quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

25.227 Casas com história no Jardim no Passeio Alegre

 Casa Domingos Oliveira Maia



Rua do Passeio Alegre e as suas casas
 

 

Casa mandada construir por Domingos Oliveira Maia - Ed. MAC

 

 
Em 9 de Maio de 1855, Domingos de Oliveira Maya (1798-1863), natural da casa da Quinta do Paiço, em Alvarelhos (Maia/Santo Tirso/Trofa), compra ao “brasileiro” Bento de Souza Villa Nova, por 1.793.740 réis, o terreno onde, à data, aí existia um prédio de piso térreo e primeiro andar e duas casas térreas e, onde, irá construir a casa “acastelada” ou amuralhada, na Rua do Passeio Alegre, n.º 954, com projecto do próprio comprador que foi, depois, pertença da família Pinho e, onde, esteve, até Setembro de 2017, o colégio Ramalhete.
Domingos de Oliveira Maia era o quarto filho de um segundo casamento de seu pai, António de Oliveira Maia, que tinha herdado uma fortuna de seu irmão que a tinha adquirido através da firma “Barnabé de Oliveira Maya e Cia.” sendo, também, herdeiro do Prazo e da Casa de Sá, em Alvarelhos.
António de Oliveira Maia faleceu em 1810, quando fugia da 3ª invasão francesa protagonizada por Massena, tendo Domingos Oliveira Maia ficado órfão de pai aos doze anos.
Na década de 1820, já Domingos de Oliveira Maia percorria a Europa de lés-a-lés, acompanhando o irmão Agostinho, de saúde frágil, por vezes, em tratamentos em Paris.
Em 1828, Domingos de Oliveira Maia continuava pela Europa acompanhando, agora, o exílio do seu irmão Henrique, que fugia do regime miguelista.
Domingos Oliveira Maia foi o herdeiro da quinta do Paiço e, mais tarde, comprou a antiga Casa dos Ferraz Bravo, na Rua das Flores.
Em 1837, Domingos de Oliveira Maia era director do Banco Comercial do Porto e fez parte da comissão designada pela Câmara do Porto para erguer um monumento a D. Pedro IV; em 1847, foi designado Jurado da Inspecção-Geral dos Teatros e Espectáculos Públicos Nacionais; com a parceria de outras personagens, esteve envolvido na publicação do Roteiro de D. João de Castro.
Voltando ao Passeio Alegre, em 25 de Julho de 1855, já Domingos de Oliveira Maia solicitava à Câmara Municipal do Porto as respectivas licenças para construir a sua casa.
Passado um ano, em 7 de Outubro de 1856, no periódico “Clamor Público”, um texto com o estilo de ter sido escrito por Camilo Castelo Branco, destacava a bizarria do prédio que se vinha construindo:

 
 
“Modelo de Arquitetura – As construções luxuosas aumentam na Foz. Já não se edificam casinholas apenas cómodas. Entre os edifícios de mais lavor distingue-se o do sr. Domingos Maia, cujas portas e janelas da fachada tem a ogiva aguda e arabescos e rendilhados as cornijas.
Este edifício tem suscitado mais questões do que as problemáticas pirâmides do Egipto. Não se harmonizam os entendedores da arquitectura na classe em que devem por a casa. Entre os partidários da dórica e coríntia, da bizantina, da gótica e da egípcia há uma outra escola que nos quer convencer que a entrada da casa é pela trapeira. Se não é mangação este género de arquitectura sempre os homens têm inventado coisas! Como quer que seja o frontispício é bonito, e aformoseará, quando estiver ultimado, o local. O segundo no aparato é do sr. Gandra. Tem altura para três andares, e é tão sólida como elegante. Não tem ventilado tanta argumentação como a do sr. Maia, porque na opinião geral a entrada é pela porta. Também nos parece que é.” 




Para lá do edifício de Domingos de Oliveira Maia referido por Camilo no texto acima, um outro também por ele referenciado como pertencente ao senhor Gandra, esta personagem talvez seja João Nogueira Gandra, um conhecido tipógrafo, homem das letras, poeta e militante da causa liberal, que acabaria por falecer em 1858.
Domingos de Oliveira Maia que tinha o seu nome ligado à Casa dos Maias (ou Ferraz) da Rua das Flores, nº 29, haveria de mandar erguer, na Rua Bela, n.º 3, muito próximo do seu “castelo” do Passeio Alegre, um outro prédio menos exuberante.

 
 
“A 5 de Junho de 1860, Domingos de Oliveira Maya apresentou um projecto para a construção de um novo prédio, contíguo ao da Rua do Passeio Alegre, mas apenas com frente para a Rua Formosa – actual Rua Bela. Na realidade, a proposta submetida a apreciação municipal propunha reformar desde os alicerces, subindo-lhe hum andar com águas furtadas. Ouvidos os membros da Junta das Obras Públicas – entre eles Joaquim da Costa Lima Júnior e José Luiz Nogueira –, foi passada a Licença n.º 332, de 6 de Junho”.
Cortesia de Manuel de Sampayo Pimentel Azevedo GRAÇA
 
 
 
Casa dos Oliveira Maya, na Rua Bela, n.º 3



Domingos de Oliveira Maia vai falecer, em 6 de Abril de 1863, ser sepultado em jazigo no Cemitério da Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Lapa e, do facto, vai o jornal “O Comércio do Porto, no próprio dia, fazer referência.
 
