domingo, 18 de junho de 2017

(Continuação 10)


Muitos foram os escritores que tiveram a Foz como motivo ou referência, que lá nasceram, viveram, a frequentaram ou morreram.
Lancemos um primeiro olhar para o carneiro que encima o “Chalet Suiço” e que o seu fundador, o Senhor António dos Santos Carneiro, quis que ficasse bem à vista, quando o construiu em 1873.
”Chalet do Carneiro” chamou-se ele muitos anos, até que em 1906, o vendeu ao inglês Charles Frederick Chambers, vendendo este, por sua vez, após 1910, ao suíço Jácome Rasker, crismando-se definitivamente com o nome por que o conhecemos vai para mais de cem anos.
Pois o “Chalet”, ficará ligado a muitos escritores e poetas que o frequentaram e foi ao longo dos anos um centro de tertúlia e de referência desde Camilo Castelo Branco a Eça de Queirós, a Ramalho Ortigão, Arnaldo e Augusto Gama, Júlio Lourenço Pinto, Diogo de Macedo, Delfim Maia e Alberto Pimentel, Raul Brandão, Guerra Junqueiro e Araújo Correia, até aos contemporâneos Eugénio de Andrade, António Rebordão Navarro e Vasco Graça Moura, entre muitos outros escritores, jornalistas e artistas.
Bem perto do “Chalet” está o Hotel da Boa Vista e o Forte de S. João.
Pelo hotel descobriu Camilo, a querer passar por despercebida, uma D. Aldonça, que iria consolar-se com uns bifes de cebolada (“No Bom Jesus do Monte”,1864) e com uns amores um pouco fugidios…Eça de Queirós também por lá andou, e Ramalho, e outros frequentadores que abancavam no “Chalet Suiço”.
Já no que concerne ao forte, por exemplo, diz Camilo num arrebatamento lírico que nos leva até à história do Castelo de S. João da Foz, no seu “Mosaico de Curiosidades…”(1885):
“Nas salas da pacífica fortaleza da cidade do Porto, há catorze anos que fugiam as noites e alvoreciam as manhãs, esmaiando, sem poder quebrantar, a formosura das graciosas damas que dispartiam à volta delas o excedente da sua felicidade”.
Mas não foi só Camilo que se arrebatou naquelas muralhas. Já quase no nosso tempo, Florbela Espanca (1894-1930) também por ali andou. Casada, primeiro, com um Oficial da guarnição e depois, com o médico militar também ali prestando serviço, nos meses em que lá viveu, escreveu vários poemas que se assinalam na sua Obra (”Perdi meus fantásticos castelos/como névoa distante que se esfuma”, e por aí adiante…).
Por toda a Foz velha as memórias dessa gente, ligada à literatura, estão bem presentes.
Na Rua das Motas, quase em frente ao histórico Orfeão da Foz, encontramos o que foi um dos hotéis mais emblemáticos da Foz “literária”: o Hotel, depois Pensão Mary Castro, hoje uma residência particular.
Aqui não só se hospedou Camilo, mas também, Eça, Ramalho, Guerra Junqueiro, Alberto Pimentel e mais uns quantos escritores de nomeada, que, ora ficavam aqui ou no Hotel da Boa Vista.
Na Rua Padre Luís Cabral ou pouco à frente da capela do Senhor dos Passos e próximo do Largo de Cimo de Vila está a residência da escultura Irene Vilar.

Casa de Irene Vilar - Ed. MAC

A casa da escultora era a da palmeira.
Mais à frente na mesma rua no nº 901, que antes foi chamada de Rua Central, está a casa onde nasceu o Padre Luís Cabral, que exilado no Brasil, foi professor do escritor Jorge Amado.
Padre jesuíta, professor e orador, o Padre Luís Cabral nasceu a 1 de Outubro de 1866, na Foz do Douro.  

Casa onde nasceu o Padre Luís Cabral


A casa da foto acima está situada na Rua Padre Luís Cabral nº 901.

