritores, jornalistas e artistas.
Bem perto do “Chalet” está o Hotel da Boa Vista e o Forte de S. João.
Pelo hotel descobriu Camilo, a querer passar por despercebida, uma D. Aldonça, que iria consolar-se com uns bifes de cebolada (“No Bom Jesus do Monte”,1864) e com uns amores um pouco fugidios…Eça de Queirós também por lá andou, e Ramalho, e outros frequentadores que abancavam no “Chalet Suiço”.
Já no que concerne ao forte, por exemplo, diz Camilo num arrebatamento lírico que nos leva até à história do Castelo de S. João da Foz, no seu “Mosaico de Curiosidades…”(1885):
“Nas salas da pacífica fortaleza da cidade do Porto, há catorze anos que fugiam as noites e alvoreciam as manhãs, esmaiando, sem poder quebrantar, a formosura das graciosas damas que dispartiam à volta delas o excedente da sua felicidade”.
Mas não foi só Camilo que se arrebatou naquelas muralhas. Já quase no nosso tempo, Florbela Espanca (1894-1930) também por ali andou. Casada, primeiro, com um Oficial da guarnição e depois, com o médico militar também ali prestando serviço, nos meses em que lá viveu, escreveu vários poemas que se assinalam na sua Obra (”Perdi meus fantásticos castelos/como névoa distante que se esfuma”, e por aí adiante…).
Por toda a Foz velha as memórias dessa gente, ligada à literatura, estão bem presentes.
Na Rua das Motas, quase em frente ao histórico Orfeão da Foz, encontramos o que foi um dos hotéis mais emblemáticos da Foz “literária”: o Hotel, depois Pensão Mary Castro, hoje uma residência particular.
Aqui não só se hospedou Camilo, mas também, Eça, Ramalho, Guerra Junqueiro, Alberto Pimentel e mais uns quantos escritores de nomeada, que, ora ficavam aqui ou no Hotel da Boa Vista.
Na Rua Padre Luís Cabral ou pouco à frente da capela do Senhor dos Passos e próximo do Largo de Cimo de Vila está a residência da escultura Irene Vilar.

Casa de Irene Vilar - Ed. MAC

A casa da escultora era a da palmeira.
Mais à frente na mesma rua no nº 901, que antes foi chamada de Rua Central, está a casa onde nasceu o Padre Luís Cabral, que exilado no Brasil, foi professor do escritor Jorge Amado.
Padre jesuíta, professor e orador, o Padre Luís Cabral nasceu a 1 de Outubro de 1866, na Foz do Douro.  

Casa onde nasceu o Padre Luís Cabral


A casa da foto acima está situada na Rua Padre Luís Cabral nº 901.

“Educado por jesuítas desde 1882, Luís Gonzaga Cabral frequentou o Noviciado do Barro, em Torres Vedras, estudou no Colégio de S. Francisco de Setúbal, cursou Filosofia, em Uclés (Espanha), e Teologia, em Vals (França). Foi ordenado sacerdote em 1897 e, um ano depois, passou a lecionar no Colégio Lisboeta de Campolide do qual foi reitor, entre 1903 e 1908. Em 1908, foi designado Provincial da Companhia de Jesus, em Portugal, cargo que ocupou até 1912. De 1912 a 1916, foi professor de Literatura e Oratória dos estudantes exilados na Bélgica, partindo para o Brasil, em 1917. Aí leccionou Filosofia, Apologética, Língua e Literatura Portuguesa e Latina no Colégio António Vieira, na Baía, tornando-se diretor dessa instituição entre 1930 e 1933”.
Fonte: Infopédia


No nº 28 da Rua Alegre fica a casa que foi de Arnaldo Gama, autor do “Sargento-Mor de Vilar” e onde Camilo se hospedou variadíssimas vezes.

Casa de Arnaldo Gama completamente descaracterizada - Ed. MAC

Na Rua Raúl Brandão no nº 62 encontra-se a casa que foi do escritor Raúl Brandão.

Casa onde nasceu Raúl Brandão - Ed. MAC

Muito perto do chafariz do Jardim do Passeio Alegre, virado para o rio fica o monumento a Raúl Brandão, na foto abaixo.


Monumento a Raúl Brandão – Ed. MAC

À entrada do paredão do farol de Felgueiras pode ver-se uma escultura de José Rodrigues em homenagem ao escritor Ferreira de Castro.

Homenagem a Ferreira de Castro - Ed. J. Portojo

Na Rua do Passeio Alegre no nº 544 viveu e trabalhou António Rebordão Navarro que viria a falecer em 22 de Abril de 2015.
A casa foi doada à sociedade Portuguesa de autores pelo escritor que foi autor de uma vasta obra literária, da qual se destacam: "Romagem a Creta" (1964) finalista do Concurso Literário Internacional Ateneo Arenyense; "Barcelona, Um Infinito Silêncio", Europa-América (Prémio Alves Redol, 1970); "O Parque dos Lagartos", Bertrand (1981); "Mesopotâmia", Difel, 1985, (Prémio Internacional Miguel Torga 1984); "A Praça de Liège", Bertrand, (Prémio Círculo de Leitores, 1988).



Casa típica de veraneio - Ed. MAC

A casa central da foto acima pertenceu, antes de 1930, às famílias Magalhães Forbes e Tameirão Navarro.
É agora propriedade da cooperativa Sociedade Portuguesa de Autores a quem foi doada em 2010, tendo esta entidade criado um prémio literário com o nome do escritor António Rebordão Navarro, que nela habitou.
Na foto abaixo observa-se a casa que foi sede da Fundação Eugénio de Andrade, na esquina da Rua do Passeio Alegre com a Calçada de Serrúbia, aberta em 1995 e extinta em 2011, onde o poeta habitou os últimos anos da sua vida.


Aqui esteve a Fundação Eugénio de Andrade


Placa evocativa da memória de Eugénio de Andrade à sombra da Oliveira

Placa evocativa da memória de Eugénio de Andrade


Casa de Antero de Figueiredo - Fonte: Google Maps

Na Rua de Diu no nº 159, acima na foto, viveu e escreveu Antero de Figueiredo, consagrado com um busto no largo à beira do Mercado da Foz, do escultor Henrique Moreira.

Busto de Antero de Figueiredo

Na Rua de Gondarém no nº 500, está a casa onde viveu e morreu o que poderá considerar-se um dos maiores investigadores da História do Porto, Artur de Magalhães Basto.

A casa onde viveu e morreu Artur Magalhães Basto


Casa de João Pina de Morais - Ed. Francisco Mesquita Guimarães

No nº 250 da Avenida do Brasil viveu João Pina de Morais nascido em Valdigem, Lamego.

Casa onde morreu António Nobre - Ed. Francisco Mesquita Guimarães

Na foto acima na Avenida do Brasil nº 531 viveu e morreu António Nobre.

Casa onde nasceu António Nobre - Ed. Dias dos Reis


Na foto acima está a casa onde nasceu António Nobre, no nº 469 da Rua de Santa Catarina.

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