terça-feira, 27 de junho de 2017

(Continuação 19)


No início da década de 40 do século XX, começam as demolições do casario existente no local que viria a ser conhecido, como Praça de D. Filipa de Lencastre.


Casa do tribunal da Picaria

Na foto acima na actual Praça Filipa de Lencastre, esquina com a Rua da Picaria, está ainda a casa onde existiu o tribunal em que Camilo foi julgado e absolvido pela sua ligação com Ana Plácido, numa tarde de tal tempestade, que o povo dizia que “era Deus que não queria a sua condenação”. Esta casa foi de pessoas que tinham parentesco com os viscondes de Balsemão, que viviam na Praça dos Ferradores, a actual Praça Carlos Alberto.
No correr de casas baixas do século XVIII contíguas ao antigo tribunal esteve em tempos, também, o Cabaret Primavera e na esquina com a Rua da Picaria o cabaret Trianon.
À rua que se desenvolve ainda hoje à esquerda do edifício da foto acima era, como hoje, a Rua da Picaria e o sítio onde se encontra aquele friso de moradias era a Travessa da Picaria que ia até à Rua do Almada.
Desembocando na Rua da Picaria, atravessando o cruzamento da Rua do Almada e Rua das Hortas e continuando para o Laranjal, vê-se na planta abaixo a Rua dos Lavadouros que antes foi Rua de S. António dos Lavadouros.
Esta Rua de Santo António dos Lavadouros incluía portanto a posterior Rua dos Lavadouros e desenvolvia-se à época para poente e a sul do que é hoje a Praça D. Filipa de Lencastre.
Naquela Rua dos Lavadouros predominavam os vendedores de mobílias de pinho que, após a extinção da artéria se passaram para a Rua da Picaria.
Na confluência da Rua dos Lavadouros com a Rua do Almada existiu uma fonte concluída no ano de 1795.


Planta de George Balck de 1813 onde se vê a Rua dos Lavadouros (entre o trajecto AB) no término da Rua das Hortas

Na planta acima observa-se ainda que a Rua da Picaria (M) corre paralela à Rua do Almada e que esta, no seu troço inicial, partia da Rua das Hortas.


 Ao fundo da Rua da Picaria

Na foto acima vê-se o antigo entroncamento da actual Rua da Picaria com a antiga Travessa da Picaria (segue pela esquerda) com a antiga Travessa da Fábrica (segue pela direita). Ambas as travessas desapareceram e fazem hoje parte da praça de D. Filipa de Lencastre. No entanto, as casas do lado esquerdo da Travessa da Picaria (na imagem) nunca chegaram a ser demolidas e constituem hoje a frente norte da praça. Ao fundo da travessa, vê-se a garagem de "O Comércio do Porto", na Rua do Almada. O conjunto de edifícios frontais foram todos demolidos e agora está aí o miolo da praça.

Ao fundo da Rua da Picaria. Em frente a Travessa da Fábrica


Na foto acima, com exclusão do edifício dos telefones - do qual se vê um pouco, do lado direito da imagem - tudo o que é apresentado nesta foto foi demolido. Os espaços ocupados pelas antigas Travessa da Fábrica (em frente) e Travessa da Picaria (invisível pela esquerda) fazem hoje parte da Praça Dona Filipa de Lencastre.

Publicidade em 1934


Acima um folheto publicitário da Anglo Portuguese Telephone Cª Ltd antecessora dos TLP (Telefones de Lisboas e Porto) sita na Rua da Picaria.
Era num dos edifícios da Travessa da Picaria, que estavam instaladas a redacção, administração e oficinas do célebre jornal "Diário da Tarde" que era dirigido pelo insigne jornalista Eduardo de Sousa.
Por aqui e pela Rua dos Lavadouros, que ligava a Travessa da Picaria ao Laranjal, vendiam-se as caixas feitas de madeira de pinho muito utilizadas pelos emigrantes que iam para o Brasil para o transporte dos parcos trastes que com eles levavam. Não apenas as caixas, mas também a mo­bília de madeira de pinho era feita e ven­dida em oficinas e estabelecimentos dos La­vadouros e da Picaria.
Desapareceu há pouco tempo o último estabelecimento deste género que funcionava num prédio da antiga Travessa da Picaria, já muito per­to da Rua do Almada.
Outra pequena indústria fixada nos Lavadouros era a das lousas, onde se confeccionavam: lava-louças para cozinhas; lousas para escolas (o quadro negro); depósitos caseiros para reservatórios de água; cabe­ceiras para sepulturas; e placas para uso na construção de prédios. 


O antigo tribunal está lá ao fundo à esquerda da foto


No século XXI. Vista descendente da Rua do Almada no ponto onde acabava a Travessa da Picaria



Vista descendente da Rua do Almada início do século XX, no mesmo local da foto anterior. À direita era a Travessa da Picaria


Foto tirada da Rua Elísio de Melo. Os prédios frontais seriam demolidos para levantar a praça


Aspecto das demolições


A abertura da Praça D. Filipa de Lencastre

Nas fotos acima pode observar-se a abertura da praça. A Avenida dos Aliados lá ao fundo já estava traçada e com os novos edifícios.
A actual Rua de Avis era à altura Travessa da Rua da Fábrica. Na esquina dessa travessa com a Rua da Fábrica ficava a Casa da Fábrica.

Casa da Fábrica na esquina da Travessa da Fábrica com a Rua da Fábrica


Foto do fim da década de 40 do século XX

Na foto acima ainda não tinha sido aberta a Rua de Ceuta.
Ao cimo da Rua de Ceuta ligando a Rua da Conceição com a Praça Guilherme Gomes Fernandes está a Rua José Falcão que foi aberta há mais de 100 anos e que começou por se chamar Rua de D. Carlos I.
A partir da implantação da República passou a ser a Rua José Falcão.
Esta personagem foi um republicano nascido em Miranda do Corvo, doutorado em Matemática, e conhecido ainda por ter sido pai do 1º governador civil do Porto após a república.
Depois do malogrado golpe de 31 de Janeiro de 1891, para o qual muito contribuiu a sua obra “Cartilha do Povo”, José Falcão foi incumbido de reestruturar o Partido Republicano.
A rua foi aberta em terrenos da quinta da Conceição, à data nas mãos de Henrique Kendall, que os cedeu à edilidade.






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