sábado, 17 de junho de 2017

(Continuação 9) - Actualização em 12/06/2018

Farolim da Cantareira (Desactivado)

O Farolim da Cantareira é um farol que se localiza na Cantareira, junto ao Jardim do Passeio Alegre, Cais do Marégrafo, na freguesia da Foz do Douro, junto ao local onde está o farol de S. Miguel-o-Anjo. Trata-se de uma coluna com varandim e lanterna branca e alcance luminoso de 9 milhas.
É o farolim anterior do enfiamento Cantareira-Sobreiras da entrada da Barra do Rio Douro.
No Século XVIII ocorreu, provavelmente, a construção do primitivo farolim.
Em 2009, devido à nova configuração da entrada da barra do Douro, após a construção dos novos molhes Norte e Sul, por se tornar desnecessário, foi apagado e desactivado, encontrando-se ainda, no local que ocupou, desde 1915.


Farolim da Cantareira


Farolim das Sobreiras (Desactivado)

O Farolim das Sobreiras, também conhecido por Farol Medieval ou Farol dos Três Bicos ou ainda, Farol das Três Orelhas, era um farol que se localizava na encosta das Sobreiras, na freguesia de Lordelo do Ouro. 


“Num documento da doação "do ermo a que chamam Santa Eulália, junto à vila de Louredo, contra o rio Douro", que o nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques, fez ao abade João, e ao mosteiro de Tarouca, o to­pónimo Sobreiras já lá vem mencionado. 
O ermo de Santa Eulália ficava onde agora está a capelinha de Nossa Senhora da Ajuda, junto ao Ouro. Em 1176, existia ali um peque­no eremitério, ou mosteiro, como se pode constatar da leitura de certos documentos ré­gios, em que se faz alusão à dízima e aos cen­sos "que os frades eram obrigados a pagar à igreja de S. Martinho do Louredo", a mesma da actual freguesia de Lordelo do Ouro, de que S. Martinho continua a ser o orago.
No século XIII, o eremitério já havia sido ex­tinto e no seu lugar existia uma granja, chama­da de Santa Eulália, coutada ao mosteiro de Ta­rouca, que ali também possuía outros casais e vários cabaneiros (gente pobre, que vivia em cabanas, normalmente feitas de vimes). No documento da doação, quando se refe­rem os limites do sítio doado, diz-se expres­samente que eles iam até "usque ad fenale Sovereiras", ou seja, "até ao facho de Sobrei­ras", alusão, sem dúvida, à existência, naque­le local, de uma espécie de farol ou farolim que servia de orientação aos barcos que de­mandavam a barra do rio Douro. 
Aquele facho de Sobreiras era a chamada Marca Nova, assim designada para a diferen­ciar da velha Torre da Marca, bem mais anti­ga, que ficava em terrenos hoje ocupados pe­los jardins do Palácio de Cristal, mais ou me­nos ao fundo da actual Avenida Tílias. 
A Marca Nova ainda funcionava em 1849, porque, nesse ano, o intendente da Marinha, em colaboração com o piloto-mor, oficiou aos encarregados das obras que se andavam a fazer no cais no sentido de que não se ta­passe a viela do Sardo, que existia no sítio de Sobreiras, porque "era por esse caminho que se ia pôr luz na Marca Nova quando alguma embarcação entrava ou saía a barra de noite". 
Com o devido crédito a Germano Silva


O Farol de Sobreiras tratava-se de uma coluna com varandim e lanterna branca em frente a marca rectangular às faixas brancas e vermelhas. No Século XVIII, deve ter ocorrido a construção do primitivo farolim.
Era o farolim posterior do enfiamento da entrada da Barra do Rio Douro e encontrava-se a 562 metros do Farolim da Cantareira.
A designação de Farol das Três Orelhas ou Farol dos Três Bicos deve-se à configuração da primitiva marca que lhe estava por detrás, um muro de alvenaria de granito rematado por três ameias, à semelhança de uma estrutura defensiva, estrutura esta que foi desmantelada e se perdeu em 1993-1994, aquando da deslocação do farolim.
Nessa data, foi deslocado 15 metros do seu local, para a construção do edifício sede da ANJE, tendo sido substituída a marca de alvenaria, por uma parede em betão apoiada numa estrutura em metal.