“Educado por jesuítas desde 1882, Luís Gonzaga Cabral frequentou o Noviciado do Barro, em Torres Vedras, estudou no Colégio de S. Francisco de Setúbal, cursou Filosofia, em Uclés (Espanha), e Teologia, em Vals (França). Foi ordenado sacerdote em 1897 e, um ano depois, passou a lecionar no Colégio Lisboeta de Campolide do qual foi reitor, entre 1903 e 1908. Em 1908, foi designado Provincial da Companhia de Jesus, em Portugal, cargo que ocupou até 1912. De 1912 a 1916, foi professor de Literatura e Oratória dos estudantes exilados na Bélgica, partindo para o Brasil, em 1917. Aí leccionou Filosofia, Apologética, Língua e Literatura Portuguesa e Latina no Colégio António Vieira, na Baía, tornando-se diretor dessa instituição entre 1930 e 1933”.
Fonte: Infopédia


No nº 28 da Rua Alegre fica a casa que foi de Arnaldo Gama, autor do “Sargento-Mor de Vilar” e onde Camilo se hospedou variadíssimas vezes.

Casa de Arnaldo Gama completamente descaracterizada - Ed. MAC

Na Rua Raúl Brandão no nº 62 encontra-se a casa que foi do escritor Raúl Brandão.

Casa onde nasceu Raúl Brandão - Ed. MAC

Muito perto do chafariz do Jardim do Passeio Alegre, virado para o rio fica o monumento a Raúl Brandão, na foto abaixo.


Monumento a Raúl Brandão – Ed. MAC

À entrada do paredão do farol de Felgueiras pode ver-se uma escultura de José Rodrigues em homenagem ao escritor Ferreira de Castro.

Homenagem a Ferreira de Castro - Ed. J. Portojo

Na Rua do Passeio Alegre no nº 544 viveu e trabalhou António Rebordão Navarro que viria a falecer em 22 de Abril de 2015.
A casa foi doada à sociedade Portuguesa de autores pelo escritor que foi autor de uma vasta obra literária, da qual se destacam: "Romagem a Creta" (1964) finalista do Concurso Literário Internacional Ateneo Arenyense; "Barcelona, Um Infinito Silêncio", Europa-América (Prémio Alves Redol, 1970); "O Parque dos Lagartos", Bertrand (1981); "Mesopotâmia", Difel, 1985, (Prémio Internacional Miguel Torga 1984); "A Praça de Liège", Bertrand, (Prémio Círculo de Leitores, 1988).



Casa típica de veraneio - Ed. MAC

A casa central da foto acima pertenceu, antes de 1930, às famílias Magalhães Forbes e Tameirão Navarro.
É agora propriedade da cooperativa Sociedade Portuguesa de Autores a quem foi doada em 2010, tendo esta entidade criado um prémio literário com o nome do escritor António Rebordão Navarro, que nela habitou.
Na foto abaixo observa-se a casa que foi sede da Fundação Eugénio de Andrade, na esquina da Rua do Passeio Alegre com a Calçada de Serrúbia, aberta em 1995 e extinta em 2011, onde o poeta habitou os últimos anos da sua vida.


Aqui esteve a Fundação Eugénio de Andrade


Placa evocativa da memória de Eugénio de Andrade à sombra da Oliveira

Placa evocativa da memória de Eugénio de Andrade


Casa de Antero de Figueiredo - Fonte: Google Maps

Na Rua de Diu no nº 159, acima na foto, viveu e escreveu Antero de Figueiredo, consagrado com um busto no largo à beira do Mercado da Foz, do escultor Henrique Moreira.

Busto de Antero de Figueiredo

Na Rua de Gondarém no nº 500, está a casa onde viveu e morreu o que poderá considerar-se um dos maiores investigadores da História do Porto, Artur de Magalhães Basto.

A casa onde viveu e morreu Artur Magalhães Basto


Casa de João Pina de Morais - Ed. Francisco Mesquita Guimarães

No nº 250 da Avenida do Brasil viveu João Pina de Morais nascido em Valdigem, Lamego.

Casa onde morreu António Nobre - Ed. Francisco Mesquita Guimarães

Na foto acima na Avenida do Brasil nº 531 viveu e morreu António Nobre.

Casa onde nasceu António Nobre - Ed. Dias dos Reis


Na foto acima está a casa onde nasceu António Nobre, no nº 469 da Rua de Santa Catarina.

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