sábado, 24 de junho de 2017

(Continuação 16)

18.12 Praça D. João I

Esta é a praça onde se situa o Teatro Rivoli e que tem, face a face, dois "enormes" prédios, um dos quais chamado desde a sua construção de Arranha-Céus ou Edifício Rialto e, um outro, que foi a sede do Banco Português do Atlântico, de Cupertino de Miranda e que foi chamado de Edifício Atlântico.
No lado poente da praça encontra-se o Teatro Rivoli.
Em 1913 foi inaugurado o então chamado Teatro Nacional, na Rua Elias Garcia, antiga Rua D. Pedro, onde actuaram os célebres actores Soares Correia e Beatriz Costa, esta, ainda uma jovem corista.
Diga-se, que nos anos posteriores à sua abertura, a sala de espectáculos que já vinha sendo chamada de Teatro Rivoli, viria a converter-se ao cinema, e assim, em 1923, já remodelada, estava adaptada também à sétima arte.
Mudanças no centro urbano obrigaram, porém, a repensar e modernizar o imóvel, e em 1932 era inaugurado o novo Cine-Teatro Rivoli, projetado pelo engenheiro e arquiteto Júlio José de Brito, e com programação para além da dedicada ao cinema, de ópera, dança, teatro e concertos.
Na década de 1970, a imagem do teatro sofreu um revés provocado por uma má situação financeira. O Rivoli começou a degradar-se, com equipamento obsoleto, sem programação regular ou público próprio. Nessa altura, a Câmara Municipal do Porto decidiu comprar a estrutura, de forma a devolvê-la à cidade e aos seus habitantes.
Em 1992 o teatro fechou para uma total remodelação, com projecto do arquitecto Pedro Ramalho.
A área existente de 6.000 m² foi ampliada para mais de 11.000m², criando-se um Auditório Secundário, um Café-concerto, uma Sala de Ensaios e um Foyer de Artistas, assim como espaços para os Serviços Administrativos e os Serviços Técnicos.
Em Outubro de 1997 o Rivoli Teatro Municipal reabriu as suas portas. A remodelação do teatro, da autoria de Pedro Ramalho estava concluída.
Toda a área da praça seria obtida a partir de demolições de prédios, entre os quais serpenteavam vários arruamentos, de que se destacavam a Rua do Bonjardim e a Viela da Neta.


Planta de Perry Vidal de 1865


Dentro do círculo colorido da planta acima, seria levantada a Praça D. João I.


Quartel dos Bombeiros

Acima está o local de implantação do Cinema Rivoli conhecido pelo Pátio do Paraíso. Aqui estiveram sedeados com o seu quartel, os Bombeiros Voluntários do Porto.
O topónimo “Paraíso” ainda existe nas traseiras do edifício do Palácio Atlântico em recinto interior. A actual Rua Rodrigues Sampaio era então a Rua do Paraíso.


Cinema Rivoli à esquerda

Ao centro da foto acima, para além da cortina de prédios, seria construída a Praça D. João I, depois da demolição daqueles, onde se situava num deles a conhecida Confeitaria Primus. O Rivoli está à esquerda.
Os prédios ao fundo da foto estavam na Rua do Bonjardim.

Perspectiva actual da foto anterior - Ed. Google Maps


O cinema Rivoli está ao fundo à direita e a foto foi tirada da Rua Passos Manuel

Abertura da Praça D. João I - Ed. CMP, Arquivo Histórico Municipal


Na parte central da foto o local de implantação do Edifício Rialto

Ao fundo à direita da foto acima tirada do fundo da Rua Passos Manuel vê-se o Teatro Rivoli.  

O Edifício Rialto ainda não existia. Em frente, a Rua Passos Manuel

Praça D. João I. À esquerda o edifício dos “Jornalistas e Homens de Letras”

As demolições para o levantamento da Praça D. João I


A Praça D. João I antes da implantação dos edifícios Rialto e Atlântico

A praça que tem um desnível considerável entre o topo Norte e o topo Sul esteve para ser de planta triangular.

Projecto de planta triangular


Edifício Rialto

Na foto o famoso Arranha-céus ou Edifício Rialto que Maurício Carvalho de Macedo, natural da freguesia de Telões, Amarante, nascido a 3 de Abril de 1896, mandou construir. Seria o prédio mais alto de Portugal em Maio de 1945 tendo sido inaugurado em 1948. Traça de Rogério de Azevedo e de Baltasar de Castro.
O Palácio Atlântico deve-se à traça de arquitectos como Fortunato Cabral, Cunha Leão e Morais Soares, tendo sido inaugurado em 6 de janeiro de 1951, por iniciativa da empresa Edifícios Atlântico, fundada pelo BPA, sendo o edifício anterior à Praça D. João I, que surgiria depois. Tem 15 andares, mas inicialmente pretendia-se construir o maior edifício do país, que seria bastante mais volumoso! Tem uma colunata impressionante de 2 andares! O Banco ocupou os primeiros 3 andares, sendo o resto de escritórios. O tríptico que reveste a parede dianteira é do pintor e ilustrador moderno Jorge Barradas.
No prédio do Banco Português do Atlântico existiram vários consultórios médicos, assim como escritórios de empresas de referência, como podemos observar ao longo dos últimos anos: Gazcidla, Sacor e Companhia de Seguros Ourique. O consulado de França no Porto estava localizado no último andar, onde se nota um mastro de bandeira na foto abaixo. Neste mesmo edifício, também chegou a existir a escola de dactilografia Maratona, onde praticaram centenas de alunos.


Praça D. João I e a sua placa central de circulação de trânsito auto


O "Palácio Atlântico" e ao centro já pode ver-se a fonte que seria transladada para a Praça do Marquês


Na Praça do Marquês do Pombal a fonte que esteve na Praça D. João I


Por sua vez, a intervenção que levou à instalação das estátuas dos “Corcéis”, teve um estudo que não se realizou, em que as peças escultóricas seriam as de D. João I e D. Filipa de Lencastre.

Estudo para as esculturas que não foi executado


Esta praça foi completamente redesenhada em 2001, integrada no Porto - Capital da Cultura


Na foto acima os "Corcéis" são duas estátuas do escultor João Fragoso.
As estátuas, inauguradas em 21 de Junho de 1957 são em bronze, e assentam em placas de granito polido. São dois elementos iguais, fazendo par. Representam um jovem a tentar dominar um cavalo selvagem.

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