Farolim no seu lugar original - Ed. José Magalhães


Na torre dentro da oval amarela ficava o Farol das 3 Orelhas - Ed. Monumentos-Desaparecidos

A torre da foto anterior de meados dos anos sessenta do século XX.
No local depois da demolição nasceu a sede da ANJE (Associação dos Jovens empresários). Ao fundo da foto o “Velho Bairro Operário” de Lordelo e o local da antiga piscina do Fluvial.

Local onde estava assente o farolim - Ed. José Magalhães


Em cima da placa de cimento da foto anterior ficava o Farolim das Sobreiras.
Posteriormente, em 2006, por ter sido extinta a sua luz, por desnecessária, a coluna e lanterna foram transferidas para o recinto exterior do Farol de Leça, ou Farol da Boa Nova onde se encontram em exposição.
Em tempos a Boa-Nova chamou-se S. Clemente das Penhas.

Capela da Boa-nova - Ed. blogue “A Vida em Fotos”


Entre 1916 e 1926, junto à Capela da Boa-Nova, existiu uma torre quadrangular branca, visível na foto acima, com cerca de 12 metros encimada por uma lanterna verde, com luz branca fixa que serviu também de farolim.


Farolim das Sobreiras em Leça da Palmeira dentro do espaço do farol


Farolim das Sobreiras em 1º plano, no Farol da Boa Nova

Arranjo da margem direita do rio Douro - Ed. José Magalhães

Na foto acima pode observar-se o arranjo da margem direita do rio Douro na confluência da Rua do Passeio Alegre e da Rua das Sobreiras, em que uma larga faixa de terreno foi conquistada ao rio a partir de 1998.
O Farolim das Sobreiras ficava muito próximo deste local em posição mais elevada.
O topónimo Sobreiras é muito antigo, pois há documentos do século XII, onde se fala do facho de Sobreiras, que serviria para orientação das embarcações e que antecedeu no local o farolim das Sobreiras.


Farol de Felgueiras (Activo)

