quinta-feira, 27 de outubro de 2016

(Continuação 5) - Actualização em 14/12/2017, 26/10/2018 e 24/11/2020



José Joaquim Rodrigues de Freitas, nasceu no Porto a 24 de Janeiro de 1840. O pai, um prestigiado voluntário do Cerco do Porto, quis que o filho seguisse a carreira eclesiástica, tendo chegado a matriculá-lo no seminário diocesano.
Não era esse, contudo, o desejo de Rodrigues de Freitas, que, depois de abandonar o seminário, se matriculou na Academia Politécnica onde acabou por conseguir, com prémios em todos os anos do curso, o diploma de engenheiro de pontes e calçadas.
Rodrigues de Freitas formou-se, assim, em Engenharia pela Academia Politécnica do Porto, onde chegou ao lugar de "lente proprietário" (topo da carreira) com apenas 27 anos.
Notabilizou-se pela sua carreira política, ligada aos ideais republicanos e socialistas, sendo um dos homens ligados à organização do Partido Republicano Português. Revelou também uma certa simpatia pelas ideias do socialismo reformista. Foi o primeiro deputado do Partido Republicano às Câmaras, pelo Porto, entre 1870 e 1874. Voltou a ser deputado de 1879 a 1881, de 1884 a 1887 e de 1890 a 1893. Pertenceu à Maçonaria.
Rodrigues de Freitas não teve participação activa na revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891. Mas o nome dele, sem que para tal tivesse sido contactado, figurou na lista do Governo Provisório, elaborada por Alves da Veiga, que o actor Miguel Verdial leu da varanda do edifício dos Paços do Concelho.
Enquanto outros, após o malogro da revolta, negaram a pés juntos a sua adesão ao movimento, Rodrigues de Freitas, com aquela hombridade que foi sempre o timbre do seu carácter, não só justificou o advento da revolta como assumiu toda a responsabilidade que, porventura, lhe fosse atribuída.
Filiado na Liga Liberal do Norte, desempenhou importante papel na estruturação do movimento republicano no último quartel do século XIX. Foi na sequência desse trabalho que redigiu a circular de constituição do Centro Eleitoral Republicano e Democrático do Porto.
Como escritor, legou-nos uma obra escassa em quantidade mas rica de conteúdo. Foi, no entanto, como jornalista que mais fez notar a sua faceta de homem criador e talentoso, ao espalhar fecunda e proveitosa colaboração por vários jornais da época.
Desde muito novo, isto é, desde os bancos da escola, que José Joaquim Rodrigues de Freitas manifestou uma inclinação invulgar para a escrita jornalística, que cultivou com assiduidade e com proveito natural da comunidade e dos seus leitores.
Daí que sejam inteiramente justas as palavras que um seu biografo escreveu logo a seguir à sua morte, ocorrida em 28 de Julho de 1896:
"… deve-lhe muito, deve-lhe imenso esta sociedade que ele nunca maltratou, porque era um delicado por temperamento, um forte a apontar as fraquezas dos outros…".
Da sua obra, como escritor e jornalista, salientam-se A Igreja, Cavour e Portugal, Princípios de Economia Política e Páginas Soltas, compilação de vários dos seus artigos soltos foram reunidos, postumamente, em 1906, com prefácio de Carolina Michaëlis e Duarte Leite.
Também teve colaboração na Galeria Republicana (1882-1883) e, postumamente, na revista Princípio (1930).
Actualmente o seu nome é hoje recordado na Escola Secundária Rodrigues de Freitas (antigo Liceu de D. Manuel II), no Porto.
Figura de grande prestígio, íntegra, de elevada estatura moral e intelectual, Rodrigues de Freitas gozava da maior consideração, não apenas no Porto, (a sua cidade natal), mas em todo o Norte, onde o povo carinhosamente o tratava por "Freitinhas".





Horácio António de Almeida Marçal (1906-1988) foi Investigador e divulgador de enorme profundidade, da história e cultura regionais, conferencista, participante activo em diversos congressos.
Horácio Marçal nasceu e morreu no Porto.
Profissional de comércio na cidade do Porto, atividade da qual se veio a reformar em 1982, foi um dos exemplos mais eloquentes do intelectual interessado e empenhado na busca da história do Grande Porto, em geral, e do concelho de Matosinhos, em particular.
Investigador e divulgador de enorme profundidade, da história e cultura regionais, o seu trabalho publicado ultrapassa, largamente, um milhar de artigos, entre prosa e poesia.
 Em 1928, iniciou a sua atividade literária no quinzenário académico Alma Lusa, não mais tendo parado no que respeita à investigação e publicação dos mais variados aspetos da cultura e história portuenses. Desde o Jornal de Notícias à revista O Tripeiro, são incontáveis os seus artigos.
Conferencista de grande qualidade concedeu o seu largo saber em palestras e conferências nas mais diversas coletividades: Orfeão de Matosinhos; Câmara Municipal de Matosinhos, Santa casa da Misericórdia e Associação Recreativa Aurora da Liberdade.
Participante ativo em diversos congressos, foi membro auxiliar da extinta Comissão de Etnografia, anexa ao Museu de Etnografia e História, desde 1950. Durante um quarto de século, e até 1975, ocupou vários cargos na Associação Cultural Amigos do Porto, incluindo os de secretário e secretário-geral da mesma, tendo sido nomeado Sócio de Mérito em 1985. Foi membro da Junta de Conciliação da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, entre 1972-75 e membro da Comissão Executiva da Exposição Cerâmica Portuense – Séculos XIX/XX, realizada na Casa do Infante em 1973.





O padre Agostinho Rebelo da Costa era natural de Braga, presbítero secular do Hábito de S. Pedro, doutor em teologia pela Universidade de Coimbra, cavaleiro professo na Ordem de Cristo. Publicou em 1788 a célebre e tão discutida «Discrição Topográfica e Histórica da Cidade do Porto».Trata-se de uma obra absolutamente incontornável para a História e conhecimento da cidade do Porto no Século XVIII.
Muito pouco se sabe mais, da vida de Agostinho Rebelo da Costa. No prefácio do Doutor Artur de Magalhães Basto ficámos a saber, então, que “foi presbítero secular, cavaleiro professor da Ordem de Cristo, doutor em Teologia pela Universidade de Coimbra, natural de Braga, filho de Manuel Rebelo da Costa e de Maria Vieira de Azevedo. Faleceu no Porto a 9 de Janeiro de 1791, e foi sepultado no extinto Convento dos Carmelitas, segundo a sua disposição testamentária.”


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