 
 


Domingos de Oliveira Maia não deixa descendência e, por essa razão, a sua herdeira vai ser a sua irmã Maria Ludovina Leitão de Oliveira Maia, casada com Bernardo Pereira Leitão de Carvalho.
Deste casamento houve quatro filhos: Adriano Pereira Leitão, Jaime Pereira Leitão e Júlia Petronilha Pereira Leitão, casada com o 1.º visconde de Gouveia, que virá a ser governador civil do Porto e, por fim, Laura Pereira Leitão.
Esta última irá ser testamenteira de sua mãe, já viúva há cerca de um ano, falecida em 1881 e que, à data, tinha Adriano e Laura como filhos ainda vivos.
Laura Leitão que teve um primeiro casamento com um neto de Francisco José Barros Lima, de seu nome Eduardo Ribeiro de Faria, dele ficaria viúva no início do ano de 1851. Voltaria a casar em segundas núpcias com Alfredo Infante dos Santos Pessanha.
Por testamento e por vontade expressa do seu primeiro marido, Laura Leitão ficaria como usufrutuária até à sua morte da casa que tinha sido dos pais dele, situada na Rua de Cedofeita, n.º 399.
Não tendo filhos daqueles dois casamentos, alguns dos bens que estavam na sua órbita como a casa de seu avô Domingos, localizada na Rua das Flores, conhecida como Casa "dos Maia" e, ainda, a conhecida Quinta de Vale Abraão, no Douro, acabaram na posse dos seus sobrinhos.
Assim, a Quinta de Vale Abraão, que administrará com Alfredo Infante Pessanha, o seu segundo marido, herda-a pela linha paterna, a propriedade que começou por pertencer ao seu avô, António Leitão da Fonseca (1754-1837).
No caso da casa de seus pais, no Passeio Alegre, sua mãe atribui-lhe o usufruto, mas a propriedade reportará ao seu irmão Adriano. 
Como curiosidade, diga-se que, a casa da Rua Bela, n.º 3 e uma outra na Travessa do Passeio Alegre, n.º 4-A e 4-B, que tinham sido construídas por Domingos Maia, foram herdadas pela sobrinha de Maria Ludovina, de seu nome Maria Serpa Pimentel.


Casa Margarida Rosa Machado


A casa abaixo foi projectada com dois pisos e um pequeno recuado, com portas e janelas ogivais, dando-lhe um aspecto romântico e “gótico”.



Casa Margarida Rosa de Pereira Machado, com projecto de 1884

 
Sobre a foto seguinte, o prédio, à esquerda, mais baixo, acabou por ser demolido e o seu chão passou a ser o quintal da casa, adjacente, de Margarida Rosa de Pereira Machado.



À esquerda, no prédio de que só se vê o cunhal, esteve o Casino Internacional da Foz - Ed. Alberto Ferreira-Batalha-Porto
 
 
 
“A foto acima é de antes de 1910. Adiante vê-se a Rua das Motas onde esteve a Pensão Mary Castro (...). Era a mais luxuosa da Foz e era frequentada por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão nas suas épocas de praia”.
In portoarc.blogspot

 

Casa Constantino Rodrigues Batalha



Casa Constantino Rodrigues Batalha, com projecto de 1897 – Palacete Batalha
 
 
 
“Constantino Batalha, “senhor de uma considerável fortuna e empresário de sucesso da Baixa portuense” (p. 111) que em 1896 decidiu transferir-se para um palacete defronte do Jardim do Passeio Alegre, de cuja reconstrução parcial encarregou António da Silva e a sua equipa. Com espaçosas varandas em ferro fundido, trata-se de uma das construções mais vistosas daquele lugar que Raul Brandão imortalizou com algumas páginas de livro, e na verdade também uma grande prova de capacidade técnica dos seus construtores, que imaginaram “uma hábil solução para um terreno muito difícil” (p. 111), tornando imperceptível o pesado muro de suporte existente nas traseiras da casa, junto à sobranceira Rua da Bela Vista.”
Fonte: “observador.pt” (06/03/2018) e livro de Domingos Tavares, “Transformações na Arquitectura Portuense” – Ed. Dafne Editora/F. A. U. P. (2017)
 
 

Casa dos Sousa Guedes

 
 
 

Casa mandada construir por Miguel Sousa Guedes, no fim do século XIX

 
 

Casa de Agostinho Sousa Guedes situada já próximo da Rua de Santa Anastácia
 
 
 
Miguel de Sousa Guedes e Agostinho de Sousa Guedes foram dois irmãos, negociantes de vinhos que, naquela actividade, fizeram uma fortuna colossal.
Ambos acabariam por escolher a Foz do Douro para residirem.

 
 
 

O Eléctrico no Passeio Alegre - Ed. “A Nossa Foz do Douro–facebook”


 

Perspectiva actual da foto anterior - Fonte: Google Maps


Casa das famílias Magalhães Forbes e Tameirão Navarro



Casa de veraneio que pertenceu, antes de 1930, às famílias Magalhães Forbes e Tameirão Navarro - Ed. “A Nossa Foz do Douro–facebook”


 

A casa acima, desde 2010, pertence à Sociedade Portuguesa de Autores, que a recebeu em doacção.
Nela, viveu o escritor portuense António Rebordão Navarro.




Casa onde viveu o escritor António Rebordão Navarro - Fonte: Google maps, 2009


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