“Tornar a barra do rio Douro acessível à navegação e possibilitar a entrada e saída de navios com a máxima segurança foi uma constante preocupação das autorida­des marítimas da cidade. Curiosamente, o primeiro plano que se conhece para a de­sobstrução da barra foi apresentado, em 1728, por um frade franciscano, frei Cae­tano de S. Boaventura. Oferecia-se para quebrar as pedras e rochedos que havia na barra e que, naquele sítio, constituíam um sério embaraço à navegação. 
Parece que a proposta do franciscano não teve grande acolhimento. Com efei­to, logo no ano seguinte (1729), o rei D. João V mandou ao Porto dois seus altos funcionários, os engenheiros José Fer­nandes Pinto e Dionísio de Castro, a fim de elaborarem uma planta da barra e indi­carem a melhor maneira de resolver os problemas de segurança que ali subsis­tiam. 
Quarenta e seis anos depois (1775), ain­da nada se havia feito. Nesse ano, a admi­nistração da Companhia Geral da Agricul­tura das Vinhas do Alto Douro escreveu ao rei D. José, a lembrar-lhe "quão urgen­tes e necessárias eram" as obras. E para custear as primeiras despesas, a Compa­nhia oferecia a quantia de quarenta mil cruzados, que tinha guardado nos seus cofres, produto de juros de ações "cujos donos não aparecem". E as obras lá come­çaram, não imediatamente mas alguns anos depois.  
Mais uma curiosidade: os primeiros tra­balhos para as obras da barra tiveram iní­cio não onde o rio entra no mar, mas bas­tante mais para trás, na Arrábida. Com efeito, tudo começou com o corte da enor­me escarpa da Arrábida. A pedra que dali se extraía era levada para S. João da Foz, onde era utilizada para o atulhamento da margem direita da barra. Entretanto e à medi­da que o monte da Arrábida ia sendo de­vastado, começou a aparecer uma nova via de comunicação entre Massarelos e a Can­tareira. Num relatório de 1791, consta mesmo que naquele ano "os povos se iam servindo já de uma formosa estrada à beira-rio". 
Mais tarde, por iniciativa da Companhia Geral das Vinhas do Alto Douro e à custa de impostos sobre o vinho, acabou por se construir toda a marginal. Começou com a ligação de Cima do Muro, na Ribeira, até Monchique; e daqui, por Massarelos, até à Foz do Douro. 
Mas foi uma tragédia que obrigou à ace­leração das obras na barra do Douro. Referimo-nos ao naufrágio do navio Porto, ocorrido em 29 de março de 1852, mesmo à entrada da barra. O vapor, quando pre­tendia entrar no rio, encalhou num dos tais rochedos que, na altura, na maré- cheia, estava submerso e ali ficou a ser ba­tido pelas ondas. Morreram mais de ses­senta pessoas, algumas das mais impor­tantes famílias do Porto, como o banquei­ro Allen. Diz a nossa gente que," depois de casa roubada, trancas à porta". E assim aconteceu. Depois da tragédia, montou-se na Foz um modelar serviço de socorros a náufragos. 
E as obras da barra, essas continuaram e em grande ritmo, agora num projeto do Eng.° Nogueira Soares. Estava adiantado o molhe chamado de Felgueiras ou da Fil­gueira, em cuja ponta foi construído um farolim que tomou o nome do molhe. O cais velho, o molhe e farolim de Felguei­ras foram construídos com a pedra que era extraída do morro da Arrábida. Inicial­mente pensava-se na construção de uma torre para sinais com um sino para aviso da navegação. Depois, fez-se o farol que ainda funciona. Projeta, de forma inter­mitente, luz vermelha para poente, bran­ca para nascente. No começo, o sinal de nevoeiro era dado através do tal sino ao ritmo de três badaladas, de sete em sete segundos. Na atualidade, o sinal de ne­voeiro é dado através de uma sirene. 
Ainda nos nossos dias, e antes da cons­trução dos modernos cais, houve vários naufrágios à entrada da barra. Um dos mais célebres foi o do vapor alemão "Dieister", em 3 de fevereiro de 1929. Morreram os seus vinte e quatro tripulantes. O nau­frágio ocorreu diante de uma multidão que se aglomerava ao longo do cais do Pas­seio Alegre e que nada pôde fazer para evi­tar a tragédia que deixou consternada a ci­dade. E na lembrança de muitos portuen­ses devem estar ainda bem vivas as ima­gens do naufrágio do "Silver Valley", em 15 de março de 1963.
Com a devida vénia a Germano Silva

Sobre o farol de Felgueiras em “portoarc.blogspot” pode ler-se:

“Só em 1866 apareceu o primeiro projecto de autoria do eng. Manuel Afonso de Espregueira. Este foi modificado pelo eng. Nogueira Soares, que passou a dirigir as obras. Segundo Horácio Marçal o primeiro farolim foi instalado em 1882. O molhe ficou definitivamente terminado em 1903. Em 1940 e 1945 o farol foi renovado e melhorado o seu alcance, para as 12 milhas”.



Molhe e Farol de Felgueiras


Farol de Felgueiras (parcialmente visível ao fundo), e uma feira de melancias em primeiro plano


Barra do Douro actualmente


Capela de Nossa Senhora da Conceição

A Capela de Nossa Sen hora da Conceição na Rua Padre Luís Cabral na Foz do Douro, lá bem acima é uma capela localizada no gaveto dessa rua com a Rua de Diogo Botelho.
Trata-se de um imóvel em vias de classificação, em estilo barroco, atribuível a Nicolau Nasoni.
Esta capela, cujo ano de construção não se conseguiu comprovar com exactidão, mas se acredita remontar ao século XIX, tinha como padroeiro o mártir São Sebastião. Mas, também não se sabe quando mudou de orago e qual a razão para a mudança. Trata-se de uma capela de pequenas dimensões, cujo aspecto denota o sabor do barroco portuense.

“A História desta capela, por ironia do destino, está condenada a não ser conhecida, isto porque, quando em 1941 foram feitas obras de restauro, segundo me foi relatado pelo carpinteiro Manuel Joaquim Ferreira “O Pádua” este, ao deslocar do altar a imagem de Nossa Senhora da Conceição, reparou que a parte de trás da cabeça se deslocava, deixando à mostra um orifício de razoável diâmetro. Espreitando, teve a impressão de que algo ali se ocultava; introduziu a mão, retirando do seu interior um rolo de papéis manuscritos que, juntamente com o Sr. António Carvalho, ao tempo um dos elementos da Confraria de Nossa Senhora da Conceição, que estava presente, constataram serem referentes à construção daquela Capela. Na intenção de não se extraviarem, o Sr. António Carvalho declarou que os ia guardar no cofre, em sua casa”. 
Texto extraído do livro “Onde o Rio acaba e a Foz do Douro Começa” de Sebastião Oliveira Maia

Segundo os herdeiros, após a morte do Sr. António Carvalho, estes manuscritos não foram mais encontrados, no dito cofre…! 


Capela Nossa Senhora da Conceição

Foto das traseiras da capela muito antes do arranjo urbanístico actual - Fonte: "facebook.com/ANossaFozDoDouro"


A foto anterior "foi uma das primeiras tiradas na Foz do Douro por um cidadão inglês que visitou e permaneceu no Porto durante algum tempo".
Fonte: Agostinho Barbosa Pereira


Capela de Santa Anastácia

A Capela de Santa Anastácia pode ser observada na esquina das ruas Padre Luís Cabral e Santa Anastácia, tendo servido de Matriz entre 1640 e 1736.


Capela Santa Anastácia

A construção desta capela está directamente ligada com o medo que se instalava nas populações na possibilidade do surgimento de pestes. As pessoas entravam em pânico e na impotência de algo fazerem, corriam para as Igrejas. Foi o que fez o povo de S. João da Foz do Douro que nas suas preces prometeram construir uma capela em honra da Mártir Santa Anastácia, se ela intercedesse junto de Deus para que a peste não alastrasse no povoado.
De 1575 a 1577 foram anos de verdadeira calamidade para o Porto e povoações vizinhas, mas em S. João da Foz, por milagre, os efeitos da peste quase não se fizeram sentir. Reconhecido, o povo cumpriu a promessa, construindo uma capela com um só altar com a Mártir ao centro, à direita Nossa Senhora da Piedade e à esquerda São Brás.
A certa altura e apesar do povo desta freguesia reconhecer a graça que lhe havia sido concedida e não deixando de orar na capela, as Autoridades Eclesiásticas, não acharam bem que a capela tivesse por patrona a Mártir Santa Anastácia e ordenaram que colocassem a Nossa Senhora da Piedade no lugar da mártir, passando então a capela a ser designada por Capela Nossa Senhora da Piedade.
Existem ainda outras capelas na freguesia, como a Capela da Senhora da Luz, Capela da Senhora da Lapa e Capela Nossa Senhora da Conceição.


Capela de Nossa Senhora da Lapa

A Capela de Nossa Senhora da Lapa fica na saída do Jardim do Passeio Alegre e entrada na Cantareira. Há quem diga que ela é anterior à capela-farol de São Miguel-o-Anjo.

Capela de Nossa Senhora da Lapa na Cantareira

Aspecto da Cantareira

Lavadouro na Cantareira em 1900


Capela do Senhor dos Navegantes

Na Rua das Sobreiras encontra-se a Capela do Senhor dos Navegantes, na posse de particulares, para onde os pescadores da Afurada, até perto de meados do séc. XX se dirigiam atravessando o rio Douro nas suas embarcações para fazerem uma festa ao Senhor dos Navegantes. Entretanto a capela fechou, está vazia, o culto terminou e hoje é uma loja comercial.

Capela do Senhor dos Navegantes 

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